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segunda-feira, dezembro 10, 2012

O Candomblé versus os Cubanos e Nigerianos

O Candomblé versus os  Cubanos e Nigerianos

Parte 1

Estamos vendo no dia a dia a chegada de nigerianos e cubanos, muitos ligados a Ifá, mas, também ligados aos cutos de Orixá dos seus respectivos países. Essas pessoas aportaram aqui no Brasil para resolver a sua vida pessoal e financeira, trazendo para cá a sua prática religiosa.

Em todos os casos essas pessoas são sacerdotes profissionais. Vem para cá tendo a sua prática religiosa como profissão. Não são pessoas que vieram para o Brasil viver e trouxeram junto a sua prática religiosa. É o contrário, eles trouxeram a sua pratica religiosa para viver aqui. Bom, nem sempre viver, muitos fazem incursões periódicas trazendo os seus, valiosos, serviços.

No caso do culto de Ifá, considerando que nunca o tivemos aqui, qualquer coisa que se traga, esta valendo. Eu acredito que Ifá no Brasil vai desenvolver uma tradição própria, mas, isso leva tempo. Nesse momento o que temos disponível é a prática trazida por Nigerianos ou Cubanos, bem distintas entre si.

Estamos em um mundo globalizado, com fronteiras fracas, no qual é muito difícil se manter conceitos de regionalismo. Tudo se comunica. Eu me lembro que ha muitos anos atrás lendo um livro sobre aqueles tapetes orientais, feitos em diferentes regiões e países, o autor disse que no passado você poderia distinguir a origem de um tapete pelo seu desenho. Cada região tinha os seus padrões, mas, que isso já tinha acabado porque um via o trabalho do outro e incorporava novos desenhos aos seus.

O mesmo ocorre com a religião. Claro que religião esta ligada a sociedade que a gera, mas, muitas religiões estão se universalizando e junto com isso trazem conceitos originais da sociedade que as criaram para uma nova sociedade. 

No caso da religião Yorùbá o processo é o mesmo. Existe um conceito que me refiro aqui que é o de Tradição religiosa. O Candomblé é uma tradição religiosa. Essa expressão "tradição" é uma colocação técnica e não coloquial.

Uma tradição religiosa é uma vertente de uma religião original que se especializa, que melhora, para se adaptar a uma nova situação. No caso Yòrúba a diáspora negra exportou pessoas com sua religião para outros continentes. Essa diáspora gerou 3 novas tradições religiosas, o Candomblé no Brasil, O lukumi em Cuba e o Voodoo no Haiti. Todas as 3 tradições voltadas para o culto de Orixá e muito similares entre si.

Essas tradições são expressões da mesma religião original mas que sofreram adaptações para a nova sociedade onde se estabeleceram. As tradições estão ligadas aos dogmas e teologia da religião original mas tem no seu dia a dia variações. Elas não desvios. Pelo contrário. Elas são especializações, melhorias voltadas para a nova sociedade onde se estabelecem.

Uma nova sociedade tem outros valores, outra ética e moral. Existem aspectos da sociedade geradora da religião que não poderão se refletir na nova sociedade Existem também aspectos liturgicos da religião que devem ser adaptados à nova terra.

É neste contexto que surgem as tradições religiosas.

O Candomblé é uma tradição e é a melhor expressão que a religião Yòrúba poderá ter aqui no Brasil. O mesmo vale para as demais nos outros países.

Assim é lastimável brasileiros que acham que faz algum sentido eles adotarem as praticas dos Lukumi que vem junto com os cubanos ou pior ainda a religião tradicional Yoruba trazida pelos Nigerianos.

No caso dos Nigerianos o que eles trazem é a chamada YTR ou Yoruba Traditional Religion - Religião tradicional Yoruba.  A YTR é  mais uma tradição. Lá na Nigéria ela representa o que sobrou da religião deles ou o que eles ainda lembram. Ela não tem nada de ser A PROPRIA religião original, é mais uma tradição assim como o Candomblé e o Lukumi o são.

Os africanos estão reaprendendo coisas à partir das tradições da diáspora.

Eu, como outros, tenho a opinião foi a forma como os Orixás tiveram para se preservar. Ao se estabelecerem no novo mundo a tradição dos Orixás se preservou. Se dependesse de ficar so na Nigéria a religião teria acabado, como, por exemplo, acabou a religiao Havaiana. 

A diáspora representou assim uma estratégia dos Orixás preservarem a religião

Não se iludam, na Nigéria, é todo mundo cristão ou mulçumano. A YTR é a minoria da minoria. Essas pessoas que vem para cá não são nem os mais tradicionais ou conhecedores da religião. Esses, os tradicionais, os antigos, ficam lá tomando conta do seu povo. O que vem para cá ou não sabem nada ou sabem pouco e inventam o que não sabem.

Assim quem esta se associando com essa tal YTR esta adotando uma tradição que não foi adaptada para a sua sociedade e terra e ainda acreditando em pessoas que formação duvidosa.

Eu vejo como a expoência da ignorancia as pessoas que se ligam a YTR e acham que estão se ligando a religião original. Acham o máximo. Muitos entendem que por ser a tradição da Nigéria representa o que tem de melhor. NÃO É.

Não tem garantia de conhecimento. Não tem garantia de seriedade. Ninguém pode garantir que essas pessoas desconhecidas que aportam aqui trazem algo que de fato represente a pratica religiosa deles. Não acreditem que esta tradição trazida represente melhor a religião do que a tradição que já existe aqui.

Possivelmente essas pessoas não chegaram a conhecer o Candomblé, ou se conheceram não entenderam. Também tem o caso muito comum de pessoas que não querem se submeter ao período de formação do Candomblé, ao rigor das regras, à hierarquia e assim procuram essa alternativa que não tem nada haver com  nossa sociedade e país.

Eu não tenho dúvidas que a YTR será a melhor opção na Nigéria para os Nigerianos, assim como o Candomblé e o Lukumi será a pior opção para os Nigerianos. 

No caso dos Lukumi é um pouco diferente. Ele tem um padrão de formação e as pessoas são bem formadas nesse padrâo. Contudo o Lukumi será uma excelente opção religiosa para os Cubanos e lá em Cuba. Não para os brasileiros. É uma tradição que floresceu lá. Ela é muito sincrética, uma coisa que a gente aqui no Candomblé esta abandonando. Para os Lukumi é mais difícil, não é a toa que eles são chamados de santeiros.

No caso das cantigas o Yoruba dele é péssimo, inexistente. Eles misturam o Yoruba com a pronúncia do espanhol deles e criaram uma coisa ininteligível. Aqui no Brasil conseguimos no Candomblé preservar muito as cantigas e a lingua original.

Mas existem outros aspectos mais profundos e que diferenciam essas tradições.Minha opinião é que o culto de Orixá no Brasil é a melhor tradição de Orixá que alguém pode encontrar. Ir atrás do Lukumi é atraso de vida para brasileiros.

A coisa de fora NÃO é melhor do que a nossa. 

Mas, é um fato a concorrência que o Candomblé vem sofrendo dos Nigerianos e Cubanos. O pior é se pessoas desavisadas e descompreendidas misturarem coisas das tradições como se fosse tudo a mesma coisa. NÃO É. Ainda esta em pequena escala mas alguns Ogan idiotas já ficam querendo cantar cantigas Lukumi em Xire como se estivesse fazendo algo de especial. Não estão, estão apenas prejudicando o Candomblé.

