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domingo, setembro 29, 2019

Mais uma nova versão do vídeo sobre matriz religiosa afro-brasileira.

Postei nova versão video, a anterior ficou bastante confusa. Creio que agora esta bem mais objetiva e clara. 

Infelizmente a duração não reduziu, já fiz esse vídeo inteiro umas 3 vezes e não consegui reduzir o tempo de maneira que o tempo é esse mesmo..... 

Já esta no canal 

sexta-feira, setembro 27, 2019

Qual a diferença entre Ifá e o jogo de búzios

Complemento

Depois de concluído o texto original eu observei que faltaram algumas informações sobre o tema, ligadas a forma de uso dos dois oráculos. Desta maneira estou completando aqui. O texto inicial esta em:
Diferença entre Ifá e jogo de búzios
A forma de usar os 2 oráculos é bem distintas, assim vou explicar a seguir.

No jogo de búzios, os búzios são deixados cair sobre uma superfície (o tipo não importa) e as seguintes características são usadas para determinar sua interpretação, lembrando que não existe um padrão, existem várias técnicas e falar sobre esse tema é bem complicado, assim, tenham atenção nas características principais e não nos detalhes:
1. É observada a quantidade de búzios total que cai aberta. Esse número de búzios determina um Odù ou um orixá (Òrìṣà). Isso varia de técnica de interpretação. Sendo uma coisa ou outra não importa, Odù ou orixá (Òrìṣà) vão significar para o olhador significados pré-determinados.
2. Além da quantidade principal o olhador divide a caída de búzios em caídas menores de búzios abertos separados por búzios fechados, descontinuidades. Essas quantidades menores, ou grupamento de quantidades menores trazem novas interpretações seja por Odù ou por orixá (Òrìṣà).
3. A posição dos grupamentos menores faz diferença. A área é dividida em setores e cada setor tem um significado especial, assim, é feita a análise daquela sub-caída naquele setor.
4. Os búzios também podem formar grafismos e esses grafismos podem trazer novas informações ao olhador.
5. Novas caídas podem ser feitas. Existe um padrão de 4 caídas, no qual as 2 primeiras indicam o problema e as demais trazem os trabalhos a serem feitos. A combinação da primeira caída com a segunda também traz novos significados bem como adicionalmente as demais, assim repetições de caídas tem significados especiais.
6. Algumas pessoas podem fazer mais do que 4 caídas, como eu disse isso varia da técnica. O padrão de 4 caídas com o uso das 2 primeiras para o significa é um padrão que se aproxima de Ifá.
7. Por fim, a mediunidade do olhador pode adicionar informações.
Desta forma, como eu disse, o jogo de búzios é muito rico em informações e detalhes.
No caso de Ifá a forma de consultar e bem diferente:
1. O Bàbáláwo usando Ikin ou opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) Ifá determina qual o Odù da consulta. No caso do opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) é apenas uma caída e o Odù é desenhado, com Ikins é um processo bem mais lento.
2. O Odù que saiu é o que determina a mensagem principal do oráculo. Além disso na análise é usado o Odù inverso da consulta o Omo Iya.
3. Após determinar o Odù principal é determinado que se eles está em Ire (positivo) ou Ibi (negativo). Essa determinação traz um novo Odù. Essa determinação assim como as seguintes são feitas usando o Ìbò, que é uma forma de interação do oráculo com o consulente e que impede o Bàbáláwo de direcionar a consulta. Existem Bàbáláwo que não usam Ìbò.
4. É determinado, com novas caidas, qual é o tipo de Ire ou Ibi.
5. É determinado que traz ou quem salva esse Iré ou Ibi
6. É determinado qual é o ebó (Ẹbọ) e trabalho a ser feito
Com isso tudo determinado o Bàbáláwo inicia então a análise da consulta. Isso significa na prática que o Bàbáláwo fica trabalhando sozinho um bom tempo, para então falar com o consulente.
O diálogo com o consulente pode seguir e caminhos. O tradicional onde o Bàbáláwo tem que contar histórias baseadas em versos, várias delas e depois conversar para através da reação do consulente às histórias ele ir convergindo para descobrir o problema do consulente. O Bàbáláwo deve usar seu conhecimento sobre o Odù mas, principalmente, usar as histórias para interagir com o consulente.
Modernamente, os Bàbáláwo, principalmente da tradição cubana ou gente que aprendeu com eles não usa as histórias, eles sabem os significados do Odù, que estão documentados nos tratados, mas de forma às vezes falha, e dizem para o consulente o seu problema baseado nesse conhecimento de significado.
Além do Odù principal, o Bàbáláwo pode usar mais 2 Odù na sua análise (3 Odù), mas, isso varia, em escolas que podem indicar mais. Isso é real e eu considero um exagero, o Odù principal é a mensagem primária de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), mas, enfim, como eu disse isso pode mudar.
Como os búzios, Ifá usa vários Odù para interpretar uma consulta, entretanto, como pode ser observado, não é tão rico e interativo como os búzios. Os métodos são organicamente diferentes.
Existe uma tradição de jogo de búzios por Odù que também usa histórias, mas ela é muito rara. O normal é que o pessoal do Candomblé, antes de Ifá, não entendia o que fazer com as histórias.

Entre outras menores, a principal diferença entre os 2 oráculos deveria ser a forma de se chegar ao problema. Nos búzios várias sinalizações indicam os possíveis problemas e dessa forma o olhador já traz as questões para o consulente confirmar. Em Ifá os significados pré-determinados deveriam ter muito pouca relevância, ou melhor, menos importância, o importante tem que ser:

- A participação do consulente através do uso do Ìbò que impede que o Babalawo somente saiba de respostas junto como consulente. Eu considero o uso do Ìbò imperativo em uma consulta de Ifá e uma dos elementos de maior diferença com os Búzios, porque nos búzios o olhador te fala o que tem que fazer, por exemplo, sem chance do seu ori, seu anjo da guarda confirmar.

- A análise do problema do consulente a partir da interpretação conjunta das histórias. Interpretar histórias é um processo muito rico que impede que se tenha uma pré-determinação do problema, voc6e só chega ao problema real, junto com o consulente.
Como podem ver, ambos oráculos usam múltiplas informações em uma consulta, são estruturados em uma fase de análise e outra de determinação dos ebós, mas fazem isso com métodos bem distintos.
É minha opinião que Ifá usando opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) é muito similar ao jogo de búzios caso o Bàbáláwo não se atenha a ortodoxia na consulta e queira na verdade ter velocidade. Tem muita gente que se preocupa apenas em tirar o trabalho a ser feito e encontrar o motivo principal da consulta sem explorar mais minuciosamente as informações dos Odù.



Porque considero que Iyanifá ou outras neologias são invenções ilegítimas para africanos ganharem dinheiro?


O texto a seguir é parte do texto sobre a mulher em ifá, mas como o texto ficou quase completo, mas, muito longo, resolvi publicar apenas minhas conclusões. O objetivo das longas e inúmeras histórias é justamente fundamentar essas minhas conclusões, assim, quem quiser leia o texto todo.

As histórias relatadas estão longe de cobrirem todas as existentes mas foram destacadas por terem alguma relevância ao entendimento ou por trazerem informações importantes.
Esta é a religião do equilíbrio e Ifá tem isso em suas entranhas. Eu não coloco Ifá acima de nenhum outro culto, todos que leem o que eu escrevo sabem disso, mas, a realidade é que a noção do equilíbrio esta contida em tudo que Ifá faz e nos versos de Odù.
No Odù Òdí Méjì temos a história principal sobre o equilíbrio de Ifá, quando Ifá explica porque se marca um ou dois traços quando se consulta com Ikin. Isso é perene em tudo de Ifá. Dessa maneira, Ifá é um culto masculino, mas todo o poder do Bàbáláwo para interferir no mundo físico, no Àiyé vem da mulher, de Odù sua esposa mítica.
Também são muito especiais as histórias onde Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se encontra com as ajé (Àjẹ́) e obtêm delas cooperação, mostrando sempre que não ha forma de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ou qualquer um, superar o poder de ajé (Àjẹ́). A atuação masculina de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se une ao poder feminino, que foi dado a elas por Olódùmarè para atuar no mundo.
Para eu cobrir todo o fundamento teológico disso precisaria destacar mais um Odù com a história de Òdí Méjì (que não vou relatar aqui, porque é bem longo e não está ligado a figura feminina) e o mito que está em Ọ̀sá Méjì, o qual narra o momento em que Olódùmarè dá para Odù a cabaça com o pássaro com poder absoluto e depois ela se entende com Eégún e dá para ele o seu poder através do pássaro que ficará empoleirado no seu ombro.
Vejam um trecho final do verso:
ela diz, grita, eis Eégún eis Eégún.
Ela diz, eles gritam por causa dele.
Ela diz, ele arrasta seu chicote no chão, ela diz, a honra cabe a ele.
Ela diz, a partir de hoje,
ela diz, ela concede Eégún ao homem.
Ela diz, por causa dela,
ela diz, mulher alguma nunca mais ousará entrar na roupa deEégún.
Ela diz, por causa de Òrisàlá, ela diz, ela dá Eégún ao homem.
Ela diz, mas se ele deve sair,
ela diz, ela tem o poder que ele utiliza.
O motivo se deve à amizade entre Eégún e eleye.
No lugar de onde vem Eégún, as eleye (também) vêm.
Todo o poder utilizado por Eégún é o poder de eleye.
Odú diz, mulher alguma jamais entrará na (roupa) de Eégún. mas ela poderá dançar, ir ao encontro de Eégún,
Quer dizer que se Eégún sair,
ela dançará diante dele,
ela dançará na estrada, ao encontro de Eégún.
Ela diz, a mulher fará isto unicamente.
Ela diz, a mulher não ousará nunca mais entrar de novo no pátio dos fundos. Ela diz, a partir de hoje é o homem que levará Eégún para fora.
Ela diz, ninguém, nem os netos, nem os velhos poderão zombar da mulher. Ela diz, a mulher tem mais poder sobre a terra.
Ela diz, além do mais, a mulher nos pôs no mundo.
Ela diz, todo mundo nasceu da mulher.
Ela diz, todas as coisas que as pessoas quiserem fazer, se não forem ajudadas pelas mulheres, ela diz, não podem fazer.
(É por este) motivo que os homens nada podem fazer na terra, se não o obtiverem das mãos das mulheres.
Eles cantam.
Por essa razão
Òbàrisà também canta.
Quando é o quinto (dia), eles fazem (a festa) da semana.
Ele diz que todos os cânticos que eles cantarão serão este aqui, vi ndos do (odu de ifá) òsá méji.
Ele diz, eles saúdam as mulheres,
Ele diz, se eles saudarem as mulheres, a terra será tranquila.
Eles cantam assim:
Dobrai o joelho, dobrai o joelho para as mulheres.
A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos.
A mulher é a inteligência da terra, dobrai o joelho para a mulher. A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos”.
Creio que esse Odù é bastante o suficiente para colocar esse equilíbrio entre forças no qual o poder de Olódùmarè dado a ajé (Àjẹ́) se encontra com o poder do homem depositado em Eégún.
Eégún é a representação do homem, o poder do homem, visto que a mulher não é também representada em Eégún. Lembro a todos que a figura de Eégún e do culto d Eégún é para mostrar a todos que a vida é contínua, que a alma não morre, que vivemos para sempre e podemos reencarnar. Esta é a razão da religião ter Eégún, seja pelo sentido de valorizar o vínculo familiar contínuo e perene como por demonstrar que vida e um ciclo sem fim.
Somente Eégún pode conter o poder de ajé (Àjẹ́). Essa é uma informação que poucos têm. Além disso existe um velho dito popular que fala que somente Olódùmarè pode salvar o homem de uma esposa vingativa. É a mulher que prepara a comida, as oferendas e isso é o caminho para o orun (Ọ̀run).
É uma sociedade patriarcal e se engana quem acha que isso foi diferente, mas, as mulheres são dotadas de capacidades especiais para quebrar esse domínio.
Acredito que isso ficou, também, claro nas histórias que mostrei.
O assunto mulher não está restrito a teologia e Ifá e para falar sobre ele é preciso entender alguns conceitos importantes sobre a sociedade Yorùbá e outras estruturas da religião. Eu acredito que a maior parte dos erros de entendimento aqui no Brasil e na diáspora são advindos de nós não entendermos de forma ampla a sociedade e valores e também outras estruturas religiosas que completam o todo.
O equilíbrio do poder masculino-feminino na sociedade fica evidente quando analisamos a estrutura dos cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́).
Ẹdan é o símbolo máximo da sociedade e representa uma figura masculina e ua feminina unidas por uma corrente.
Ilé (Ilẹ̀) a terra, deve trazer paz, felicidade, estabilidade social e sobrevivência, é a terra que dá poder a Ògbóni mas também alimenta ajé (Àjẹ́) que é a ira de Ilé (Ilẹ̀). As sociedades Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) estão unidas no seu aspecto social, muito mais do que uma estrutura religiosa é uma estrutura da sociedade yorùbá e por esta razão não foram transportadas pela diáspora. O seu significado é a busca de equilíbrio e pacificação do espírito feminino representado por Ilé (Ilẹ̀).
Mesmo nas sociedades masculinas de Eégún e Orò a mulher tem cargos.
Observe que Eégún é o culto festivo e alegre e Orò representa sempre o poder sombrio de Eégún, Orò é a manifestação de Eégún no seu aspecto punitivo para a sociedade. É Orò que executas as mulheres feiticeiras, ajé (Àjẹ́) que usam seu poder para o malefício.
Ilé (Ilẹ̀), a grande mãe Ògbóni em seu aspecto sombrio, se transforma em Ọ̀gẹ́rẹ́, a manifestação irascível e vitimizadora, que traz morte a seus filhos. Esta é a visão ambivalente da sociedade frente a terra. Ela mostra o potencial explosivo da relação homem-mulher em uma sociedade masculina e a necessidade de exercer a diplomacia.
Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) surge da visão Ògbóni de omón iya (Ọmọ ìyá), os filhos da mesma mãe e tem o objetivo de sensibilizar a mãe natureza Ìyá Nlá aos problemas dos filhos e da sua responsabilidade maternal.
O objetivo é fazer os membros da comunidade a amarem e interagirem um com o outro como filhos da mesma mãe. A manifestação de Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) através do seu festival é feita para pedir saúde, vida longa, prosperidade, muitos filhos, evitar doenças, mortalidade infantil e evitar desastres. O objetivo do culto que pode ser através de uma grande festival ou de eventos menores e até mesmo para apenas uma família, tem a finalidade de promover a paz e o bem estar social. Pessoas de todos os cultos de orixá (Òrìṣà) participam.
Os cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) são assim mais uma manifestação do equilíbrio dos poderes masculino e feminino.
Muitos aqui se questionam porque as pessoas dos cultos de orixá (Òrìṣà) e demais segmentos desta religião não são unidas. A razão é que trouxeram apenas o culto de divindades e não o entendimento de equilíbrio da sociedade integrado coma religião.
Ninguém entende aqui o que é ajé (Àjẹ́) porque para entende ajé (Àjẹ́) tem que se compreender uma dimensão muito maior de sua atuação. Não se trata apenas de feiticeiras e sim do poder feminino no equilíbrio do mundo.
A feitiçaria em sí, o malefício, é combatido pela sociedade.
Para finalizar isso eu digo que não existe sentido no culto de Ifá da presença da mulher como sacerdotiza.
Essa posição de mulher-sacerdote é uma violação do princípio básico de equilíbrio da religião. A Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi dado o poder do oráculo e à sua união com Odù foi trazido o poder feminino.
Apesar do tudo o que foi dado a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ao ser o intermediário com Olódùmarè, junto com Exú (Èṣù) as únicas divindades que podem ir ao deus supremo e também a bolsa da sabedoria, o axé (àṣẹ) para fazer coisas, transformações é dado a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por Odù, a figura feminina que recebeu esse axé (àṣẹ), esse poder de Olódùmarè.
É o casamento de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) com Odù que traz isso a Ifá, e por favor entendam essa casamento como uma metáfora. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) também se casa com Iwa (o caráter) e com Aje (a prosperidade), mas, essas 2 histórias eu ainda vou incluir no texto.
O importante é entendermos que em Ifá permanece o grande equilíbrio entre o poder masculino de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e de Odù o seu símbolo mais importante. É o receptáculo de Odù que é a ferramenta maior de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) , seu maior símbolo de poder.
Não se trata apenas de ficar interpretando versos ou aceitar a história que está em Orangun méjì. Trata-se de entender que não é possível sob o ponto de vista teológico se reunir em uma única pessoa as duas coisas, uma mulher em atividade fértil feminina não pode ser detentora de 2 poderes isso é romper com os princípios da religião e da própria sociedade.
Para aceitar a iniciação de mulheres um Bàbáláwo teria que fazer 2 coisas. A primeira é jogar no lixo o que está escrito em Orangun Méjì. A segunda é ignorar um princípio que norteia a sociedade e a religião. Entender o equilíbrio masculino e feminino é tão importante quanto entender o que é axé (àṣẹ).
Dessa forma não acredito e não aceito em iniciações para Ìyánifá ou qualquer outro neologismo que se invente. Para mim isso é desonestidade. Não reconheço Iyanifas.

