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terça-feira, abril 16, 2019

Iniciação de crianças no Candomblé

Eu gostaria de aproveitar um tema que surgiu essa semana para falar deste assunto de iniciação. Após este texto postarei um texto antigo do Blog que fala sobre esse assunto de iniciação, mas eu gostaria primeiro de falar sobre a questão de iniciação de crianças.
Em primeiro lugar, manifesto que sou contra a iniciação de crianças no Candomblé ou em qualquer religião iniciática. Sou mais contra a iniciação de crianças do que a iniciação de adultos. Já me manifestei aqui no BLOG contrário a iniciação indiscriminada de pessoas como parte do processo de professar ou praticar essa religião.
Sou contra a iniciação obrigatória.

O Candomblé é um religião iniciática, mas o catolicismos também é e existem iniciações e iniciações.
As pessoas, no geral, têm que ter espaço na religião sem serem obrigadas a se iniciarem. Para mim, como esta no texto s seguir, a iniciação como ato obrigatório é apenas parte do processo mercantil.
Antigamente era parte do processo de controle e submissão ao dirigente, porque pessoas iniciadas devem submissão e pessoas não iniciadas, com liberdade de ir e vir, não aturam qualquer coisa. Iniciar quem quisesse frequentar uma casa era a forma de 1) submeter a pessoa a hierarquia da casa; 2) criar laços mercantis.
Devemos lembrar que no geral no Candomblé e seus dirigentes eram pessoas muito simples e humildes, pessoas que por sua própria conta se sentiam intimidadas com a presença de uma pessoa com estudo formal, profissão e independência. Tudo o que elas não eram. Eram pessoas que tinham dificuldade em se impor como líder apenas pelas qualidades de liderança e inspiração que deveriam suscitar nas pessoas.
Para controlar as pessoas nas casas os dirigentes usavam 2 coisas: a falta e o controle da informação e a iniciação. 

A Informação sempre foi uma moeda de troca, você se submetia porque queria aprender e a informação era controlada a conta gotas. 
Mas, além do dirigente, existe toda uma corte que quer também exige hierarquia na casa. Como dizem, dá dinheiro para uma pessoa mas não dá poder.

Para esse contexto o melhor processo era o de iniciação, feitura, porque a pessoa se submetida a um novo contexto social, um mundo paralelo ao mundo real no qual sua posição social mudava. As casas de Candomblé sempre foram um grande mundo paralelo, uma realidade alternativa.
Esse modelo de Candomblé iniciático não é o modelo que as pessoas querem e a religião precisa. As pessoas têm que ter autonomia e incentivo para permanecerem como abians ou frequentadores a vida toda. Veja, não é para tolerar abians, é para incentivar a permanecer como abian.
A religião católica é iniciática também, mas, ela não quer que todo mundo vire padre, monge ou freira. Imagine se para você ser católico você tivesse que ser no mínimo um monge.
O que a religião precisa é aprender com as outras que já se estabeleceram no contexto da universalização, mas, enquanto os Pais de Santo dependerem de fazer ebó e feitura para viver, isso vai ser impossível. Só depois que essa geração de gente que vive disso passar é que começa a melhorar.

As pessoas buscam em uma religião a fé, a crença em deus, a necessidade de se sentirem queridas e protegidas pelo divino. Buscam a esperança de uma vida compropósito, buscam a proteção do divino para suas dúvidas incertezas e problemas, buscam o conforto do colo de deus. Buscam se sentir pessoas melhores enquanto vivem.

É isso o que as pessoas buscam em uma religião. Ninguém entra em uma religião para servir a deus, as pessoas entram em uma religião para viverem com deus. 
É neste contexto que eu digo que não existe sentido em se iniciar uma criança.
A feitura do Candomblé, hoje, não é um processo feito para ser fácil ou agradável. É um processo longo e que exige muito esforço e sacrifício pessoal. Muita gente ainda transfere para a iniciação o mecanismo de submissão e ressocialização no mundo paralelo do terreiro. Não sou a favor de submeter crianças ao processo atual.
Vão criar um novo ou melhorarão o atual para que crianças possam se adaptar, tirando o que é desnecessários? Ótimo, todo mundo vai ganhar. Não tem sentido a continuidade da forma como muitas coisas são feitas. A feitura tem que ser um momento para trazer boas lembranças a vida toda, mas a feitura não é feita para ser um spa.
Você levaria  uma criança para fazer a trilha de Santiago de Compostela? Pois é, é a mesma coisa.

Minha opinião é que o processo é para adultos que estejam com muita vontade.
Em segundo lugar, uma feitura é uma responsabilidade grande com a religião, crianças não podem assumir essa responsabilidade sem saber o que querem para sua vida, não se pode fechar portas na vida da criança, ele tem que ter todas abertas para decidir onde vai.

Não se trata de dizer que a vida religiosa do iniciado seja ruim, mas das obrigações e disciplina que ela traz para a pessoa versus o que a vida sem aquilo representa. 

Sem essa de que é tudo igual, claro que a pessoa se inicia porque traz para si uma nova rotina e vivência, no Candomblé são feitas feituras, não é feito esse comércio de iniciações para qualquer coisa que cubanos e nigerianos trouxeram.

A feitura é um processo intrusivo na vida da pessoa.

A minha opinião, ja dita aqui, é que as pessoas tem um tempo para decidir isso. Também digo que o que precisamos na religião é apenas de abians, muitos. Poucos iniciados e muitos abians, como nas demais religiões, uma proporção de seguidores muito mais do que de sacerdotes e iniciados.

Um terreiro não pode ser uma fábrica de feituras.
Por último deixo claro que não veja nada demais em frequentar Candomblé, fazer ebó, fazer Bori ou fazer feitura. Tudo isso é normal. Não vejo nenhum tipo de agressão para ninguém, não vejo problema na pessoa ficar careca, depois o cabelo cresce.
As liturgias do Candomblé, quando bem feitas são como qualquer liturgia de qualquer religião.
Exceto se existe uma razão muito forte como, por exemplo, saúde, nenhuma criança precisa ser iniciada. Quando ela se tornar adulta poderá fazê-lo com calma e maturidade.

As pessoas tem sempre que fazer as coisas por opção e com informação. 

Para uma criança ainda falta muito tempo para ela aprender alguma coisa e decidir o que deseja e como deseja viver.


Você tem que fazer o Orixá no Candomblé?




Paradigmas para um novo Candomblé

versão 4


NÃO

Gostaria que minha resposta pudesse ser assim tão simples, mas, vou ter que escrever dezenas de linhas para explica-la.


Quero esclarecer que o texto não foi feito totalmente para neófitos. Foi feito para pessoas que conhecem ou que já estejam tomando conhecimento do Candomblé. Este é um assunto que deve ser discutido por essas pessoas.

O Candomblé está se tornando em nossa sociedade uma religião mais conhecida e aceita. 

Provavelmente mais aceita do que conhecida, mas, sem dúvida nenhuma, infinitamente mais difundida do que antigamente quando sua prática era localizada em guetos étnicos e 
o restante da sociedade aparecia como cliente ou convidados especiais.

Minha posição é que ele já deixou de ser identificado com uma etnia, apesar de ainda ter pessoas que usam a religião junto com sua causa étnica. Não confundam as coisas.

O Candomblé não pertence aos negros e muito menos aos africanos. O Candomblé é uma tradição religiosa brasileira, que está adaptado à nossa sociedade. Os africanos que estão vindo para cá do Benin e da Nigéria nada sabem sobre nosso Candomblé ou mesmo tem propriedade para falar sobre ele.

Esta religião é do povo brasileiro. Não se trata de um tipo de induismo ou judaismo que você tem que nascer indu ou judeu para fazer parte. O Candomblé pode fazer parte da vida de qualquer um. Ainda existem negros que podem achar que isso seja alguma coisa que pertença a eles. Esqueçam, não sabem de religião assim como não sabem de nada.

Quando o Candomblé saiu do escopo da polícia civil e virou religião aceita pelo estado, a população em geral começou a ter acesso à rica teogonia e teologia que esta religião possui. A religião Yorùbá é infinitamente mais rica se comparada com o padrão de religiões africanas sub-saharianas, mas, se destaca mesmo se comparada com outras religiões do mundo ocidental e oriental. Ela está no primeiro pelotão, com louvores.