O que enfraquece o Candomblé são apenas questões internas que se originaram do processo de crescimento sem ordenação que a religião sofre. Sim tem muita coisa torta e isso impressiona mal as pessoas levando elas a achar que vão encontar alguma coisa melhor em outra tradição.


Uma das piores fontes de coisas tortas, mal feitas e desajustadas no Candomblé e devido a invasão de Umbandistas que não entendem de Umbanda e se metem dentro do Candomblé. É o pior tipo de pessoas. Sincrético por natureza e ainda achando que o que ele fazia na Umbanda era parte de uma religião afro-brasileira. Nem isso eles sabem, a Umbanda é uma religião brasileira e não afro-brasileira.

Essas pessoas sem conhecimento, regras e paciência tem trazido apenas porcaria para o Candomblé. Isso inclui sua presença e seus hábitos. Qualquer pessoa pode adotar o Cadomblé como religião. O que não se pode fazer é o que essas pessoas fazem querendo misturar a Umbanda dele como Candomblé. Eles não procuram uma outra religião, eles procuram incorporar mais uma coisa à pratica deles. Essas são um dos grupos de pessoas que enfraquece o Candomblé.

Eu vou transcrever no post a seguir um trecho do livro do José Beniste chamado Mitos Yoruba. É um capítulo final do livro no qual ele comenta sobre o assunto da introdução no Candomblé e também faz criticas aos rumos que a prática esta tomando

Eu recomendo que leiam o livro, é muito bom como tudo o que o Beniste escreve. O trecho que eu vou colocar aqui explica como foi que a tradição do Candomblé surgiu no Brasil e a partir dessa informação eu vou fazer mais comentários.

sábado, dezembro 08, 2012

O que são Oráculos de confirmação?

 O que são Oráculos de confirmação?

Oráculo de confirmação, no Candomblé, é uma forma de designar um conjunto de instrumentos oraculares que tem através do seu uso a finalidade de confirmar informações, procedimentos e liturgias executados pelos iniciados e sacerdotes. 

Eles diferem de um oráculo tradicional, como os Búzios ou Ifá, porque esses últimos analisam e respondem a questões complexas que lhes são colocadas, enquanto que o oráculo de confirmação é utilizado de forma bem objetiva.


O oráculo de confirmação tem seu uso direcionado para questões diretas, que podem ser respondidos com “Sim” ou “Não”. Assim, sua finalidade primária, é confirmar para olhador ou Bàbáláwo inúmeras coisas e detalhes que são necessárias no dia a dia de sua função.


No Candomblé um dos usos mais comuns e populares para eles é a confirmação do sucesso de oferendas, rituais e liturgias. É parte do ofício do sacerdote usar um instrumento oracular para obter do divino, do Orixá (Òrìṣà) a confirmação do que foi feito ou apresentado. 


Se uma oferenda é feita, uma confirmação é feita para ter certeza de que foi aceita. Se um sacrifício é realizado, no fim tudo o que foi feito deve ser realizado. Se uma liturgia vai ser realizada, confirmações são feitas antes de iniciar. Toda a atividade religiosa deve ser confirmada para que se tenha a certeza do que se está fazendo.


Neste contexto estes instrumentos se inserem.


Houve, ao longo do tempo, perda de conhecimento e uma excessiva especialização no uso dos mesmos de maneira que, o seu lugar e importância como instrumento de oráculo para o dia a dia das pessoas, sejam sacerdotes ou iniciados, deixou de existir.


Antes de tudo e acima de tudo esses instrumentos são oráculos, eles nos permitem interagir com o divino. A perda desta consciência os fez serem reduzidos ao seu uso mais simples, de mero confirmadores e pior, levou a perda de capacidade de usar os instrumentos como oráculo.


Esses instrumentos também fazem confirmações. Mas, muito mais do que isso eles interagem com o divino, são oráculos de uso geral. O Iniciado na religião dos Orixá (Òrìṣà) sabe que pode contar com o divino o tempo todo para suportar sua vida, para ele ser feliz. Esses oráculos são parte disso e deveriam ser usados por todos.


Oráculo de confirmação é um termo comum, porém, muito restrito para designar a capacidade dos instrumentos de oráculos que são usados na religião Yòrúba: 4 búzios, cebola, orógbó e principalmente o Obí. Em Ifá, acrescente o uso de pedaços de coco, que são os mais usados no Ifá de tradição Cubana.


Oráculos são sempre oráculos. Eles são o meio de comunicação entre nós e o divino, entre o Àiyé (o espaço em que vivemos, o mundo físico) e o Órun (ọ̀run) (o espaço espiritual), entre o ser humano e deus (Olódúmarè ).


A palavra divino será usada aqui para representar todo o contexto espiritual e supernatural. Representa o modelo metafísico completo da religião, incluindo a divindade superiora, Olódúmarè, seus ministros, os Orixá (Òrìṣà) e qualquer espirito ou divindade que dentro do conceito teogônico adotado venha a se comunicar com os seres humanos.


A palavra "deus" é um substantivo. Não representa uma divindade em especial mas qualquer divindade superior de uma religião. Qualquer religião pode e deve usar a palavra deus para designar a sua divindade superior.


Um oráculo implica na existência de 4 elementos: 


  • O divino que tem conhecimento sobre você e sobre tudo o que o cerca;
  • um mensageiro para receber as mensagens e manter a comunicação com o divino;
  • um instrumento para essa comunicação;
  • um método para essa comunicação.
Em função do instrumento ou do método, ocorrerá uma variação na forma como as mensagens são apresentadas. Desta maneira, alguns instrumentos terão o seu uso mais objetivo e especializado. Contudo, por mais simples que seja o instrumento usado, será sempre o divino que estará respondendo a quem o consulta.

A importância desses instrumentos de oráculo no dia a dia das pessoas e da religião se explica porque esses oráculos são voltados para a comunicação simples, direta e sem trazer efeitos colaterais. 


A religião Yòrúba é formada por mais um culto, com casas especializadas em cada culto e sacerdotes especializados em cada um dele. O principal é o culto aos Orixá, contexto no qual o Candomblé se insere. O culto ao orixá é o culto comum, voltado para a pessoa, a família e a comunidade. O segundo é o culto de Ifá, voltado exclusivamente para cuidar do Oráculo de Ifá, principal Oráculo da religião e que traz às pessoas as orientações de deus sobre sua vida, além de corrigir problemas e doenças. O terceiro é o culto de egungun, voltado para o culto a ancestralidade. Este último é o menos comum, mas igualmente importante. A família e a sociedade esta no núcleo dos valores desta religião. A ancestralidade é muito importante e as pessoas que morrem são cultuadas pela importância que tiveram, pela proteção que dão à nossa vida e também pela perspectiva de que elas reencaranarão em descendentes.

No caso de Ifá, por exemplo, que é o oráculo por excelência da religião, ele é um oráculo complexo, de uso mais demorado, e sua consulta envolve a invocação de um Odù. Isso traz uma carga de responsabilidade muito grande porque toda consulta através de Ifá ira trazer um Odù e um Odù não é apenas um simbolo é também uma resposta energética de deus. 