Assim, não seja tola, não jogue seu dinheiro fora.

Qual a diferença entre Ifá e jogo de búzios?

Está é uma questão bastante interessante que pode ter respostas teóricas e práticas. Eu inclusive vejo uma linha bem longa de explicações, mas, tentarei encurtar isso ao máximo.
Ambos, Ifá e búzios, são oráculos que pertencem a mesma religião, mas a cultos diferentes. Ambos tem a mesma finalidade, orientar as pessoas no seu dia a dia, trazendo ajuda para entender o que fazem errado, o que está errado e o que elas devem fazer para mudar sua vida ou corrigir os problemas.

É para isso que um orácula serve na religião.

Como oráculos, ambos representam o ponto máximo da fé das pessoas em deus, na forma de Olódùmarè e são o compromisso de deus com o nosso sucesso nesta vida. Existe de verdade uma aliança de deus com nossa vida no Àiyé, não uma arca, mas uma aliança de fato, para que nossa vida seja próspera, feliz e cheia de realizações. O oráculo é o instrumento que faz parte desta aliança.

Como Bàbáláwo me sinte orgulhoso de trabalhar, ser um operário, nessa aliança entre deus e as pessoas.

Já comentei isso em outros textos. Este é o sentido teológico de um oráculo. Deus está preocupado com o nosso bem estar.

O oráculo de Ifá pertence ao culto de Ifá e o oráculo de buzios pertence ao culto de orixá (Òrìṣà). O culto de Ifá é um culto especializado em oráculo, a única atribuição de um Bàbáláwo é cuidar do oráculo, da comunicação entre as pessoas e o divino. Mas, ter um oráculo não é privilégio do Bàbáláwo, o Babalorixá (Bàbálórìṣà) ou Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) também têm porque tudo nessa religião depende de oráculo.

Dessa maneira, qual a diferença?

Como eu disse, ambos são oráculos e atendem a qualquer pessoa, não existem privilégios especiais no mundo, deus está para todos os seres humanos, não existe na minha concepção um deus que escolhe pessoas ou 12 tribos apenas e ignora todo o resto da humanidade.

O que eu vou falar a seguir, sobre os oráculos, são apenas aspectos práticos baseado na minha longa convivência com os 2 oráculos, seja como consulente ou como operador (olhador ou Bàbáláwo).

Como é minha opinião vai ter gente que poderá discordar, mas, sobre isso cada um escreva o que acha que deve escrever.

Se o seu interesse é ver coisas relativas a Orixá (Òrìṣà), como obrigações e oferendas o oráculo a ser usado é o de búzios. Se você quer saber se fez obrigações corretas ou se foi iniciada para o orixá (Òrìṣà) correto e a qualidade certa, Búzios é o oráculo onde os orixás falam. Procure um Babalorixá (Bàbálórìṣà) ou Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) para tratar disso.

Essas são dúvidas comuns mas perigosas porque podem levar você de encontro ao seu iniciador. Cuidado antes de entrar nesse caminho sem volta. Procure um bom olhador e uma pessoa ética que não demonstre nenhum interesse em capturar você para a casa dele.

Para tratar desses assuntos você tem que falar com uma pessoa que tenha conhecimento de orixá (Òrìṣà) e do culto de orixá (Òrìṣà), um Bàbáláwo não é uma pessoa para você tratar disso, em nenhum caso. Jamais procure estrangeiros para isso. O oráculo para isso é o jogo de búzios.

Em Ifá quem fala é Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Assim em uma casa de orixá (Òrìṣà), de candomblé, os búzios devem ser o oráculo para ser usado para se tratar com orixá (Òrìṣà). Existem inúmeras questões para isso principalmente envolvendo os iniciados.

Se a pessoa quer saber algo ligado a orixá (Òrìṣà) não adianta procurar um Bàbáláwo, só vai arrumar problema para a vida dela.

Em relação as pessoas laicas, não ligadas a religião, principalmente, ou mesmas as iniciadas que quiserem tratar de coisas relativas a vida delas, eu considero Ifá, quando bem feito o oráculo mais completo e profundo. Um bom Bàbáláwo tem, através de Ifá, explorar as questões e problemas mais profundamente. Um Bàbáláwo tem essa oportunidade, ele pode não aproveitar, mas, o oráculo permite isso.

Se o consulente quer tratar de questões simples do dia a dia, problemas, e orientações do dia a dia mais imediato e que não requerem uma avaliação mais profunda de suas questões, o jogo de búzios é muito melhor.

Suas repostas são objetivas, cheias de contexto, os búzios permitem uma interpretação mais completa, trazem mais informações e possibilitam um diálogo bastante interativo. Considerando que a maior parte dos Babalorixá (Bàbálórìṣà) ou Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) usam ainda sua mediunidade nas consultas de búzios, as possibilidades deste oráculo são excelentes.

O problema aqui é o mesmo que citei em Ifá. Pessoas mal intencionadas, despreparadas para uso do oráculo, que não se dedicam e não se preparam para o seu uso. Nesses casos corre-se um grande risco de ser enrolado pelos olhadores.

Como eu disse antes, é necessário fé, mas, também, uma visão crítica do processo para você estar 100% satisfeito e não ser enganado.

Você também pode ir a Ifá para resolver questões simples e imediatas, não tem problema, um Bàbáláwo usando o opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) Ifá é quase igual a um olhador de búzios, rápido e objetivo, mas, você não vai ter a parte da mediunidade do olhador para complementar.
Eu vejo em ifá um uso muito superior quando a consulta é feita com Ikins, mas os Bàbáláwo não gostam disso, preferem usar o opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) ifá que é um processo rápido.
Uma boa consulta de búzios pode demorar 1 hora ou um pouco mais. Uma boa consulta de Ifá com ikins vai demorar umas 4 horas, mas, como opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) Ifá demora a mesma 1 hora.

Em relação ao formato das consultas, os búzios são sempre muito direto, o olhador vai dizendo os problemas e você confirma se é aquilo ou não. As coisas nos búzios têm muito significado.

Em ifá não é assim, deveria ser bem mais complicado. O formato correto é o Bàbáláwo te contar histórias e você interpretar as histórias para eles e falar como seu sente com elas, se você se identifica com elas, etc..

Essas histórias são os famosos versos de Ifá. A dificuldade é entender as histórias e contá-las. Os poemas são bem típicos dos yorùbá, contêm referência difíceis de entender e são metáforas e parábolas. Tem que ter um bom nível de interpretação de texto e de abstração para entender os versos.

Todo mundo acha lindo os versos de Ifá, mas usar eles que é bom mesmo ninguém quer.
Isso leva um bom tempo, é um processo de análise gradual que vai se aprofundando e faz surgir as verdadeiras questões do consulente. Mas isso demora.

A gente sempre fala que em ifá a pessoa não pode ser burra. Tem que ser inteligente, tem que saber interpretar, tem que saber abstrair, criar cenários, tem que saber falar com a pessoa que está na sua frente.

A maior parte dos Bàbáláwo não usa a interpretação de versos, eles usam o opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) Ifá e não trabalham com histórias e com a interpretação conjunta. Eles vão direto nos significados e pré-interpretações que tem em relação as caídas do opele (Ọ̀pẹ̀lẹ̀) Ifá (Odù). Nesse formato, as coisas funcionam, mas eles ficam igual ao jogo de búzios que trabalha da mesma maneira, com significados prontos para as caídas, tem muito Bàbáláwo que concorre com búzios no mesmo tempo e no mesmo jeito de interpretar o oráculo, mas, não tem a mediunidade para complementar.

Dessa maneira ambos os oráculos são bons.

Concluindo, se quer lidar com coisas de orixá (Òrìṣà), vá nos búzios, se quer tratar de coisas imediatas de sua vida, decisões e orientações pode ir em ambos, mas se quer avaliar sua vida de forma mais profunda, só Ifá vai te dar isso.

Em qualquer caso, para ter sucesso, tem que ter um bom olhador. Mais ainda, não falei seu problema, o oráculo tem que falar.

COMPLEMENTO:  complemento

Ifá é Religião?


O título deste texto é uma dúvida que passa pela cabeça de muitas pessoas, incluindo nesse grupo Bàbáláwos. Isso mesmo, existem pessoas que tem dúvida do que Ifá é, mas ainda, tem Bàbáláwo que tem certeza de que não é religião.
Esse grupo de pessoas não consegue identificar a estrutura e prática de Ifá como religião e, talvez, devido ao aspecto universal de Ifá que pode ajudar a qualquer pessoa independente da religião dela, podem entender que isso transforma Ifá em uma ciência ou mesmo agnóstico.
Não é isso, Ifá é religião.
Este Blog não podia se furtar de entrar nessa discussão, é claro, e vamos aqui contribuir para que os Bàbáláwo encontrem o seu caminho. Não vou fazer nenhum texto denso e hermético, vou dar a abordagem mais simples possível. 
 
De um certo ponto de vista, entendo essa dúvida. Para pessoas não ligadas à religião Yorùbá, não é fácil reconhecer ou aceitar uma nova religião. É muito fácil ouvir por ai Babalorixás e Iyalorixás se referindo a religião delas como uma seita, é fácil ver Iyalorixás tradicionais da Bahia pertencendo a irmandades católicas e tomando bença para padres.
Em um ambiente onde temos uma religião muito bem organizada e influente na sociedade e, ao mesmo tempo, sacerdotes que não se reconhecem e se submetem a essa mesma religião, torna-se difícil esperar que pessoas laicas à religião a reconheçam como tal.
Neste mesmo contexto, temos ainda a herança dos bantu com videntes e feiticeiros que vendem favores possíveis e impossíveis da mais baixa ética para a sociedade que  avidamente procura soluções sem ética para assuntos imorais.

O microcosmo afro-brasileiro ainda é dominado pelo mercantilismo e a falta de religiosidade sincera. A teologia da prosperidade, característica das seitas neo-protestantes, sempre foi a tônica das pessoas que procuram cultos afro-brasileiros.
Mas esse panorama está mudando. Novos entrantes procuram a religião Yorùbá como uma religião de fato, trazem novos padrões éticos e não tem o foco no vil mercantilismo de trocas. A informação é mais fácil e acessível e pessoas descobrem que existe uma religião por trás da liturgia.

Claro que ainda vamos ter o grupo inicial, este que dominou a cena até agora e que contribuiu para espalhar a visão de que é uma religião desprovida de caráter e moral (para entender o que eu digo aqui, antes de me criticar, sugiro ler o livro, Candomblés de São Paulo de Reginaldo Prandi, pode ser baixado em forma de PDF gratuitamente). Mais uma vez repito, herança de miseráveis, gente que precisava de enganar outros para viver e da prática Bantu do baixo espiritismo. Muito mudou e ainda vai mudar, mas ainda temos um bom caminho à frente.

Não me crucifiquem por dizer isso. Todo mundo sabe que é isso. 
 
Claro que existem boas pessoas e lugares decentes. Não estou dizendo que todo mundo é ruim e não presta, estou dizendo apenas que existe essa divisão e que o lado ruim (na minha opinião claro, porque pode ter gente que acha isso normal), é muito visível.

Neste contexto social, como falei, não é fácil para pessoas olharem para isso e imaginar que ali existe uma religião. Em uma sociedade populada de videntes, adivinhos, tarólogos, "ciganos", jogadores de búzios e macumbeiros em geral, como supor que um Bàbáláwo, que é mais um manejador de Oráculo, seja algo diferente? Seja um religioso? Um sacerdote?

Mesmo as pessoas que se dispõe a ser Bàbáláwo, podem se ver apenas como videntes qualificados. 
 
Será que eles tem acesso à informação para entender que fazem parte de uma religião?
Será que elas entendem que existe uma Teologia, uma cosmogonia, uma teogonia própria suportando aquela prática? 
 
Será que eles sabem o que são essas coisas? Será que sabem o que estrutura uma religião?
Será que elas sabem que além de liturgias que devem aprender que elas também representam uma teologia?

Será que eles não se veem apenas como a pessoa que recebe um cliente, interpreta com a ajuda do cliente o problema dele (na maior parte das vezes você nem precisa fazer nenhum esforço, a pessoa senta na sua frente e já fala o problema dela e diz o que você precisa dizer para fazer ela feliz...) e vai fazer um ebó para resolver o problema, recebendo dinheiro por esse trabalho?

Pode ser complicado cobrar de uma pessoa a postura de um sacerdote se ele não sabe o que é religião e o que é um sacerdote, porque, independente de achar que estão em uma religião eles se nomeiam sacerdotes. Ai, fica muito difícil.
Primordialmente, para eles, eles estão em uma relação de consumo. 
 
Problema + $$ = solução

Não sei se todos têm acesso à informação e conhecimento de que aquilo ali deveria ser uma religião. Não apenas os Brasileiros mas também cubanos. Quanto a Nigerianos, não convivo com eles, não posso dizer, não confio de forma alguma no caráter dos que vem para cá mas me faltam elementos para qualificá-los.

Defendendo um pouco essas pessoas, Babalawos, que não sabem que fazem parte de uma religião, a forma de aprender o Ifá cubano não ajuda. Os tratados são um instrumento religioso muito ruim. Não são as escrituras sagradas, não contém os versos originais de Odù conforme define a religião e traduzem uma visão muito deturpada da teogonia.
Isso mesmo, vou repetir, tratados cubanos não contém os versos de Ifá.

Eles são muito práticos, permitem ao Bàbáláwo ir rapidamente a interpretação do oráculo e na busca da solução mágica, mas, não ajudam ao Bàbáláwo ver o que fazem como uma religião. Apesar de eu reconhecer que são um bom instrumento para o Babalawo, eu sou muito crítico no que diz respeito a visão religiosa. 
 
Se eu não já conhecesse os Orixás e seus mitos através do Candomblé e o meu contato inicial fosse através dos pataki (histórias dentro dos Odù) cubanos eu teria uma péssima visão de Orixá, na verdade teria uma visão decepcionante.
Mas vamos voltar ao nosso tema.

O argumento mais simples e idiota que posso usar para com os Bàbáláwo (não com as pessoas) é que uma vez que eles se declaram como “sacerdotes” de Ifá não existe possibilidade de Ifá não ser uma religião. Não lembro de ver Bàbáláwo se autoproclamando como vidente, eles fazem questão de se pronunciar como sacerdote de Ifá.

Para quem tem dúvida vamos ao que está na wikipedia:

Sacerdote ou Sacerdotisa (do latim Sacerdos – sagrado; e otis – representante, portando "representante do sagrado") é uma autoridade ou ministro religioso, habilitado para dirigir ou participar em rituais sagrados de uma religião em particular. Eles também têm a autoridade ou o poder de administrar os ritos religiosos, em especial, os ritos de sacrifício e expiação de uma divindade ou divindades. Seu cargo ou posição é chamado de Sacerdócio, um termo que pode também se aplicar a essas pessoas coletivamente

Assim, se o Bàbáláwo não é parte de uma religião ele deve se autodenominar vidente, olhador, adivinho. Eu sou não sou olhador, eu sou, Bàbáláwo e sacerdote de minha religião. Mas as pessoas podem ser o que quiserem, se o objetivo de alguma pessoa que se consagrou Bàbáláwo é apenas ganhar dinheiro com a prática da sua ciência e curandeirismo, então é mole, não precisa dizer que é sacerdote.

O que ele não pode fazer é dizer que os demais são como ele, eu não sou como esses, eu sei o que sou e onde estou.

Mas vamos esquecer que a resposta a essa pergunta pode ser dada pelos próprios Bàbáláwo ao se apresentarem como sacerdotes.
Vamos entender porque Ifá é uma religião.
Em primeiro lugar Ifá é parte de uma religião. Ele não é a religião por sí mesmo. Ifá é uma culto que faz parte da religião Yorùbá. Esta religião que surgiu em uma área que hoje pertence em parte ao Benin e em parte a Nigéria, a região Yorùbá. Esta religião tem uma estrutura bem completa e complexa e se espalhou pela região em volta dela de forma bem ampla. Foi trazida ao novo mundo durante a diáspora negra.

