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segunda-feira, março 29, 2010

Abikú
Elere e emere, os nascidos para morrer, um mistério da religião

Só mesmo um grande mestre como Pierre Verger para nos tirar da ignorância sobre este tema, através da sua pesquisa e coragem, cujo legado será eterno.

Se uma mulher, em país yorubá dá à luz uma série de crianças natimortas ou mortas em baixa idade, a tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser (para eles, maléfico) chamado àbíkú (aquele que nasce e morre) que se julga vir ao mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos, órun (o céu), várias vezes.

Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais, desejos de ter os filhos vivos.
Essa crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte). Os ibo chamam os abikú de ogbanje, os hauças de danwabi e os fanti, kossamah.

Encontramos informações a respeito dos abikú em oito itans (histórias) de Ifá, sistema de adivinhação doa Yorùbá, classificados nos 256 Odù (sinais de Ifá). Essas histórias mostram que os abikú formam sociedades no egbá órun (céu), presididas por iyàjansà (a mãe-se-bate-e-corre) para os meninos e olókó (chefe da reunião) para as meninas, mas é Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) que as levou ao mundo pela 1ª vez na sua cidade de Awayié. Lá se encontra a floresta sagrada dos abikú, aonde os pais de abikú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo.

Quando eles vem do céu para a terra, os abikú passam os limites do céu diante do guardião da porta, oníbodé órun , seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo. Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Se prometem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas crianças apesar de todo os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu.

Os abikú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um abikú menina chamada "A-morte-os-puniu" declara diante de oníbodé órun que nada do que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem todas as coisas que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam.

Um abikú menino, chamado Ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu.

Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta abikú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; um outro, iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; um outro, que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar.

Outros prometem à iyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar no mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé.

É assim que nessas quatro histórias encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas outras coisas. Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas oferendas:

"Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos abikú, escutou quais eram as promessas feitas por três abikú quanto à época do seu retorno ao céu."

"Um deles promete que deixará o mundo assim, que o fogo utilizado por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de combustível. O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue. A terceira esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam que é tempo de ele se casar e ir morar com seu esposo."

"O caçador vai visitar as três mães no momento em que elas estão dando à luz a seus filhos abikú e aconselha à primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes que ela prepara para seu filho; à segunda que não deixe se rasgar o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente; ele recomenda, enfim à terceira, de não especificar, quando chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para a casa do seu marido."

As três mães vão, então consultar a sorte, Ifá, que lhes recomenda que façam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os três abikú possam manter seu compromisso. Porque, se a primeira instala um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague, o tronco de bananeira, cheio de seiva e esponjoso, não pode queimar, e o abikú, vendo uma acha de lenha não consumido pelo fogo, diz que o momento da sua partida ainda não é chegado. A pele de cabra oferecida pela Segunda mãe serve para reforçar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas; a criança abikú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder manter sua promessa. Não se sabe bem o porque do oferecimento de um galo, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha já uma moça, que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para a casa dele. Nossos três abikú não podem mais manter a promessa que fizeram, porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de oníbodé órun. Estes três abikú não vão mais morrer. Eles seguiram um outro caminho. Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustra bem o mecanismo das oferendas e de sua função. Não é o seu lado anedolíco (de lenda) que nos interessa aqui, mas a tentativa de demonstração de que em país Yorùbá, a sorte (destino) pode ser modificada, numa certa medida, quando certos segredos são conhecidos.

Entre as oferendas que os retêm aqui, na terra, figuram, em primeiro plano, as plantas litúrgicas. Cinco delas são citadas nestas histórias:


  • Abíríkolo (crotalaria lachnophera, papilolionacaae)

  • Agídímagbayin (não identificada)

  • Ídí (terminalia ivorensis, combretacae)

  • Ijá àgborin (não identificada)

  • Lara pupa (ricinus communis - mamona vermelha)

Ainda mais duas plantas são frequentemente utilizadas para reter os abikú e que não figuram nessas histórias:

  • Olobutoje ( jatropha curcas, euphorbiaceae)

  • Òpá eméré ( waltheria americana, sterculiaceae).

A oferta dessas folhas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por ofó (encantamentos).

Em país Yorùbá, os pais, para proteger seus filhos abikú e tentar retê-los no mundo, podem se dedicar a certas práticas, tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança e aí esfregar atin (um pó preto feito com osum, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um ondè, talismã feito desse mesmo pó negro, contido num saquinho de couro.

A ação protetora buscada nas folhas, expressa nas fórmulas de encantamento, é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, contida no saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostis, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra.