Uma consulta a Ifá sempre indicará um ebó (ẹbọ), porque sempre traz a energia de Olódúmarè, o Odù, para ajudar ao consulente e isso gera a necessidade dessa energia ser manipulada (por isso o motivo do ebó (ẹbọ)). Ifá é indicado para motivos especiais e importantes na vida das pessoas.


No nosso dia a dia, existe a necessidade de uma forma mais direta e imediata de consulta ao divino, que não passe necessariamente por Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) e por Ifá e que possa ser feito por qualquer pessoa, seja esta pessoa um Babaláwo ou um iniciado em Orixá (Òrìṣà).
 

A premissa do oráculo e da continua comunicação entre nós e o divino é uma parte importante da religião Yòrúba que esta fundamentada na presença e prática continua da Fé, uma via de duas mãos, entre o Àiyé e o Órun (ọ̀run). 

Na prática comum laica ou religiosa, existem situações que não vamos tratar do destino e da vida das pessoas. Precisamos de tratar de assuntos religiosos e de questões objetivas de nossa vida. Precisamos conversar com nosso Orixá (Òrìṣà) ou Exu (èṣù). Precisamos confirmar a realização e o sucesso de liturgias. 


É para isso que existem os ditos oráculo de confirmação.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

... e a Cebola continua

... e a Cebola continua

Só complementando sobre o uso da cebola, o seu uso esta baseado na caracteristica côncavo-convexo de alguns objetos. É o que ocorre com os cubanos que usam pedaços de coco.

Os cubanos fazem como o Candomblé, ao invés de usarem o Obi, se acostumaram a usar pedaços de coco como instrumento de oráculo. Contudo no caso do uso do coco não é igual ao da Cebola, porque, nos cocos, não dá para ter controle do resultado como pode ser feito com a cebola.


Mas o instrumento é semelhante, cada pedaço é de uma lado côncavo e do outro convexo. Esta mesma fisiologia faz com que se façam correntes de Opele sem usar a semente de Opele, elas são substituidas por um pedaço de alguns materiais que tenha uma lado côncavo e outro convexo.


Essa característica com certeza é a base para o uso da Cebola, assim, ela não necessita ser descartada como um instrumento.


Mas, como eu disse, o coco é um instrumento adequado, a Cebola não. O uso da cebola como instrumento de oráculo, em princípio não fere nada de grave. Ela não deveria ser usada porque não é adequada, não se presta a ser usada em uma sequencia de jogadas como é necessário.


O principal motivo de sua popularidade, na minha visão, é o fato das pessoas darem um jeito para sempre dar SIM e elas não saberem como lidar com qualquer outra resposta que não o SIM.

terça-feira, dezembro 04, 2012

O Rei da Cebola

O Rei da Cebola

O mau uso de oráculos de confirmação


Antes de voltar aos assuntos sérios eu quero abordar o assunto dos oráculos de confirmação no Candomblé. Mas de forma bem coloquial.


Oráculo de confirmação é aquele que nós fazemos para confirmar algo que vamos fazer ou que acabamos de fazer. É o uso mais tradicional e comum de oráculo que temos no Candomblé. Nós podemos confirmar tudo, desde um ebó a um Bori. 


Esta religião não possui um deus distante. Pelo contrário, as pessoas se comunicam o tempo todo com deus. O protocolo indica que antes de fazer qualquer procedimento liturgico se faça a confirmação do que vai ser feito.

A confirmação prévia é para saber o que e como fazer. A posterior é para saber se tudo foi feito certo, dando oportunidade para correções. Essas confirmações são feita com um oráculo de confirmação.

Um oráculo é um instrumento de comunicação entre nós com o divino. 

No caso do Candomblé essas cofirmações podem ser feitas com os 4 buzios de Exu, com Obi, com orogbo ou com uma cebola. O objetivo sempre é o mesmo: Temos que usar o oráculo para nos orientarmos em como fazer e depois para confirmar o sucesso do que fizemos.

Este é o protocolo que adotamos com o divino.

Isso também existe da mesma maneira em Ifá, mas, feito com uma abordagem mais séria, afinal, o culto de Ifá é o culto do Oráculo.

Seguindo a regra, não podemos iniciar nada sem a confirmação do oráculo e não podemos considerar que nada feito corretamente sem fazer essa confirmação. 


O motivo da confirmação no início é primero verificar se NÓS estamos preparados para fazer aquilo. O primeiro impedimento a ser avaliado é em quem vai fazer. A segunda avaliação é se esquecemos de algo ou se existem instruções adicionais. Lembrem-se que esta é a religião da individualização, dessa forma você não pode imaginar que tudo vai ser igual para todo mundo!  Existe uma base a ser seguida e dezenas de particularizações a serem feitas.

Mesmo se você esta executando uma fórmula conhecida e padronizada, como um ebó, para aquela pessoa poder ter alguma variação. Se você se preparou adequadamente, na hora de iniciar o oráculo pode trazer alguns complementos no procedimento, do tipo, onde ou como despachar.

As intervenções do oráculo sempre são benéficas, ele interrompe algo para melhorar e fazer certo. 

O procedimento de confirmação é simples, usa-se um oráculo para responder SIm ou Não a pergunta de que podemos começar ou se tudo foi aceito. Tenho certeza que todo mundo já viu isso ser feito, centenas de vezes.

Explicar como estas confirmações devem ser feitas adequadamente é assunto para um outro texto longo, mas, se você vai fazer algo para alguém, independente do primeiro momento, do jogo que definiu que algo deve ser feito, o babalawo ou babalorixá deve voltar sozinho naquele tema para confirmar e detalhar o que vai fazer. Isso é responsabilidade profissional.

Contudo, nos deparamos aqui com o velho problema de pessoas despreparadas e sem conhecimento. Despreparadas por falta de formação, porque não aprenderam o que deveriam, porque não ficaram em uma casa o tempo suficiente para aprenderem ou porque não receberam mesmo este conhecimento (quem os formou não tinha o que ensinar). 


Parece que estou valorizando mas não é. A coisa mais simples que é uma confirmação exige conhecimento para ser feito. A pessoa deve saber o que perguntar e como perguntar.

Entenda, se a pessoa não tem conhecimento, de que adianta ela fazer confirmação antes de iniciar? De nada, porque ela não vai saber o que fazer com a resposta NÃO. Ela não saberá o que explorar, o que corrigir, o que melhorar! 

É neste ambiente que a Cebola prosperou no Candomblé. 


Esqueçam a questão do valor de uma cebola versus o valor de um Obi. Na realidade as pessoas poderiam usar os 4 búzios de Exu para confirmar e isso não teria custo nenhum.

A grande questão é que os tais pais de santo se borram de medo de usar um oráculo decente. Eles não se submetem ao oráculo. Eles não aceitam um oráculo recusando algo que ele vai fazer, ali, na frente de dezenas de pessoas. Para evitar este constrangimento eles fizeram adaptações no oráculo de confirmação.


A primeira adaptação foi a questão do SIM. 


Quase tudo vale para uma caída positiva. Imaginemos uma cebola com 4 partes ou um Obi com 4 partes. Se 2, 3 ou 4 partes cairem abertas é um SIM. O NÃO é apenas se nenhum ou 1 segmento cair aberto.