Esta religião é dividida em 3 cultos principais: O culto de Orixá, o culto de Ifá e o culto de egungun. Cada um desses cultos tem uma especialização e um objetivo. O Culto de Orixá cuida da pessoa e da família. O culto de egungun, no qual as pessoas se comunicam com ancestres, cuida da comunidade e o culto de Ifá é dedicado ao oráculo da religião.

A especialização de Ifá é o oráculo e só. O Bàbáláwo é uma pessoa dedicada a ser um mensageiro entre o divino e nós. O trabalho do Bàbáláwo é aprender a interpretar a forma como deus fala com a gente através do oráculo.

Mas, para melhorar o entendimento vamos a origem do oráculo. A questão é, por que o oráculo de Ifá existe na religião?

Simples, o oráculo representa o compromisso de deus, de Olódùmarè, com a nossa vida, com o nosso sucesso e nosso bem-estar. A preocupação de deus, Olódùmarè, com a gente é tanta que ele criou os Orixá (Òrìṣà) para nos ajudarem e o oráculo para que possamos nos orientar em nossa vida. Deus quer que a gente seja feliz.

A religião Yorùbá é encarnacionista, acreditamos que vamos viver muitas vezes, vamos renascer continuamente. Existe um mundo espiritual, o Orun, e um mundo natural ou físico o Aiye, que é onde estamos agora. Antes de nós nascermos, novamente, ainda no Orun nós estabelecemos objetivos para nossa nova vida e antes de irmos para o aiye, para nascermos, nós nos ajoelhamos na presença de deus, Olodumare tendo como testemunha somente uma divindade Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é o único testemunho de nosso destino, somente ele e deus sabem o que planejamos para nossa vida.

Deus sabe que a vida no aiye é bem difícil, que existem dificuldades, acidentes, incidentes, catástrofes naturais, imperfeições congênitas e pessoas que podem atrapalhar esse nosso destino. Dessa maneira ele encarregou os Orixá de cuidarem de nós e Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) de ser o mensageiro entre as pessoas, os orixá (Òrìṣà) e deus.

O culto de Ifá é dedicado exclusivamente a uma divindade, a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). O Bàbáláwo em sua vida vai cultuar somente esta divindade que é a divindade que responde em seu oráculo. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), como testemunho de nosso destino junto a deus é o único que sabe o que planejamos para nossa vida, de forma que, quando temos uma dificuldade que não conseguimos resolver, vamos ao oráculo da Ifá, para que através de Òrúnmìlà possamos nos comunicar com o divino, com ele, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que sabe o nosso destino e com os orixás que nos assistem na nossa vida.

O que torna o oráculo de Ifá especial para as pessoas é o conceito de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ter sido a testemunha de nosso destino, ele sabe o que nós planejamos para nós mesmos.

Esta é uma explicação religiosa. Esta explicação é feita dentro do contexto da religião, é a religião que dá sentido a importância do oráculo de ifá. Existem muitos oráculos e videntes, muitos deles muito bons, mas, é esta história de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ser o testemunho do nosso destino, o eleri ipin, que torna o oráculo importante, sem esta história Ifá seria como búzios, cartas, tarot e outros.

Dessa maneira, vamos revisar:

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) – é uma divindade
Olódùmarè – é o deus supremo yorùbá
O oráculo de Ifá é um instrumento de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para se comunicar com as pessoas que vive no mundo material

Mas, apesar disso, tem Bàbáláwo que diz que Ifá não é religião?

Eu não consigo definir Ifá de outra maneira. Não acho que seja uma ciência, não acho que seja uma "coisa", para mim é religião.

Como toda religião, não existem exclusividades. Esta religião está disponível para ajudar a todas as pessoas. Todas as pessoas foram até deus antes de nascer, assim acreditamos. Dessa maneira, qualquer pessoa pode ser ajudada por Ifá. Você não precisa fazer parte da religião, esta religião, assim como as demais, visam o bem das pessoas e não existem escolhidos, todos somos os eleitos de deus.

Ao ir a Ifá você não é obrigado a se converter para a religião Yorùbá. Você não terá que cultuar Orixá. O Bàbáláwo, como um sacerdote falará com você citando versos dos textos sagrados da religião, contará mitos que fazem parte da religião com metáforas equivalentes às parábolas e vai dar a você orientações baseados nos valores da religião. Se você quiser ser ajudado o Bàbáláwo irá ajudá-lo através de Òrúnmìlà, exu e dos orixás, porque esse é o caminho da religião, mas, você não precisa mudar sua religião.

Não confunda assim o aspecto universalista da religião com o fato de Ifá ter sua existência exclusivamente justificada pela religião Yorùbá.

Sou Bàbáláwo, sou sacerdote, faço parte de uma religião, Ifá é parte de uma religião, aberta a ajudar qualquer pessoa.

Quem não esta em uma religião é vidente, ou olhador de oráculo, Babalawo é cargo religioso.

segunda-feira, setembro 23, 2019

recomendo a todos a leitura do texto sobre a mulher em Ifá
é um texto longo  mas contêm referências importantes em Ifá sobre a mulher e o poder feminino. É uma nova versão de texto já publicado, mas totalmente revista, com novos versos e análises.
Leiam até o fim. Se quer entender porque uma mulher não pode ser iniciada em Ifá, tem que ler o texto.

A mulher em Ifá

O poder feminino em Ifá e porque uma mulher não pode ser iniciada 

 

Como eu sempre digo, Ifá é um culto religioso masculino. Sem blablabla, é isso mesmo, um culto masculino. Já participei de várias discussões sobre isso e de um lado tem apenas os argumentos de que tem que ter igualdade, que não pode fazer essa diferença e bla, bla, bla. Só que, isso não é sociedade civil, é religião e religião tem dogmas e tradições.
A grande, a enorme questão é que as pessoas hoje em dia estão absolutamente mimizentas, não sabem ouvir um não, não sabem seguir regras, não sabem seguir hierarquias, não sabem seguir tradições e nem sabem o que é ortodoxia. Toda vez é uma discussão “podre”.
Em Ifá a presença da mulher é muito restrita, mas, muito restrita mesmo. Sou sincero sobre isso. O culto feminino é o culto de Orixá (Òrìṣà). É neste culto, Candomblé por exemplo, que a mulher tem lugar, importância e relevância.
Eu não sei, de verdade porque mulheres querem ser de Ifá, é uma posição que não enriquece sua dignidade.
Para poder tratar disso, vou listar aqui uma série de textos, versos e histórias de Ifá que mostram a visão de Ifá para a figura da mulher.
Chamo a atenção que esta é uma seleção minha. Claro que consultei fontes e vou deixar isso bastante explícito, mas, eu selecionei o que considerei relevante.
Existe um livro chamado Apetebi, do Ifayemi. Não vi este livro em Português de maneira que pouca gente deve ter lido. Ele também fez uma seleção e também colocou seus comentários, como faço aqui. É uma outra fonte de referência. Eu não copiei este livro e até mesmo não gostei dele, mas estou citando. As histórias do livro estão muito resumidas, perdem o brilho. O livro é bem antigo, pelo menos, o que eu tenho e reflete a visão da sociedade deles sobre o tema.
O tratamento da mulher pela sociedade e por conseguinte pela religião é muito típico deles, não é fácil de entender e não vou tentar fazer isso aqui. Por um lado elas são importantes e temidas, mas, por outro lado não recebem o devido respeito.
Nos textos de Ifá esta situação ou paradoxo é bem típico. Se a gente lê as histórias e os versos vai observar claramente o tratamento indiferente dado a mulher. É como esta no texto seguinte, “… tome leve para você...” como algo que pode trocar de propriedade.
Essa atitude também é observada na forma como os africanos quem vêm para o Brasil, os tais Bàbáláwo, fazem aqui.
Nos textos de Ifá as mulheres sempre representam atitudes ruins. Isso é muito emblemático. Em Ifá, nos versos, determinados “objetos” tem sempre o mesmo sentido. Assim o carneiro sempre é traidor, a tartaruga inteligente e a mulher traiçoeira ou condutora de atitudes ruins.
Eu vejo muitas mulheres interessadas em Ifá, mas, gente, numa boa, estão no culto errado.
Hoje em dia, em função do comércio, as pessoas estão fazendo coisas para mulheres que não deveriam fazer. Os Nigerianos principalmente. Mas eles querem é ganhar dinheiro e assim, fora da terra deles fazem coisas que jamais fariam, ou melhor, fazem para estrangeiros coisas que não fariam para os nativos. A questão Iyanifá é parte disso. Como eu disse aqui, tem umas mulheres tolas que acham que receberam alguma coisa sendo feitas Iyanifa. Isso é apenas comércio de Nigeriano. Nada mais.
Os cubanos não são muito diferentes, colocam as mulheres como Apetebi e ponto. Fazem comida, limpam a casa e preparam ebós. Mulheres, o seu culto é o culto de Orixá (Òrìṣà), Vocês podem ser muito mais do que serem empregadas de luxo.
Mas vamos aos textos. Depois faço mais comentários. Espero sinceramente que as pessoas que estão lendo esses comentários entendam que estou aqui mostrando uma realidade e não fazendo apologia chauvinista.
Mas, uma coisa que eu já percebi é que as pessoas adoram se enganar, ou melhor, para conseguir o que querem elas se enganam.
A seguinte história foi obtida do Bàbáláwo Ayo Salami

Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) a esposa de Àgbonnìrègún

Na vida de Àgbonnìrègún e Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), há tantas coisas que se encontra difícil de explicar. Uma delas é a questão da Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀). Em alguns versos de Ifá, Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) é referida como a esposa de Àgbonnìrègún. Em muitos outros, ela era a esposa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) era a esposa de Àgbonnìrègún mas tornou-se a esposa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) mais tarde.
Um dia, durante uma das visitas habituais de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para dar conta de sua viagem feita por longos destinos, ele conheceu uma mulher chorando pela porta da casa de. Ele consolou-a, mas não podia esperar para descobrir o motivo de sua tristeza. Ele não poderia também abrir a discussão com seu irmão Àgbonnìrègún, pois não fazia parte dos assuntos que ele veio discutir.
Mas, no segundo dia, ele a encontrou no mesmo local enrolada e lamentando-se. Movido por suas lágrimas, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) teve que quebrar o protocolo (de discutir exclusivamente os acontecimentos de sua viagem e notícias em casa), pedindo que a questão da mulher chorar fosse discutida.
- Por quê? Oluwo Àgbonnìrègún perguntou.
- É porque eu notei que ela tem chorado por dois dias consecutivos agora – Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu.
- Ah, se é por causa do que a mulher, eu não sei o que dizer
Seu caso é peculiar. Quando me casei com ela, ela não estava menstruada. Consultei Ifá e ofereci sacrifício, e ela começou a menstruar.
Por um longo tempo, ela ainda não poderia engravidar, eu consultei novamente e ela ficou grávida. Mas os bebês que ela tem tido não foram sobrevivendo. Na verdade, o último morreu há três dias, e esta é a razão para ela chorar, Àgbonnìrègún explicou.
Se for esse o caso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu, por que você não executar uma akose sob o Odù ose ogunda para a mortalidade infantil para parar?
Isso pode não ser necessário, responder rapidamente Àgbonnìrègún.
Eu tenho tantas coisas para fazer que são mais importante do que cuidar dela.
Àgbonnìrègún então chamou Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀), que ainda estava do lado de fora chorando. Assim que ela entrou, Àgbonnìrègún agarrou-a pelo pulso e entregou-a a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
- Olúwo! Ele disse
Leve-a, da cabeça aos pés. Case-se com ela como esposa e enfermeira das crianças. Todas as coisas que você quer que eu faça parar as crianças pararem de morrer, faça você por ela.
E assim Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀), a ex-mulher de Àgbonnìrègún tornou-se a esposa de seu irmão Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
Isto é o motivo pelo qual as esposas dos Bàbáláwo, então, vieram a ser chamar de Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀). O outro nome para eles apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí). Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) na maioria dos casos, é o nome dado a mulheres que foram casadas antes, mas, dadas a um Bàbáláwo para se casar, provavelmente, depois que ela se divorciou do marido ou depois que o marido morreu.
Depois de ser dada para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) as crianças de Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) não morreram mais.
Nota
Ayo Salami, traz no seu livro Yoruba Theology and tradition - The Worship uma visão interessante que separa Orunmila de Agbonniregun. Segundo ele, eles seriam irmãos e enquanto um rodava as cidades o outro ficava em casa.
Existem diferentes escolas Yoruba, que variam pela região. Se isso está no livro dele é porque faz parte da tradição dele, por mais distinto que possa parecer para nós que estamos acostumados com outra visão.
Mas isso, de serem ou não irmãos, assim como outras coisas é apenas um detalhe. Não estamos tratando de história e nem que arqueologia.
O objetivo dessa história é mostrar a origem do nome dado a esposa de um Bàbáláwo e também mostrar a forma como a cultura Yorùbá vê a mulher. O irmão de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se desfaz da mulher como se estivesse se livrando de um móvel de casa, ou um eletrodoméstico estragado. Isso é parte da cultura deles.

A origem do nome Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí)

Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) é um outro nome para as esposas dos Bàbáláwo. Os acontecimentos que envolveram o surgimento do nome estão registrados em um verso sob o Odù Obara Ogunda (Ọ̀bàrà ègún tán). O versículo diz assim:
Ọ̀bàrà ègún tán
A maldição está encerrada
Fechando a porta com firmeza contra qualquer maldição futura
Eles são os que consultaram Ifá para o pilão
Eles são também os que consultaram Ifá
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
No dia em que estava embarcando em uma viagem de adivinhação para a casa de Àsedó
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) recebeu uma mensagem de que ele devia embarcar em uma viagem a uma cidade chamada Àsedó. O rei da cidade o havia convidado para vir e fazer adivinhação para ele e para todos os habitantes. Na verdade, ele deveria ir e ficar com eles por um tempo como seu sacerdote-chefe de Ifá.
Como de costume, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) , antes de começar a viagem, foi ao encontro com os seus sacerdotes que fizeram adivinhação para ele Nenhum outro Odù de Ifá foi visto que não Ọ̀bàrà Ògúndá. 
Os Bàbáláwo interpretaram os versos e disseram que ele estaria indo em uma viagem para um lugar distante.
- “Há muita boa sorte para você no caminho e no local para onde vai. Mas você deve oferecer sacrifício de modo que sua prosperidade tenha um aumento monumental em sua vida ”, Assim os Bàbáláwo previram.
- "Quais são as coisas que eu devo oferecer? Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou. Centenas de ratos, centenas de peixes, aves e animais, disseram os Bàbáláwo.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ofereceu o sacrifício e todas as coisas correram bem. Pouco depois, ele partiu para a terra de Àsedó. Ele já tinha viajado muito quando o céu ficou preto e as nuvens pesados de chuva. “Onde eu vou me abrigar? Eu não passei por qualquer aldeia, e a cidade que eu estou indo para é ainda uma longa distância ”. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) começou a correr na esperança de encontrar uma casa de fazenda para o abrigo. Enquanto ele corria ele sentiu cheiro de fumaça e tentou rastrear a sua fonte. Ele, então, viu uma pequena cabana e correu em direção a ela. Antes de cobrir metade da distância, a chuva começou e ele estava encharcado dentro de segundos, mas conseguiu chegar até a casa. Quando ele entrou, ele encontrou uma mulher muito bonita, iluminada somente pelo fogo do forno. Ela cumprimentou-o calorosamente e rapidamente tirou a carga da cabeça de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) . De onde você vem para ter pego por este tipo de chuva?
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) explicou a ela que ele estava indo para a cidade de Àsedó onde ele havia sido convidado pelo rei. Ela logo terminou sua culinária e ambos comeram com satisfação.
- “Onde estão os outros?” Orunmila perguntou, notando que ninguém mais tinha aparecido no meio da densa floresta.
- “Eu sou a única aqui, eu logo deixaria a casa para ir para a cidade ”, disse ela. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
Vendo isso como uma oportunidade, cortejou-a e desde que a noite já estava caindo e a chuva não acalmava ele resolveu ficar com ela até o dia seguinte. Durante a noite, eles fizeram amor apaixonadamente. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) acordou cedo no dia seguinte para sair. Ele já estava tentando fazer perguntas pertinentes sobre ela e como eles poderiam encontrar novamente, quando ele percebeu manchas brancas em sua pele e seus dedos perplexo!
- “Ela é uma leprosa”. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) interrompeu a sua história e, segurando sua bolsa debaixo da axila, saiu correndo e foi para a cidade de Àsedó, sem sequer perguntar o nome da mulher.
Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou a Àsedó, ele começou a executar trabalhar com Ifá para o rei os habitantes de toda a cidade. Como ele estava realizando adivinhação e eles estavam oferecendo sacrifícios; os doentes eram curados, as estéreis foram se tornando mães e as crianças foram crescendo.
Em alguns casos, Ifá falou sobre suas filhas, que deviam ser dadas a um Bàbáláwo como esposas. As moças foram dadas em casamento a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
Enquanto isso a mulher leprosa não sabia que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) tinha visto sua pele leprosa. Poucos meses após o seu encontro, ela descobriu que estava grávida e ela não tinha feito sexo com nenhum outro homem.
Ela esperou notícias Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por mais de dois anos. Ela já estava decepcionada e com raiva. Todas as manhãs, ela colocava água na frente de si mesma e fazia uma chuva maldições sobre o homem que a engravidou.
Enquanto isso Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ficou na terra de Àsedó por muitos anos com suas novas esposas sem que qualquer uma delas ficasse grávida. Ele tentou todos os meios para isso e não adiantou.
É a mim mesmo que todas as mulheres têm vindo nesta cidade para ter filhos e todas elas ficam grávidas. Por que as minhas esposas são estéreis? Ele ficou tão envergonhado com isso que decidiu visitar um outro sacerdote Ifá.
Quando o Odù de Ifá foi lido para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) , ele foi informado de que a incapacidade de suas esposas para engravidar foi devido a algum negócio inacabado em algum lugar.
- “Há uma certa pessoa que está chovendo maldições sobre sua cabeça”, o Awo disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
- “E, a menos que a situação seja resolvida e as maldições removidas as suas esposas não engravidarão ”, concluiu ele.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não se lembrava da mulher leprosa, havia sido tão rápido e a tanto tempo, mas, ofereceu os sacrifícios prescritos pelo Bàbáláwo.
Ele ofereceu cada um das prescrições de IFA 16 vezes. Através dos meios de OlOdùmarê que ninguém pode explicar, o sacrifício moveu a mulher de dentro da floresta densa, um dia depois de completar todos os sacrifícios, e ela foi para a cidade, segurando a mão da menina que ela tinha tido com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
- “Ele me disse que estava indo para a cidade de Àsedó. Deixe-me ir procurá-lo, pelo menos, eu serei capaz de reconhecê-lo ”, pensou ela.
O mesmo sacrifício também fez sua vinda para coincidir com o dia em que o rei estava organizando uma festa para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por que estava prestes a partir para Òkè Ìgẹ̀tí, em Ilé Ifẹ̀. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) caminhava ao lado do rei, acompanhado por centenas de outros sacerdotes a quem ele havia ensinado e iniciado para Ifá na cidade de Àsedó, os habitantes da cidade estavam dançando.
De longe, a mulher leprosa viu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) acenando para toda aquela gente feliz. Ela reconheceu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como o pai de sua filha. Ela abriu caminho através da multidão até que ela ficou diante de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
- “O que você fez para mim é muito ruim ”, disse ela, ao bloquear o caminho de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) .
- “Esta criança é o resultado da nossa relação sexual há dois anos”.
Memórias passaram pela mente de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e ele rapidamente ligou a mensagem de seu Bàbáláwo com o encontro que teve com a mulher. Ele baixou a cabeça em pensamento. Os guardas avançaram para afastar a mulher, mas, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) os parou.
- “Por favor, levem na e limpem a para mim. É uma longa história ”, disse ele para o desespero de todos.
Foi assim que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) levou a mulher, incluindo a criança a Òkè Ìgẹ̀tí. Na chegada, ele chamou todos os Bàbáláwo de Ilé Ifẹ̀ para ajudá-lo a curar a mulher.
- “Ela é minha mulher e isso é uma vergonha para mim e para o minha filha pequena”, disse Orunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Dentro de um piscar de olhos os Bàbáláwo trouxeram diferentes tipos de medicamentos, akose, e muitas outras preparações. Tome esta para si. Essa é a filha da mulher cuja lepra você ajudou a curar. Ela é sua nova esposa, a partir de agora, ele disse a eles, um após o outro. Eles são os Ọmọ ìyá tí a pa ẹ̀tẹ̀ bi (filhos resultantes da cura da hanseníase).
Este é o início do Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) outro nome, dado às esposas de Babalawôs.
Notas
Esta história, além de explicar a origem do nome traz informações importantes. Observem que nada pode fazer Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) através de Ifá para resolver as maldições que a mulher jogava sobre ele.
Isso é a identificação da mulher como ajé (Àjẹ́). As referências do poder de ajé (Àjẹ́) estão escondidas dentro dos versos de Ifá, elas não aparecem explicitamente, você deve observar quando Ifá está mostrando ao Bàbáláwo como é o comportamente e fundamentos de ajé (Àjẹ́).
Observem também a forma como ela mandava essas maldições, usando água, de manhã, isso é um clara referência a Óxun (Ọ̀ṣun) como lider das ajé (Àjẹ́) e vao ao econtro dessa mistura da figura de Óxun (Ọ̀ṣun) com a de Iyami Osoronga.
Como por exemplo é mostrado no Odù Oxé Otuwa, não adianta nada contra o poder de ajé (Àjẹ́), as coisas ocorrem errado e não de descobre o problema. A solução não foi um contra-feitiço, Ifá permitiu que ele encontrasse a mulher se solucionasse o problema da forma correta.
Toda mulher é uma bruxa e basta ela falar e desejar para amaldiçoar alguém.
Como eu sempre ouço e repito para muitas pessoas, o pior feitiço é o feitiço da língua. Não tem trabalho no chão que supere as pragas ditas, principalmente por mulheres. Manifesta-se aqui a ligação com Óxun (Ọ̀ṣun) e com o poder de ajé (Àjẹ́) que toda mulher tem.
Ifá ensina a quem sabe aprender.

Ọ̀ṣun a esposa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)

Talvez uma mulher de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que merece muito destaque é Óxun (Ọ̀ṣun). Lembro a todos que a presença de orixá (Òrìṣà) nos versos de Ifá é muito rara. Os versos são compostos por Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), exu e um monte de pessoas comuns.
Mas existem alguns que são presentes. Óxun (Ọ̀ṣun) é um desses. Por um longo tempo, ela foi casada com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e, através dela, muitas práticas que foram abençoados por Olódùmarè se tornaram institucionalizadas. Existe no texto sobre éerindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún), grande referência a importância de Ọ̀ṣun e sua ligação com Ifá.
Foi Ọ̀ṣun que trouxe um programa de iniciação especial chamado “IFA Elegan (Ifá Ẹlẹ́gán)”. Isto foi o resultado do fato de que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), seu marido, era uma pessoa que viajava frequentemente. Era Óxun (Ọ̀ṣun), sua esposa que estaria em casa para tratar as pessoas e atender às suas necessidades, tanto médica como espiritual.
Isso tem duas implicações decisivas, Óxun (Ọ̀ṣun) tinha que fazer alguma coisa para salvar a vida das pessoas e, ao mesmo tempo, manter a consistência de regra e retidão de procedimento que a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) era conhecida.
Entre as pessoas que vieram ao seu encontro estavam os interessados em serem iniciados para Ifá. Mas, desde que Óxun (Ọ̀ṣun) é uma mulher ela está proibida de ver Odù . A entidade sagrada do oráculo de Ifá não pode ser vista, exceto se a pessoa é um homem, se ele é iniciado e que lhe seja dado o antídoto para reduzir o efeito da energia que “Ile Odù ” pode ter ao verter sua energia em cima dele.
De acordo com Ifayemi, uma pessoa que é iniciada sem ver Odù será uma Ẹlẹ́gán. Este é o principal modo de iniciação para mulheres mas homens também sê-lo, dependendo do Odù que recebem. Se a pessoa vê Odù então ela será Olodù.
Existe ainda um outro tipo de iniciação, chamada Agbàmátẹ̀, que são aqueles que recebem os Ikin sem necessariamente adquirir conhecimento de Ifá. Podem estar envolvidos em liturgias mas não serão sacerdotes completos.
Ọ̀ṣun também seria lembrada pelos passos que ela tomou durante uma longa ausência de seu marido para salvar as vidas de alguns vizinhos. Tornou-se necessário para ela falar com o Ifá de seu marido sobre os problemas que as pessoas tinham.
O verso de Ifá diz que Ọ̀ṣun levou quatro peças de búzios do Ifá de seu marido, orou sobre elas e pediu as bênçãos do espírito de seu marido para entrar nos búzios. Nesta época ela ainda não sabia como divinar usando os Ikin.
Ela, então, usou os Ibo para perguntar qual era o problema, doença, esterilidade ou aborrecimento que a pessoa trazia para ela. Um após o outro, ela testaria todas as coisas que ela viu seu marido escolher para cada caso.
Uma vez que o Ibo e os búzios diziam “sim”, ela pediria a pessoa para trazer os itens específicos, colocá-los todos em cima de Ifá de seu marido e dizer para a pessoa ir embora. E assim eles ficavam curados. Então Ọ̀ṣun continuou por muito tempo fazendo isso até o retorno de seu marido.
Quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) retornou ele via na sua sala muitas nozes de kola, no quintal, viu cabras de diferentes tamanhos e sexos, as galinhas eram incontáveis. 
- “Quem possui tudo isso? " Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou surpreso. 
- “Eles são todos os presentes de Ifá que coletei usando estes búzios”.
Óxun (Ọ̀ṣun) respondeu o marido mostrando os búzios que ela estava usando. Ela também contou os sucessos que ela tinha alcançado.
Na próxima vez que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) visitou Olódùmarè para dar relatório do que estava acontecendo na Terrai, ele narrou o que Ọ̀ṣun havia conseguido usar os búzios e contou sobre todos os itens do presente que ela obteve através de Ifá.
Olódúmarè disse para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para dar a Óxun (Ọ̀ṣun) 16 Odù semelhantes à adivinhação por Ifá.
- “Ela pode usar estes Odù e búzios para o tratamento de clientes que vieram para ela, enquanto você estiver fora da cidade”.
Assim, a adivinhação com 16 búzios começou com Ọ̀ṣun, conforme está descrito em versos similares de Wande abimbolá descritos na postagem sobre o éérindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún). Esta história aqui é de Ayo Salami.
Notas:
É importante em Ifá a inteligência e perspicácia em entender a analisar os versos e histórias. Além disso um conhecimento geral da religião e de mais versos torna a compreensão muito maior.
Observem que esta história, narrada aqui, mas já transcrita anteriormente, Fixa a relação de Ọ̀ṣun com Ifá e do oráculo dos búzios com Ifá. Além disso abre a possibilidade de um tipo de iniciação especial, que permite a mulheres se utilizarem de Ifá através de búzios.
Elas serão Elegan (Ẹlẹ́gán), não terão a capacidade ou formação de um Bàbáláwo mas poderão exercer o seu papel. Esta aplicação é bem diferente da atribuição comum dada a uma Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) que fica encarregada apenas de limpeza e cozinha. Mas de nenhuma forma torna as mulheres equivalentes aos homens no culto.
Uma interpretação mais ortodoxa poderia inclusive dizer que como Óxun (Ọ̀ṣun) realizou as coisas através do Ifá de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), seu marido, esta função mais completa poderia estar reservado a esposas de Bàbáláwo, que se utilizariam do Ifá do marido e não de mulheres independentes de Bàbáláwo exercendo Ifá.
Dessa maneira Ifá reserva para a mulher uma posição relevante mas secundária, junto a seu marido o Bàbáláwo. Não existe em Ifá nenhum verso onde a mulher sozinha atua em Ifá.

Óxun (Ọ̀ṣun) recebe o oráculo de Olódùmarè

A transcrição desse Odù esta no artigo "The Bag of wisdom - osun and the origin of ifá divination" de Wande Abimbola.
A cada 16 anos
Olódùmàrè usava chamar os adivinhos da terra para um teste.
Para saber se eles estavam dizendo mentiras para os habitantes da terra.
Ou se eles estava dizendo a verdade
Este teste consistia em chamar Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e outros olhadores da terra
Olódùmàrè diria o que ele ira ver neles.
Quando eles chegaram
Olódùmàrè pediu para eles consultarem o oráculo para ele.
Quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) terminou a consulta
Olódùmàrè perguntou: Quem é o próximo?
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse que a próxima pessoa vinha a ser sua companheira
O qual era uma mulher
Olódùmàrè então perguntou:
Ela também é uma advinha, uma olhadora?
O qual Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu, “Sim, isto é verdade”
Olódùmàrè então pediu a ela para consultar o oráculo para ele
Quando Oxun (Ọ̀ṣun) examinou Olódùmàrè,
ela viu tudo em sua mente
Mas ela não disse para ele tudo o que viu
Ela mencionou a essência
Mas ela não disse as raízes do problema assim como faz Ifá
Olódùmàrè então perguntou a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) o que era aquilo?
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) então explicou a Olódùmàrè
como ele honrou Oxun (Ọ̀ṣun) com o owó ẹyọ mẹ́rìndínlógún
Olódùmàrè disse, “Esta tudo certo”
Ele disse que mesmo sabendo que ela não lhe contara tudo o que sabia
Ele daria a sua autoridade para ela
Ele adicionou “De hoje para sempre,
até mesmo quando o owó ẹyọ mẹ́rìndínlógún
não disse tudo detalhadamente
Qualquer um que desacreditar dele
sofrerá as consequencias imediatamente
Isso não precisará esperar até o dia seguinte
Este é o motivo pelo qual as previsões do owó ẹyọ mẹ́rìndínlógún ocorrem rapidamente
Esta foi a forma como o owó ẹyọ mẹ́rìndínlógún recebeu o seu Àṣẹ diretamente de Olódùmàrè
Notas
Esses versos mostram claramente que é Óxun (Ọ̀ṣun) a dona o oráculo de búzios e que é inegável a relação entre o oráculo de búzios e o oráculo de ifá, com como a sua máxima confiabilidade.