Em uma outra história, são feitas alusões aos xaorôs, anéis providos de guizos, usados nos tornozelos pelas crianças abikú , para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas. De fato seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos abikú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos babalaôs. Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças abikú sobre a terra. Iyájanjàsa é muitas vezes mais forte. Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para os reter e porá tudo a perder o que as pessoas tiverem preparado.

Contra os abikú não há remédios. Yiájanjàsá os atrairá à força para o céu. Os corpos dos abikú que morrem assim, são frequentemente mutilados. A fim de que, dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles sobretudo para que o espírito do abikú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo.

Essas criança abikú recebem no seu nascimento, nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais. Eles podem ser classificados: quer nomes que estabeleçam sua condição de abikú; quer nomes que lhes aconselham ou lhe suplicam que permaneçam no mundo; quer em indicações de que as condições para que o abikú volte não são favoráveis; quer em promessas de bom tratamento, caso eles fiquem no mundo. A frequência com que se encontra, em país yorubá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos abikú ficam no mundo graças, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à ação de Òrúnmìlà, e à intervenção dos babalaôs.

ALGUNS NOMES DADOS AOS ABIKÚ

Aiyédùn - a vida é doce
Aiyélagbe - Nós ficamos no mundo
Akúji - O que está morto, desperta
Bánjókó - Senta-se comigo
Dúrójaiyé - Fica para gozar a vida
Dúróoríìke - Fica, tu serás mimada
Èbèlokú - Suplica para que fique
Ilètán - A terra acabou (não há mais terra para enterra-lo)
Kòjékú - Não consinta em morrer
Kòkúmó - não morra mais
Kúmápáyìí - A morte não leva este daqui
Omotúndé - A criança voltou
Tìjúikú - Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar)

ITANS de IFÁ


  • É PRECISO CUIDAR DOS ABIKÚ, SENÃO ELES VOLTAM PARA O CÉU

  • OFERENDAS PODEM RETER ABIKÚ NO MUNDO

  • SUBTERFUGIOS PARA RETER OS ABIKÚ NO MUNDO

  • MOSETÁN FICA NO MUNDO

  • OLÓÌKÓ É O CHEFE DA SOCIEDADE DOS ABIKÚ

  • ASEJÉJEJAIYÉ FICA NO MUNDO NA DÉCIMA SEXTA VEZ QUE ELE VEM

  • OS ABIKÚ CHEGAM PELA PRIMEIRA VEZ EM AWAIYÉ

  • ÍYÁJANJÀSÁ NÃO DEIXA OS ABIKÚ FICAR NO MUNDO

Estes itens completos são descritos numa edição da revista Afro-Ásia, 14 – 1983, sob o título (A SOCIEDADE EGBÉ ÒRUN DOS ÀBÍKÚ, AS CRIANÇAS NASCEM PARA MORRER VÁRIAS VEZES)

As cerimônias para os abikú parecem ser pouco frequentes entre os yorubás, a única assistida por Pierre Verger, a cerimônia foi feita pela tanyinnon encarregada do culto aos deuses protetores de uma família tradicional do bairro Houéta. Num canto da peça principal, oito estatuetas de madeira com 20 centímetros de altura e eram colocadas sobre uma banqueta de barro.

Todos vestidos de panos da mesma qualidade, mostrando pela uniformidade de suas vestimentas, pertencer a uma mesma sociedade (egbé). Seis destas estatuetas representam ábíkús e as outras duas ibeji. As oferendas consistiam de oká (pasta de inhame) obèlá (espécie de caruru) èkuru (feijão moído e cozido nas folhas) eran dindi, eja dindin (carne e peixe fritos) que, depois da prece da tanyionnon e da oferenda de parte desta comida às estatuetas, foram distribuídas pela assistência. Uma sacerdotisa de Obatalá assistiu à cerimônia sublinhando as ligações que existem entre o orixá da criação, as pessoas de corpos mal formados, corcundas, alijados, albinos e aqueles cujo nascimento é anormal (àbíkú e ibeji).

Portanto ao contrário que muitos falam, nada tem a ver com a criança que já nasce "feita" no santo.

ABIKÚ - CONSIDERAÇÕES DO AUTOR NOS TEMPOS DE HOJE

O legado dos antigos pelas suas crenças, histórias e ritos da sua prática religiosa e cultural, se adaptam e se aplicam em qualquer tempo, através da sua sabedoria, com muita propriedade.

Em seu tempo, não há referências ao aborto, mas ao contrário, o esforço pela manutenção da vida, inclusive em quantidade. Pela prática divinatória através do jogo de búzios, nos dias de hoje identificamos muitos desses abikús , que percebemos em uma segunda instância, muitos são "criados", passam a existir por ingerência do ser humano através do aborto, é até simples de entender e ver por uma ótica e lógica astral/espiritual a qual simplesmente não podemos deletá-la da nossa mente e inteligência, ou na pior das hipóteses; ignorá-la: No instante em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, esta nova matéria existente já é provida de alma e espírito, que os cristãos chamam de "anjo da guarda" e os yorubanos de "orixá" (guardião da cabeça), este fenômeno consta na teologia Yorubana, na lenda de Ajálá, que será comentada.

Quando da execução do aborto propriamente dito, o ser humano supostamente, exerce o "seu direito" de eliminar aquele ser; mas somente a parte material, o corpo, por ele criado através do ato sexual de procriação, matando de forma definitiva o feto. Mas e o que por ele não foi criado, alma e espírito, onde fica, para onde vai? Esta análise via de regra não é feita ou levada em consideração, acaso haverá consequencias? Seríssimas, que aqui descrevemos com muita convicção, pautado nas mais diversas constatações através dos consulentes, por mais de duas décadas, dos sintomas pós aborto, a presença daquela "figura" que aparece de uma forma genética, oriunda de gerações passadas, os que são provocados e voltam ainda na mesma geração, e os que voltarão em nossos descendentes, e da forma mais imprevisível possível. A grande maioria de seres que nascem com deformidades, doenças graves, mortes prematuras... tem grandes possibilidades de serem abikús fabricados pelo homem. Nos dias de hoje, quando morre uma criança ainda nova, há muita possibilidade de ser um abikú que está voltando ao "céu", bem como persiste a probabilidade de voltar em um próximo filho, ainda na mesma geração ou na próxima; quando uma criança fica muito doente e corre risco de vida, pode averiguar na família se já há caso de aborto ou morte prematura, é bem possível.

As reações, mais da mãe que do pai, em caso de aborto, porque muitas vezes o pai não fica sabendo e não participa da decisão, na sua vida, no seu dia a dia são sintomáticas: desequilíbrio generalizado, na vida pessoal, no trabalho, em casa, nos estudos, nada dá certo, nada vai bem, angustia, depressão, pessimismo, falta de ânimo, aparentemente tudo deveria estar bem, mas as coisas não "vão"; É a influência daquele "ser", que contrariando as leis da natureza foi "fisicamente" eliminado, o qual fica gravitando num outro plano próximo aos pais, afetando suas vidas com estes sintomas.

Até mesmo por uma questão de justiça, não poderá um abikú que foi "gerado" por uma família, aparecer em outra, que nada tem a ver com o ato irresponsável de outros, e percebemos que uma criança que já nasce deformada de alguma forma, ou uma doença grave com morte, quem sofre realmente na sua plenitude são os pais, porque a dor interna é maior que a dor física, a criança já nasceu daquela forma, para ela que não sentiu e não sabe ser saudável, não percebe e não imagina como se sente alguém normal, portanto a sua dor ou problemas, para si é normal.

Esta situação pode e deve ser tratada no seu campo espiritual, os antigos nos legaram instrumentos dentro da religião Yorùbá, para fazê-lo, através de ebós e oferendas específicas, que se vale do mesmo princípio aplicado nos países yorubanos, quer seja: "enganar" os abikús; Muito se pode melhorar e modificar, evidente que em alguns casos é irreversível após o nascimento, mas se detectado ou informado o babalorixá ou iyalorixá competente, pelo que foi descrito, a mãe que poderia vir a ter um filho abikú, por meio desses ebós e oferendas pode-se evitar a vinda de um ser deformado ou com problemas sérios, que na realidade, nada mais é que um "retorno sob forma de castigo" de atos nossos ou de gerações passadas, de um processo que nunca foi tratado ou interrompido.

Desta forma vê-se que o aborto é uma situação que transcende a ingerência das pessoas, pois é algo ligado diretamente à natureza, e consequentemente ao Seu Criador, modifica-se ou escapa da lei dos homens, mas não à Divina. Este é um
fato porque nenhuma religião da terra permite o aborto.

NOTAS DO COMPILADOR

Esse texto não é meu e estou apenas transcrevendo o que foi feito pelo autor original. A qualidade da pesquisa e comentários são muitos bons e estão refletidos na íntegra para a avaliação e meditação de todos, assim não modifiquei o texto.
Tenho também meus próprios comentários que faço separado para não misturar com o texto original do outro autor.

No mundo real que vivemos abiku tem sido usado para inúmeras marmotagens de maneira que a primeira coisa que as pessoas devem ter acesso e entender é a origem disso, eu esperava poder incluir aqui mais informações sobre o tema, tenho as fontes mas traduzir e compilar vai levar mais um tempo e isso ficará para depois. Originalmente abikú estava ligado a uma explicação metafísica para um evento do mundo real, mas, não era confundido com problemas normais como doenças e o outras anomalias da gravidez.