A segunda adaptação foi eles jogarem... e jogarem... e jogarem... o instrumento, o Obi ou a Cebola, tantas vezes quanto forem necessárias para obter um SIM. Então vejamos, se o Pai de Santo começa jogando e recebe 3 NÃO ele passa para outra pessoa que vai jogar mais 3 vezes e se esta não conseguir ele passa para outra pessoa até que apareça um SIM. Se aparecer um SIM depois de 5 NÃO, esta tudo OK, aquele SIM vale mais do que os 5 NÃO anteriores.
 

Não é incrível? Mas é verdade eu já vi em Bori 5 NÃO consecutivos e um SIM, forçado, para acabar com aquele suplício. Imagino o que aquela cabeça, de Omolu, não estava querendo dizer...  Já vi em oferenda para Exu 7 NÃO consecutivos....

Vejam, isso é uma palhaçada! Não existe nenhuma confirmação. Existe apenas uma pantomima para dar SIM. O SIM é a única resposta aceitável.


Essas pessoas não estão preparadas para receber um NÃO. Pior, elas nem sabem o que devem fazer se receberem um NÃO. Se fosse diferente elas não veriam o menor problema em receber um NÃO.


Em Ifá, onde isso é feito com seriedade a gente pergunta apenas 1 vez, a resposta que veio esta valendo. Recebemos  NÃO o tempo todo, ou melhor, encaramos de forma natural e normal a resposta NÃO. Eu fico até preocupado quando vem SIM de cara.

Sempre esta tudo normal. Recebemos a reposta que for e sabemos exatamente o que fazer com ela.

A terceira adaptação do Candomblé foi o fato de usarem preferencialmente cebolas como instrumento deste oráculo. O motivo de usar a cebola não é porque é barata. É porque ela é grande e os segmentos caem com facilidade abertos. Os pais de santo se esmeram na técnica de como abrir e "jogar" uma cebola sem correr o risco de algum segmento ficar fechado. Se pudessem eles ainda colocam cada um na posição certa...

É uma técnica apurada. Uma técnica de enrolação, de mentira e enganação. Sim, isso mesmo, porque quem esta recebendo aquilo esta sendo enganado.


Eu conheci um pai de santo que era um primor nisso. Se Você colocasse um Obi na mão dele, era um terror. Ja vi caida de Obi em que os gomos caiam ainda colados e mesmo assim ela já dava confirmação. Aquilo era uma palhaçada. 


Pegar búzio para confirmar? Nem pensar. A coisa era tão ridícula que eu nem mais me preocupava em olhar aquilo. Para que? 

Mas, como disse antes  a base de tudo isso é a ignorância. A pessoa não entende o valor do oráculo, não dá importância aquilo e por fim não acredita. Aquilo só serve quando confirma. Entretanto, este desrespeito pelo oráculo é compreensível para mim. Vejam, ele como inúmeros outros que dizem que jogam búzios, jogam apenas pela vidência. Não importa como os búzios caem, é a vidência dele (aurividência ou clarividência) que dizem o que ele deve falar.


Desta forma se a pessoa usa um oráculo no qual o que ele tem que falar é "soprado" no ouvido dele, como é que ele vai acreditar em oráculo? Como ele vai acreditar que aquilo funciona?


Ai a pessoa se transforma no Rei da Cebola. Se esmera em fazer com que os gomos da cebola caiam naturalmente, com pouco esforço e que fiquem sempre na posição certa. É isso o que mais vemos por ai, não esquecendo, claro, da política de um SIM anular os 20 NÃO que vierem antes.

A Cebola pode ser usada no Candomblé, mas, não é um bom instrumento. 

Ela se desfaz com o uso e não suporta cair de qualquer altura, como deveria ser. Quem gosta mesmo dela é quem quer ter certeza que sempre vão receber um SIM. Qualquer pessoa honesta sabe que na maior parte das vezes tem que dialogar com o oráculo para fazer ajustes antes e depois de iniciar. Para esta finalidade a cebola não serve.

Os reis da cebola são aqueles que sempre confirmam de primeira e que tudo aquilo que fazem esta sempre certa. É incrível que em uma religião onde a individualização é uma das coisas mais importantes, como, para essas pessoas, as receitas prontas e padrões que elas tem servem igualmente para todo mundo.


Você pode imaginar estar sempre certo em tudo? Você pode imaginar estar sempre preparado para tudo?  Não dá..

O oráculo não é para atrapalhar ou criticar, é para orientar e garantir o sucesso.


Se você pertence a alguma casa, passe a prestar atenção nessas confirmações para saber o nível de seriedade que isso é tratado.


O Rei da Cebola são os babalorixá que escolhem a cebola como seu instrumento de confirmação porque ela sempre vai dar SIM. Eles se aperfeiçcoam na técnica da enganação e na mão deles sempre ela confirma tudo que vão fazer ou que fizeram. Eles não sabem como proceder se receberem ou não, de fato eles não entendem a utilidade de um oráculo. 

O

segunda-feira, dezembro 03, 2012

As tarefas da Apetebi

As tarefas da Apetebi

 A mulher em fá - ultima parte


Deixei para encerrar esta série de textos sobre a mulher em Ifá com um verso muito interessante que resume 2 aspectos sobre como Ifá ve a mulher.

No fim do texto eu faço os comentários finais

Orunmila diz que "muito cedo vamos amarrar contas do ide de Ifá”
Eles responderam que "nós também nos adornar nossos braços com as pulseiras de latão de Oxun"
Orunmila pergunta se Apetebi cuida do santuário de Ifá santuário ou se ela não o faz
Eles responderam que Apetebi cuida do santuário de Ifá
Orunmila declara que "Se Apetebi cuida do santuário de Ifá"
"Ela vai ser abençoado com uma vida em seu ventre"
Orunmila diz que "muito cedo vamos amarrar contas IDE" Eles responderam que "nós também nos adornar com pulseiras de latão Osun"
Orunmila pergunta se Apetebi cuida de Ifá santuário
Ou ela não o fizer
Eles responderam que Apetebi cuida de Ifá santuário
Orunmila declara que "Se Apetebi cuida de Ifá santuário"
"Ela vai ser abençoado com uma vida em seu útero"
Orunmila diz que "muito cedo vamos amarrar contas do ide"
Eles responderam que "nós também vamos nos adornar com as pulseiras de latão de Oxun"
Orunmila pergunta se Apetebi cuida do santuário de Ifá ou se ela não o cuida
Eles responderam que Apetebi cuida do santuário de Ifá
Orunmila declara que "Se Apetebi cuida do santuário de Ifá"
"Ela vai ser abençoado com um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos"
Estas foram as declarações de Ifá para Jebutu que era a esposa de Agbonniregun Quando chorando em lamentação de sua incapacidade de ter um filho
Ela foi aconselhada a oferecer sacrifícios.

Jebutu era a esposa de Orunmila por vários anos. Ela não teve filhos. Todas as mulheres que ele se casou depois dela tinham sido abençoadas com filhos. Ela foi, porém, a única entre as esposas de Orunmilá que estava fazendo tudo o esperado de uma boa Apetebi.


Ela costumava cuidar de todos os visitantes, cozinhar para eles, preparar sempre o santuário Ifá, limpar o local com total dedicação. Ela estava sendo ridicularizada pelas outras esposas há algum tempo por causa disso.Mas essas ações delas nunca a dissuadiram de fazer o que ela sabia que era certo e apropriado.