Óxun (Ọ̀ṣun) perde o saco da sabedoria para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)

Um outro verso contido no Odù Okanransode, que foi transmitido pelo Babalawo Ifátóògùn, famoso sacerdote de Ìlobùú, conta a história do saco da sabedoria. Olódùmàrè jogou na terra o saco da sabedoria e pediu a todos os orixa (Òrìṣà) que procurassem por ele. Ele garantiu que o orixa (Òrìṣà) que o encontrasse seria o mais sábio de todos eles. Olódùmàrè mostrou como era o saco para todos os orixa (Òrìṣà) para que eles reconhecessem quando o vissem.Uma vez que Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e Oxun (Ọ̀ṣun) eram íntimos eles decidiram procurar juntos.
Uma pessoa velha amarou um um fio de contas mas ele se abriu
Um sábio amarrou um fio de conta e el ficou frouxo
Somete uma pessoa que apoia suas costas em ikins
irá amarrar um fio de contas que irá durar
Ifa foi consuktado para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)
quando ele e Oxun (Ọ̀ṣun) foram procurar pela sabedoria
Foi Olódùmàrè que chamou as 401 divindades (da direita)
e as 201 divindades (da esquerda)
para se reunierem no Orun (Ọ̀run)
Quando elas chegaram lá
Ele disse que queria dar para elas profunda sabedoria e poder
Ele disse que que qualquer um poderia ver isto
que ele iria dar para o Ori deles
E esta seria a pessoa mais sábida na terra
Ele disse que 19 dias a frente
Ele jogaria o saco da sabedoria na terra
Mas se isso seria na floresta
ou seria no campo
Ou seria no rio
ou seria em uma cidade
ou seria em uma estrada
Ele não diria onde extamente seria
Olódùmàrè mostrou então a todos o saco da sabedoria
Ele disse “É isso”
Olhem bem
E observem bem.
Quando eles chegaram de volta a terra
alguns deles iniciaram a fazer sacrificios
Alguns fizeram remédios
Alguns planejaram a sua propria estratégia
Todos disseram “Essa coisa, serei eu quem vai achar”
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e Oxun (Ọ̀ṣun) costumavam fazer coisas juntos
Eles estavam sempre um na companhia do outro
Ambos adicionaram 2 búzios a 3
e foram consultar Ifá
Eles perguntaram aos babalawo para verificarem sobre ambos
A coisa que os orixa (Òrìṣà) estão procurando poderiam ser ambos eles as pessoas que a encontrariam?”
Os babalawo pediram a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e Oxun (Ọ̀ṣun) que fizessem um sacrifício
Com os grandes alakas que eles estavam usando
Cada um deles deveria oferecer um cabrito
e um rato domético
Bem como 201 ọ̀kẹ́ cheios de búzios para cada um deles
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse a Oxun (Ọ̀ṣun) que eles deveriam fazer o sacrifício
Mas Oxun (Ọ̀ṣun) disse m “por favor, deixe me descançar”
Vá fazer o sacrificio com o seu alaka
Qual a relação disso com o que estamos procurando?
Oxun (Ọ̀ṣun) se recusou a fazer o sacrifício
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) cujo outro nome era Àjànà,
pegou o seu alaka e ofereceu em sacrificio
Ele também usou um rato doméstico e dinheiro para o sacrifício
Eles então procuraram pelo saco da sabedoria mas não acharam
Todos os outros orixa (Òrìṣà) tmbém não encontraram
Eles procuraram em Ẹ̀gá ajá
Ele foram longe até Ẹ̀sà adìẹ
alguns foram ainda até Ìkọ Àwúṣẹ̀
alguns procurara também em Ìdòròmù Àwúṣẹ̀
Onde o dia vira noite
Mas ele não encontraram
Um dia um rato doméstico foi até o alaka que Oxun (Ọ̀ṣun) usava
E fez um buraco no bolso
No dia seguinte eles se consideraram prontos
e procuraram o saco da sabedoria mais uma vez
Então Oxun (Ọ̀ṣun) o encontrou!
Ela exclamou “Han-in este é o saco da sabedoria!”
Ela colocou então no bolso do seu alaka
Ela então foi embora apressada
Como ela estava atravessando florestas mortas e subindo por troncos
repentinamente o saco caiu do seu bolso
pelo buraco que o rato tinha feito
Oxun (Ọ̀ṣun) estava chamando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)
Dizendo “Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), cujo outro nome é Àjànà
Venha rápidp, venha rápido
Eu vi o saco da sabedoria
Quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) estava indo ele viu o saco da sabedoria no chão
Ele então colocou no bolso do seu próprio Alaka
Quando ele chegou em casa
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse: Oxun (Ọ̀ṣun) deixe-me ver o saco
mas Oxun (Ọ̀ṣun) disse que ela jamais mostraria para um homem
Mas se um homem precisasse ver
Ele teria que dar lhe 200 ratos
200 peixes
200 passaros
200 animais
e um monte de dinheiro
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) implorou por muito tempo para ver o saco
mas ela não permitiu
Ele então retornou para a sua própria casa
Quando Oxun (Ọ̀ṣun) tentou pegar o saco no seu bolso
de maneira que ela o visse mais uma vez
Ela colocou a sua mão no bolso
e sua mão entrou dentro do buraco feito no fundo do bolso
Então Oxun (Ọ̀ṣun) foi encontrar Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) na sua casa
Ela começou a implorar a ele
Ela começou a agradar Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)
Assim foi então como Oxun (Ọ̀ṣun) foi para a casa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)
para viver com ele como marido
De maneira que ele pudesse ensinar para ela um pouco de sabedoria
Nos tempos antigos, quando uma pessoa se casava
Não era obrigatório para a esposa ir para a casa do marido viver com ele
Assim foi como os casais passaram a viver juntos
Quando Oxun (Ọ̀ṣun) tirou o seu alaka
ela colocou àṣẹ na sua boca e disse
daquele dia em diante nenhuma mulher ia vestir um alaka como os homens
Ela então jogou o seu alak no lixo
Depois de muitos pedidos de Oxun (Ọ̀ṣun)
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) pegou um pouco de sabedoria e deu para ela
Este é o eerindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún)
O qual Oxun (Ọ̀ṣun) faz uso
O saco de sabedoria é Odù Ifá,
os remédios e todas as demais profundas sabedorias do povo Yoruba


Notas:
Vou destacar de forma bem objetiva o que o Odù Okanransode ensina:
  • Oxun (Ọ̀ṣun) foi a primeira a ter acesso a sabedoria de Ifá. Ela encontrou o saco de sabedoria e olhou para ele, assim ela obteve antes de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) a sabedoria de Ifá. Devido a sua teimosia, falta de fé ou preguiça ela perdeu o saco para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) que assim teve a posse dele por todo o tempo e a sabedoria e poder que Olódùmàrè prometeu. Mas não se pode ignorar o acesso que Oxun (Ọ̀ṣun) teve a Ifá.
  • Oxun (Ọ̀ṣun) foi viver com Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e este lhe deu mais sabedoria de Ifá.
  • Esse Odù nos dá também uma excelente explicação de porque somente homens tem acesso pleno a sabedoria de Ifá. Oxun (Ọ̀ṣun) se tivesse acesso teria omitido isso dos homens, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) observando isso limitou o acesso de Oxun (Ọ̀ṣun) ao conhecimento de Ifá. Essa interpretação deve ser estendida aos homens em geral e as mulheres também, e não especificamente a Oxun (Ọ̀ṣun) e Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Oxun (Ọ̀ṣun) é a essência feminina e um Odù é uma metáfora. Assim isso explica o papel de Babalawo e de Apetebi.
  • Outra lição é o mal destino que teve a ambição ou ganância no uso da sabedoria de Ifá. O desejo de Oxun (Ọ̀ṣun) era se enriquecer com essa sabedoria. Isso foi penalisado, assim a sabedoria de Ifá jamais deve ser usada para enriquecer ninguém.
  • Outro aspecto foi o preço a ser pago para se tornar sábio. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) pagou o preço e se tornou sábio, Oxun (Ọ̀ṣun) não quis pagar e não obteve exito na sua busca. A sabedoria exige sacrifícios de bens.
Apesar disso tudo é inegável o vinculo de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) com Oxun (Ọ̀ṣun) ou seja de Oxun (Ọ̀ṣun) com Ifá. Mesmo depois desse episódio Oxun (Ọ̀ṣun) e Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) ficaram mais próximos.
Unindo os versos de Okanransode com o de Ogbè-Ọ̀sá fica demonstrado e clara e evidente ligação entre Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e o eerindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún).

Oxé otuwa – Óxun (Ọ̀ṣun) de vira contra os orixá (Òrìṣà)

Os versos abaixo são uma parte do Odù Oxé otuwa onde é mostrado o que Óxun (Ọ̀ṣun) fez contra os demais orixá (Òrìṣà) que a extavam desprezando como uma igual.
Orunmila diria a essa pessoa que
é a Orò que ela devia adorar.
E ela seria conduzida à floresta de Orò.
Eles seguiram essas práticas durante muito tempo. Enquanto realizavam as diversas oferendas, eles não chamavam Oxun.
Cada vez que iam à floresta de Eégun,
ou à floresta de Orò,
ou à floresta de Ifá.
ou à floresta de ooxa,
a seu retorno, os animais que eles tinham abatido,
fossem cabras,
fossem carneiros,
fossem ovelhas,
fossem aves,
entregavam-nos a Oxun para que ela os cozinhasse.
Preveniram-na que quando ela acabasse de preparar os alimentos,
não devia comer nenhum pouco, porque deviam ser
levados aos Malè, la onde as oferendas são feitas.
Oxun começou a usar o poder das mães ancestrais —
- e a estender sobre tudo o que ela fazia
esse poder de ìyá-mi-àjé, que tornava tudo inútil.
Se se predissesse a alguém que ele ou ela não fosse morrer,
essa pessoa não deixava de morrer.
Se fosse proclamado que uma pessoa não sobreviveria,
a pessoa sobrevivia.
Se se previsse que uma pessoa daria a luz um filho,
a pessoa tornava-se esteril.
Um doente a quern se dissesse que ele ficaria curado
não seria jamais aliviado de sua doença.
Essas coisas ultrapassavam seu entendimento,
porque o poder de Olódúmarè jamais tinha falhado.
Tudo o que Olódúmarè lhes havia ensinado eles o aplicavam,
mas nada dava resultado.
Que era preciso fazer?
Quando se congregaram numa reunião,
Orunmila sugeriu que,
já que eles eram incapazes de compreender o que se estava passando por seus próprios conhecimentos,
não havia outra solução senão consular Ifá novamente. Em conseqüência, Orunmila trouxe seu instrumento adivinhatório,
depois consultou Ifá.
Contemplou longamente a figura do Odù que apareceu
e chamou esse Odù pelo nome de óxétua,
Ele o olhou em todos os sentidos.
A partir do resultado definitivo de sua leitura,
Orunmila transmitiu a resposta a todos os outros Odù-àgbà.
Estavam todos reunidos e concordaram que não havia outra solução para todos eles,
os Orixá -irumale, senão encontrar um homem sábio e instruido que pudesse ser enviado a Olódúmarè
para que mandasse a solução do problema
e o tipo de trabalho que devia ser feito para o restabelecimento da ordem,
a fim de que as coisas voltassem a normalizar-se, e
nada mais interferisse em seu trabalho.
Diziam que tudo o que acontecesse,
Orunmila, deveria ir até a Olódúmarè.
Orunmila ergueu-se. Serviu-se de seu conhecimento para utilizar a pimenta,
serviu-se de sua sabedoria para tomar nozes de obi,
despregou seu òdùn (tecido de rafia) e o prendeu no seu ombro,
puxou seu cajado do solo,
um forte redemoinho o levou, e
ele partiu até os vastos espaços do outro mundo para encontrar Olódúmarè.
Foi la que Orunmila reencontrou Exu òdàrà.
Exu já estava com Olódúmarè.
Exu fazia sua narração a Olódúmarè. Explicava que
aquilo que estava estragando o trabalho deles na terra
era o fato de eles não terem convidado a pessoa que constitui a décima sétima entre eles.
Por essa razão, ela estragava tudo.
Olódúmarè compreendeu.
Assim que Orunmila chegou, apresentou seus agravos a Olódúmarè.
Então Olódúmarè lhe disse que deveriam ir e
chamar a décima sétima pessoa entre eles
e leva-la a participar de todos os sacrifícios
a serem oferecidos.
Porque, além disso,
não havia nenhum outro conhecimento que Ele lhes pudesse ensinar
senão as coisas que Ele já lhes havia dito.
Quando Orunmila voltou a terra,
reuniu todos os Orixá
e lhes transmitiu o resultado de sua viagem.
Chamaram Óxun e lhe disseram que ela deveria segui-los
por todos os lugares onde deveriam oferecer sacrifícios,
mesmo na floresta de Eégún.
Óxun recusou-se:
ela jamais iria com eles.
Começaram a suplicar a Óxun e ficaram prostrados um longo tempo.
Todos começaram a homenageá-la e a reverenciá-la.
Óxun os maltratava e abusava deles.
Ela maltratava Orixá (òrìṣà nlá)
maltratava Ògún,
maltratava Orunmila
maltratava Osayin (Ọ̀sányìn),
maltratava Oranfe (Ọranfe),
ela continuava a maltratar todo mundo.
Era o sétimo dia, quando Óxun se apaziguou.
Então eles lhe disseram que viesse.
Ela replicou que jamais iria,
disse, entretanto, que era possível fazer uma outra coisa
já que todos estavam fartos dessa história.
Disse que se tratava da criança que levava no seu ventre. Somente se eles soubessem como fazer para que ela desse a luz uma criança do sexo masculino,
isso significaria que
ela permitiria então que ele a substituísse
e fosse com eles.
Se ela desse a luz uma criança do sexo feminino,
podiam estar certos de que essa questão
não se apagaria em sua mente.
Ficariam ai pedaços, pedaços e pedaços.
E eles deveriam saber com certeza que
esta terra pereceria;
deveriam criar uma nova.
Mas se ela desse a luz um filho-homem,
isso queria dizer que, evidentemente, o próprio Olódúmarè os tinha ajudado.
Assim apelou-se para Orixá lá e para todos os outros Orixá para saber o que deveriam fazer para que a criança fosse do sexo masculino.
Disseram que não havia outra solução
a não ser que todos utilizassem o poder — Axé (àṣẹ)
que Olódúmarè tinha dado a cada um deles; cada dia repetidamente
deveriam vir, para que a criança nascesse do sexo masculino.
Todos os dias iam colocar seu àṣẹ — seu poder —
sobre a cabeça de Óxun,
dizendo o que segue. "Você Óxun!
Homem ele devera nascer, a criança que você traz em si!"
Todos respondiam "assim seja", dizendo
tó!” acima de sua cabeça...
Assim fizeram todos os dias, até que chegou
o dia do parto de Óxun….

Notas
Apesar de todo o poder dos orixá (Òrìṣà), juntos, bastou Óxun (Ọ̀ṣun) tomar a decisão de prejudicá-los para que nada mais desse certo. Mais uma vez fica evidente o enorme poder que existe na mão de Óxun (Ọ̀ṣun) e das mulheres. Eu vejo Óxun (Ọ̀ṣun) como o poder feminino fundamental, o pode eque equilibra o mundo.
Se alguém não ouviu isso, entenda que, a palavra que define essa religião é EQUILÍBRIO. Apesar da posição da mulher ser secundária em Ifá, ela é justamente a origem do poder máximo sobre a terra, isso ficará claro quando eu apresentar os versos de Odù a espeosa mítica de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Contudam aprendam com Ifá, precebam o grande poder feminino e sua superioridade sobre tudo o que se faz. No cosmo yorùbá o poder feminino se equilibra com o poder maculino.
As pessoas que não sabem, aprendam que na sociedade yorùbá é a mulher que trabalha no mercado, no comércio. A mulher trabalha para se sustentar e o local dela é o mercado, o mercado é um local dela.
A razão disso é simples, os homens cuidam da produção. Mulheres na sociedade yorùbá não fazem trabalhos braçais, são os homens que o fazem, assim em uma sociedade rural, o homem trabalha no campo e na produção de coisas e é a mulher que trabalha no comércio.

A Traição de Apetebi

Eu tenho muito orgulho de publicar alguns textos neste Blog. Existem textos aqui que refletem bases profundas da religião, dogmas ou fundamentos importantes. No meio de tanta besteira, coisa inventada, frivolidades e superficialidades que se fala e escreve, alguns textos devem nos remeter a uma análise séria. Este aqui é um deles.
Para entender o modo de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) deve-se conhecer este texto. Não é uma coisa isolada. De tudo que li de versos a atitude de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) é sempre a mesma.
Esta história faz parte do Odù Ogbè Oligun. Foi extraído da obra de Osamaro Ibie, composta de vários livros e que recomendo que seja adquirida.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e a paciência


Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que, para seguir seus caminhos é preciso aprender a arte da paciência e da perseverança. Ele diz que medicamentos e feitiços podem falhar, mas a eficácia da paciência é tão constante como a existência do céu e da terra.
Paciência, diz ele, exige paciência, é claro, mas também a capacidade de resistir à tentação de vingar um mal fazer.
Se alguém está ofendido com as ações dos outros, não é esperado para reagir através de vingança, mas, deixar isso para o julgamento das divindades que o protegem e nos assistem a todos, que certamente intervirão do lado da justiça.
Por qualquer motivo, as pessoas são motivadas a ficarem irritadas o mais frequente e rápido possível. Contudo este temperamento, não devem ser autorizados a estender por mais do que uma sono, porque o calor da água fervida não dura do crepúsculo ao amanhecer.
Embora Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) nunca perdoe aqueles que seduzem sua esposa, ele não deixa de ser impassível em sua atitude para esta sedução. Qualquer pessoa que seduz sua esposa, assim como a mulher que se permite ser seduzida pagará caro no final, por sua transgressão.
Ewure, a esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) gostava de dizer-lhe que ela tinha muitos admiradores, muito mais atraente do que ele mesmo. Um dia, a esposa desafiou-o que um admirador há muito flertava com ela, e que, se ele não permitir que ela "coabita-se” com o homem, ela iria deixá-lo para se casar com o homem.
Alaminagun, Ajaminagun, Emietiri, Eyiteemaari looni yiojutire, miilo adifa fun Apetebi Orunmila nijo toun lofe ale. Esse é o nome do Awo que fez divinação para a esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) quando ela queria flertar com um amante.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), quando foi confrontado com o ultimato de permitir que sua esposa a flertar com outro ou deixá-lo, ele lhe disse que ela estava livre para convidar seu amante para a sua casa, em vez de arriscar o perigo de perder a sua vida por se envolver em infidelidade secreta.
A esposa perguntou se existia algum homem que fosse capaz de desafiar a vermelhidão dos seus olhos para seduzir sua esposa. Ele, contudo, respondeu que ela tinha sua sua total permissão para trazer o amante para a casa. Ela, então, vestiu-se e foi para a casa de seu amante, e convidou-o para sua casa matrimonial.
O homem nunca suspeitou que ela era a esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), sua Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí). Ao chegar na casa o amante foi convidado por Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para aproveitar a comida que havia preparado para ele. Ele também arrumou sua cama e acenou para sua mulher para ela deitar na cama com o amante, enquanto ele foi dormir em outro quarto.
Depois de deitar-se, a mulher acariciou o amante para fazer amor com ele. Depois de hesitar por um longo tempo, o homem se recusou a ter relações sexuais com ela, porque ele não sabia quais eram as intenções do marido.
Antes do amanhecer. o amante fugiu, mas não antes de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ter ido buscar a água do rio para sua mulher e seu amante tomarem seus banhos. Tendo feito isso, ele saiu para visitar seus amigos.
Quando Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) percebeu que era por medo de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) de que o amante a quem ela tanto gostava recusou-se a fazer amor com ela, ela saiu de manhã para trançar seu cabelo com um determinado penteado chamado SHUUKU, tendo dois grampos perpendiculares usados em tecelagem. Depois disso ela saiu de casa para se estabelecer com o amante, como havia ameaçado. Ela passou exatamente três anos com o amante tempo durante o qual Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não fez nada.
Enquanto isso, as outras divindades estavam começando a ridicularizar Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) por sua falta de coragem de lutar de volta, depois de que um companheiro seu tinha seduzido sua esposa. O sedutor acabou por ser Sapana, a divindade das epidemias. No terceiro aniversário de sedução de sua esposa, Ògún veio até ele e acusou-o de ser um idiota e imbecil. Ele retrucou perguntando a Ògún se ele estava irritado, como resultado da ação de sua esposa. Ògún respondeu dizendo que se qualquer divindade o tivesse ofendido de forma semelhante ele reagiria com a ferocidade de um leão ferido. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) então pediu Ògún para lutar em seu nome, se ele sentiu que sua raiva era irresistível.
Ògún perguntou a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) qual seria sua recompensa? Se ele forçasse sua esposa a voltar para ele. E, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), respondeu que ele o compensaria com um galo.
Na noite seguinte, Ògún esperou a mulher cair em sono profundo. Ele então foi para o quarto da mulher e bateu na cabeça dela com uma marreta. Imediatamente ela desenvolveu uma dor de cabeça. A dor de cabeça se tornou tão grave que a mulher entrou em coma e Sapana foi para a adivinhação, naquela mesma noite. Foi solicitado a ele para dar um galo para o ex-marido da mulher Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Na manhã seguinte, ele deu uma galo a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que o deu para Ògún para compensá-lo pelo trabalho que tinha feito.
A mulher ficou bem, mas ela não voltou para a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Poucos dias depois, Xangô (Ṣàngó), a divindade do trovão veio a incomodar Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntando porque ele não usava seus poderes para ter sua esposa de volta?
Mais uma vez, ele disse a Xangô (Ṣàngó) que ele só se tornaria irritado se Xangô (Ṣàngó) também se mostrasse que ele também estava irritado. Xangô (Ṣàngó) confirmou que ele não estava apenas irritado, mas profundamente envergonhado de que uma divindade júnior poderia tratar Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) com uma ofensiva tão mesquinha e ainda ter impunidade. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse o que Xangô (Ṣàngó) poderia para fazer para demonstrar sua raiva. Perguntado sobre qual seria sua remuneração se ele conseguisse trazer de volta a mulher, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) confirmou que ele compensaria Ṣàngó com um galo. Com isso, Xangô (Ṣàngó) partiu para casa de Sapana.
No meio da noite, a chuva começou a ameaçar e as nuvens estavam carregadas. Esposa de Xangô (Ṣàngó), Oya colocava a luz na forma de raios para Ṣàngó poder identificar seu alvo. Sango entrou na casa de Sapana e rugiu no peito da mulher e assim ela teve um ataque cardíaco que imediatamente fez ela ficar inconsciente. Uma vez mais, Sapana foi para uma adivinhação, apressadamente, e foi-lhe dito para enviar um segundo galo segundo seu o ex-marido da mulher. Sapana foi com o galo para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que por sua vez o deu para Xangô (Ṣàngó).
Uma vez mais, a mulher ficou bem, mas, ela não retornou para a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). As divindades ferozes tinham esgotado as suas capacidades sem realizar seus objetivos. Era hora de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) reagir, ainda que por procuração.
Ele, então, convidou Exú (Èṣù), seu árbitro favorito, e prometeu a ela uma galinha para ele trazer de volta Apétebi (Apẹ̀tẹ̀bí) apenas para com isso salvar a sua dignidade divina. Prometeu-lhe dar um bode, depois que a mulher infiel voltasse à sua casa.
Depois de comer a galinha, Exú (Èṣù) se mudou para o quarto da mulher nas primeiras horas da manhã. Ele amarrou as mãos e os pés, garganta e peito, e bateu na sua cabeça. Ela entrou em coma. Quando Sapana acordou de manhã, ele observou que sua esposa ainda estava aparentemente dormindo. Era luz do dia e ela ainda não estava de pé. Ele, então, foi para o seu quarto, apenas para encontrá-la inconsciente. Ele fez de tudo para acordá-la, mas ela não podia nem falar.
Naquele momento Sapana entendeu que estava lutando uma batalha sem chance de vitória. Ele juntou suas coisas e foi à casa da mãe de Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) e pediu para que ela fosse à sua casa e pegasse o corpo inerte de sua filha. Depois disso ele correu para a floresta onde permanece até hoje.
De sua parte a mãe vendo a condição de sua filha correu para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), para ele salvar a vida de sua filha. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pediu a ela um Bode o qual ele Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) deu para Exú (Èṣù).
Depois do sacrifício Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) recuperou a consciência porque Exú (Èṣù) tirou dela todos os laços que havia dado. Tão logo ela ficou bem para ficar de pé ela se ajoelhou frente a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e pediu perdão por tudo de errado que ela tinha feito.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) apontou seu cajado em direção a ela. Ele disse que ela havia com seus atos, desgraçado a honra dele, a sua masculinidade e a sua autoridade divina, ao ter desafiado a sua autoridade como marido. Ela levou 3 anos para desfazer sua transgressão e somente quando ela estava entre a vida e a morte ela se arrependeu.
Por esta razão ela sempre vai ficar nesta posição que está agora na sua frente, com joelhos e mãos no chão. Os 2 grampos de cabelo que ela usou quando saiu de casa vai ficar para sempre na sua cabeça como chifres.
Com essa proclamação, Ewure, pediu pelo perdão de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chorando “moobee, moobee, moobee”. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) a transfigurou em um cabrito chamado Ewure (cabrito em yoruba). O seu choro permanece até hoje como o berro do cabrito.
Notas
Órunmila aconselha perseverança em tudo o que seus seguidores fazem. Eles não devem por sua própria vontade vingar qualquer mal feito a eles por outros. Ele não quer que seus seguidores a se envolver em atos diabólicos especialmente aqueles destinados à destruição de outras pessoas. Ele aconselha em um poema que aqueles que tomam as almas dos outros também vão pagar com suas próprias almas ou com as de seus filhos e netos
Ele insiste que ele estará em uma posição melhor para proteger seus filhos, se eles não tomarem as leis da natureza em suas próprias mãos.
É um texto muito duro com a visão da mulher. Nas histórias de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é sempre a mulher quem o trai.

O sofrimento de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) em Iwo

O texto a seguir também faz parte do Odù  Ogbe Oligun. Este texto é muito importante por 2 aspectos.
O primeiro é que é um texto famoso de Ifá e relata a origem do nome Iyawo, que é largamente utilizado no Candomblé. Talvez poucos saibam que tem origem em Ifá com Orunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Segundo que ele endereça uma coisa muito chata principalmente no Ifá cubano. Os cubanos são muito esquisitos. Eles inventaram uma mimica associada a cerimônicas que fazem. Existe um tratado de mímica que ensina que gestos devem ser feitos em Odùs específicos.
Para mim aquilo é coisa de T.O.C.
Além disso adoram proibições. Assim fulano de Odù tal não pode fazer tal coisa o outro não pode fazer aquilo, etc... são centenas de proibições. Parece até Candomblé.
No Candomblé ao invés das pessoas se preocuparem com o bem do outro ficam mais preocupados em proibir coisas. Claro que proibições fazem parte de dogmas e liturgias, mas, o importante é o que a gente realiza.
Conheço um Pai de Santo no Rio de Janeiro que faz uma lista de proibições para clientes que sentam na mesa dele. A pessoa pode nem ser de Candomblé, foi lá apenas para jogar e ela sai passando proibições que deveriam valer apenas para membros da casa e principalmente Iyawos. Mas ele vai além, a pessoa é abian e já ganha as mesmas proibições de Iyawo, como se tivesse feito Orixá, ou seja, ela não tem direito a nada e já tem direito as proibições. Sabe, se você não tem alguma coisa de bom para falar então é melhor ficar quieto.
Mas, voltando ao Ifá dos cubanos eles também adoram isso.
Gente, sem sentido. Um Bàbáláwo não tem restrições. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não tem restrições e não dá restrições para seus Babalawo. Onde já se viu um Babalawo com restrições que o impeçam de fazer o que tem que fazer?  Ainda mais uma pessoa que fica mais tempo sozinha do que acompanhada!
Mas, esse meu ponto de vista é explicado aqui. Assim, leiam até o final. Posso dizer e afirmar que nunca vi em versos de Odù, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) com restrições ou sendo penalizado por isso. Mas estou falando de versos de Odù e não os pataki.
Acorda gente!
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que quando ele está com pressa, sua velocidade de ação não é tão rápida quanto o ritmo em que a menor formiga anda ou os movimentos mais rápidos de caracol. Ele diz que mesmo quando ele está se movendo e uma árvore cai para obstruir seu avanço, ele ficará com a árvore caída, até que ela apodreça antes de prosseguir em sua jornada.
Se por outro lado, uma pedra bloqueia seu movimento: ele vai esperar até que a folhagem seja descamada aos montões e se acumule até a altura da pedra, antes de atravessar a pedra usando essa ponte fornecida pela pilha de folhas. Mesmo quando ele decide reagir, ele não o faz diretamente. Ele apela a uma das divindades mais agressivas, como Esu, Ogun, Omolu ou Xango, fazendo-lhes sacrifícios e exortando-os a agir em seu nome.
Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que se ele reage muito cedo, ele vai fazê-lo em três anos e somente quando sua paciência se esgotou Mas quando ele finalmente decide reagir, ele o faz de forma muito impiedosa.
Ogbe suru fornece a ilustração mais clara de como Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) opera neste contexto:
Era uma vez, uma princesa que viveu em Iwo e cuja beleza foi tão cativante que todos os homens de Iwo não foram considerados elegíveis suficiente para ela. Seu pai, o Oba de Iwo tinha dito que não iria forçá-la a desposar ninguém, exceto com um homem escolhido por ela mesma.
Quando o povo de Ifé ouviu de sua fama e beleza, eles decidiram competir pela mão dela em casamento. Ògún foi o primeiro a fazer uma tentativa. Ògún foi para iwo e ante a visão da princesa, ficou completamente nervoso, e ele prometeu fazer de tudo para conquistá-la
Quando Ògún professou amor para ela, ela aceitou-o sem qualquer hesitação. Ela, no entanto, insistiu que ela tinha de viver com seu pretendente na casa de seu pai, sugestão que Ògún prontamente concordou.
Ela entreteu Ògún elaboradamente nos primeiros sete dias. No terceiro dia da chegada de Ògún a iwo, ela pediu Ògún lhe dizer o que era proibido para ele a fim de diminuir a margem de atrito entre eles.
Antes de Ògún deixar Ifé para ir para  Iwo, ele havia sido avisado para fazer o sacrifício de seu anjo da guarda e Exu (Èṣù), a fim de voltar para casa vivo de sua missão. Ògún se gabou de que uma vez que nenhuma batalha já havia desafiado sua força e bravura que não vê a justificação em fazer todos os preparativos do sacrifício quando ele estava indo se encontrar com uma mulher. Ele não fez o sacrifício.
Em resposta à pergunta da princesa Ògún lhe disse que a ele era proibido o óleo de palma (Adin) e a menstruação. Em outras palavras, ele está proibido de ver a menstruação de qualquer mulher. Assim que  os sete dias de hospitalidade se foram, a princesa viu a sua menstruação chegar. Ela, então, preparou uma refeição com óleo de palma (adin) para Ògún para comer. Quando ela deu a comida para Ògún para comer, ela deliberadamente se sentou em seu santuário sem segurar o seu fluxo menstrual.
Quando Ògún se sentou para apreciar a refeição, ele descobriu que a sopa foi preparada com óleo de palma. Quando ele levantou a cabeça em fúria para consultar a ela sobre isso ele viu que havia também descarga menstrual em seu santuário, em fúria Ògún levantou-se para golpeá-la e ela rapidamente correu para o apartamento de seu pai por socorro. Quando o pai viu Ògún perseguindo a sua filha, o Oba usou seu AXÉ para conjurar-lhe para parar e rapidamente ordenou Ògún transfigurar na marreta usada pelos ferreiros, que ele é até hoje. Esse foi o fim da tentativa de Ògún para ganhar a princesa de Iwo para sua esposa.
Depois de esperar em vão por Ògún para voltar com a princesa de Ifé, seu irmão júnior Osayin decidiu avançar para Iwo para a dupla missão de procurar Ogún e, se possível, de ganhar a princesa para si mesmo. Antes de ir para Iwo ele também foi aconselhado a fazer o sacrifício de seu anjo da guarda e para oferecer um bode a Exú (Èṣù). Ele também disse  que como o proprietário de todos os medicamentos diabólicos que existiam, seria degradante para ele fazer qualquer sacrifício para qualquer outra divindade. Ele então partiu para iwo.
Ao chegar a Iwo, ele foi rapidamente apresentado à princesa que ofereceu a ele a recepção inicial e hospitalidade que ela havia previamente tratado Ògún. No terceiro dia de chegada Osanyin, ela também pediu a  ele para revelar a ela o que era proibido para ele, a fim de minimizar o risco de atrito. Em resposta, Osanyin queria saber se ela já conhecia Ògún. Ela confirmou que sim, mas que, em vista da recepção pobre que ela deu para ogun, ele se sentiu muito envergonhado de voltar para casa e decidiu procurar uma nova morada longe de Ifé e iwo. Em um tom de  bajulação ela disse a Osanyin que os olhos de Ògún eram demasiados terríveis para seu gosto e que ele Osanyin de fala mansa, era o seu tipo de homem. Com isso, Osanyin foi desarmado e começou a revelar-lhe que ele era proibido de comer  o óleo de palma e menstruação. Ela assegurou a Osanyin,  confiante como fez Ògún antes dele, que ela apenas fez a pergunta a fim de evitar o risco de qualquer mal-entendido entre eles.
Logo após o término da lua de mel a princesa começou a sua menstruação. Ela, então, preparou um guisado com óleo de palma para Osanyin para comer. Ela também foi para sua cama para manchá-la com seu fluxo menstrual. Quando Osanyin estava prestes a começar sua refeição favorita, ele descobriu que ela foi preparada com óleo de palma (adin).
Ele então abandonou a comida, lembrando-lhe que ele lhe proibiu o óleo de palma em seu alimento. Ela pediu desculpas a ele, abraçando-o e persuadindo-o a ir a seu quarto para o romance. Mas logo que ele estava prestes a deitar na cama, viu descarga menstrual e acusou-a de tentar matá-lo!
Quando ele tirou sua varinha para amaldiçoar a princesa, ela voltou correndo para o apartamento de seu pai e o pai parou Osanyin com seu machado. O Oba ordenou Osanyin transfigurar em um pote de água, que é o que ele é, até hoje.
Depois de esperar em vão por Ògún e Osanyin voltar para casa, o povo de Ifé intimou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para ir em busca deles. Ele então convidou seus AWOS para adivinhação e disseram-lhe que Ògún e Osanyin não eram mais vivos. Ele foi avisado de que antes de ir para iwo, ele deve fazer sacrifício para seu Ifa e dar bode para Exú (Èṣù). Ele foi avisado de que o tratamento muito pobre lhe aguardava em iwo, e que ele preparasse sua mente para nunca para esgotar sua paciência até o fim. Ele fez o sacrifício e, em seguida, partiu para iwo
Em chegando lá, ele começou a dançar na porta de entrada para a cidade, e as pessoas se reuniram para recebê-lo. Posteriormente, a princesa veio e professou o amor a ele. Ele retornou o seu amor e concordou em viver com ela na casa de seu pai. Ela estendeu a hospitalidade habitual para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), e acabou perguntando-lhe o que a ele era proibido. Antes de concordar em responder a sua pergunta, ele perguntou pelo paradeiro de seus irmãos mais velhos, que vieram mais cedo para iwo para pedir a sua mãos em casamento.
Ela disse que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que o primeiro era muito agressivo para o seu gosto, enquanto o segundo era muito diabólico para o seu conforto. Foi por isso que ela recusou suas insinuações e, como resultado de suas decepções, eles decidiram nunca mais voltar para visitar Ifé ou pisar na terra de iwo. Ela presume que eles tinham ido para fundar novas casas em outras cidades. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) não acreditou na história, mas foi o suficiente para colocá-lo em guarda.
Finalmente, ele revelou a ela que ele era proibido de comer rato, peixe, galinha, cabra,  azeite de dende, vinho de palma e a menstruação das mulheres, aliás, exceto pelo último item, todos os outros eram os  alimentos básico de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà)
Poucos dias depois, a mulher começou a sua menstruação e ela preparava a comida com ratos para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e sentou-se diretamente em seu santuário Ifa. Quando Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) viu o rato na sua comida, ele perguntou por que ela deu a ele o que ele proibiu. Ela explicou que era porque não havia carne em casa. Após uma profunda reflexão, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) lhe disse, a essência do casamento é o compartilhamento de dores e prazeres mútuos. É por conta de sua amada que se come o que se proíbe. Por que eu deveria ter medo da morte, quando eu tenho a rainha da beleza do meu lado. Com essas observações amorosas, ele abraçou a mulher e decidiu comer o rato para agradá-la. Depois de ter comido, como ela se levantou de onde ela se sentava em seu santuário, para recolher os pratos, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) viu que o pano branco adornando o seu santuário, tinha sido manchada com descarga menstrual, mais uma vez, ela pediu desculpas a ele, alegando que a descarga veio inesperadamente. Ele perdoou prontamente e saiu para lavar a roupa suja.
A princesa ficou intrigada. Um após o outro, a mulher deu-lhe, cada um o que Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) lhe disse que ele proibiu, mas ele se recusou a perder o seu temperamento. Depois de esgotar a lista de alimentos proibidos Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), e ele não perder seu temperamento, a princesa de iwo decidiu, em um ato completamente nova provocação, ela convidou um amante de fora para vir visitá-los sob o pretexto de ser uma pessoa de sua relação. Na noite, o amante fez amor com ela diante dos olhos de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Isso foi exatamente três anos após Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) estava morando com ela.
Na manhã seguinte, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi buscar água para o amante ter o seu banho. Como ele estava prestes a sair, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) sugeriu que ele se juntasse a sua mulher para que esta o acompanhasse.
Já era tempo para ele reagir.
Assim que eles estavam fora da cidade, ele invocou Exú (Èṣù) para intervir. Exú (Èṣù) usou a sua própria cabeça para constituir uma pedra  no caminho, e o amante, que estava na frente, bateu o pé sobre ela, e caiu. Ao mesmo tempo, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) apontou o Uranke para ele e ele transfigurou-o em um caracol, que ele rapidamente quebrou e usou para limpar o corpo da mulher da  poluição que ela recebeu do intruso
Quando voltou para casa, a princesa, que tornou-se muito assustado com a coragem deste pretendente infinitamente paciente e foi para seu pai para proclamar que ela havia encontrado o marido que ela concordava em se casar. Seu pai rapidamente convidou Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e sua filha e ambos professavam que eles estavam dispostos a tornar-se homem e mulher.
No mês seguinte, ela ficou grávida. foi nessa fase que Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) buscou a permissão de seu pai-de-lei para voltar à sua cidade natal, ifé com sua esposa. Ele concordou prontamente. Em chegar em sua casa em Ife, ele intrOdùziu a esposa como iya ile iwo - o que significa o prOdùto de meus sofrimentos em Iwo. Esta é a origem ou a palavra iorubá "iyawô", que significa uma esposa.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) então compôs uma música especial em louvor a perseverança, e fez uma festa de júbilo para o sucesso de sua missão de três anos sobre a Iwo.
Essa experiência também foi para confirmar uma filosofia fundamental Ifá que se um homem revela o que ele proíbe a sua esposa, é exatamente o que ela vai fazer com ele quando ela planeja desfazer dele.
A pessoa que não proíbe nada apenas prolonga a sua vida. É por isso que Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) não proíbe nada para seus Babalawo.
Notas
Mais um texto onde é a mulher quem é traiçoeira e que traz problemas a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Longe de ser um exceção, isso é uma regra em Ifá.