Confundir abiku com causas naturais foi ao meu ver um processo local. Primeiro por ignorância, as pessoas não conhecem e nem procuram entender toda a teologia que religião e seja pela preguiça ou por dificuldade vão fazendo ilações e conclusões baseadas na ausência de informação. Não quero dizer que estarei certo nas minhas considerações, apenas que o hábito normal é esse.

Outro problema é a reprodução da análise dos outros. Por falta da sua própria se reproduz o que alguém já disse à respeito e esse dito pode ter sido um engano, assim um erro é reproduzido à exaustão. É um fenômeno comum.

Existe em torno desse tema uma motivação espúria que é o uso disso para considerar que pessoas que não fizeram suas obrigações de orixá sejam consideradas como feitas. Isso é um indignidade por vários aspectos. O primeiro é que gente que nunca passou por ritos e sacrifícios inventa essa situação para justificar a sua falta de elementos e história. A outra é usarem isso para se ganhar dinheiro de pessoas que querem ter status sem passar pela obrigações.

Dessa maneira dizer que era abiku foi a saída de muita gente para não raspar a cabeça, ser recolhido, etc.. Os abikú se multiplicaram na sociedade como praga. Para isso inúmeras razões foram inventadas para eles existirem e até mesmo diversos tipos para qualificá-los como mais graves ou menos graves, os que eram fáceis de arrumar ou os difíceis, um horror.

Outro aspecto que temos que separar são as causas naturais para problemas de vida e gestação. Olódùmarè não nos garante uma estadia sem problema. Ele colocou os orixá aqui para nos socorrer e ajudar. Dessa maneira somos atacados pelos Ajogun, a doença entre eles. Mais ainda o mal esta sobre a terra, somos atacados por feitiçaria enviada por outras pessoas.

Problemas na gestação e morte no útero e no nascimento me são muito mais causas naturais ou da ação de ajé e seu pássaro. Assim as pessoas devem primeiro buscar proteção contra a feitiçaria e ajé. Além disso devem procurar a proteção de Oxun para a sua gravidez. Isso sempre esteve presente na sociedade Yorùbá e não podemos substituir uma preocupação normal de toda mulher por sua gravidez e a busca da proteção de Oxun para ela por uma maldição rara.

De tudo sobre a sociedade africana que eu li, achei muito pouco sobre medo com abikú. Eles se preocupam com a saúde e doenças como nós e a gravidez e natalidade são entendidas com preocupações similares. Assim usar abikú para explorar pessoas ou vender obrigações é uma vergonha, mas, é o que se faz. Assim aparece abiku com 30 anos de idade, enfim, uma idiotice.

Entendo também que uma criança é ou não abiku. Não existe o tal carrego de abikú, que se existir, pertence a mãe e não a criança. Entendo também que ter perdido uma gestação não faz com que a seguinte seja de abikú se nascer. Não é verdade isso. Também não é verdade que um abikú não possa ser babalorixá, apenas a sua preparação passará por outros cuidados. Um abikú é uma pessoa normal.

Outro ponto é a junção e confusão dos abiku com os gêmeos, esse isso um assunto muito mais interessante. A vida é uma coisa muito importante para os yoruba e eles observavam que no caso de gêmeos a mortalidade era maior. assim ter gêmeos era mau agouro e ninguém queria ter. Para um deles ter mais chances de sobreviver, um morria ou era morto, e feita uma imagem para lembrá-lo. Isso sim era terrível, mas não estava associado a nada de ruim na religião.

Dessa maneira um gêmeo morria e outro não e nem por isso eles seriam abikú, ou o que sobrou era abikú. A morte de um dos gêmeos era uma coisa natural, eles entendiam e procuravam evitar. Não gostavam da gestação e nascimento de gêmeos e nem por isso os chamavam de abikú,

Eu entendo que ter nascido gêmeo entre os Yorùbá por muito tempo significou ter o seu irmão morto, sem o transformar em abikú. Pelo que percebi os Yorùbá dão muito mais importância a isso, aos Ibeji do que aos abikú. Creio que eles entendem os abikú como uma praga um ibi que deve ser evitado.

Outro aspecto interessante é como os yoruba entendia essa questão de Ori. Os gêmeos causavam uma confusão na cabeça deles. Uns entendem que o ori de divide em 2, outro que eles não tem o ori no orun, o duplo, os 2 ori vivem juntos no aiye (sem um duplo no orun?) o que traz problemas sérios para eles e por isso justifique também sacrificar ou deixar morrer um deles. Para tri-gêmeos eu acho que eles não tem nem explicação