Um dia, porém, Orunmila teve alguns visitantes que eram Babalawo. Jebutu, como de costume, teve o cuidado com eles e arrumado o santuário Ifá para eles. Quando ela estava para para o quintal, uma de suas esposas mais novas de Orunmila comentou que elas deviam permitir que Jebutu para continusse cuidando dos alimentos para os visitantes, enquanto as esposas restantes continuavam a cuidar das crianças de seus maridos.


Este comentário feito para Jebutu a dexiou tão triste que ela explodiu em lágrimas de tristeza. Em agonia, ela ergueu os olhos para o céu e disse:
 

Odidere (papagaio), o pássaro do alto mar de Aluko (Maroon Touraco Musaphagidae),
o pássaro da lagoa
Se nós falharmos de vermos um ao outro outra vez
Não deixe de fazer aquilo que nós já conversamos
Estou cansada e esgotada
Por favor, escutai as minhas orações hoje
Porque eu estou cansada e exausta.


 

Enquanto ela estava dizendo isso, um dos visitantes Orunmilá, que tinha ido para o quintal para atender o chamado da natureza a ouviu. Depois de muita persuasão, ela narrou todo o seu calvário para ele. Ele a levou para o meio de todos os Awo. Todos eles tiveram pena dela. E aí então, Orunmila consultou Ifá. Foi quando Ifá declarou que desde Jebutu tinha cuidado do santuário Ifá, ela será abençoada com três coisas: uma vida em seu útero, uma vida em suas costas e um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos. Ninguém sabia o que estes três bênção significavam. 

Orunmila respondeu que a gravidez é a bênção de uma vida no ventre de uma mulher, uma criança é a bênção de uma vida de costas e dinheiro é a bênção de um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos.


Foi assim que ficou grávida Jebutu, tornou-se uma mãe orgulhosa e uma mulher rica devido à sua perseverança.


Esses versos são bem representativo da visão que Ifá um culto masculino reserva para a mulher. Claro que é uma visão Nigeriana, mas mesmo a visão cubana é identica, com pequena variação.

Como eu sempre digo e repito. Ifá é um culto masculino. Ao longo dos inúmeros textos que eu publiquei aqui, os mais relevantes para se entender a visão de Ifá para as mulheres, vimos um desfile de versos que mostram que Ifá reserva para as mulheres tarefas dométicas. Uma Apetebi serve a um Babalawo e sua atividade é manter limpa a sua casa e assentamentos.


Os Nigerianos a veem como a mulher de fato do Babalawo, ele dorme com ela. Os cubanos inventaram o cargo de Apetebi, deram uma pompa qualquer mas no fundo é a mesma coisa. O que Ifá reserva para a mulher é através de Oxun, o seu poderoso oráculo e isso diz respeito a todas as mulheres e não a Apetebi em particular.


Espero que vocês tenham observado nos demais textos, mas, neste em particular que as histórias de Ifá sempre reservam para a mulher atitudes de pouca índole e traiçoeiras. A visão da personalidade da mulher é pequena e mesquinha.


Assim
seja na atribuição de tarefas práticas como também às atitudes que a mulher espelha nos versos, a visão reservada à mulher é muito ruim. Por isso eu digo e repito, Ifá é um culto masculino.


Aqui no novo mundo, apenas por motivações comerciais se invenou a figura de Iyanifa. Iyanifa é uma sacerdotiza de Ifá, uma mulher que recebe o conhecimento, terá a capacidade de jogar, mas, somente irá fazer isso se não houver nenhum babalawo disponível. Além disso ela nunca poderá ver Odù.

Essa figura não existe no Ifa cubano, apenas no Nigeriano. No Ifá cubano a mulher será Apetebi. E ponto.

Na África Iyanifa é um cargo muito raro. Reservado apenas a mulheres de famílias de tradicionais familias de Babalawo, casadas com um Babalawo. São muito raras porque isso significa muita dedicação e nenhum privilégio.

Aqui para o novo mundo, onde a mulher tem uma figura mais independente eles encontraram isso como uma forma de ampliar o seu comércio de falsidades. Principalmente nos EUA mas também aqui no Brasil a gente vai ver mulheres que acham que são alguma coisa porque foram "iniciadas" como Iyanifa. Esqueçam, elas não são nada, são apenas mais uma vítima do comercio Nigeriano. Eles, os Nigerianos, fazem isso aqui, porque, lá na terra deles, com seu povo onde são cobrados para terem seriedade els não fazem. Lá eles seguem as regras restritas que tem.

Aqui, no novo mundo, é terra de Malboro, lugar para ganhar dinheiro de branco.


Minha visão não é negativa em relação a esta assunto, O caminho da mulher em Ifá esta ligado a Oxun e ao eerindinlogun. É nesta atividade que  mulher encontra o seu lugar nobre e isso esta muito bem descrito no longo texto que eu fiz sobre o eerindinlogun e Ifa.


Não gosto de ver gente enganada, assim, mulheres não se iludam com essa conversa de Apetebi. 


É história da carochinha.  

No caso Nigeriano, eles não dão valor nenhum. No caso do cubano é só para inglês ver. Como sempre este Blog representa a minha opinião e o culto onde a mulher tem valor e relevância é no culto de Orixá.

Se Você pertence ao culto de Orixá, é uma Iyalorixá ou Ekeji, não tem sentido se iniciar em Ifá para ser Apetebi. No culto de Orixá é importante em Ifá vai ser o que? Empregada doméstica?  Acordem

Se você não pertence a nenhum culto e vai entrar em Ifá para ser Apetebi? Não perca seu tempo, provavelmente é mais uma que cai nessa conversa de fazer uma consulta e a pessoa falar que você deve ser iniciada, é assim, você é otária 2 vezes. 

segunda-feira, novembro 26, 2012

Como Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) se tornou uma corrente


Em uma história revelada sob Obara Irosun, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) consultou Ifá para saber sobre sua condição. Ele foi questionar por uma boa fortuna. Ao lançar sua adivinhação Ifá disse-lhe para ir para um lugar especial, onde ele seria capturado "como um escravo" Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) não discutiu, nem ao mesmo ele se recusou, ele arrumou sua bolsa e saiu.


Perto do local específico onde Ifá instruiu-o a ficar em uma árvore, havia uma cidade cujo rei havia morrido muito tempo, pois eles estavam procurando para o "escravo usual" para instalar como o próximo rei. Mas, todos os escravos capturados anteriores não foram aceites pelo Ifá.

Não foi, até quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi capturado quando Ifá disse “sim”, ele é o rei. Imediatamente, começaram os ritos da instalação. Mas em casa, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) deixou sua esposa favorita, que sabia cozinhar sua comida. Somente Firesẹfun sabia cozinhar para ele e temperar sua comida de forma adequada e também que tipo de artigos usar para banhá-lo.

Assim que foi confirmado pelo Ifá, os fazedores de reis não perderam tempo em levá-lo ao banheiro. "Este é apenas um vindo do mato, precisamos tê-lo corretamente banhado antes de ser posicionado no banco dos reis". Sem perder tempo, eles trouxeram a maior esponja ao redor e esfregou-lhe até que eles ficaram satisfeitos. Enquanto eles estavam fazendo isso, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) continuou gritando que ele não tomava banho com esponja, mas eles não ouviram. Logo depois, ele começou a sangrar com marcas de tigre em todo seu corpo.

Depois disso, ele foi servido com alimentos preparados com bastante pimenta e sal. Isso estava se tornando insuportável para ele, e por mais que ele se queixa-se, eles não o ouviram dizendo que não sabiam uma melhor forma de cozinhar. Foi nesta conjuntura que Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) pediu para consultar com um Bàbáláwo. "Como eu vejo Firesẹfun minha esposa? Ele foi convidado a oferecer um rato gigante em particular como sacrifício, e que o rato é o que vive em uma caverna em especial em Ilé Ifè.

Este rato é famoso a todas as pessoas que vivem nesta região. Tão longe quando Ilé Ifè é, ele pediu que os servidores para serem enviados na missão com “não importa o que, certifique-se de voltar com o rato gigante”.

Enquanto isso, na casa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), Firesẹfun também ficou preocupada além dos limites. A ausência de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) tinha criado um vácuo para todos os tipos de maus-tratos vindos de Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀), o auxiliar pessoal de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Ele já havia tentado todos os esforços para seduzir a esposa de seu mestre, mas ela tinha se recusado. Mas quando ele foi se tornando mais confrontacional, ela resolveu consultar com outro Bàbáláwo. Foi-lhe dito para trazer o rato gigante que vivia em uma certa gruta. A mesma caverna descrita para os servos de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Ela também tinha que trazer alguns outros materiais de Ifá, que seriam usados para realizar o sacrifício que permitiriam a ela ver Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), seu marido.

Sem perder tempo, ela entrou na floresta com alguns homens para ajudá-la a capturar o rato e se moveu para a parte da floresta para cortar as folhas de Ifá. Enquanto isso, as pessoas enviadas de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegaram ao local.

Eles viram os homens com o rato que eles sabem é o único dentro da caverna. Eles pediram que fosse dado a eles porque um rei tinha necessidade dele. O argumento se seguiu a palavras quentes que Firesẹfun ouviu através da floresta. Ela correu de volta apenas para encontrar seus homens trocando socos com alguns homens. Ela nem sequer esperou para ouvir qualquer explicação, ela deu um tapa na cabeça do responsável que estava dando instruções para bater em seu povo. Sem procurar outra desculpa, eles levaram o rato, e prenderam todos os seus homens. “Quando chegarmos ao rei que nos enviou, você poderá explicar por que você tem que bater no seu servo”.

Estava ficando escuro quando chegou à cidade, mas Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) ainda estava esperando por eles. No começo, ele estava confuso em por que eles tinhas que carregar uma mulher, fora de seus pés, em vez do rato os havia enviador. Ele pediu para que a mulher se colocada para baixo para saber o motivo da confusão. Virando-se, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) não podia acreditar no que estava na frente dele, mas desde que seu rosto estava coberto por as contas na coroa, Firesẹfun não poderia vê-lo. Entusiasmado, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) rapidamente removeu as contas da coroa e abraçou sua esposa. Firesẹfun também não perdeu tempo para explicar a razão pela qual ela foi até a caverna e que levou a dar um tapa no escravo, “isso foi porque eu quero ver você de novo que me obrigou a pedir para a adivinhação, o sacrifício de que precisava de um rato gigante que era especificado para ser aquele que vive em uma caverna especial no interior das florestas” Abraçando, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) também narrou seu calvário na nova cidade e ser o novo rei; "eles estavam me dando todos os tipos de coisas que eu não como e eu sei que é só você que pode preparar a minha comida de forma adequada". "Essa foi a razão pela qual eu também pediu a adivinhação", Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse. "Olhe para o meu corpo inteiro, você não pode ver listras de marcas feitas pela esponja que usava no banho comigo? "Eles também estavam usando pimenta para preparar minha comida e apesar de meus protestos, eles não mudaram", Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) concluiu.

Mas há mais do que isso, Firesẹfun disse. "Enquanto você estava fora, Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) tentou me seduzir. Ele tentou tudo dentro de sua capacidade de me estuprar, mas eu resisti ". Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀)? Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) exclamou.

Imediatamente, ele ordenou que os escravos fossem a sua antiga cidade para prendê-lo. Após a sua chegada, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) pediu para confirmar que sua esposa disse; Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) confessou. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) posteriormente o amaldiçoou; pedindo que a partir daquele dia em diante: "Você se tornara uma cadeia que todo mundo que é meu devoto podera usar", "você também ira pedir os ratos, peixes e animais, mas você nunca poderá saboreá-los . Todos os sacrifícios oferecidos no rosto de Opon são oferecidos a Ifá e nunca ninguém ofereceu nada para Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀). Enquanto isso sacrificios são oferecidos para os Ikin.

Firesẹfun banhou Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) com algodão e cozinhou sua comida. Eles comeram juntos. Desde este evento se tornou um taboo usar esponja ou outra coisa abrasiva para banhar ifá.

segunda-feira, novembro 19, 2012

A chegada do Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) em Ifá


Tudo em Ifá tem uma explicação. Normalmente existe um verso em um Odù que explica o que existe ou é feito ou como surgiu. Isso se aplica a tudo, de instrumentos a procedimentos. Parece meio neurótico, e é mesmo.

Assim quando um Bàbáláwo faz uma afirmação ou dá um conselho ele deve, ou deveria estar fazendo isso baseado em algo que aprendeu em um Odù. Se ele dá um conselho pessoal, deve deixar isso claro. É esperado, contudo, que um Bàbáláwo seja guiado pela ética e moral que ele encontra refletida na sua religião, nos versos de Ifá.

Este é o procedimento correto para um Bàbáláwo e deveria ser o mesmo utilizado pelos Bàbálórixà. Estes ultimos também deveriam se guiar pela teogonia da sua religião e pela ética e moral que encontrassem nos mitos e itans que eles aprendessem. A base dos 2 cultos é diferente, os Bàbálórisàs não tem acesso a Ifá nem a Odù, mas, tem acesso  a uma grande coleção de mitos e itans que servem com o mesmo propósito.

Mas, como eu disse, em Ifá tudo é justificado. Existem versos para explicar porque usamos os Ikins, estarão em Iwori Meji e relatam a partida de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para o Òrun. Mas o Bàbáláwo tem outros instrumentos e para cada um deles existem versos que explicam como eles foram introduzidos em Ifá. OK, alguns são meio bobos, mas, tudo tem um verso, é um TOC.

O que relata a introdução do Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) é interessante e esta um pouco vinculado com a questão de mulher em Ifá.

A gênese do Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) é encontrado em Èjì Ogbè. Embora, muitas outras histórias existam sob outros Odù, nenhum é tão explícito quanto o relato dado por Èjì Ogbè. 

Veio um tempo quando o trabalho de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como o sumo sacerdote tornou-se demasiado pesado para ele. Isso foi causado, principalmente, por causa de adivinhação através dos Ikin ser muito lenta para atender à demanda crescente de adivinhação.
Aparentemente, não havia muitos Bàbáláwo disponíveis naquele tempo para cantar extensivamente os versos de Ifá à medida em que iam aprendendo. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), assim, resolveu visitar Olódùmarè para pedir aconselhamento. Ele entrou em seu Àpèrè Ayọ́runbọ̀ e em segundos estava no Ọ̀run.