O sofrimento de Orunmila em Iwo

A história a seguir foi obtida em Popoola. E um pouco diferente da anterior porque alivia a barra das mulheres.
Iya era filha do Oniwoo de Iwo. Ela era muito bonita e também muito trabalhadora. Ela era também muito querida por Oniwoo. Em função disso Oniwoo resolveu tomar papel ativo na sua escolha de seu marido. Oniwoo queria garantir que qualquer pessoa que fosse se casar com sua amada filha deveria ser paciente e não deveria ser provocado facilmente.
Ele, portanto, definiu diferentes testes para pretendentes em potencial. Todos eles falharam. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi então para alguns de seus alunos para consultar Ifá e determinar se ele iria ou não se casar com Iya a filha de Oniwoo. Ele também queria saber se a relação deles daria bons frutos e se ambos seriam felizes.
Os estudantes asseguraram-lhe que a relação seria muito gratificante para ele, se ele fosse se casar. Entretanto foi aconselhado a ser muito paciente e não deveria nunca ser provocado. Ele foi informado de que o pai de Iya definirá muitos testes para ele para determinar sua resistência e o nível de sua paciência. Ele foi, então, aconselhado a oferecer sacrifício com um galo, óleo de dendê e dinheiro.
Ele obedeceu e partiu em sua viagem.  Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou ao palácio de Oniwoo, ele foi calorosamente recebido e pediram para ser dado a ele um quarto para dormir. Estranho para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), o quarto foi chiqueiro do porco de Oniwoo. No alto topo era onde as galinhas de Oniwoo eram mantidos.
Durante três dias, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi mantido dentro desta sala, sem comida ou água. O quarto fedia insuportavelmente e as galinhas defecavam no corpo de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Ao longo do calvário de três dias, nem por uma vez ele pediu assistência de qualquer pessoa. Ele nunca saiu, ele nunca pediu comida ou água para beber e ele nunca pediu água para limpar seu corpo.
No quarto dia, Oniwoo convocou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para o seu palácio, quando o viu, ele estava cheio de fezes e estava fedendo muito. Ele perguntou a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como havia sido a sua estadia em seu quarto. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu que o quarto foi como um segundo palácio para ele.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi, então, convidado a mudar-se para outra sala ao lado da cozinha. O calor e a fumaça eram asfixiante. Ele ficou dentro do quarto por mais três dias sem comida ou bebida.
No quarto dia, ele foi convocado para o palácio na presença de Oniwoo. Ele perguntou a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como havia sido sua estadia em seu quarto. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu que o quarto foi muito agradável. Oniwoo ordenou que a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) deveria ser dado alimento pela primeira vez. Ele comeu a comida.
No próximo quarto dado a ele estava cheio de água podre, vermes e insetos. Ele não conseguiu dormir os três dias que passou no interior do quarto. Quando ele foi convidado a sair do quarto ele tinha picadas de insetos por todo o corpo. Quando Oniwoo perguntou como havia sido a sua estadia no quarto, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu afirmativamente.
Durante três meses, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi passando de uma prova para outra. Ele suportou tudo sem reclamar.
Os próximos três meses, foram testes físicos, tais como o corte de árvores de grande porte em tempo recorde, a limpeza de grandes extensões de terra e transporte de cargas pesadas de um lugar para outro. Todos estes ele fez sem reclamar.
Depois disso, Oniwoo convocou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para se encontrar com ele e tomar o seu banho e usar uma nova roupa que lhe fora presenteada por Oniwoo.
Antes de voltar ao tribunal palácio, ele descobriu que em todos os lugares e todo mundo estavam em clima festivo. Todo mundo estava cantando, dançando. Oniwoo pediu para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sentar-se ao lado dele. Ele o fez. Oniwoo então entregou Iya a ele para levar para casa como esposa. Oniwoo elogiou a resistência Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e também a sua paciência, e a calma e gentileza que ele teve para passar pelos sofrimentos que foi submetido. Ele, então, pediu Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) cuidar de Iya para ele, já que ele havia mostrado que era capaz de cuidar bem de uma mulher.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) estava cheio de alegria que ele tinha finalmente conseguiu o que vários outros tinham falhado. Ele, então, disse que a partir daquele dia, todas as mulheres a se casarem com um homem ou àqueles já casados deveriam ser chamado Iya-iwo ou lyawo (o sofrimento em Iwo). Ele, então, chamou sua esposa de Ere Iya-iwo (o ganho para o seu sofrimento na Cidade iwo). Desde esse dia, todas as esposas passaram a ser conhecidas como lyawo.

As tarefas da Apetebi

Esta é uma história muito interessante para mostrar o que Ifá reserva para as mulheres e mais um exemplo do caráter que Ifá atribui às mulheres.
Essas histórias são metáforas, a gente tem ter atenção nos detalhes, nos comportamentos, nas reações, etc..
No fim do texto eu faço os comentários finais
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que - “muito cedo vamos amarrar contas do ide de Ifá”
Eles responderam que - “nós também nos adornar nossos braços com as pulseiras de latão de Oxun”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pergunta se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá santuário ou se ela não o faz. Eles responderam que apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) declara que - “Se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá, Ela vai ser abençoado com uma vida em seu ventre”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que - “muito cedo vamos amarrar contas IDE”
Eles responderam que - “nós também nos adornar com pulseiras de latão Osun”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pergunta se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida de Ifá santuário Ou ela não o faz
Eles responderam que - “apetebi cuida de Ifá santuário”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) declara que - “Se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida de Ifá santuário”
- “Ela vai ser abençoado com uma vida em seu útero”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz que “muito cedo vamos amarrar contas do ide”
Eles responderam que - “nós também vamos nos adornar com as pulseiras de latão de Oxun”
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pergunta se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá ou se ela não o cuida
Eles responderam que apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) declara que - “Se apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) cuida do santuário de Ifá”
- “Ela vai ser abençoado com um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos”
Estas foram as declarações de Ifá para Jebutu que era a esposa de Agbonniregun, quando chorando em lamentação de sua incapacidade de ter um filho.
Ela foi aconselhada a oferecer sacrifícios.
Jebutu era a esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por vários anos. Ela não teve filhos. Todas as mulheres que ele se casou depois dela tinham sido abençoadas com filhos. Ela foi, porém, a única entre as esposas de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que estava fazendo tudo o esperado de uma boa apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí).
Ela costumava cuidar de todos os visitantes, cozinhar para eles, preparar sempre o santuário Ifá, limpar o local com total dedicação. Ela estava sendo ridicularizada pelas outras esposas há algum tempo por causa disso. Mas essas ações delas nunca a dissuadiram de fazer o que ela sabia que era certo e apropriado.
Um dia, porém, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) teve alguns visitantes que eram Bàbáláwo . Jebutu, como de costume, teve o cuidado com eles e arrumado o santuário Ifá para eles. Quando ela estava para o quintal, uma de suas esposas mais novas de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) comentou que elas deviam permitir que Jebutu para continuasse cuidando dos alimentos para os visitantes, enquanto as esposas restantes continuavam a cuidar das crianças de seus maridos.
Este comentário feito para Jebutu a dexiou tão triste que ela explodiu em lágrimas de tristeza. Em agonia, ela ergueu os olhos para o céu e disse:
Odidere (papagaio), o pássaro do alto mar de Aluko (Maroon Touraco Musaphagidae),
o pássaro da lagoa
Se nós falharmos de vermos um ao outro outra vez
Não deixe de fazer aquilo que nós já conversamos
Estou cansada e esgotada
Por favor, escutai as minhas orações hoje
Porque eu estou cansada e exausta.
Enquanto ela estava dizendo isso, um dos visitantes Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que tinha ido para o quintal para atender o chamado da natureza a ouviu. Depois de muita persuasão, ela narrou todo o seu calvário para ele. Ele a levou para o meio de todos os Awo. Todos eles tiveram pena dela. E aí então, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) consultou Ifá. Foi quando Ifá declarou que desde Jebutu tinha cuidado do santuário Ifá, ela será abençoada com três coisas: uma vida em seu útero, uma vida em suas costas e um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos. Ninguém sabia o que estes três bênção significavam.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu que a gravidez é a bênção de uma vida no ventre de uma mulher, uma criança é a bênção de uma vida de costas e dinheiro é a bênção de um mensageiro para todos os propósitos em suas mãos.
Foi assim que ficou grávida Jebutu, tornou-se uma mãe orgulhosa e uma mulher rica devido à sua perseverança.

NOTA:
Esses versos são bem representativo da visão que Ifá um culto masculino reserva para a mulher. Claro que é uma visão Nigeriana, mas mesmo a visão cubana é idêntica, com pequena variação.
Como eu sempre digo e repito. Ifá é um culto masculino. Ao longo dos inúmeros textos que eu publiquei aqui, os mais relevantes para se entender a visão de Ifá para as mulheres, vimos um desfile de versos que mostram que Ifá reserva para as mulheres tarefas domésticas. Uma apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) serve a um Bàbáláwo e sua atividade é manter limpa a sua casa e assentamentos.
Os Nigerianos a veem como a mulher de fato do Bàbáláwo , ele dorme com ela. Os cubanos inventaram o cargo de apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí), deram uma pompa qualquer, mas, no fundo é a mesma coisa. O que Ifá reserva para a mulher é através de Oxun, o seu poderoso oráculo e isso diz respeito a todas as mulheres e não a apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) em particular.
Espero que vocês tenham observado nos demais textos, mas, neste em particular que as histórias de Ifá sempre reservam para a mulher atitudes de pouca índole e traiçoeiras. A visão da personalidade da mulher é pequena e mesquinha.
Assim seja na atribuição de tarefas práticas como também às atitudes que a mulher espelha nos versos, a visão reservada à mulher é muito ruim. Por isso eu digo e repito, Ifá é um culto masculino.
Aqui no novo mundo, apenas por motivações comerciais se invenou a figura de Iyanifa. Iyanifa é uma sacerdotiza de Ifá, uma mulher que recebe o conhecimento, terá a capacidade de jogar, mas, somente irá fazer isso se não houver nenhum babalawo disponível. Além disso ela nunca poderá ver Odù.
Essa figura não existe no Ifa cubano, apenas no Nigeriano. No Ifá cubano a mulher será Apetebi. E ponto.
Na África Iyanifa é um cargo muito raro. Reservado apenas a mulheres de famílias de tradicionais familias de Babalawo, casadas com um Babalawo. São muito raras porque isso significa muita dedicação e nenhum privilégio.
Aqui para o novo mundo, onde a mulher tem uma figura mais independente eles encontraram isso como uma forma de ampliar o seu comércio de falsidades. Principalmente nos EUA mas também aqui no Brasil a gente vai ver mulheres que acham que são alguma coisa porque foram "iniciadas" como Iyanifa. Esqueçam, elas não são nada, são apenas mais uma vítima do comercio Nigeriano. Eles, os Nigerianos, fazem isso aqui, porque, lá na terra deles, com seu povo onde são cobrados para terem seriedade els não fazem. Lá eles seguem as regras restritas que tem.
Aqui, no novo mundo, é terra de Malboro, lugar para ganhar dinheiro de branco.
Minha visão não é negativa em relação a esta assunto, O caminho da mulher em Ifá esta ligado a Oxun e ao eerindinlogun. É nesta atividade que  mulher encontra o seu lugar nobre e isso esta muito bem descrito no longo texto que eu fiz sobre o eerindinlogun e Ifa.
Não gosto de ver gente enganada, assim, mulheres não se iludam com essa conversa de Apetebi. É história da carochinha. No caso Nigeriano, eles não dão valor nenhum. No caso do cubano é só para inglês ver. Como sempre este Blog representa a minha opinião e o culto onde a mulher tem valor e relevância é no culto de Orixá.

