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segunda-feira, junho 11, 2012

A onda de iniciações para Iyami

A aproximação de sacerdotes com o culto das ajés


O Candomblé em um momento que é aceito de forma mais ampla pela sociedade, saindo do gueto étnico para o âmbito da sociedade civil, mostra que lida muito mal com questões importantes para a sua afirmação como uma opção de religião.

Sim, o Candomblé é uma religião, autônoma e sem nenhum laço com esta péssima raiz abraamica que gerou apenas tradições religiosas ruins, como a cristã, o islã e o judaismo. Todas a seu tempo mostraram condutas inadequadas para a história da humanidade, pouco contribuindo para a formação de uma população melhor. E ainda podemos esperar mais do estoque inesgotável de péssimos exemplos que esta raiz gerou até hoje, principalmente vindo das correntes pentecostais e neo-pentecostais que parecem deter no momento o saco de maldades que sempre esteve na mão dessas tradições.

O Candomblé não parece demonstrar nenhuma aptidão para ser uma religião mundial, talvez daqui a uns 200 anos, mas, neste momento, em que deixa de ser uma frente étnica, ele se comporta muito mal nas lições mais básicas para ser uma opção religiosa viável para pessoas comuns. Eu vou voltar a este tema com mais abrangência, mas neste momento, pontualmente vou me focar na questão das iniciações para Iyami que se alastram no meio dos seus seguidores.

Ajé representa a força do mal na religião e não existe o menor sentido em pessoas iniciadas para Orixá, a força do bem que protege a humanidade se interessarem em se iniciar para este tipo de culto ou espírito.

Não é Exu que representa o mal nesta religião. Exu é um Orixá e desta maneira é e sempre será uma força do bem. 

Mas, apesar de ser classificado como um Orixá, ele esta acima disso, ou melhor, é distinto dos demais Orixás. Orixás são as divindades protetoras da humanidade, eles existem para que nossa vida aqui na terra seja usufruída com mais prazer e felicidade. Eles são o braço de Olodumare, a figura do deus supremo Yoruba, que não é oniscente ou onipresente, e que se faz presente aqui na nossa vida através dos seus ministros, os Orixás e outras divindades.

Exu é a divindade que transporta o axé, a energia vital que emana de Olodumare. É a única divindade que transita entre o Órun ( o espaço espiritual ) e o Aiye ( espaço físico, a terra ) e, também, a única divindade que tem acesso direto a Olodumare. Nenhuma outra divindade tem este acesso. Exu é o policial de Olodumare, aquele que faz com que as regras do mundo sejam cumpridas e que as ações erradas tenham consequências ruins.  Ele não faz o mal e não toma partido de ninguém. Ele é neutro. Ele apenas faz com que o certo seja recompensado e o errado seja punido, ou melhor, que a conduta errada traga o resultado que seja merecedora.

Na cosmogonia Yoruba, os Orixás são assim a força do bem, sempre. São a manifestação do amor às pessoas e à vida. Sempre querem o bem das pessoas. Exu é a força neutra que também transporta o axé.

Neste modelo, que não vou detalhar aqui, o mal é representado pelos Ajogun. Este é o mal absoluto. Os ajogun são a infelicidade, a doença, a perda, a paralisia, a briga, etc...  Ajé é também uma força do mal e do equilíbrio. No que pese ela eventualmente poder fazer o bem ou o mal, porque ela é completamente aética. Os Orixás são completamente éticos, deles sempre se vai obter o bem. De ajé, em função de quem as invoca pode-se esperar qualquer coisa, mas, o seu princípio é de ser a fonte de força do mal dos ajogun.

Todos os versos de Odù que já li sempre indicaram Ajé com uma atuação negativa. Como Verger destacou no seu explêndido trabalho sobre o culto de Iyami Oxorongá, as ajé perecem ser a força de equilíbrio, que pune com negatividade e perda os que se comportam mal e toma daqueles que estejam com muita positividade ou prosperidade. 

Não interessa aqui entrar no mérito de porque a ira de ajé foi despertada para uma pessoa, o que importa é que elas são a fonte e o agente do mal, seja emanado por seus erros seja ele demandado por outra pessoa.

Mas, atenção, nem todo o mal tem como fonte as ajé. Existem muitos espiritos ruins neste mundo. Ajé é um tipo específico e em Ifá identificamos quando isso ocorre de forma distinta de espíritos de Umbanda ou dos espíritos perdidos.