Este foi o motivo que levou somente ela a influenciar os povos do novo mundo em função da diáspora negra. Em todos os lugares que receberam Yòrúbas esta foi a religião que acima de qualquer outra se estabeleceu e gerou tradições. Mesmo na África, na região geográfica em torno da região Yorùbá. Minhas observações sobre a história daqueles povos, mesmo com poucas informações e análises objetivas, me induzem a concluir que a influência da religião Yorùbá no seu entorno é muito maior do que se supõe e a originalidade de supostas outras linhas religiosas, como a religião dos Voduns seja questionável.

Eu sou levado a pensar que, um processo histórico lento e longo fez com que os povos em volta da região Yorùbá fossem influenciados por esta religião original e em função das falhas do processo de tradição oral, uma vez que não havia tradição de escrita na região, fez com que a religião sofresse deturpações e distorções. Histórias foram recontadas, versões foram criadas, divindades trocaram de nome, animismos viraram religiões baseadas na religião Yorùbá.

Muitos elementos me levaram a isso e não tenho tempo ou mesmo formação para defender essa teoria mas me acho com liberdade de expressar essa minha opinião. Posso usar argumentos simples. O primeiro deles é que religiões originais, bem construídas, consistentes e com teologias superiores são raras, existem poucas no mundo. Essas religiões de fato, sobrevivem ao tempo e aos eventos com bastante resistência. Esse é o caso da Yorùbá.

O segundo é que a região geográfica de onde vieram Nagos e Jejes é bem pequena. É impossível que um grupo não tenha influenciado o outro bem como as distorções que podem ser provocadas por uma tradição oral são muito evidentes.

Por fim, as similaridades estruturais são muito evidentes. Assim como as óbvias variações de regionalismos que a tradição oral deve ter feito.

O grupo Bantu, muito grande na África, mas, muito pobre como cultura e sociedade, representado aqui pelo Angola, que era geograficamente distante do grupo Yorùbá, em nenhum lugar do mundo influenciou ninguém, apenas coisas colaterais e em termos de religião, apenas animismos. O Candomblé de Angola é uma invenção dos Bantus aqui no Brasil é só uma cópia mal-feita, como tudo que é Bantu. Eu já coletei material sobre esse tema e vou escrever sobre isso.

Dessa forma, assim como os Bantus inventaram uma religião que nunca tiveram, podemos considerar o Candomblé também como uma adaptação desta raiz religiosa para o nosso povo. Não temos nada, mas nada mesmo, que dar satisfação ou copiar orientação de africanos da Nigéria e do Benin.

Assim as pessoas se impressionam bastante com o que passam a conhecer quando tomam contato com o Candomblé. Infelizmente conhecer mal. Mas isso não é nada inédito. O Candomblé sofre hoje o mesmo que sofreu catolicismo antes da compilação, e depois popularização, da bíblia. É uma teologia pouco conhecida e entendida. Sim, o Candomblé precisa de uma Bíblia, um corão, uma torá ou um mahabarata, porque senão fica sendo representado pela imaginação criativa de um monte de gente e não pelo que ele é de fato. Pior, muitas vezes pelo comportamento inadequado de pessoas que dizem representar seus valores.

O que existe mesmo é gente desinformada falando bobagem, fingindo saber, insinuando conhecimento. É gente que não consegue explicar nada. Entendam, não estou falando em erudição, não, estou falando de saber a religião que dizem professar.

Estou falando de gente que não sabe explicar sua religião com 10 palavras e muito menos com 1.000. Estou falando de gente que nem sabe para o que serve uma religião na vida das pessoas. Isso se aplica de brancos a negros, de azuis a amarelos, gordos e magros, ricos e pobres.

É muito fácil você responder a primeira pergunta sobre uma coisa. Mais difícil é você responder a segunda pergunta (mais profunda) sobre o mesmo assunto, muito mais difícil ainda é seguir assim perguntado e respondendo. Quantos passam da segunda pergunta?

A maioria dos Babalorixás e Iyalorixás, como se auto-denominam por ai, só conseguem enrolar a primeira resposta, normalmente um adjetivo mal explicado. Vide aquele livro chamado, O Candomblé bem explicado, que é um manual para se responder, enrolando, a primeira pergunta, somente.…

Olha não gosto de fazer críticas genéricas, por isso não faço fofocas, escrevo textos. Mas é importante lembrar a todos esta situação. O que eu mais vejo é pessoa se dizendo sacerdote e que não consegue sustentar uma conversa com ninguém. Que não sabe explicar o que faz. Que mistura catolicismo, espiritismo, umbanda e sei lá mais o que para falar de dogmas da sua religião e de Orixá.

É muito complicado a gente falar o que é de fato parte desta religião aqui com tanta gente fazendo o contrário. Eu ouço de vez em quando uns programas de rádio supostamente sobre Candomblé, aqui no Rio. Lixo. Estelionatários declarados. Pessoas que se passam de Babalorixá e fazem um programa para vender amarração, feitiço, favores. Além de encherem o ouvido das pessoas com abobrinhas. A cada 1 coisa certa que eles falam tem 10 besteiras. Não é religião é apenas comércio de feitiços.

Claro que eles não são diferentes dos programas de evangélicos que disputam as mesmas rádios e horários. A grande diferença é que evangélicos sabem o que falar e o que defender.

A qualificação de sacerdotes é o primeiro ponto de revisão de uma religião de verdade. O grupo que ai esta é muito mal formado ou não tem formação nenhuma. As pessoas NÃO podem acreditar mais que por uma pessoa se dizer babalorixá e ter casa aberta ela é uma conhecedora da religião e vai poder orientá-la. Se o que a pessoa está procurando é aprender uma religião ela vai ter que ter muito cuidado.

Eu já falei somente sobre esse assunto em outro texto, mas resumidamente muitos desses tais Babalorixás inventaram cargos, não cumpriram suas obrigações, não pagaram o seu tempo de obrigações, ficaram pulando de casa em casa tomando obrigação com pessoas diferentes e não receberam o Oye de Babalorixá (isso vale para as Iyalorixás também, só não vou ficar escrevendo toda a vez as 2 palavras).

Em função disso ai não aprenderam o Candomblé. Vou repetir não estou me referindo a erudição, estou me referindo ao básico, aquilo que a gente aprende em gotas homeopáticas frequentando a mesma casa e tendo oportunidade para conversar com pessoas mais velhas, aprendendo delas. Isso significa entender a filosofia e os valores.

Além disso a pessoa tem a oportunidade, hoje, de buscar uma compreensão maior da religião, uma coisa que nossos antecedentes não tinham. Essa busca de melhor conhecimento não é algo errado. É algo que eles não tiveram acesso e duvido que deixariam de ter se esforçado para obter esse conhecimento.

Quando uma pessoa sai pulando de casa em casa para tomar suas obrigações e também apagar o seu passado ela também perde a referência de hierarquia. Ela passa a mandar no que faz sem nenhum controle. Assim o primeiro sinal para se avaliar uma casa e entender qual e como é o vínculo da casa e da pessoa com que o fez. Para ter certeza vá na pessoa que o fez e peça referência dele. Pergunte a cronologia de obrigações. Se a pessoa não quiser responder, vire as costas e vá embora, vai ser melhor para você, acredite.

Gente a pessoa que entra em uma religião quer saber como ela é. Quer saber o que é um orixá e o que ele representa. Quer saber como a sua vida se integra no cosmo. Não adianta dizer para alguém que perguntar sobre o que é um Orixá, com aquele sorriso amarelo e os olhos no vazio, que você ama o seu Orixá. Isso é patético.

Voltando ao Candomblé universal, se o Candomblé pretende se posicionar como uma alternativa religiosa viável para as pessoas, algumas coisas devem se modificar. A primeira é acabar com esse viés caça-níqueis e se se ocupar de fato em ser uma religião.

Viés caça-níquel é esta exploração monetária de jogos, ebós e obrigação. O comércio de liturgias. Isso é ridículo e nivela essa religião com o que existe de pior na sociedade.

Uma das principais coisas que devem ser mudadas é a questão da feitura de Orixá.
Não é verdade que as pessoas para serem desta religião tem que fazer feitura do seu Orixá. Isso acima de tudo é uma preferência do Babalorixá para pode ganhar dinheiro. 

Porque nada que ele coloca a mão é de graça e quanto mais pessoas amarradas á sua casa através de feituras, mais dinheiro ela vai garantir com obrigações, ebós e jogos.