"Este trabalho está se tornando muito crítico", teria dito a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) a Olódùmarè. Olódùmarè o confortou e intimou-o a perseverar. "Aqueles que irão ajudá-lo irão vir" Olódùmarè respondeu. 

Depois disso Olódùmarè enviou Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) em uma forma física de um homem. Seu nome original era Alákán. Através do conhecimento inigualável, Olódùmarè, fez Alákán ser capturado como escravo. No mesmo arranjo divino, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), depois de chegar em casa, um dia após seu trabalho com Ifá, foi convidado para ir para um determinado mercado para comprar um escravo. Mas foi pedido a ele oferecer um sacrifício antes de ir, de modo que ele iria ficar com um bom escravo. 

Além disso na mesma consulta que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) realizou, ele recebeu a visão do que esperar ao longo de seu caminho para o mercado.

Ifá disse que ele se encontrará com os caçadores na escavação de túneis em busca de ratos; agricultores colhendo inhame, e pescadores procurando peixes. 

Verdadeiras foram as palavras de Ifá, ele conheceu os caçadores. Ele os cumprimentou e disse-lhes 'vocês irão matar um total de 201 ratos neste túnel que vocês estão cavando, uma vez completado o número, embale-os todos à beira da estrada e cubram-nos com folhas de bananeira, porque eles pertencem a mim'. 

Sem saber quem era Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), eles quase não lhes responderam, eles olharam para ele com desdém e disseram: "Ele deve ter bebido". Mas logo que este estranho visitante partiu, os ratos começaram a aparecer de todos os cantos do túnel. Os caçadores mataram 201 dos ratos. Perplexo com a precisão, eles souberam imediatamente que o transeunte deveria ter sido divino, “eu nunca viu ou ouviu falar desse tipo de situação, vamos embalar os ratos para ele", disseram todos. Eles rapidamente partiram e prosseguiram o seu caminho.

A mesma coisa que ele disse na colheita de inhame. "Tão logo o número de inhame que vocês desenterrarem chegar a 200, o próxima terá 16 gomos inchados na base e na cabeça será semelhante a cabeça de um ser humano". 'Vocês devem pegar todas as 201 unidades do inhame para mim. Cubram-nos com folhas de bananeira. 

Aconteceu exatamente o que ele tinha dito. Na verdade, logo que os agricultores terminou embalagem e cobrindo os inhames, eles tomaram o seu rumo. 

Na vez dos pescadores ele reconheceram Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), eles os cumprimentou-o e disse "Vocês matarão 201 peixes”. Eles quase riram em voz alta, porque eles já haviam percorrido as águas por um longo tempo sem ser capaz de matar um único peixe. Mas para não discutir com ele, relutantemente eles colocaram sua rede para o meio do rio e, para seu espanto, eles mataram exatamente 201 peixes. Sem fazer qualquer pergunta eles cobriram tudo com folhas de bananeira. "Na hora que ele retornar, ele iria encontrá-los", disseram eles.

Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) entrou no mercado, ele viu os escravos todos amarrados a postes onde os proprietários de escravos em potencial poderiam os escolher.

Assim que ele colocou os olhos em Alákán, ele nem sequer olhar para os seus atributos novamente. Seu espírito escolheu ele. 

Ele tomou-o e foi para as outras barracas dentro da praça do mercado para adquirir alguns outros materiais de Ifá. Mas, enquanto ele estava ocupado olhando em volta, Alákán tinha desaparecido. Rapidamente, ele voltou para o comerciante de escravos, “ não consigo achar o meu escravo. Ele voltar aqui “? A resposta foi negativa. 

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ficou tão desanimado que resolveu voltar para casa. Mas, ele não se esqueçeu dos lugares onde ele pediu às pessoas para embalar as coisas pendentes no momento da sua chegada. Ele passou pelo rio, onde estavam embalados seu peixe.
Ele não viu nada, mas viu vestígios de alguém ter pego os peixes embalados. O mesmo foi para o agricultor e caçador, os inhames e ratos se foram. Adicionando o tempero de não encontrar os peixes, inhame e ratos para o caso do escravo perdido, sua ira foi incendiada para além do ponto de ebulição. 

Todas as pessoas que ele encontrava no caminho e que o cumprimentavam só tinham um grunhido como resposta. "Isso é muito incomum de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), disseram algumas das pessoas". 

No entanto, quando ele entrou em sua casa, uma de suas esposas acolheu-o e disse: “nós não sabemos se o homem que você enviou é seu escravo ou amigo. Ele trouxe ratos, peixes e inhame. Confuso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não esperou para ouvir o resto. Ele correu para dentro da casa e viu de fato no chão as três pilhas separadas com os artigos. “Mas onde está ele”? Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou, com sua raiva já pacificada e olhando em volta, quero dizer a pessoa que trouxe para a casa todo esses artigos”? - "O rei mandou vir buscar você para você cantar os versos de Ifá para uma adivinhação para ele, mas ele, o homem, optou por ir em seu lugar uma vez que você não estava de volta", disse a esposa.

Sem perder tempo, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) partiu para o palácio. Da parte de trás do palácio, ouviu aplausos e louvores. “Este igualou o feito da pessoa que lhe enviou; “ele não era como o que fazia a adivinhação, mas decifrou o enigma corretamente". Este é uma bom Babaláwo, disseram todos eles em coro. Quando ele entrou no palácio, Olofin chamou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e disse, “esse homem que você enviou é fantástico. Você pode imaginar ele interpretou o conteúdo da minha mente sem estar presente durante a adivinhação? " - "Qual foi a consulta e o que ele disse?" Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou. "Ele me disse que eu tenho 200 pessoas no confinamento e que eu deveria oferecer o sacrifício em múltiplo de centenas de modo que por esta altura no próximo ano, eles se tornariam 400, Olofin respondeu histericamente. Ele é um bom Babaláwo". Ele concluiu.

Olofin tem 200 esposas, todos elas nunca tinham ficado grávidas. Esta foi a razão para eu o chamar para a adivinhação.

“Ele não viu tudo”, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), disse em meio à multidão que estava aplaudindo e vibrando. Há ainda mais uma coisa, ele continuou. - “O que seria isso?” Olofin perguntou; - "como ele havia prescrito o sacrifício em múltiplo de centenas. Isso é correto” Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu. - "mas, você tem que adicionar uma unidade a cada um dos artigos do sacrifício porque o número total de pessoas que se obtém é um mais de 400”! Confuso, Olofin pediu que uma unidade mais deve ser acrescentado aos já prescritos.

Surpreso com a precisão de Alákán, mas feliz porque ele tem seus ratos, peixes, inhame e escravo de volta, assim que terminou de comer, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) falou para ele: “você é um Babaláwo ou como é que você sabe sobre isso”? Referindo-se aos versos de adivinhação que ele fez para Olofin. Fui enviado para ajuda-lo no resgate de vida dos seres humanos, mas particularmente com adivinhação, Alákán respondeu. Eu também adivinhei para saber sobre os ratos, inhame e peixes e onde estavam guardados. Isto era para ser a identificação e confirmação do meu senhor ". Alákán concluiu. 

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) levou-o para casa e no exame de suas duas mãos, ele descobriu que ele tem quatro costelas deslocadas e que poderiam girar a face para cima ou para baixo. 

Alákán, no princípio se jogava no chão para mostrar o Odu a ser analisado

Agora, para as esposas de Olofin. Naquele ano em especial que a adivinhação foi feita, todas as 200 mulheres estéreis engravidaram e foram tiveram meninas e meninos. A última das esposas tive gêmeos, justificando a afirmação de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)

Desde então Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) se tornou o assistente de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) permitindo acelerar o processo de consulta a Ifá. Na história seguinte será explicado como Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) virou uma corrente.

Observem que Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) não é o principal instrumento de consulta e que ele não substitui o uso de Ikin. Ele deveria ser usado, em princípio para perguntas rápidas ou questões menos importantes.

É, eu acho muito estranho quando uma pessoa vai a um Bàbáláwo, buscando solução para sua vida, de fato necessitando de orientação e é recebido com Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀). Não deveria ser assim.

A parte da história em que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que o Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) não viu tudo me lembra a mesma afirmação em relação ao uso dos búzios. Basendo apenas nisso poderíamos colocar o Ópélé (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) e os búzios no mesmo nível de precisão?

domingo, novembro 18, 2012

O sofrimento de Orunmila em Iwo

Outra versão do mesmo verso

A mulher em Ifa - Parte 7

A história a seguir foi obtida em Popoola. E um pouco diferenta da anterior porque alivia a barra das mulheres.


Iya era filha do Oniwoo de Iwo. Ela era muito bonita e também muito trabalhadora. Ela era também muito querida por Oniwoo. Em função disso Oniwoo resolveu tomar papel ativo na sua escolha de seu marido. Oniwoo queria garantir que qualquer pessoa que fosse se casar com sua amada filha deveria ser paciente e não deveria ser provocado facilmente. 

Ele, portanto, definiu diferentes testes para pretendentes em potencial. Todos eles falharam. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi então para alguns de seus alunos para consultar Ifá e determinar se ele iria ou não se casar com Iya a filha de Oniwoo. Ele também queria saber se a relação deles daria bons frutos e se ambos seriam felizes. 

Os estudantes asseguraram-lhe que a relação seria muito gratificante para ele, se ele fosse fosse se casar. Entretanto foi aconselhado a ser muito paciente e não deveria nunca ser provocado. Ele foi informado de que o pai de Iya irá definir muitos testes para ele para determinar sua resistência e o nível de sua paciência. Ele foi, então, aconselhado a oferecer sacrifício com um galo, oleo de dende e dinheiro. 


Ele obedeceu e partiu em sua viagem.  Quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou ao palácio de Oniwoo, ele foi calorosamente recebido e pediram para ser dado a ele um quarto para dormir. Estranho para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), o quarto foi chiqueiro do porco de Oniwoo. No alto topo era onde as galinhas de Oniwoo eram mantidos. 


Durante três dias, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi mantido dentro desta sala, sem comida ou água. O quarto fedia insuportavelmente e as galinhas defecavam no corpo de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Ao longo do calvário de três dias, nem por uma vez ele pediu assistência de qualquer pessoa. Ele nunca saiu, ele nunca pediu comida ou água para beber e ele nunca pediu água para limpar seu corpo. 


No quarto dia, Oniwoo convociu Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para o seu palácio, quando o viu, ele estava cheio de fezes e estava fedendo muito. Ele perguntou a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) como havia sido a sua estadia em seu quarto. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu que o quarto foi como um segundo palácio para ele.


Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi, então, convidado a mudar-se para outra sala ao lado da cozinha. O calor e a fumaça eram asfixiante. Ele ficou dentro do quarto por mais três dias sem comida ou bebida. 


No quarto dia, ele foi convocado para o palácio na presença de Oniwoo. Ele perguntou a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) como havia sido sua estadia em seu quarto. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu que o quarto foi muito agradável. Oniwoo ordenou que a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) deveria ser dado alimento pela primeira vez. Ele comeu a comida. 


No próximo quarto dado a ele estava cheio de água podre, vermes e insetos. Ele não conseguiu dormir os três dias que passou no interior do quarto. Quando ele foi convidado a sair da quarto ele tinha picadas de insetos por todo o corpo. Quando Oniwoo perguntou como havia sido a sua estadia no quarto, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu afirmativamente. 


Durante três meses, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi passando de uma prova para outra. Ele suportou tudo sem reclamar. 


Os próximos três meses, foram testes físicos, tais como o corte de árvores de grande porte em tempo recorde, a limpeza de grandes extensões de terra e transporte de cargas pesadas de um lugar para outro. Todos estes ele fez sem reclamar. 


Depois disso, Oniwoo convocou Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para se encontrar com ele e  tomar o seu banho e usar uma nova roupa que lhe fora presenteada por Oniwoo. 


Antes de voltar ao tribunal palácio, ele descobriu que em todos os lugares e todo mundo estavam em clima festivo. Todo mundo estava cantando, dançando. Oniwoo pediu para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) sentar-se ao lado dele. Ele o fez. Oniwoo então entregou Iya a ele para levar para casa como esposa. Oniwoo elogiou a resistência Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e também a sua paciência, e a calma e gentileza que ele teve para passar pelos sofrimentos que foi submetido. Ele, então, pediu Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) cuidar de iya para ele, já que ele havia mostrado que era capaz de cuidar bem de uma mulher.


Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) estava cheio de alegria que ele tinha finalmente conseguiu o que vários outros tinham falhado. Ele, então, disse que a partir daquele dia, todas as mulheres a se casarem com um homem ou àqueles já casados deveriam ser chamado iya-iwo ou lyawo (o sofrimento em Iwo). Ele, então, chamou sua esposa de Ere Iya-iwo (o ganho para o seu sofrimento na Cidade iwo). Desde esse dia, todas as esposas passaram a ser conhecidas como lyawo.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Hoje 15 de Novembro dia da Umbanda !


A Umbanda foi criada em 15/11/1908 pelo caboclo das 7 encruzilhadas ( um nome estranho para um caboclo não? ) através do médium Zélio de Moraes, Zelito, em Niteroi Estado do Rio de Janeiro.


Parabéns a Umbanda!  Parabéns aos Umbandistas, são 104 anos de existência.


Existem pessoas que dizem que ela existia antes. Não existia, o que haviam eram cultos e praticas diversas e não ideologicamente ordenadas. No caso do Rio de Janeiro existe uma razoável controvérsia com a Quimbanda que tinha origem em africanos bantus.

Registros mostram que haviam outras pessoas em outras cidades e estados com trabalhos similares. Mas a Umbanda surgiu nesta data, neste local, através deste médium e guia. Sua força tem sido tão grande que sob a sua capa ele tem ao longo da história absorvido inúmeras outros cultos e manifestações de incorporações. Ela se "engorda" mas é a sua ideologia principal que permanece.

Isso ocorre para o bem ou para o mal, não importa, tenho minhas críticas a esta mistura, mas o que importa é que até hoje ela esta ai.

Como definiu o Caboclo das 7 encruzilhadas a Umbanda se define como os espíritos em terra fazendo caridade. O resto em volta varia....

Os cães ladram e a caravana da Umbanda continua passando....  Sai da frente porque atrás vem a Umbanda.

Parabéns !