O mundo tem todo o tipo de pessoa e sempre teve aquelas que procuram obter coisas em detrimento de outras através do malefício, assim como sempre teve as pessoas que se dispõe a fazer isso para essas pessoas. São apenas bruxos e bruxas. Gente sem caráter e ética.

O que se faz na religião Yoruba é entender essas forças como parte da sua cosmogonia. Uma vez identificado esse tipo de ação ou causa raiz um sacerdote tem que trabalhar para apaziguar estas forças negativas de ajé ou dos ajugun. Existem ebós feitos para essa finalidade. Essas forças devem ser apaziguadas para que deixem de atuar sobre a pessoa que sofre as consequências.

No culto de Ifá isso é bem entendido porque os versos de Odù são uma fonte segura de aprendizado e entendimento desta estrutura metafísica.

Pessoas ligadas ao culto de Orixá que tenham sido iniciadas para um Orixá não podem pensar em ter qualquer tipo de relação com ajés e com o seu culto. O culto de Orixás, o Candomblé, é um culto do bem, para o bem das pessoas. Uma pessoa que tenha entrado para este culto jamais pode pensar em se ligar a um culto de ajé. É como virar as costas para o Orixá e se voltar para o lado negro da espiritualidade.

Assim, eu fico estarrecido quando vejo pessoas que se dizem de Orixá se ligando a este tipo de culto. É de impressionar ver gente que se diz sacerdote de Orixá anunciando que faz iniciações para ajé. Como pode uma Iyalorixá, um babalorixá um egbon e uma ekeji se envolverem com este tipo de coisa?

O que me vem como explicação é apenas uma coisa: ignorância. Gente estúpida que não sabe nada sobre a religião que adotou. Muitas pessoas inclusive chamam de "iyamim" ou seja nem sabem falar direito o nome. Este tipo de gente é o mesmo que depois vira evangélico e fica dando depoimento idiota de sua vida medíocre.


Essas pessoas ficam ainda tentando associar isto com algo bom. Não se enganem, não é, não caiam nisso. Ou elas são ignorantes (não sabem o que deveriam saber) ou são mal intencionadas.


Não existe motivo para uma pessoa que pertença a religião dos Orixás de se envolver com ajé. O culto da força feminina é representado por Oxun e todos os seus aspectos e pode através dele ser exercido Gélédé é uma coisa complexa e que não faz parte do Candomblé. O Candomblé contempla ritual específico para ajé mas de uma forma muito contida e isso não é dominado por todas as casas ou nações. O sentido é o que eu digo, o de apaziguar.

Assim se você por acaso ouvir falar nisso, iniciações para ajé, assentamentos para Iyami, saiba que isso é uma coisa ruim. Não faz parte da religião dos Orixá. Pode fazer sim parte de pessoas que cultuem isso, essa energia do mal. Certamente este tipo de pessoa sempre existiu e sempre vai existir, assim como existem as pessoas que delas querem se utilizar.

O culto de Orixá é uma religião somente do bem e para o bem das pessoas.

Lembro que também não fazem parte da religião pessoas que se declaram babalorixá e iyalorixá e que abrem suas portas para a rua atendendo consultas com exus e pombo-giras. Essas pessoas são Umbandistas e não Candomblecistas. As pessoas que também abrem suas portas para rua atendendo pedidos de feitiços, demandas, amarrações são apenas feiticeiros, são lobos que colocam a pelo do cordeiro, fingindo que são sacerdotes de uma religião. Gente que suja a mão com feitiço em um dia, no outro não serve para servir a um Orixá.


Se você ouvir falar de uma casa que se diga de Candomblé, atendendo a rua de porta aberta e onde você pode pedir o que precisa, qualquer tipo de feitiço sem se importar com ética, não se engane, isso não é uma casa de Candomblé. O Candomblé não é uma religião sem ética feita por pessoas de comportamento libertino. Você esta conhecendo apenas um beco, um covil de gente ruim. 


Por fim, eu lamento muito que pessoas iniciadas para Orixá se envolvam com Ajé. É a falência desta pessoa como filho de Orixá. O Candomblé perde muito por disseminar a ignorância e não o conhecimento. Infelizmente as pessoas do Candomblé não sabem a diferença entre Ajé e Gélédé. Este é um dos conhecimentos que não fez parte da formação do Candomblé e que foi introduzido tardiamente de uma forma torta.