O corpo das pessoas que fazem parte da casa é assim aumentado como um rebanho leiteiro que sempre vai garantir o dinheiro dele. Os clientes se somam a isso aumentando esta receita de forma variável, mas, a receita do "rebanho" será sempre garantida.

O que eu disse parece grosseiro, mas, é isso mesmo.

Este é o formato adotado na maior parte das casas de Candomblé, nos Ilê Axé. Não fiquem assustados e nem finjam espanto. Esta prática não é original do Candomblé, acontece na sociedade como um todo. Também acontece no Candomblé.

Para o Candomblé ser uma religião ela tem que começar acabando com isso. Quem sustenta um Ilê Axé tem que ser as pessoas que participam do Ilê Axé. Não podem ser transações comerciais associadas a venda de liturgias pelo babalorixá. Esta é uma prática muito pior do que instituir uma mensalidade, um dízimo (como na igreja, não como nos templos evangélicos que são apenas assaltantes) ou um rateio de despesas, como um condomínio.

Qualquer método que conte com a participação de todos será muito superior ao do Babalorixá cobrando por trabalho, porque essa não é uma prática adequada para uma organização religiosa.

Também não podem os membros das casas serem tratados como clientes, pagando por obrigações, ebós e jogos. Essa palhaçada de dizer que é obrigado a cobrar "chão" ou "salva" ou "cobertura de anjo da guarda" são eufemismos para esconder o simples comércio.

Uma casa precisa se manter. O dirigente tem que ter obter recursos para fazer suas próprias obrigações que são consequência da sua atividade. Ele precisa também se manter. Isso tudo a religião não oferece restrição, pelo contrário.

Mas, como estamos tratando de uma casa de religião, é necessária uma distinção entre o que custa aos membros da casa manter a sua casa funcionando, e isso pode até incluir a decisão da comunidade em manter ou subsidiar o sacerdote e, dentro disso também, o subsídio que esta comunidade define que vai receber ao atender pessoas que não fazem parte da casa.

O atendimento de pessoas que não são permanentes da casa sempre foi parte das estratégias que antigas casas de Candomblé usavam para se sustentar e ao seu Egbe. O problema é a proporção que isso tomou porque estelionatários que vendiam feitiços, favores, mentiras, amarrações usando uma fachada esotérica descobriram que poderiam melhorar o seu produto podre se passando de Candomblecista.

Essa invasão maculou o modelo honesto do Candomblé.

Outro problema foi o das pessoas que entravam no Candomblé já contando tempo para se proclamarem Pais-de-santo e viverem desta atividade. Não eram pessoa que procuravam seguir uma vocação, elas procuravam uma profissão. Gente que não servia para nada. Não queria estudar e não queria trabalhar.

Não existe problema no sacerdote profissional. Padres são sacerdotes profissionais, remunerados pela Igreja que é mantida pelos seus fiéis. Mas este sacerdócio sofre controle e um monte restrições fazendo que, acima de tudo, tenha que existir a vocação.

Já o Pai-de-santo de beco não tem nada disso. Ninguém controla, ele faz o que quer e ainda inventa controle para outros.

O que era para ser um exemplo de humildade, ver pessoas mais velhas ou até mais bem posicionadas na sociedade, por seu valor próprio se hierarquizarem em uma casa de orixá virou um escárnio, porque pessoas despreparadas, decadentes, incapazes e mentirosas assumem uma posição que não pertence a elas. Comumente são mentes psicopatas e estelionatários, desprovidos de propósito e moral abusando da fé de outros.

Por esse caso extremo, claro, porque nem todo lugar é assim e nem toda pessoa é assim, é que o Candomblé tem que reagir de forma radical a esta questão mercantil. Uma reação radical e vigorosa vai deixar de um lado as casas séria e do outro essas pessoas.
Assim não se trata de romper com o modelo da religião que não vê problema em dinheiro, através da prática da ajuda a simpatizantes, sustentar uma casa e sim de ser obrigado a adotar uma posição distinta em função da forma como a religião legítima foi usada por pessoas não legítimas.

O outro aspecto é o que eu iniciei este texto, o Candomblé precisa se adaptar ao processo de universalização na sociedade, preservando o que é bom e melhorando aquilo que é inadequado a este novo status. Sim o Candomblé e as pessoas do Candomblé aspiram a um status pleno de religião.

É necessário então encontrar um modelo de financiamento do Ilê Axé que seja distinto do empregado por esse grupo de estelionatários travestidos de Babalorixá, que falam de orixá, falam de nação, falam de Umbanda, falam de cigano, falam de ajé, falam de egungun, falam de amarração, falam de ebó e falam de qualquer coisa que a pessoa queira ouvir, porque elas sabem que tem muita gente tola, gente que você fala 9 coisas que ela não quer ouvir, mas se você falar 1 só que ela queria ouvir já basta.

Um outro capítulo nesse assunto é o assunto que eu comecei, antes de ter caído nesse "galho" do financiamento da atividade religiosa, que é a questão da feitura de Orixá. É claro que a feitura de Orixá se insere no financiamento da atividade dos estelionatários.

Uma pessoa que entra para o Candomblé deve se preocupar em entender a religião e como ela pode ajuda-lo a ter uma vida melhor sendo uma pessoa melhor e mais feliz.

É isso o que as pessoas procuram em uma religião. Procuram viver melhor. Ser pessoas melhores. Viverem em harmonia consigo mesmo e com sua família.

Mas o Candomblé, sendo uma religião iniciática, ela oferece muitos status e vaidades e, como diria Al Pacino, a vaidade é o pecado preferido do diabo.

Quando a pessoa entra para uma casa de orixá, um Ilê Axé, ela inicia como um Abian, um simpatizante ou um crente da religião. Abian é o nome que se dá.
A pessoa pode, e deve, ficar como um Abian por muito tempo, talvez toda a sua vida.

A fé não se mede se a pessoa é um abian ou um Iyawo. Fé é acreditar no divino, no Orixá e trazer isso para a sua vida de uma forma positiva, que permita a essa pessoa superar seus problemas pessoais através de aprender novos valores e uma nova forma de administrar a sua relação com as pessoas e com sua vida.


Um Iyawo é uma pessoa que passa por um complicado, sofrido e longo processo de feitura. 

Esse processo prepara a pessoa para poder ser um elegun do seu Orixá na terra. É através dos Elegun que o Orixá incorpora e se manifesta em uma casa para ajudar a sua comunidade, distribuindo axé para as pessoas.

Sem elegun não existe Orixá na casa e na nossa vida. Orixá não é apenas uma coisa que fica no ar e que sempre esta por ai. Não é verdade. A função do Elegun é justamente estabelecer a ponte para que o Orixá possa vir do Órun (mundo espiritual) ao Aiye (terra) e distribua o axé para as pessoas.

É por isso que uma casa de Orixá tem que ter muitos elegun e tem que ter elegun de todos os Orixás. O Elegun é uma pessoa importante e o Babalorixá não consegue tocar a sua casa sem eles. Toda a casa tem a necessidade de ter Eleguns dos Orixás e de qualidades diferentes inclusive.

Por isso um Babalorixá precisa fazer feitura em Pessoas e precisa encontrar e atrair essas pessoas dos Orixás que ele precisa.

Para ser um Elegun é necessário fazer a feitura e ser um Iyawo por 7 anos, no mínimo, normalmente isso vai durar muito mais tempo.

Para uma pessoa trocar de status de Abian para Iyawo deve existir um propósito. A pessoa tem que entender o que isso vai significar para a sua vida. A pessoa tem que saber no que isso muda a relação dela com o divino, mas, saber de fato e não, ser enrolada com mentiras.

A verdade é que o Orixá não vai gostar mais da gente porque a gente fez o Orixá. Não vai gostar mais da gente porque a gente tem um igba. Não seremos mais felizes por causa disso. Não seremos mais protegidos por causa disso.

Existem motivos que podem levar uma pessoa a uma feitura. O Ilê Axé pode precisar, a pessoa pode precisar. O pior motivo é o babalorixá precisar para alimentar a conta bancária dele.