Odù a mítica esposa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)

A história a seguir compilada a partir de versos é uma das mais importantes para Ifá, como vou explicar no final. Eu não transcrevi os versos originais, farei um resumo dos versos na forma de uma história continua, fica mais fácil de entender, mas, ler os versos é obrigatório para o Bàbáláwo, porque as informações estão neles.
Que tu pises no mato.
Que eu pise no mato.
Que pisemos juntos no mato.
Ifá é consultado para Odù.
5 Eles dizem Odù veio do além para a terra.
Quando ela chegou à terra,
eles dizem, tu Odù, esta é tua partida.
Olódùmarè lhe dá um pássaro.
Ela pega esse pássaro para ir à terra.
Aragamago é o nome que Olódùmarè dá a esse pássaro.
Aragamago é o nome que tem esse pássaro de Odù.
Ele diz, tu Odù,
ele diz, toda tarefa para a qual ela o enviaria, ele a cumpriria.
Ele diz, ao lugar onde agradasse a ela enviá-lo, ele iria.
Ele diz, se fosse para fazer o mal,
ele diz, se fosse para fazer o bem,
ele diz, todas as coisas que ela gostasse de dizer a ele para fazer, ele faria. Odù leva esse pássaro para a terra.
Odù disse que ninguém a poderia olhar.
Ela diz que não a olhem,
se um inimigo de Odù a olhasse,
ela lhe romperia os olhos (ela o cegaria)
com o poder desse pássaro ela lhe romperia os olhos.
Se um outro inimigo seu quisesse espiar o que contém a cabaça desse pássaro, esse pássaro Aragamago lhe romperia os olhos.
E assim que ela utiliza esse pássaro.
Ela o utiliza até chegar à casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) vai consultar seus Bàbáláwo.
Vai consultar: “Se ensinarmos a inteligência a alguém, sua inteligência será inteligente”.
Se ensinarmos a estupidez a alguém, sua estupidez será estúpida”.
Os Bàbáláwo da casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) consultam ifá para saber o dia em que ele
tomará Odù como sua mulher. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é assim, tomará Odù como sua mulher.
Os Bàbáláwo de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) dizem ei!
Eles dizem, Odù que tu queres tomar como mulher, eles dizem, um poder está em suas mãos.
Eles dizem, (para) esse poder Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fará uma oferenda ao chão, por causa de toda a sua gente.
Eles dizem (para que) com seu poder ela não mate e coma, porque o poder dessa mulher é maior do que o de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Eles dizem a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que faça rapidamente essa oferenda sobre o chão.
Eles dizem as coisas que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) preparará sobre o chão.
Eles dizem que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) tenha um rato òkété.
Dizem que ele tenha um rato.
Dizem que ele tenha um peixe.
Dizem que ele tenha um caracol.
Dizem que ele tenha azeite de dendê.
Dizem que ele tenha 8 shillings.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) faz a oferenda.
Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez a oferenda, eles consultam ifá para ele.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) leva (a oferenda) para fora.
Ao chegar Odù, ela encontra a oferenda na rua.
Ah! o que veio fazer esta oferenda no chão?
Ah! diz Exu (Èṣù), Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez essa oferenda ao chão, porque quer desposar a ti, Odù.
Odù diz, nada mau.
Todos aqueles que Odù leva atrás dela são as coisas más.
Ela diz que todos eles comem.
Odù também abre no chão a cabaça de Aragamago, seu pássaro.
Ela diz que ele come.
Odù entra na casa.
Quando ela entrou na casa, Odù chama Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Ela diz, tu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) Ela diz, ela chegou.
Ela diz, seus poderes são numerosos,
ela diz, mas ela não deixará que eles te combatam.
Ela diz, que ela não quer brigar contigo, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Ela diz, mesmo que alguém pedisse sua ajuda, lhe dissesse que te combatesse,
ela diz, ela não te combaterá,
pois Odù diz, eles não farão Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer.
Porque se eles quisessem fazer Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer,
Odù com seu poder e o poder de seu pássaro combateria essas pessoas. Quando Odù acabou de falar,
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse, nada mau.
Então eles vão chegar.
Quando chegou o momento, Odù diz, tu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ela diz, aprende depressa minha proibição (de Odù).
Ela diz, ela quer dizer-lhe qual é sua proibição.
Ela diz, ela não quer que as outras mulheres dele, olhem o rosto dela.
Ela diz, que ele diga a todas as suas outras mulheres, ela diz, que não olhem o rosto dela.
Aquela que olhasse seu rosto, veria sua batalha.
Ela diz, que ela não quer que ninguém olhe seu rosto.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz, nada mau.
Então ele chama todas as suas mulheres.
Ele as previne.
As mulheres de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não olharão o rosto dela.
Odù diz a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que,
ela diz, ela vem contigo fazer com que seu fardo se torne benfazejo.
Ela diz, que ela consertará todas as coisas.
Ela diz, tudo aquilo que ele quisesse estragar, ela não consertará.
Ela diz, se ele conhece sua proibição,
ela diz, tudo aquilo que é seu completamente ficará bom.
Então aquele que as quisesse estragar, ela não deixará que nada seja estragado.
Se Odù quiser estragar,
ela diz, ela não (o) deixará (agir),
então ele mesmo será estragado.
Ela diz, nenhuma àjé é capaz de estragar uma coisa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Ela diz que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) não brinca com ela.
Ela diz, todas as suas coisas, completamente, ficarão boas.
Ela diz que não brigará com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).
Não brigará com sua gente.
Ela diz que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sabe as tarefas que ele quer mandar que ela faça.
Ela diz, se ele envia uma mensagem para fazer alguém sofrer, se ele quiser enviá-la, ela entregará (a mensagem).
O poder de seu pássaro,
se alguém quisesse fazer Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) sofrer,
ainda que somente beliscá-lo, Odù brigaria
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) diz hein! tu Odù.
Ele sabe que tu és importante.
Ele sabe que tu és superior a todas as mulheres do mundo.
Jamais ele brincará contigo.
Todos os seus filhos que são Bàbáláwo, previne-os para que jamais ousem brincar contigo, porque Odù é o poder dos Bàbáláwo.
Ele diz, se o Bàbáláwo possui ifá, ele diz, ele também tem Odù.
Ele diz, o poder que então Odù lhe dá diz que,
todas as mulheres que estão junto dele não ousem olhar o rosto dela.
A partir desse dia, todos os Bàbáláwo, sem faltar nenhum, não há quem não tenha essa Odù.
Aquele que não tivesse essa Odù não poderia consultar ifá.
No dia em que ele tiver Odù,
nesse dia ele se tornará alguém, que Odù não abandona ao sofrimento.
Eu tenho uma outra versão desta história contada pelo Bàbáláwo Pópóólá.
Odù não era uma mulher bonita, mas era conhecida no mercado por ser uma mulher dotada de grandes poderes e com eles ajudava muito seu pai. Essa sua capacidade havia sido identificada no seu nascimento.
Ela era de fato temida por todos em razão do sei grande poder. Quando chegou a idade de se casar, seu pai sabendo que ela não poderia ser desposada por uma pessoa comum, procurou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e a ofereceu em casamento.
Quando ela e Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se encontraram pessoalmente para combinar isso ela disse para ele que faria tudo para ajudá-lo mas que nunca aceitaria ser desrespeitada por ninguém. Ela jamais seria superada por ninguém. Ela queria ser mimada e adorada por seu futuro marido, mas, não queria contato com nenhuma outra mulher e qualquer mulher que colocasse os olhos nela sofreria uma consequência terrível.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) reuniu suas mulheres e falou das exigências de Odù para morar com ele, dizendo que Odù não queria ser vista por nenhuma mulher e que elas deveriam concordar com isso. Caso não concordassem ele desistiria de se casar com Odù.
Elas disseram que não havia nenhum problema naquelas exigências e que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) poderia sim se casar com ela. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) perguntou 3 vezes para suas esposas se eles concordavam com as exigências de Odù e que se eles não concordassem ele desistiria de se casar com ela. Três vezes elas disseram que sim.
Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) concordou então com as condições de Odù e a levou para casa colocando-a em um quarto em uma parte da casa reservada somente para ela. Odù gostou muito de seu local e as demais mulheres também.
Contudo 6 meses depois de ela ter se mudado para a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) uma das esposas de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que havia concordado com as condições, juntou as demais mulheres e disse era um insulto para as demais mulheres que a esposa mais nova de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) vivesse na casa sendo cuidada por elas as mais antigas. Elas tinham que cozinhar para ela, lavar as roupas dela, limpar a casa para ela e que ela não participava em nada das obrigações da casa.
Algumas argumentaram que depois que Odù foi para a casa que a condição delas no mercado havia melhorado e que elas deveriam levar aquilo em consideração antes de fazer qualquer coisa contra Odù.
Outras disseram que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) devia ser consultado, mas, as que estavam contra Odù disseram que ele estava dominado por ela. Elas então decidiram procurar ela diretamente e dizer que ela deveria assumir as obrigações da casa como todas elas.
Para isso pegaram lâmpadas e foram para a parte da casa onde ela ficava. Elas entraram no quarto e quando a luz da lâmpada iluminou o rosto de Odù e as mulheres viram elas todas caíram mortas.
Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou ele viu os corpos das esposas empilhados na porta do quarto de Odù.
Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí, também conhecido como Odù, era filha de Olówu Ṣàkoorogbále. A partir do momento que sua mãe passou a levar ela em seu ventre, ficou claro que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí não era uma pessoa normal.

Quando ela nasceu, os eventos que aconteceram em torno dela e de todo o mundo confirmaram que ela não era um ser humano comum. Durante a cerimônia Ìkọsẹ̀dáyé, o Awo que estavam lá para realizar os ritos colocou ênfase no fato de que o bebê foi especialmente dotado de qualidades únicas e de poderes do orun. Ela não podia, e não deve ser casada com uma pessoa comum, quando ela crescesse para a sua maturidade.
Eles a chamaram de Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí , também conhecida como Odù.
Odù estava abaixo da média em beleza e aparência física. Ela era muito ciumenta das outras mulheres. Numa fase de sua vida, Odù só poderia ser encontrada no meio dos homens, como resultado de seu ciúme por seus colegas mulheres.
Todos aqueles ao seu redor estavam convencidos de que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí era dotada de poderes espirituais extremamente elevados. Ela aplicou esses poderes para ajudar seu pai Olówu Ṣàkoorogbále para ter sucesso e tornar-se grande na vida. Outros homens que se aproximaram dela para serem ajudados foram igualmente assistidos.
Quando ela estava amadurecida o suficiente para ir para o mercado de casamentos, muitos homens, no entanto, a temiam. Eles sabiam que não podiam suportar sua proeza espiritual. Foi por isso que seu pai Olówu Ṣàkoorogbále se aproximou Ọ̀rúnmìlà para ele se casar com ela, em conformidade com a orientação de Ifá, durante sua Ìkọsẹ̀dáyé, que nenhum homem comum poderia se casar com ela.
Ọ̀rúnmìlà consultou Ifá e Ifá lhe deu o sinal verde para se casar com ela. Ifá no entanto advertiu que ele deve chamar esta mulher e pedir-lhe para ela lhe dizer que ela gostava e o que não gostava antes de ela entrar em sua casa.


Como resultado deste aviso de Ifá, Odù foi convidado pelo Ọ̀rúnmìlà para uma discussão um-para-um. Ela pediu a Ọ̀rúnmìlà para encontrá-la na casa de seu pai em uma data especificada. Quando se conheceram, ela prometeu a Ọ̀rúnmìlà que ela iria assisti-lo ao sucesso e grandeza. Ela disse que ninguém seria capaz de vencê-lo. Ela disse que nenhum dos seus companheiro Irúnmole seriam tão grande quanto ele. Ela disse que adorava ser paparicada, adorada e respeitada por seu futuro marido. Ela concluiu que ela não gostava de ser visto por outras mulheres - como uma questão de fato, ela nunca iria tolerar ser vista por qualquer mulher em terra. Ela colocou ênfase no fato de que qualquer mulher que se atrevesse a vê-la, encontraria com uma terrível consequência.
Quando ela disse isso, Ọ̀rúnmìlà disse-lhe que ele já estava casado com muitas mulheres, em consequência disso, ele teria de discutir isso com as suas outras mulheres antes que ele pudesse dar-lhe qualquer resposta sobre seus gostos e desgostos. Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí concordou com ele. Outra data foi fixada para uma nova rodada de discussão antes de Ọ̀rúnmìlà partir para sua casa.
Em casa, Ọ̀rúnmìlà convocou todas as suas mulheres e explicou-lhes o que tinha acabado de ser conversado entre ele e Odù. Disse-lhes que Odù foi intransigente sobre o aspecto de que nenhuma mulher deve vê-la. Pediu-lhes para dizer-lhe a sua opinião verdadeira e consciente de que se elas sentiram que poderiam acatar o pedido incomum de Odù, e se não, ele estaria disposto a não de casar com ela.
Todas as mulheres disseram Ọ̀rúnmìlà que não havia nada de espetacular com isso. Elas disseram que desde que a mulher não estava preparada para vê-las ou ser visto por elas, elas também não estavam prontos para vê-la. Elas pediram a Ọ̀rúnmìlà ir em frente e casar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí.
Quando Ọ̀rúnmìlà e Odù se encontraram novamente, ele disse a ela que não havia nenhum problema. Odù disse Orúnmlla voltar para casa e confirmar isso muito bem. Três vezes chamou Ọ̀rúnmìlà suas esposas para perguntar-lhes se elas estavam certas de que elas seriam capazes de lidar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí e três vezes todas elas disseram que não havia problema. Por este motivo, o casamento foi contraído.
Quando Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí mudou para a casa Ọ̀rúnmìlà, a ela foi dada uma sala no extremo da casa. Ela amava o arranjo e todas as outras mulheres adoraram também. Durante seis meses, eles viveram juntos sem problema.
Um dia, no entanto, uma das mulheres na casa de Ọ̀rúnmìlà chamou as outras mulheres e disse lhes que era um grande insulto para uma mulher, ter que se submeter a mais nova esposa desta maneira, pedindo-lhes para não a verem e e estabelecendo para elas, esposas mais antigas uma regra! Ela disse que ficou claro que essa mulher estava usando um truque sobre elas para que ela evitasse de participar das tarefas domésticas. Para adicionar pimenta a ofensa ela lembrou que eram elas que cozinhavam para ela, buscavam-lhe água, varriam a casa e lavavam a roupa para ela!
Ela alegou Ọ̀rúnmìlà fora enganado ao aceitar as regras da mulher. Ela acusou Ọ̀rúnmìlà de dançar as músicas para a mulher mais jovem. Como poderia Ọ̀rúnmìlà permitir que essa mulher mais nova ser capaz de ditar regras às pessoas mais antigas da casa? A situação deve ser tratada e corrigida!
Algumas das outras esposas admitiram que houve uma melhoria significativa em suas vidas no pouco período pouco que Odù entrou na casa. Eles sentiam que tal benefício deveria ser considerado antes de tomar qualquer decisão contra a mulher.
E daí? a outra mulher gritou. Foi isso o suficiente para ela ser a única a dar ordens na casa? Ela deve ser colocada em seu devido lugar! ela declarou.
Uma delas sugeriu que elas deveriam enfrentar Ọ̀rúnmìlà e pedir-lhe para encontrar solução para o problema. Três outras mulheres disse que Ọ̀rúnmìlà não podia fazer nada porque sua cabeça estava permanentemente na axila da mulher. A mulher, Odù era quem controlava Ọ̀rúnmìlà.
Se houvesse qualquer solução, ela deveria ser encontrados pelas mulheres. E, foi assim que todos elas concluíram que todas elas iriam conhecer a mulher, arrastando-a para fora do quarto dela e fazê-la a participar nas tarefas domésticas. Se ela era temida pelo seu marido, elas não tinham medo dela, todos elas assim concluíram.
Uma vez que Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí estava vivendo na sala no extremo da casa, o lugar estava sempre escuro. Eles passaram a olhar para as luzes que acendiam para vê-la em seu quarto. Ela estava vivendo na escuridão desde que havia chegado nessa casa. A mais velha das esposa disse a todas as outras mulheres para trazerem as suas lâmpadas de seus quartos. Elas fizeram. Ela declarou que elas deveriam arrastar Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí fora naquele mesmo dia para expor a sua face. Sim! todos elas disseram em coro, e elas partiram.
Elas invadiram seu quarto com as suas lâmpadas e concentraram as lâmpadas em sua cara. O que elas viram foi indizível e indescritível. Naquele mesmo instante, todas elas desabaram, caíram mortas!
Quando Ọ̀rúnmìlà chegou em casa, ele sentiu algo terrível tinha acontecido, ele não conseguiu encontrar nenhuma das suas esposas. Ele chamou-as e não havia ninguém para responder. