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terça-feira, agosto 18, 2020

Entendendo a religião Yoruba - Pt. 35 - Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) o equilíbrio da relação masculino-feminino

Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) o equilíbrio da relação masculino-feminino


Para eu cobrir todo o fundamento teológico disso precisaria destacar mais um Odù com a história de Òdí Méjì (que não vou relatar aqui, porque é bem longo e não está ligado a figura feminina) e o mito que está em Ọ̀sá Méjì, o qual narra o momento em que Olódùmarè dá para Odù a cabaça com o pássaro com poder absoluto e depois ela se entende com Eégún e dá para ele o seu poder através do pássaro que ficará empoleirado no seu ombro.

Vejam um trecho final do verso:

ela diz, grita, eis Eégún eis Eégún.

Ela diz, eles gritam por causa dele.

Ela diz, ele arrasta seu chicote no chão, ela diz, a honra cabe a ele.

Ela diz, a partir de hoje,

ela diz, ela concede Eégún ao homem.

Ela diz, por causa dela,

ela diz, mulher alguma nunca mais ousará entrar na roupa deEégún.

Ela diz, por causa de Òrìṣà (Orixá)lá, ela diz, ela dá Eégún ao homem.

Ela diz, mas se ele deve sair,

ela diz, ela tem o poder que ele utiliza.

O motivo se deve à amizade entre Eégún e eleye.

No lugar de onde vem Eégún, as eleye (também) vêm.

Todo o poder utilizado por Eégún é o poder de eleye.

Odú diz, mulher alguma jamais entrará na (roupa) de Eégún. mas ela poderá dançar, ir ao encontro de Eégún,

Quer dizer que se Eégún sair,

ela dançará diante dele,

ela dançará na estrada, ao encontro de Eégún.

Ela diz, a mulher fará isto unicamente.

Ela diz, a mulher não ousará nunca mais entrar de novo no pátio dos fundos. Ela diz, a partir de hoje é o homem que levará Eégún para fora.

Ela diz, ninguém, nem os netos, nem os velhos poderão zombar da mulher. Ela diz, a mulher tem mais poder sobre a terra.

Ela diz, além do mais, a mulher nos pôs no mundo.

Ela diz, todo mundo nasceu da mulher.

Ela diz, todas as coisas que as pessoas quiserem fazer, se não forem ajudadas pelas mulheres, ela diz, não podem fazer.

(É por este) motivo que os homens nada podem fazer na terra, se não o obtiverem das mãos das mulheres.

Eles cantam.

Por essa razão

Òbàrisà também canta.

Quando é o quinto (dia), eles fazem (a festa) da semana.

Ele diz que todos os cânticos que eles cantarão serão este aqui, vi ndos do (odu de ifá) òsá méji.

Ele diz, eles saúdam as mulheres,

Ele diz, se eles saudarem as mulheres, a terra será tranquila.

Eles cantam assim:

Dobrai o joelho, dobrai o joelho para as mulheres.

A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos.

A mulher é a inteligência da terra, dobrai o joelho para a mulher. A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos”.

Creio que esse Odù é bastante o suficiente para colocar esse equilíbrio entre forças no qual o poder de Olódùmarè dado a ajé (Àjẹ́) se encontra com o poder do homem depositado em Eégún.

Eégún é a representação do homem, o poder do homem, visto que a mulher não é também representada em Eégún. Lembro a todos que a figura de Eégún e do culto de Eégún é para mostrar a todos que a vida é contínua, que a alma não morre, que vivemos para sempre e podemos reencarnar. Esta é a razão da religião ter Eégún, seja pelo sentido de valorizar o vínculo familiar contínuo e perene como por demonstrar que vida e um ciclo sem fim.

Somente Eégún pode conter o poder de ajé (Àjẹ́). Essa é uma informação que poucos têm. Além disso existe um velho dito popular que fala que somente Olódùmarè pode salvar o homem de uma esposa vingativa. É a mulher que prepara a comida, as oferendas e isso é o caminho para o orun (Ọ̀run).

É uma sociedade patriarcal e se engana quem acha que isso foi diferente, mas, as mulheres são dotadas de capacidades especiais para quebrar esse domínio.

Acredito que isso ficou, também, claro nas histórias que mostrei.

O assunto mulher não está restrito a teologia e Ifá e para falar sobre ele é preciso entender alguns conceitos importantes sobre a sociedade Yorùbá e outras estruturas da religião. Eu acredito que a maior parte dos erros de entendimento aqui no Brasil e na diáspora são advindos de nós não entendermos de forma ampla a sociedade e valores e também outras estruturas religiosas que completam o todo.

O equilíbrio do poder masculino-feminino na sociedade fica evidente quando analisamos a estrutura dos cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́).

Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) será tema de um capítulo, mas, adianto que não está relacionada com ajé (Àjẹ́). Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) é uma manifestação da sociedade em busca de harmonia e paz, em busca de equilíbrio e para amenizar a ira de ajé (Àjẹ́).

Ẹdan é o símbolo máximo da sociedade e representa uma figura masculina e uma feminina, em bronze, unidas por uma corrente. A figura feminina frequentemente é tratada segurando os seios ou, ocasionamento, alimentando uma criança. Existe um dito sobre esse tema: Ọmú ìyá dùn ú mu – O leite do peito da mãe é doce. Esta frase é recitada pelo membros do Ògbóni quando eles tocam o chão ou tocam o Ẹdan com sua língua, como uma forma de saudação respeitosa.

Ilé (Ilẹ̀) a terra, deve trazer paz, felicidade, estabilidade social e sobrevivência, é a terra que dá poder a Ògbóni mas também alimenta ajé (Àjẹ́) que é a ira de Ilé (Ilẹ̀). As sociedades Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) estão unidas no seu aspecto social, muito mais do que uma estrutura religiosa é uma estrutura da sociedade yorùbá e por esta razão não foram transportadas pela diáspora. O seu significado é a busca de equilíbrio e pacificação do espírito feminino representado por Ilé (Ilẹ̀).

Mesmo nas sociedades masculinas de Eégún e Orò a mulher tem cargos.

Observe que Eégún é o culto festivo e alegre e Orò representa sempre o poder sombrio de Eégún, Orò é a manifestação de Eégún no seu aspecto punitivo para a sociedade. É Orò que executas as mulheres feiticeiras, ajé (Àjẹ́) que usam seu poder para o malefício.

Ilé (Ilẹ̀), a grande mãe Ògbóni em seu aspecto sombrio, se transforma em Ọ̀gẹ́rẹ́, a manifestação irascível e vitimizadora, que traz morte a seus filhos. Esta é a visão ambivalente da sociedade frente a terra. Ela mostra o potencial explosivo da relação homem-mulher em uma sociedade masculina e a necessidade de exercer a diplomacia.

Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) surge da visão Ògbóni de omón iya (Ọmọ ìyá), os filhos da mesma mãe e tem o objetivo de sensibilizar a mãe natureza Ìyá Nlá aos problemas dos filhos e da sua responsabilidade maternal.

O objetivo é fazer os membros da comunidade a amarem e interagirem um com o outro como filhos da mesma mãe. A manifestação de Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) através do seu festival é feita para pedir saúde, vida-longa, prosperidade, muitos filhos, evitar doenças, mortalidade infantil e evitar desastres. O objetivo do culto que pode ser através de uma grande festival ou de eventos menores e até mesmo para apenas uma família, tem a finalidade de promover a paz e o bem-estar social. Pessoas de todos os cultos de orixá (Òrìṣà) participam.

Os cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) são assim mais uma manifestação do equilíbrio dos poderes masculino e feminino.

Muitos aqui se questionam porque as pessoas dos cultos de orixá (Òrìṣà) e demais segmentos desta religião não são unidas. A razão é que trouxeram apenas o culto de divindades e não o entendimento de equilíbrio da sociedade integrado coma religião.

Ninguém entende aqui o que é ajé (Àjẹ́) porque para entende ajé (Àjẹ́) tem que se compreender uma dimensão muito maior de sua atuação. Não se trata apenas de feiticeiras e sim do poder feminino no equilíbrio do mundo.

A feitiçaria em sí, o malefício é combatido pela sociedade.

Para finalizar isso eu digo que não existe sentido no culto de Ifá na presença da mulher. Essa posição de mulher sacerdote é uma violação do princípio básico de equilíbrio da religião. A Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi dado o poder do oráculo e à sua união com Odù foi trazido o poder feminino.

Não se trata apenas de ficar interpretando versos ou aceitar a história que está em Orangun méjì. Trata-se de entender que não é possível sob o ponto de vista teológico se reunir em uma única pessoa as duas coisas, uma mulher em atividade fértil feminina não pode ser detentora de 2 poderes isso é romper com os princípios da religião e da própria sociedade.

Para aceitar a iniciação de mulheres um Bàbáláwo teria que fazer 2 coisas. A primeira é jogar no lixo o que está escrito em Orangun Méjì. A segunda é ignorar um princípio que norteia a sociedade e a religião. Entender o equilíbrio masculino e feminino é tão importante quanto entender o que é axé (àṣẹ).


sexta-feira, agosto 14, 2020

Entendendo a religião Yoruba - Pt. 34 - O Igbadu

O Igbadu


O igbadu  é considerando o instrumento de axé (àṣẹ) mais importante de culto de ifá, é de onde o Bàbáláwo obtêm seu maior poder. Fisicamente é um cilindro e é tratado como a mais importante relíquia sagrada de Ifá.

O objetivo de citá-lo é que Ifá é para mostrar que em Ifá, um culto absolutamente masculino, o poder do Bàbáláwo vem da mulher, de Odú. Desta forma Ifá representa de forma consistente o cosmo yorùbá e sua liturgia é consistente com que está em seus versos.
O igbadu representa isso, a união do poder masculino, através do Bàbáláwo com a fonte de axé (àṣẹ) vindo do poder feminino. Um Bàbáláwo não nasce sem o Igbadu.

O texto a seguir retirado de verso de Odù mostra como é criado o Igbadu.

Aquele que ofende padece a morte do faltoso,

Olá, Òsé’yèkú.

Ifá é consultado para Odù

que diz que ela se sente como seu apèrè (espécie de grande caixa cilíndrica). Eles dizem, tu Odù, que se senta com seu apèrè, eles dizem, faz uma oferenda.

Ela diz, por que deverá fazer uma oferenda?

Eles dizem, por causa de teus filhos, tu farás uma oferenda.

Eles dizem a Odù que ofereça dez ovos de galinha.

Eles dizem que ela prepare dez caracóis.

Eles dizem que ela prepare dois mil (búzios) (5 shillings).

Odù faz a oferenda.

Quando Odù fez a oferenda,

Ifá é consultado para ela, Odù que se senta com seu apèrè.

Eles dizem, tu Odù,

eles dizem, ela ficará idosa, ela se tornará uma velha.

Eles dizem, será dito que sua cabeça ficará toda branca, que ela se tornará muito velha.

Eles dizem que ela permanecerá no mundo, que ela não vai morrer rapidamente, tu Odù.

Quando Odù não morre rapidamente,

Odù goza de boa saúde.

Quando o tempo passa, Odù torna-se muito idosa.

Eles devem pedir a palavra a Odù.

Até quando irá sua velhice.

Odù nada mais sabe.

Talvez ela tenha ouvido a palavra que eles disseram?

Talvez não tenha ouvido a palavra que eles disseram?

Quando chegou o tempo, Odù chama todos os seus filhos.

Ela diz, vós, filhos deles,

ela diz, a velhice chegou para ela.

Ela diz, se eles quiserem pedir-lhe (a palavra),

ela diz, procurará algo que a ajude, algo ao qual eles podem pedir a palavra.

Odù parte.

Odù retorna,

ela vai convocar todos os seus companheiros para que compareçam juntos.

Naquele tempo Odù está com a cabaça.

Todos os seus companheiros, em conjunto, pensam na palavra que a cabaça virá dar. São quatro (conselheiros).

Aquele que comparece naquele dia é Ọ̀bàriṣà.

Após ter chamado Ọ̀bàriṣà, ela chama Babalúayé.

Após ter chamado Babaluáyé, ela chama também Ògún.

Quando acabou de chamar Ògún, ela chama também Odùdúà.

Odùdúà é então o quarto entre eles.

Odù diz que ela está sentada em seu apèrè.

Odù diz que ela tornou-se muito idosa.

Odù diz que deseja ir ao lugar aonde os velhos vão.

Ela diz, a coisa que ela lhes pede.

Ela diz, se alguém quiser partir, deverá falar com sua gente, dizer que ela quer partir.

Eles dizem, ah!

Eles dizem a ela que não parta.

Eles dizem, o lugar de que falaram, esses quatro então olharam o mato, assim viram a cabaça coberta de excrescências.

Quando viram a cabaça coberta de excrescências,

Ọ̀bàriṣà diz a Ògún para ir colher a cabaça.

Ògún então colhe a cabaça, colhe quatro delas.

Ọ̀bàriṣà diz a Ògún para cortá-las.

Ògún corta essas cabaças.

Ọ̀bàriṣà diz que ele dê uma delas a Odùdúà, que Ògún também dê uma a Ṣòpọ̀ná.

Ògún diz que é a cabaça deles que ele corta.

Quando Ògún cortou as cabaças, corta as cabaças em quatro caminhos.

Ògún diz que cortou.

Odù diz, juntos batamos em nossos peitos com nossas mãos (a união faz a força).

Ela diz, ela quer que toda a sua gente,

que todos ponham a mão (aceitem) por ocasião de sua partida, que todos ponham a mão (aceitem) na coisa decidida, que os filhos e os filhos de seus filhos, que eles peçam a palavra que ela vai dizer.

Quando ela assim falou.

Ọ̀bàriṣà gosta de ẹfun (pó branco).

Obàlúayé gosta de osùn (pó vermelho).

Ògún gosta do carvão vegetal,

Odùdúà gosta da lama.

Ọ̀bàriṣà pega a cabaça de ẹfun.

Ele diz, a cabaça de ẹfun,

Ele diz, ele a leva para ela, Odù.

Ele diz que ela a ponha com seu apèrè.

Ele diz, se seus filhos lhe prestarem culto, que eles a invoquem, ele diz, assim eles farão o culto da cabaça de ẹfun.

Ele diz, ele a leva para ela, Odù.

Ele diz, todas as coisas que eles pedirem a essa cabaça, ele diz, essa cabaça as fará por eles,

Ele diz, ele, Ọ̀bàriṣà, não os combaterá

ele diz, porque ele e ela, Odù, são uma única coisa.

Ele diz Ọ̀bàriṣà (a) dá a Odù.

Obàlúayé pega o osùn,

no osùn com o qual ele esfrega seu corpo.

Ele o leva na cabaça.

Ele diz, tu esta cabaça,

ele diz, ela se toma sua cabaça (de Odù) hoje.

Ele diz todas as coisas que teus filhos te pedirem, eles as receberão todas.

Se for dinheiro que eles pedirem, então ele o fará por eles.

Aos apelos que seus filhos fizerem, ela responderá no interior dessa cabaça, pois ela tornou-se idosa.

Assim ele fala.

Odù aceita e isso se torna duas cabaças.

Ògún também traz a cabaça de carvão vegetal.

Ele traz a cabaça para Odù.

Ele diz, tu Odù,

ele diz, eis a cabaça de carvão vegetal.

Ele diz, todas as coisas com as quais eles farão o culto de sua cabaça, ele diz, eles também adorarão esta cabaça que ele te dá.

Ele diz, seus filhos não morrerão na infância.

Ele diz, seus filhos não envelhecerão em meio ao sofrimento.

Odù aceita, isso se torna três cabaças.

Odùdúà também traz a cabaça de lama.

Ele a traz para ela.

Odùdúà diz que eles adorem essa cabaça de lama com o apèrè de Odù, com as cabaças que os outros orixá (Òrìṣà) têm levado a Odù.

Odù aceita, isso se torna quatro cabaças.

Essas quatro (cabaças) são aquilo que todos adoram.

Eles dizem, os quatro cantos do mundo estão nas quatro cabaças.

Odù diz, se seus filhos adoram o apèrè que lhe pertence, assim adoram também a ela.

Ela diz, as coisas que eles lhes dizem para fazer, ela as fará para o bem. Ela diz, se eles adorarem a cabaça de ẹfun que é de Ọ̀bàriṣà, que eles também a venham adorar lá, ela responderá.

Ela diz, se eles adorarem a cabaça de osùn, ela responderá.

Ela diz, se eles adorarem a cabaça de carvão, ela responderá.

Ela diz, se eles adorarem a cabaça de lama, ela responderá.

Ela diz, mas se agora eles trouxeram o apèrè,

ela diz, vós, todos os seus filhos, é ela que vós adorais,

que vós queirais vir adorá-la em um único corpo que ela pôs nesse apèrè.

Desde essa época, com obi branco e obi vermelho

eles adoram Odù.

Se eles sabem que querem entrar em seu aposento,

que eles irão adorá-la,

eles recorrem à água da calma,

esfregam os olhos com ela.

A água da calma com a qual esfregam os olhos naquele dia, é de folha òdúndún, folha tètè, folha rínrín, limo-da-costa, caracóis.

Eles o esmagam na água.

Quando alguém esfregou os olhos com ela, pode entrar na casa de Odù., pode ir ver igbádú.

Eles chamam o apèrè de igbá Odù.

Eles chamam o apèrè de casa de Odù.

Ah! ireis abrir o apèrè igbádú, ireis olhar.

Odù pôs suas coisas lá antes de morrer.

Ela disse que seus filhos vêm adorá-la, no corpo da cabaça que ela pôs no apèrè.

Eles vão adorar Odù. naquele lugar.

Desde esse dia, adoramos Odù. no interior do apèrè.

Se o Bàbáláwo quiser adorar Ifá, ele irá na floresta de Ifá,

se (anteriormente) ele não adorou Odù. no apèrè, ele nada fez,

Ifá não sabe que ele veio adorá-lo, não sabe que ele tornou-se seu filho.

Ele diz que todos os seus filhos que vieram à floresta de. Ifá, adoram novamente Odù. sua mulher no apèrè.

Esta é a religião do equilíbrio e Ifá tem isso em suas entranhas. Eu não coloco Ifá acima de nenhum outro culto, todos que leem o que eu escrevo sabem disso, mas, a realidade é que a noção do equilíbrio esta contida em tudo que Ifá faz e nos versos de Odù.

No Odù Òdí Méjì temos a história principal sobre o equilíbrio de Ifá, quando Ifá explica porque se marca um ou dois traços quando se consulta com Ikin. Isso é perene em tudo de Ifá. Dessa maneira, Ifá é um culto masculino, mas todo o poder do Bàbáláwo para interferir no mundo físico, no Àiyé vem da mulher, de Odù sua esposa mítica.

Também são muito especiais as histórias onde Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se encontra com as ajé (Àjẹ́) e obtêm delas cooperação, mostrando sempre que não ha forma de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ou qualquer um, superar o poder de ajé (Àjẹ́). A atuação masculina de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se une ao poder feminino, que foi dado a elas por Olódùmarè para atuar no mundo.

terça-feira, agosto 11, 2020

Entendendo a religião Yoruba - Pt. 33 - Odù A mítica esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)

Odù A mítica esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)


A história a seguir compilada a partir de versos é uma das mais importantes para Ifá, como vou explicar no final. Eu não transcrevi os versos originais, farei um resumo dos versos na forma de uma história continua, fica mais fácil de entender, mas, ler os versos é obrigatório para o Bàbáláwo, porque as informações estão neles.

Que tu pises no mato.

Que eu pise no mato.

Que pisemos juntos no mato.

Ifá é consultado para Odù.

5 Eles dizem Odù veio do além para a terra.

Quando ela chegou à terra,

eles dizem, tu Odù, esta é tua partida.

Olódùmarè lhe dá um pássaro.

Ela pega esse pássaro para ir à terra.

Aragamago é o nome que Olódùmarè dá a esse pássaro.

Aragamago é o nome que tem esse pássaro de Odù.

Ele diz, tu Odù,

ele diz, toda tarefa para a qual ela o enviaria, ele a cumpriria.

Ele diz, ao lugar onde agradasse a ela enviá-lo, ele iria.

Ele diz, se fosse para fazer o mal,

ele diz, se fosse para fazer o bem,

ele diz, todas as coisas que ela gostasse de dizer a ele para fazer, ele faria. Odù leva esse pássaro para a terra.

Odù disse que ninguém a poderia olhar.

Ela diz que não a olhem,

se um inimigo de Odù a olhasse,

ela lhe romperia os olhos (ela o cegaria)

com o poder desse pássaro ela lhe romperia os olhos.

Se um outro inimigo seu quisesse espiar o que contém a cabaça desse pássaro, esse pássaro Aragamago lhe romperia os olhos.

E assim que ela utiliza esse pássaro.

Ela o utiliza até chegar à casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) vai consultar seus Bàbáláwo.

Vai consultar: “Se ensinarmos a inteligência a alguém, sua inteligência será inteligente”.

Se ensinarmos a estupidez a alguém, sua estupidez será estúpida”.

Os Bàbáláwo da casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) consultam ifá para saber o dia em que ele tomará Odù como sua mulher. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é assim, tomará Odù como sua mulher.

Os Bàbáláwo de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) dizem ei!

Eles dizem, Odù que tu queres tomar como mulher, eles dizem, um poder está em suas mãos.

Eles dizem, (para) esse poder Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fará uma oferenda ao chão, por causa de toda a sua gente.

Eles dizem (para que) com seu poder ela não mate e coma, porque o poder dessa mulher é maior do que o de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Eles dizem a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que faça rapidamente essa oferenda sobre o chão.

Eles dizem as coisas que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) preparará sobre o chão.

Eles dizem que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) tenha um rato òkété.

Dizem que ele tenha um rato.

Dizem que ele tenha um peixe.

Dizem que ele tenha um caracol.

Dizem que ele tenha azeite de dendê.

Dizem que ele tenha 8 shillings.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) faz a oferenda.

Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez a oferenda, eles consultam ifá para ele.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) leva (a oferenda) para fora.

Ao chegar Odù, ela encontra a oferenda na rua.

Ah! o que veio fazer esta oferenda no chão?

Ah! diz Exu (Èṣù), Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez essa oferenda ao chão, porque quer desposar a ti, Odù.

Odù diz, nada mau.

Todos aqueles que Odù leva atrás dela são as coisas más.

Ela diz que todos eles comem.

Odù também abre no chão a cabaça de Aragamago, seu pássaro.

Ela diz que ele come.

Odù entra na casa.

Quando ela entrou na casa, Odù chama Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Ela diz, tu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) Ela diz, ela chegou.

Ela diz, seus poderes são numerosos,

ela diz, mas ela não deixará que eles te combatam.

Ela diz, que ela não quer brigar contigo, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Ela diz, mesmo que alguém pedisse sua ajuda, lhe dissesse que te combatesse,

ela diz, ela não te combaterá,

pois Odù diz, eles não farão Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer.

Porque se eles quisessem fazer Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer,

Odù com seu poder e o poder de seu pássaro combateria essas pessoas. Quando Odù acabou de falar,

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse, nada mau.

Então eles vão chegar.

Quando chegou o momento, Odù diz, tu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ela diz, aprende depressa minha proibição (de Odù).

Ela diz, ela quer dizer-lhe qual é sua proibição.

Ela diz, ela não quer que as outras mulheres dele, olhem o rosto dela.

Ela diz, que ele diga a todas as suas outras mulheres, ela diz, que não olhem o rosto dela.

Aquela que olhasse seu rosto, veria sua batalha.

Ela diz, que ela não quer que ninguém olhe seu rosto.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz, nada mau.

Então ele chama todas as suas mulheres.

Ele as previne.

As mulheres de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não olharão o rosto dela.

Odù diz a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que,

ela diz, ela vem contigo fazer com que seu fardo se torne benfazejo.

Ela diz, que ela consertará todas as coisas.

Ela diz, tudo aquilo que ele quisesse estragar, ela não consertará.

Ela diz, se ele conhece sua proibição,

ela diz, tudo aquilo que é seu completamente ficará bom.

Então aquele que as quisesse estragar,

ela não deixará que nada seja estragado.

Se Oṣò quiser estragar,

ela diz, ela não (o) deixará (agir),

então ele mesmo será estragado.

Ela diz, nenhuma àjé é capaz de estragar uma coisa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Ela diz que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não brinca com ela.

Ela diz, todas as suas coisas, completamente, ficarão boas.

Ela diz que não brigará com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Não brigará com sua gente.

Ela diz que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sabe as tarefas que ele quer mandar que ela faça.

Ela diz, se ele envia uma mensagem para fazer alguém sofrer, se ele quiser enviá-la, ela entregará (a mensagem).

O poder de seu pássaro,

se alguém quisesse fazer Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer,

ainda que somente beliscá-lo, Odù brigaria

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz hein! tu Odù.

Ele sabe que tu és importante.

Ele sabe que tu és superior a todas as mulheres do mundo.

Jamais ele brincará contigo.

Todos os seus filhos que são Bàbáláwo, previne-os para que jamais ousem brincar contigo, porque Odù é o poder dos Bàbáláwo.

Ele diz, se o Bàbáláwo possui ifá, ele diz, ele também tem Odù.

Ele diz, o poder que então Odù lhe dá diz que,

todas as mulheres que estão junto dele não ousem olhar o rosto dela.

A partir desse dia, todos os Bàbáláwo, sem faltar nenhum, não há quem não tenha essa Odù.

Aquele que não tivesse essa Odù não poderia consultar ifá.

No dia em que ele tiver Odù,

nesse dia ele se tornará alguém, que Odù não abandona ao sofrimento.

Eu tenho uma outra versão desta história contada pelo Bàbáláwo Pópóólá.

Odù não era uma mulher bonita, mas era conhecida no mercado por ser uma mulher dotada de grandes poderes e com eles ajudava muito seu pai. Essa sua capacidade havia sido identificada no seu nascimento.

Ela era de fato temida por todos em razão do sei grande poder. Quando chegou a idade de se casar, seu pai sabendo que ela não poderia ser desposada por uma pessoa comum, procurou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e a ofereceu em casamento.

Quando ela e Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se encontraram pessoalmente para combinar isso ela disse para ele que faria tudo para ajudá-lo mas que nunca aceitaria ser desrespeitada por ninguém. Ela jamais seria superada por ninguém. Ela queria ser mimada e adorada por seu futuro marido, mas, não queria contato com nenhuma outra mulher e qualquer mulher que colocasse os olhos nela sofreria uma consequência terrível.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) reuniu suas mulheres e falou das exigências de Odù para morar com ele, dizendo que Odù não queria ser vista por nenhuma mulher e que elas deveriam concordar com isso. Caso não concordassem ele desistiria de se casar com Odù.

Elas disseram que não havia nenhum problema naquelas exigências e que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) poderia sim se casar com ela. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou 3 vezes para suas esposas se eles concordavam com as exigências de Odù e que se eles não concordassem ele desistiria de se casar com ela. Três vezes elas disseram que sim.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) concordou então com as condições de Odù e a levou para casa colocando-a em um quarto em uma parte da casa reservada somente para ela. Odù gostou muito de seu local e as demais mulheres também.

Contudo 6 meses depois de ela ter se mudado para a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) uma das esposas de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que havia concordado com as condições, juntou as demais mulheres e disse era um insulto para as demais mulheres que a esposa mais nova de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) vivesse na casa sendo cuidada por elas as mais antigas. Elas tinham que cozinhar para ela, lavar as roupas dela, limpar a casa para ela e que ela não participava em nada das obrigações da casa.

Algumas argumentaram que depois que Odù foi para a casa que a condição delas no mercado havia melhorado e que elas deveriam levar aquilo em consideração antes de fazer qualquer coisa contra Odù.

Outras disseram que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) devia ser consultado, mas, as que estavam contra Odù disseram que ele estava dominado por ela. Elas então decidiram procurar ela diretamente e dizer que ela deveria assumir as obrigações da casa como todas elas.

Para isso pegaram lâmpadas e foram para a parte da casa onde ela ficava. Elas entraram no quarto e quando a luz da lâmpada iluminou o rosto de Odù e as mulheres viram elas todas caíram mortas.

Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou ele viu os corpos das esposas empilhados na porta do quarto de Odù.

Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí, também conhecido como Odù, era filha de Olówu Ṣàkoorogbále. A partir do momento que sua mãe passou a levar ela em seu ventre, ficou claro que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí não era uma pessoa normal.

Quando ela nasceu, os eventos que aconteceram em torno dela e de todo o mundo confirmaram que ela não era um ser humano comum. Durante a cerimônia Ìkọsẹ̀dáyé, o Awo que estavam lá para realizar os ritos colocou ênfase no fato de que o bebê foi especialmente dotado de qualidades únicas e de poderes do orun. Ela não podia, e não deve ser casada com uma pessoa comum, quando ela crescesse para a sua maturidade.

Eles a chamaram de Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí , também conhecida como Odù.

Odù estava abaixo da média em beleza e aparência física. Ela era muito ciumenta das outras mulheres. Numa fase de sua vida, Odù só poderia ser encontrada no meio dos homens, como resultado de seu ciúme por seus colegas mulheres.

Todos aqueles ao seu redor estavam convencidos de que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí era dotada de poderes espirituais extremamente elevados. Ela aplicou esses poderes para ajudar seu pai Olówu Ṣàkoorogbále para ter sucesso e tornar-se grande na vida. Outros homens que se aproximaram dela para serem ajudados foram igualmente assistidos.

Quando ela estava amadurecida o suficiente para ir para o mercado de casamentos, muitos homens, no entanto, a temiam. Eles sabiam que não podiam suportar sua proeza espiritual. Foi por isso que seu pai Olówu Ṣàkoorogbále se aproximou Ọ̀rúnmìlà para ele se casar com ela, em conformidade com a orientação de Ifá, durante sua Ìkọsẹ̀dáyé, que nenhum homem comum poderia se casar com ela.

Ọ̀rúnmìlà consultou Ifá e Ifá lhe deu o sinal verde para se casar com ela. Ifá no entanto advertiu que ele deve chamar esta mulher e pedir-lhe para ela lhe dizer que ela gostava e o que não gostava antes de ela entrar em sua casa.

Como resultado deste aviso de Ifá, Odù foi convidado pelo Ọ̀rúnmìlà para uma discussão um-para-um. Ela pediu a Ọ̀rúnmìlà para encontrá-la na casa de seu pai em uma data especificada. Quando se conheceram, ela prometeu a Ọ̀rúnmìlà que ela iria assisti-lo ao sucesso e grandeza. Ela disse que ninguém seria capaz de vencê-lo. Ela disse que nenhum dos seus companheiro Irúnmole seriam tão grande quanto ele. Ela disse que adorava ser paparicada, adorada e respeitada por seu futuro marido. Ela concluiu que ela não gostava de ser visto por outras mulheres - como uma questão de fato, ela nunca iria tolerar ser vista por qualquer mulher em terra. Ela colocou ênfase no fato de que qualquer mulher que se atrevesse a vê-la, encontraria com uma terrível consequência.

Quando ela disse isso, Ọ̀rúnmìlà disse-lhe que ele já estava casado com muitas mulheres, em consequência disso, ele teria de discutir isso com as suas outras mulheres antes que ele pudesse dar-lhe qualquer resposta sobre seus gostos e desgostos. Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí concordou com ele. Outra data foi fixada para uma nova rodada de discussão antes de Ọ̀rúnmìlà partir para sua casa.

Em casa, Ọ̀rúnmìlà convocou todas as suas mulheres e explicou-lhes o que tinha acabado de ser conversado entre ele e Odù. Disse-lhes que Odù foi intransigente sobre o aspecto de que nenhuma mulher deve vê-la. Pediu-lhes para dizer-lhe a sua opinião verdadeira e consciente de que se elas sentiram que poderiam acatar o pedido incomum de Odù, e se não, ele estaria disposto a não de casar com ela.

Todas as mulheres disseram Ọ̀rúnmìlà que não havia nada de espetacular com isso. Elas disseram que desde que a mulher não estava preparada para vê-las ou ser visto por elas, elas também não estavam prontos para vê-la. Elas pediram a Ọ̀rúnmìlà ir em frente e casar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí.

Quando Ọ̀rúnmìlà e Odù se encontraram novamente, ele disse a ela que não havia nenhum problema. Odù disse Orúnmlla voltar para casa e confirmar isso muito bem. Três vezes chamou Ọ̀rúnmìlà suas esposas para perguntar-lhes se elas estavam certas de que elas seriam capazes de lidar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí e três vezes todas elas disseram que não havia problema. Por este motivo, o casamento foi contraído.

Quando Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí mudou para a casa Ọ̀rúnmìlà, a ela foi dada uma sala no extremo da casa. Ela amava o arranjo e todas as outras mulheres adoraram também. Durante seis meses, eles viveram juntos sem problema.

Um dia, no entanto, uma das mulheres na casa de Ọ̀rúnmìlà chamou as outras mulheres e disse lhes que era um grande insulto para uma mulher, ter que se submeter a mais nova esposa desta maneira, pedindo-lhes para não a verem e e estabelecendo para elas, esposas mais antigas uma regra! Ela disse que ficou claro que essa mulher estava usando um truque sobre elas para que ela evitasse de participar das tarefas domésticas. Para adicionar pimenta a ofensa ela lembrou que eram elas que cozinhavam para ela, buscavam-lhe água, varriam a casa e lavavam a roupa para ela!

Ela alegou Ọ̀rúnmìlà fora enganado ao aceitar as regras da mulher. Ela acusou Ọ̀rúnmìlà de dançar as músicas para a mulher mais jovem. Como poderia Ọ̀rúnmìlà permitir que essa mulher mais nova ser capaz de ditar regras às pessoas mais antigas da casa? A situação deve ser tratada e corrigida!

Algumas das outras esposas admitiram que houve uma melhoria significativa em suas vidas no pouco período pouco que Odù entrou na casa. Eles sentiam que tal benefício deveria ser considerado antes de tomar qualquer decisão contra a mulher.

E daí? a outra mulher gritou. Foi isso o suficiente para ela ser a única a dar ordens na casa? Ela deve ser colocada em seu devido lugar! ela declarou.

Uma delas sugeriu que elas deveriam enfrentar Ọ̀rúnmìlà e pedir-lhe para encontrar solução para o problema. Três outras mulheres disse que Ọ̀rúnmìlà não podia fazer nada porque sua cabeça estava permanentemente na axila da mulher. A mulher, Odù era quem controlava Ọ̀rúnmìlà.

Se houvesse qualquer solução, ela deveria ser encontrados pelas mulheres. E, foi assim que todos elas concluíram que todas elas iriam conhecer a mulher, arrastando-a para fora do quarto dela e fazê-la a participar nas tarefas domésticas. Se ela era temida pelo seu marido, elas não tinham medo dela, todos elas assim concluíram.

Uma vez que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí estava vivendo na sala no extremo da casa, o lugar estava sempre escuro. Eles passaram a olhar para as luzes que acendiam para vê-la em seu quarto. Ela estava vivendo na escuridão desde que havia chegado nessa casa. A mais velha das esposa disse a todas as outras mulheres para trazerem as suas lâmpadas de seus quartos. Elas fizeram. Ela declarou que elas deveriam arrastar Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí fora naquele mesmo dia para expor a sua face. Sim! todos elas disseram em coro, e elas partiram.

Elas invadiram seu quarto com as suas lâmpadas e concentraram as lâmpadas em sua cara. O que elas viram foi indizível e indescritível. Naquele mesmo instante, todas elas desabaram, caíram mortas!

Quando Ọ̀rúnmìlà chegou em casa, ele sentiu algo terrível tinha acontecido, ele não conseguiu encontrar nenhuma das suas esposas. Ele chamou-as e não havia ninguém para responder. Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí não deixou seu quarto. Ọ̀rúnmìlà se moveu para dentro só para encontrar os corpos das mulheres empilhados uns sobre os outros na porta de Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí. Quando ele percebeu que elas estavam todas mortas, a dor tomou conta dele. Ele gritou e acusou Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí de introduzir agonia em sua casa, dizendo:

Oro, eu não entrei em aliança com você para a morte

Nem eu negociei para ter aflição

E eu não acordei com você que minha casa seria incendiada

Quando Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí ouviu isso, ela simplesmente respondeu assim:

É verdade que você não entrou em aliança comigo para a morte

E que você não fez barganha para aflição

Mas você também não me disse que a luz seria levado a olhar na minha cara!

Foi assim que Ọ̀rúnmìlà soube que as mulheres de sua família foram as que trouxeram luzes para o quarto de Odu para olhar para seu rosto em desafio. Isso foi o que provocou-a para atacá-las.

As folhas de Ọ̀dundun são grossas ao toque

as folhas de Tẹ̀tẹ̀rẹ̀gùn são longos e grande na aparência

Se você olhar para Adẹ́tẹ̀. As folhas do Cactus

E olhar para as folhas Ọ̀dundun

Eles se parecem exatamente o mesmo

Estas foram declarações de Ifá para Ọ̀rúnmìlà

Quando ele foi se casar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí

A descendência de Olówu Ṣàkoorogbále

Ele foi aconselhado a oferecer ebo

Ọ̀rúnmìlà começou a cantar e sua música se tornou uma canção de lamentação, ele disse:

Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí, eu não entrei em aliança com você para a morte

Nem eu negociei para ter aflição

E eu não acordei com você que minha casa seria incendiada

É verdade que você não entrou em aliança comigo para a morte

E que você não fez barganha para aflição

Mas você também não me disse que a luz seria levado a olhar na minha cara!

Ifá diz que não importa o que aconteça nenhuma mulher deve ser autorizado a ver Odù ou possuir Odù. Foi Odù ela mesma, uma mulher companheira, que decretara contra a ser visto por qualquer mulher.


Esses versos são importantíssimos, mostram que Odù recebeu o poder absoluto de Olódùmarè e depois de “casa” com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). A mulher não tem nenhum espaço no sacerdócio de Ifá e isso esta definido aqui. O espaço da mulher na religião é no culto de Òrìṣà (Orixá) onde ela é preponderante, os eleguns devem ser mulheres.

Mas, apesar disso, é da mulher que orunmilá recebe o axé (àṣẹ) de Olódùmarè, o poder absoluto e o controle sobre ajé (Àjẹ́).

Mais uma vez eu destaco a questão do equilíbrio, o sacerdote de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é homem mas seu poder vêm de Odù a mulher.