Abians e Iyawos precisam de Bori do mesmo jeito, de ebós de mesmo jeito e de jogo do mesmo jeito. Um abian pode ter inclusive um igba. Como fonte de receita um abian pode ser tão promissor como um um Iyawo.…

Ser um Iyawo não é uma evolução religiosa natural. É assumir uma nova postura diante da sua religião e se comprometer com obrigações religiosas da casa e do Babalorixá. Se você busca uma religião e não esse compromisso fique como Abian sua vida toda, ai você pode ir quando quer, mudar de casa, etc…

Mas o caso é que ser um Iyawo muitas vezes é apenas uma necessidade financeira do sacerdote e uma vaidade do abian. As pessoas devem se despir de vaidade e antes de dar qualquer passo mais profundo na religião devem primeiro aprender sobre ela.

Se o Candomblé quer ser uma religião de muitos tem que se ocupar mais em se transformar em uma opção real e palatável para as pessoas. Tem que se ocupar com os seus membros e não com clientes. A gente tem que separar os Ilê Axé de verdade dos mercadores de feitiços.

Claro que é uma religião iniciática, dogmática e altamente litúrgica. Mas pode continuar a ser tudo isso sem se transformar em fazer pessoas infelizes.

Acima de tudo o Candomblé tem que se ocupar em se incorporar à vida das pessoas sem que as pessoas abandonem a sua vida normal. A Fé deve se adicionar a vida das pessoas e não substituir.

Muitas liturgias e iniciações podem ser feitas para Abians. Ser um Iyawo acabou matando essas opções.

O meu ponto aqui é o fato de que a feitura é um processo muito intrusivo na vida da pessoa. Gera muitas relações e ligações e muda o equilíbrio do axé da pessoa. As pessoas têm se preocupado em se aprofundar em liturgias sem se ocupar em saber se ela está feliz na religião que adotou.

O melhor para a vida de qualquer um é ser um Abian. Ser Iyawo é tão sério que essa opção tinha que ter registro em cartório com testemunhas.

SIM, você poder ser do Candomblé sem ter que fazer o seu Orixá. Inclusive é muito mais seguro. Entrar em uma feitura é abrir sua vida e se fragilizar. Se você fizer isso pelo motivo errado ou com a pessoa errada por ter problemas, novos, para o resto da sua vida.

Existem muitos caminhos para uma pessoa ser vida toda Abian no Candomblé. Ela pode participar de tudo o que interessa, rezar, ter acesso ao divino, receber axé, se realizar sem ser feita. Inúmeras liturgias, quase todas, podem ser feitas em Abians. Acima de tudo uma pessoa busca na religião paz e realização. Este tem que ser o foco das pessoas.


Uma casa precisa de Iyawo, mas, não é necessário que todos seja Iyawo. Vou repetir, é uma iniciação tão séria que eu sinto vergonha quando ouço que pessoas vão para uma mesa de jogo e 3 meses depois estão feitas.

O Candomblé tem que ter um modelo inspirativo. Tem que inspirar a fé, a dedicação e a transformação das pessoas para o seu melhor. Não pode ser um centro de confusões na vida da pessoa.

E mais importante. o Candomblé TEM que ser uma religião familiar. A família tem que estar junta na religião e na casa.
As pessoas falam do escando dos padres pedófilos na igreja católica. Olha na média isso é pinto visto o que se encontra nas casas por ai. Tome cuidado onde bota o seu pé limpo. 

Não existe controle das casas. O controle é seus olhos e ouvidos. Preste atenção e não se emburreça. Não faça nada, nem um ebó, sem saber muito bem como é aquela casa e pessoa.

Algumas recomendações simples: Não vá para casa onde o Candomblé é a própria casa da pessoa, onde ele toca no quintal ou na varanda, da obrigação em quartos, etc..

Não vá para esses candomblé urbanos todos acimentados, sem espaço para folhas e árvores. Candomblé exige um espaço especial, não é igual à Umbanda. Candomblé exige espaço dedicado, com muita preparação e assentamentos. Não se toca Candomblé em beco de vila. Não dá para Babalorixá misturar o seu espaço pessoal com o Sagrado. Se ele não tem recurso para ter uma casa de Candomblé, com terreno próprio, então não era nem para dizer que é Babalorixá.


Se a pessoa não quiser dizer a sua cronologia de obrigações ou a casa onde foi iniciado e se fez todas as obrigações lá e nome da pessoa que o iniciou, vá embora. Se a pessoa que o iniciou já morreu ou a casa já acabou e ele não tem nenhum irmão de orixá ou mais velho para dar referencia dele, então vire as costas e vá embora.

Se fosse um médico que quisesse te operar você ia fazer isso tudo.
Por fim, quero esclarecer que o objetivo desses textos sobre o Candomblé não é criticar o fácil, mas, trazer à reflexão das pessoas essas questões. Além disso, pessoas novas têm que acordar para a realidade.

segunda-feira, abril 15, 2019

Canal no Youtube


Como já informei haverá um canal do Youtube associado ao conteúdo deste BLOG. O objetivo e os assunto s serão os mesmos, mas, será uma mídia diferente.

Eu estou com umas dificuldades técnicas para resolver e isso me atrasou. Já capturei e editei vídeos anos atrás e estou me adaptando a novas ferramentas agora. Esta sendo um pouco mais difícil que eu imaginava, mas, superarei.


quarta-feira, março 20, 2019

O Candomblé e a matriz religiosa afro-brasileira

 
Esse blog fala de Candomblé e Ifá mas existe um tema importante que é o que esta além do Candomblé no Brasil.
O candomblé, como já é extensivamente explicado em outro texto deste BLOG, é o culto de Orixá (òrìṣà) no Brasil. Ele é composto, na verdade não por uma unidade, mas sim por vários cultos distintos e estes tem raízes religiosas bem diferentes, isto é, cultos que representam matrizes religiosas originais distintas e por esta razão não deveriam ser nomeados juntos. Mas, aqui no Brasil, essa diversidade religiosa afro-brasileira recebeu o nome comum de “Candomblé”.
É importante estar atento para o fato de que nem tudo que faz parte da dita matriz religiosa afro-brasileira é Candomblé.
A matriz afro-brasileira é bem maior do que o Candomblé, que é apenas o mais conhecido em grandes centros do sudeste. Existem outros cultos afro-brasileiros como o Batuque, o Tambor da mina, o Chambá e o Xangô (ou Nagô) que não ficam debaixo do mesmo guarda-chuva chamado de Candomblé.
Eu já abordei com detalhes esta diversidade religiosa afro-brasileira em outro texto, como já citei, recomendo que este texto seja lido para que as pessoas que não tem intimidade ou conhecimento deste contexto religioso possam entender isso.
Eu, aqui no Blog, me foco na teologia religiosa do Candomblé, esse é um Blog voltado para isso, para teologia e especificamente, dentro do Candomblé, para a teologia Yorùbá. Neste sentido o meu foco é a religião Yorùbá e não a religião do Dahomey, do grupo Jeje.
Vamos de novo, como eu já citei, Candomblé é uma denominação bem genérica para coisas que podem ser diferentes, parecem iguais, são todas afro-brasileira, mas, em termos de religião representam coisas distintas.
Eu, em meus textos, quando falo de Candomblé me refiro sempre ao conjunto de cultos ligados a religião Yorùbá (culto de orixá (òrìṣà) e Ifá). É muito comum eu trazer aqui visões novas para temas que já são conhecidos por pessoas do Candomblé, muitas pessoas, por pertencerem ao Candomblé, já tem um conhecimento ou mesmo nada sabem do que eu trato, isso é natural.
O que as pessoas do Candomblé tem que compreender é que se a casa a que elas pertencem esta ligada a raiz religiosa Yorùbá, como as casas de Ketu, Efon, Ijexá, por exemplo, então, o que eu estou falando é algo que elas devem prestar atenção.
Se elas pertencem a raiz religiosa Jeje então nada aqui se aplica a eles, podem ler como curiosidade, mas não é a religião deles.
O meu contexto religioso para o Candomblé, contempla 2 grupos religiosos bem distintos e fortes, o grupo Yorùbá e o grupo Jeje. O outro grupo, muito citado por ai, é uma mistura de coisas desses 2 com coisas de bantu e desconheço qualquer referência que legitime eles como uma tradição religiosa bantu, são apenas uma colagem, essa é minha visão após anos de convivência.
Esta é a razão de eu ter que mencionar essa diversidade. Como a palavra Candomblé designa coisas diferentes, muitas pessoas podem não entender ou saber disso e podem também estar ligados a cultos que não tenham ligação com a religião Yorùbá.
Assim, aqui o tema é a religião do grupo Yorùbá, mas atenção, como já disse isso não define a matriz afro-brasileira que é bem maior. Nosso país é muito grande mesmo.
Não posso deixar de mencionar a Umbanda como um destaque, visto que sua popularidade a torna referência para muitas pessoas que conhecem a Umbanda e não conhecem o Candomblé.
A Umbanda é uma religião brasileira, ela não faz parte do contexto afro-brasileiro. Essa não é apenas uma afirmação minha é a história da Umbanda que mostra isso e qualquer pessoa que conheça o assunto sabe disso.
A Umbanda é altamente sincrética e com o passar de muitos anos ela absorveu alguns cultos afros que acabaram desaparecendo. Todo o grupo Bantu que promovia a Quimbanda ou a Macumba acabou, sua prática foi superada pela Umbanda.
Esse grupo Bantu, de origem africana, não fazia parte da matriz religiosa Yoruba-jeje, era um grupo distinto, de prática religiosa bem pobre e objetiva voltada para a troca de favores e mercantilização desta atividade eram os feiticeiros. Uma parte se travestiu de culto de Orixá (Òrìṣà) e virou o Omolokô. Outro, a maioria se transformou em casas de Umbanda, assim se autodeclarando.
Foi esse grupo que ao ser duramente digerido pela Umbanda trouxe a africanização do formato da Umbanda e essa africanização estética faz as pessoas pensarem que a Umbanda seja parte do contexto afro-brasileiro. Não é, mesmo tendo incorporado alguns elementos africanos, como os tambores, a Umbanda é um culto e religião distinta e brasileira.

Por que um oráculo é necessário em uma religião?


Por que um Oráculo é importante?

No caso da religião yorùbá, a importância disso é teológica e envolve um evento supremo. De acordo com a teologia da religião Yorùbá, é Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) a única divindade que compartilha junto a Olódùmarè o destino de cada pessoa. Cada pessoa antes de nascer, vai a Olódùmarè pedir o seu destino, na verdade estabelecer com ele o que ela vai fazer na vida, que objetivos vai buscar. Este momento no qual cada pessoa no mundo espiritual, no órun (Ọ̀rún), tem contato direto com Olódùmarè, se ajoelhando à sua frente é único e especial. Em nenhum outro momento temos acesso a Olódùmarè. Mais ainda, nenhuma divindade, exceto Exu (èṣù) e Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) tem acesso a Olódùmarè, mas, nós, nesse momento único e especial nos prostramos diante dele para pedir a ele nosso destino.
Este é o sentido desta divindade em especial, Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) e não outra, estar ligado ao oráculo e sendo ele conhecedor do destino das pessoas. É esse evento que torna relevante um oráculo através de Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) de um outro que seja através de outra divindade, outro orixá (òrìṣà).
Muita atenção nisso, aqui esta a razão teológica desta discussão.
Nessas informações que passei está o motivo teológico da existência do oráculo nesta religião (talvez em qualquer outra religião). O oráculo é o suporte que Olódùmarè dá a cada pessoa, através da religião, para que ela tenha sucesso na vida, a vida que ela pediu a Olódùmarè.
Olódùmarè, o deus, a divindade suprema, nos concede a vida e junto com isso todo o suporte para que tenhamos sucesso nela. Junto com a presença dos orixá (òrìṣà), cujo sentido é nos suportar na nossa vida, o oráculo é o instrumento divino que devemos usar quando precisamos de ajuda.
O oráculo na religião é a forma que os crentes têm para se comunicar com deus, diretamente ou através de seus representantes. O oráculo é sempre um instrumento de ligação e comunicação entre o mundo natural e o supernatural, entre o homem e o divino. Através dele, comunicamos nossos problemas insolúveis e buscamos a ajuda do divino, de deus, para seguirmos nossa vida aqui na terra, no àiyé.
Nesta religião quando rezamos a deus ou quando o procuramos, a resposta de deus não é o silêncio. Nossas preces são atendidas pela presença dos Orixá (òrìṣà), os ministros de Olódùmarè no àiyé e pelas mensagens que obtemos do oráculo. Deus fala com a gente.
O Candomblé não trata apenas com fiéis ou frequentadores. Existe uma legião de pessoas, consulentes que o procuram para resolver seus problemas de vida sem que pertençam ou queiram pertencer ao Candomblé e a religião de orixá (Òrìṣà).
O Babalorixá ( Bàbálórìṣà) e a Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) atendem esses consulentes não apenas por questões comerciais, para ganhar dinheiro. Atendem porque faz parte dessa religião ajudar a todas as pessoas a atingirem os seus objetivos. Existe um compromisso de deus, Olódùmarè, em termos sucesso na vida, principalmente em sermos felizes, como explicado anteriormente e assim, o sacerdote da religião deve ajudar a todos que o procuram.
Olódùmarè assiste a todas a pessoas. Deus é único ele não faz distinção. Não existe nesta religião a figura de um deus raivoso e vingativo que escolhe um único povo como seu preferido e passa por cima dos demais.
A questão comercial no Candomblé envolve o que o sacerdote vai cobrar, se vai cobrar e quanto vai cobrar por isso.
Existe um outro uso do oráculo e que envolve questões teológicas da casa e dos membros, mas esse é um uso específico e menor considerando o atendimento a consulentes.
Esta é a razão pela qual o oráculo é extremamente importante no Candomblé e porque a questão da ligação do Jogo de Búzios com Ifá, está no núcleo dessa discussão teológica que estou trazendo. O conflito entre o sacerdote do culto de orixá (Òrìṣà) e o de Ifá é um aspecto colateral mas bem vivo no contexto.
Talvez para muitos que estão lendo eu esteja trazendo uma questão inexistente ou trazendo uma dúvida que não existe para elas e também, por esta razão, não deveria existir para mim. Contudo, sim, ela existe, a questão é importante e é este ponto de vista teológico, a representatividade do oráculo do Jogo de Búzios na religião do Candomblé, que eu estou trazendo a tona.
O Jogo de Búzios é um instrumento de comunicação com os Orixá (òrìṣà) ou é também um instrumento de comunicação com Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà)? Isso faz uma grande diferença teológica e prática.
Os Babalorixás (Bàbálòrìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) sempre disseram que seu oráculo era Ifá, sempre referenciaram o seu Jogo de Búzios como Ifá, mas, isso é o que eles falavam sozinhos, sem ter ninguém para os contestar ou questionar. Certamente o nível de conhecimento que eles tinham da religião os levava a afirmar isso.
Com a chegada no Brasil, em quantidade, de Bàbáláwos vindos de Cuba, Nigéria e Benin, eles trouxeram o culto de Ifá original e, o que se viu, foi uma enorme distância entre o que se dizia aqui no Candomblé que era oráculo, Ifá, itan e Odù com o que esses representantes do culto original de Ifá mostravam que ele de fato era. Tudo era diferente. O oráculo era feito de outra forma e com outros instrumentos, os versos de Ifá eram totalmente diferentes e tinham pouco ou nenhuma relação com os ditos itans de Ifá que são contados no Candomblé.
Com certeza esse choque de realidade não foi percebido por todos, mas, muitos observaram isso. Se não fosse isso, porque a multidão de Babalorixás (Bàbálòrìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) que procuraram os Bàbáláwo para se iniciarem em Ifá e, dessa forma, darem validade, ou mesmo entendimento e consistência, para sua prática oracular? Se não houvesse insegurança em relação ao uso ou desinformação sobre a religião isso não teria ocorrido, se os Babalorixá (Bàbálòrìṣà) tivesse certeza de que o seu oráculo de búzios também era Ifá eles não tinham que procurar um Bàbáláwo. Mas procuraram, aos montes, repito, seja para terem um título de iniciado como o de aprenderem o que não sabiam, e acharam que poderiam obter dessas pessoas.
Para finalizar, a grande diferença de um Oráculo de búzios e Ifá é a questão de Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà), ele fala através dos ikins e foi ele que estava junto de nós quando falamos com Olódùmarè, dessa forma, as questões mais profundas ligadas a nossa vida virão através desse oráculo.
As questões do dia a dia, que são resolvidas através dos Orixá (òrìṣà) podem ser melhor e eficientemente resolvidas em Jogos de Búzios. O jogo de búzios é o oráculo para tratar de coisas de Orixá (òrìṣà). Se você tem dúvida sobre sua vida religiosa, questões relativas a liturgias ou sua formação sacerdotal isso será feito através do Jogo de Búzios de forma muito melhor e mais completa. Igualmente as questões do dia a dia, nossos problemas, vão ser sempre bem endereçadas pelos Búzios. Ifá de ajuda em questões mais profundas e muito mais difíceis.
Não estou dizendo que você não possa ir a Ifá para tratar de qualquer coisa, pode, mas para qualquer coisa perderá tempo, os Búzios são muito melhores.
Lembro a todos que o oráculo de Búzios através de Oxun é o que tem ligação com Ifá.


domingo, março 10, 2019

LIVROS SOBRE A SOCIEDADE YORUBA

 
Junto com o livro sobre a religião, é importante ao Bàbáláwo entender como funciona a sociedade e seus valores. Sem um entendimento mínimo sobre isso fica muito difícil entender a própria religião.
Os livros a seguir abordam a sociedade. É preciso ler, pensar e entender, não é tarefa fácil assim como não é fácil ser um Bàbáláwo. Você não pode ser burro e nem preguiçoso para ser um Bàbáláwo.
The Gelede Spectacle Babatunde Lawal Inglêsuniversity of Washington press

Maravilhosa obra de Lawal. Conheci ele pessoalmento no Rio e é uma pessoa com muita energia. Seus livros esnobam qualidade.
Esse livro fala sobre o culto de Gelede, mas, para isso aborda de forma ampla a cultura oral relacionada ao tema, passando por aspectos muito importantes da sociedade. Não é possível entender Gelede sem enteder de forma ampla a sociedade Yorùbá.
TEM QUE TER.
Visions of Africa – Inglês – babatunde Lawal – 5 continents
Lawal desfila sobre a arte e estética yorùbá, que são suas especialidades e discorre sobre a sociedade e a religião. Vale a pena ter..
African Cosmos – Stellar arts – The Monacelli press
Um livro grande e grosso com muitas fotos.
Fala sobre a África e não somente sobre os Yorùbá. São textos selecionados, no caso Yorùbá 2 autores fabulosos, Babatunde Lawal e Suzanne Preston.
African Vodun – Suzanne Preston – University of Chicago press
Preston é o equivalente para os Vodun de Lawal para Orixá. É um livro sobre arte que desfila a religião e se transformou em uma referência do tema.

LIVROS SOBRE A RELIGIÃO YORÙBÁ

 
Esta é a lista de recomendações de livros sobre a religião Yorùbá.
Conforme já manifestei minha opinião é muito limitada a atuação de um Bàbáláwo que não tem conhecimento da teologia e teogonia. Não é uma questão de cultura, é uma questão de faltar conhecimento para indicar o que fazer.
No que pese existirem aos montes pessoas que se focam nos tratados e nos ebó, isso é uma manifestação incompleta da religião. Isso é uma manifestação de adivinhos, curandeiros, feiticeiros e macumbeiros.
Em relação a sociedade Yorùbá é necessário entender alguns conceitos e hábitos deles para poder entender a religião. Não se esforcem para copiar a cultura jamais vão conseguir, aliás jamais falem em cultura africana, o máximo que a gente consegue e recriar aqui a religião deles, jamais, vamos absorver qualquer cultura.
Se alguém quiser perguntar sobre um livro específico, coloque nos comentários ou mande e-mail.
Yorùbá beliefs & sacrificial rites omosade awolaluInglêsAthelia Henrietta

A editora Athelia Henrietta que fica em New York, foi a primeira a ter um ctálogo de livros africanos. Cheguei uma vez a falar com eles atrás de um livro.
Este livro é um clássico, referência obrigatória.
Os textos e teses do livro vão aparecer igual em vários outros livros. É curioso isso nos livros antigos, ele tem uma base comum e todo mundo copiou.
TEM QUE TER.
Orun Aiye – josé Beniste – Português – Bertrand
José Beniste, pesquisador e Ogan do Apo Afonja, autor de diversos livros sobre Candomblé e de um dicionário maravilhoso, fez uma obra brilhante. É uma versão em português dos primeiros livros sobre a religião africana. TEM QUE TER.
Os nago e a morte – Juana Elbein – Editora Vozes
Um dos mais tradicionais livros do Candomblé, muito falado e comentado e pouco lido na sua integralidade.
Juana não fez um livro fácil de ler, obra de antropólogo. No meio acadêmico ela conta com uma legião de críticos devido a ela ter se envolvido em discussão com o Verger, que não era antropólogo, mas gozava de respeito no Brasil.
Juana cometeu o sacrilégio de comentar, inferir e analisar, ela gerou conhecimento e interpretações em vez de apenas relatar o que via. Ela se envolveu no tema.
Mas depois tudo quanto é antropólogo acabaram também se envolvendo com o Candomblé. Ela tinha uma personalidade muito forte e com isso acumulou críticas.
Eu gosto do livro. Tem sim que fazer um filtro, ela interpreta demais, mas, é bastante útil. TEM QUE TER.
O Duplo e a metamorfose – Monique Augras – Português – Editora Vozes
Outra obra de referência no Candomblé. Não é tão conhecido como o livro da Juana mas é uma referência importante. TEM QUE TER.
Olodumare God in Yorùbá Belief – Bolaki Idowu – Inglês – Longmans
Outro clássico absoluto.
Ha uns 10 anos começou a ser criticado pela turma do Abimbolá que queria que Orunmila fosse o deus maior.
Esse é um livro importante e cujo conteúdo será últil para todos, é da mesma geração dos primeiros livros e tem as mesmas ideias que serão encontrados e outros livros. TEM QUE TER.
African Traditional Religion – Bolaji Idowu – Inglês – Orbis Books
Continuação da obra anterior. Um livro complicado de ler mas muito útil.
A seguir vou listar livros importantes por autor. John Mbiti junto com Idowu procuraram ver a religião africana como uma manifestação comum e não apenas como cultos independentes. Dessa forma eles não se contiveram apenas no Yorùbá.
O fato é que religião yorùbá é muito forte e consistente e influenciou através de ciclos migratórios vários outros povos que absorveram e internalizaram à sua maneira a teologia. Mbiti e Idowu tinham essa visão de conjunto e escreviam sobre a Religião Africana.
Geoffrey Parrinder se dedicou a estudar e escrever sobre vários povos.
Livros de Mbiti:
Introdution to African Religion
African religion and Philosophy
Livros de Parrinder
Faith Fancies & fetich or Yorùbá Paganism
African Traditional Religions
West African Religion
Todos esses livros valem a pena. A questão é que vão gastar um bom dinheiro para degraus de conhecimento.
Seguindo essa mesma linha alguns novos autores escreveram sobre o tema:
African Cosmo – Noel Q King
African Religion moral traditions of abundant life – Laurenti Magesa
African traditional religions in contemporary society – Jacob Olupona – New books

LIVROS SOBRE IFÁ

 
Esta é a lista de recomendações. Existem outros livros que vão ficar para a black list dos livros que não valem a pena, no geral, minha opinião é, se não está nesta lista não vale a pena e isso inclui vários em português. De forma geral eu compro os livros, mesmo que ache que não vá gostar.
Atencão porque estpu indicando aqui boas fontes para versos de Ifá, ou melhor, as melhores que eu conheço.
Se alguém quiser perguntar sobre um livro específico, coloque nos comentários ou mande e-mail.
Ifá o orixá do destino – Ivan H. Costa – Português – Editora Icone

Certamente o melhor livro sobre Ifá em português que vocês vão encontrar. Não está mais sendo editado e só vão encontrar em sebos.
Ser o melhor livro de Ifá em português não significa ser o melhor livro de Ifá. Significa apenas isso, em português é o melhor livro de Ifá.
É conhecimento geral. Ele aborda várias coisas de Ifá, de história a técnicas de leitura de Odù. Nesse ponto ele é bastante heterogêneo, porque mistura conhecimento com técnica. As duas coisas dele são muito boas.
Eu iniciaria por esse livro.É um bom livro para iniciar.
Yorùbá Theology and Tradition – The worship – Ayo Salami – Inglês – edição do autor
Outra pérola. Em língua inglesa é o livro que eu recomendo para primeira leitura. A aquisição não é fácil, vocês devem procurar o autor.
Muito bom. Ele fala de Ifá e de religião Yorùbá. Passa por conceitos importantes da religião, fala de orixás e outras divindades, fala sobre Ifá através de versos, como deve ser feito.O livro tem muita informação, deve ser lido bem devagar e estudado.
Este é um dos que eu relaciono como TEM QUE LER.
Ifá The key to its understanding – Fásínà Fálàdé – Àrà Ifá Publishing
É um belo livro, com páginas de boa gramatura e capa dura. Ensina Ifá através dos versos. O livro aborda elementos de ifá, liturgias e conceitos usando a tradicional abordagem de mostrar o conhecimento em versos.
Deve ser caro dificil de encontrar, mas se quer aprender Ifá tem que ler esse livro. TEM QUE LER.
Ifá an exposition of Ifá literary corpus – Wande abimbola – Inglês – Athelia Henrietta
É um clássico. Abimbolá não é bom no ensino de técnicas de Ifá, essa não é a preocupação dele, mas, os livros dele contêm uma das melhores seleções de versos de Ifá. Nos livros dele a gente começa a entender os versos e seus significados. Ele explica religião através dos versos.
O livro explica o formato dos versos, como devemos ler e interpretar, como reconhecer bons versos e passa pelos temas mais importantes da religião através de versos. Esse livro não pode faltar a um Bàbáláwo. TEM QUE LER.
Ifá Divination – William Bascom – Inglês – Indiana University Press
Outro clássico. Muitos versos, mas, descolados das explicações. Diferente dos anteriores ele não associa as explicações aos versos. Ele explica as coisas de depois tem uma coleção de versos.
O Bascom é talvez o livro mais conhecido de todos. Ele é bom. Não é o melhor mas, sem dúvida, é muito bom.
The Healing Power of Sacrifice – Chief Priest Yemi Elebuibon – Inglês – Athelia Henrietta
É um livro pequeno, mas, muito bom. Infelizmente o autor é muito econômico nas explicações, mas, tem uma boa cobertura de temas, explicações de qualidade e versos.
Não pode faltar ao Bàbáláwo. Tem explicações e versos importantes para liturgias.
Ifism The complete Work of Orunmila – Osamaro Ibie – Inglês – Athelia Henrietta
Este livro fala sobre os 16 Odù Meji. Contudo traz no início explicações sobre a religião que são muito boas. Eu gosto muito dos livros do Ibie, tenho todos os publicados e são um conteúdo importante no entendimento da religião.
Recomendo todos os demais livros dele, desta coleção. São história de Ifá. Muita gente critica ele porque foi educado como critão, mas, naquela época para se ter educação era assim. Os livros deles são bons. TEM QUE TER.
Ifá a complete divination – Ayo Salami – Inglês – Nidd Pub.
Tem 2 versos para cada Odù. Não é para aprender Ifá, é para ter os versos de referência de cada Odù quando precisar rezar. TEM QUE TER.
The Holy Odù –Ftegbe Fatunmbi – Inglês – do autor.
Melhor referência para o Bàbáláwo. Melhor que qualquer tratado cubano. Fala sobre todos os Odù através de um texto curto, mas útil. Se tiver que carregar 2 livros para uma consulta leve esse e o do Salami. TEM QUE TER.
A exploration os Odù Ifá - Oyeku fun temple – Inglês – do autor.
Tem 4 versos para cada Odù. Complementa o entendimento os Odù. O problema é que os versos são muitos curtos e as vezes pouco inteligíveis. Esse livro usa mesmas fontos do Ayo Salami. Vale a pena ter.
Ifá Dida – Popoola – Inglês – Athelia Henrieta Press
Tem 16 versos para cada Odù. O filho do Popoola lançou o Dida Ifa com os Odù Meji, um livro gigantesto e reeditou o livro Practical Ifá Divination vol 3. do seu pai. A reedição ficou boa. Infelizmente não continuou a edição dos versos. TEM QUE TER.
Parctitioner`s Handbook for the Ifá Professional – Fama – Inglês – Ile Orunmila publications
Bem prático, aborda como se faz um ebó riru e outros versos para diversas finalidades. Vale a pena ter.
Sixteen Mythological stories of Ifá – Fama – Inglês – Ile Orunmila publications
Tem 16 versos de Odù de odus selecionados. Vale a pena ter,
Ifá divination poetry – wande abimbola - Inglês – Nok Pub
Tem 4 versos para cada Odù meji. Obra Interessante mas não essencial.
Iwe Odù Ifá – Ifayemi awopeju – Inglês – Ile Orunmila publications
Tem 4 versos para cada odù de Ogbe. São curtos e mal traduzidos para o inglês mas vale a pena ter.
Understanding Odù Ifá: Apola Ofun – Apena Fagbemijo – Inglês – Oyeku fun temple
Tem 6 versos curtos para ao Odù de Ofun. O título esta errado não é o apola de ofun, é apenas os odù de Ofun. São curtos, mas vale a pena ter.
The sixteen major odù Ifá from ile Ifé – adedoja aluko – Inglês – indigigenous faith of africa
Tem 16 versos de Odù para cade Meji. A tradução de yorùbá para inglês é pobre, vale a penas você mesmo traduzir. Mas vale a pena ter,
A recitation os Ifá, Oracle of the Yorùbá – Judith Gleason – Inglês – Grossman Publishers
Bom, nem todo muito gosta da Judith. Ela tem uma abordagem bem analítica do tema, meio matemática, mas, esse livro é bom. Não é excelente, mas tem alguns conhecimentos importantes.
Como em todo livro você deve saber que cada um tem alguma coisa importante para você. Todos tem um conhecimento bom e relevante em algum lugar. A gente tem que saber pescar isso.
Tem versos de ifá que são bons, meio complicados mas bons.
Sixteen Great Poems of Ifá – Wande Abimbola – Inglês – Unesco
Mais um clássico, eu diria que é um senhor clássico. São 16 poemas longos sobre temas escolhidos, foi o livro precursor do outro livro indicado nesta lista dele. Os versos são imperdíveis, se você conseguir comprar, compre.
Apetebi the wife of orunmila – Ifayemi Elebiubon –iNGLÊS - Athelia Henrieta Press
Livro bem pequeno. Reúne versos sobre a participação da mulher em Ifá. Fiz um texto no Blog sobre o tema. É cultura geral.
Yorùbá Rituals – Drewall – Inglês - Indiana University presságio
Drewall e Indiana University, dois indicadores de bons livros. Esse livro relata a convivência do Drewall com Bàbáláwo em diversos rituais, é importante para se conhecer a religião.
Yorùbá nine centuries os african art and thought – Drewall – Inglês - Harry N Abrams Pub.
mais um livro de Arte que traz informações valiosas sobre a religião. Drewall é garantia de qualidade.
Art and Oracle – Alisa la gamma – Inglês - Metropolitan Museum of art
Um daqueles livros sobre arte que trazem boas informações sobre a religião.
Odun Ifá Ifa festival – Dr. Abosede Emanuel – Inglês - west African book publisher limited
É um livro curioso, metade dele fala um pouco sobre Ifá e na outra metade descreve a uma cerimônia anual de um festival de Ifá. Não é um livro importante para se ter.
Awon Bàbáláwo orunmila Ifa ati won awo fun iye – Carlos José da Costa – Portugês - Edição própria
Acho que pouca gente vai ter acesso a esse livro, possivelmemte só em sebo. É um livro médio. É bem estranho e tem muita informação pequena, mas tem versos de Ifá, tirados do Bascom. É muito voltado para o uso de búzios. Eu cheguei a falar uma vez com o autor.
The Sacred Ifá Oracle – Epega/Neimark - Inglês
NÃO COMPRE ESSE LIVRO. POPULAR MAS É UM LIXO
Não deixe de ver a lista sobre os livros sobre a religião Yorùbá. É tão importante quanto esses aqui.

CANAL NO YOUTUBE

 

Hoje ainda vou publicar a primeira lista de livros, serão 4 ou 5 no total. Enquanto isso informo que nos próximos dias ou par de semanas vou estar abrindo postagens no Youtube com um canal de vídeo. O objetivo será o mesmo do Blog, informar sobre a religião.

Serão vídeos de 7 a 10 minutos sobre temas específicos que já estejam no BLOG. O formato de vídeo deve facilitar o acesso a informação de pessoas que não gostam de ler longos textos.

Como todos sabem, o Blog não tem objetivo comercial e da mesma forma o canal não terá. Cada um segue o seu destino na vida e eu sigo o meu, esta é uma das coisas que Ifá nos ajuda a entender.



Livros sobre a religião Yorùbá


Muitos querem aprender Ifá ou sobre Ifá, outros querem aprender sobre Orixá (Òrìṣà) e para isso buscam livros, o que é natural. Existem várias opções de livros sobre esses temas e neste texto vou falar sobre os que tenho e conheço. O objetivo e ajudar vocês na seleção evitando aprenderem coisas ruins e jogarem dinheiro fora. Claro, isso, com tudo o que eu escrevo é a minha opinião sobre o tema. Opinião todo mundo tem uma, essa aqui e a minha.
Antes de iniciar as listas preciso falar algumas coisas.
Ler livros é muito bom, vai trazer mais rapidamente conhecimento para você. Se for um bom livro conhecimento de qualidade. Ficar esperando alguém te ensinar poder resolver mas demora muito tempo. Antigamente, sem livros, era assim, você dependia de alguém te contar alguma coisa e o conhecimento levava dezenas de anos para ser adquirido.
Por volta da décad de 90, do século passado (adoro falar assim…) os brasileiros começarama a saber que existiam livros sobre a religião. Isso ocorreu com a vinda de nigerianos ao Brasil para ensinar yorùbá, mas, essa história, que já está pronta, será explicada em outro texto que eu vou publicar.
Com a chegada dos livros feitos por pesquisadores e antropólogos estrangeiros, livros em inglês ou francês, os brasileiros tomaram conhecimento de uma outra possibilidade de aprender sem depender do conta gotas dos dirigentes.
Por muitos anos houve (talves ainda exista) um preconceito sobre o conhecimento da religião em livros. Não havia razão para isso, um livro não substitui o aprendizado prático, mas as pessoas sempre temeram muito o conhecimento. Assim elas não liam os livros porque não tinham acesso, vontade ou capacidade e por isso os temiam.
Eu passei por isso, as pessoas no Candomblé tinham muito preconceito com a entrada de pessoas que tinha educação formal, que liam e escreviam, mais ainda se tivesse curso superior. A ignorância dominava o meio e essas pessoas muitos simples tinham (ainda têm) problemas sérios de auto-estima, elas não se valorizavam de modo que a entrada de uma pessoa com educação formal no Candomblé sempre foi muito complicada. Nós eramos o inimigo futuro.
O tempo ajuda a apagar isso, seja porque as pessoas se acostumam ou porque morrem mesmo. A geração se vai e cada nova geração tem mais instrução média superior a anterior.
Hoje em dia os livros, ao lado de blogs, youtube e redes sociais substituem anos e anos necessários para conhecer pessoas e falar sobre a religião. Isso tudo é um atalho enorme no absurdo período de convivência que você tinha que buscar.
Dessa forma tudo isso melhorou a formação das pessoas.
A primeira e mais fabulosa ferramenta de aprendizado foram os grupos de discussão do Yahoo, as listas de distribuição de e-mails, que antecederam as comunidades do Orkut.
Os grupos do Yahoo foram fabulosos para reunir pessoas e adquirir conhecimento. Claro, tinham grupos bons e ruins, mas ter grupos para discutir Candomblé foi uma enorme quebra de paradigma. Eles permitam conhecer um enorme volume de gente e ter acesso a essas pessoas. Circulos de amizade se estabeleceram e em meses você adquiria conhecimentos e amizades que as pessoas tradicionais levariam uma vida.
As comunidades do Orkut sucederam os grupos do Yahoo e continuaram a aumentar a abrangência e a temática.
Esse processo continua até hoje, agora com as plataformas digitais privadas, onde você paga para ter aula sobre alguma coisa.
Apesar disso é importante que todos entendam que, não vai se tornar sacerdotes lendo livros ou vídeos. Os livros adicionam conhecimento complementar.
O problema de hoje é o mesmo de ontem. Qualidade. Continua sendo a mesma coisa, você vai encontrar gente ruim e sem conhecimento, vai encontrar conhecimento ruim, falso e errado e etc… Apenas aumentou a velocidade.
Nunca acredite na primeira coisa que leu assim como a gente nunca devia acreditar na primeira coisa que houve, só idiotas fazem assim.
Todas as pessoas que eram de Candomblé como eu e também pesquisavam e aprendiam em livro, a maior parte dela pesquisadores e antropólogos, dizia a mesma coisa. Não se aprende nenhuma liturgia em livro e livro não interfere em nada na formação de ninguém. Livro adiciona conhecimento que levaria anos demais para ter.
Eu acredito que hoje em dia livro está fora de moda, o que já foi uma febre foi substituído por plataformas digitais, mas, para aqueles que ainda querem ganhar conhecimento de forma consistente, livros ainda são a melhor opção.
Se você pretende ser um Bàbáláwo tem que ter conhecimento adicional da religião. O mesmo vale para os Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà). Eu já fui de Candomblé e sou agora de Ifá, minha opinião é que o Bàbáláwo tem obrigação de conhecer muito mais sobre a religião do que os sacerdotes do Orixá (Òrìṣà). Estes últimos precisam conhecer a religião, mas, espera-se muito mais do Bàbáláwo. Observe, a responsabilidade e atribuições dos sacerdotes de Orixá (Òrìṣà) é muito mais complicada do que a do Bàbáláwo, de forma que este último tem que ter o papel de conhecedor da teologia.
Já expressei essa minha opinião diversas vezes em meus textos e volto a dizer isso. Eu passei muitos anos em Candomblé, o suficiente para aprender muito, lembrando que uma coisa é aprender e outra é a repetição do aprendizado. Claro que não sei tudo, teria que ter ficado muitos anos a mais para ter a oportunidade de aprender de fato o Candomblé, mas, o que aprendi foi suficiente para eu afirmar para vocês que a carga de trabalho e responsabilidades de um sacerdote de Orixá (Òrìṣà) é muito maior do que a de um Bàbáláwo.
Repito, digo isso porque eu vivi isso.
Um Bàbáláwo não é melhor que um Babalorixá (Bàbálórìṣà). Não é superior e não é mais importante. O sacerdote de Orixá (Òrìṣà) tem muito mais responsabilidade e trabalho, previsa aprender muito mais coisas, uma vida é pouco.
Assim, cabe ao Bàbáláwo se dedicar ao que tem que fazer que é o oráculo de Ifá e a orientar a vida das pessoas. Um dia os sacerdotes de Orixá (Òrìṣà) vão entender o papel do Bàbáláwo e poderão se beneficiar disso, mas ainda vai demorar. Infelizmente essa impossibilidade de convivência atual determinou minha saída do Candomblé, se não fosse isso ainda estaria lá até hoje.
Junto coma dedicação ao oráculo de Ifá o Bàbáláwo tem que aprender sobre a teologia e teogonia da religião.
Vou dizer agora, finalmente, o que preparei através dessas longas linhas.
Não é possível ao Bàbáláwo fazer um trabalho decente, aceitável, limpo e positivo se ele não conhecer profundamente a religião, a teologia e os mitos. Mais ainda, é impossível ele trabalhar sem um conhecimento profundo de ervas.
Essa conversa de Bàbáláwo que se inicia sem saber nada profundamente ou sem saber nada mesmo e decora os tratados cubanos e usa isso para interpretar Ifá para os consulentes é, real, mas, é incompleto.
Isso nivela um Bàbáláwo a um olhador de Búzios. Com sinceridade, entre ir a Ifá para consultar com uma pessoa que decorou os tratados e ir a um jogo de búzios ou cartas, eu acho melhor ir no jogo de búzios e cartas, vai te falar mais, basta escolher um bom olhador.
Ifá não é ebó. O mais importante na consulta é a conversa com o Bàbáláwo.
Por essa razão é que os livros são importantes.
Encerrando minha longa preleção, vocês vão notar que na minha lista não tem livro de cubanos. Eu tenho muitos livros de cubanos e por isso mesmo é que posso afirmar que não valem ser comprados.
Tem umas exceções, alguns temas vão ter alguns autores, mas o entendimento cubano da religião é muito ruim, assim como o entendimento deles de Orixá (Òrìṣà) é horrível. Eles inventaram uma religião deles.
A seguir vou divulgar várias listas. Não são todos os livros existentes, são os que eu tenho e gostei, quem sabe eu faça uma black-list, com os livros que eu não recomendo.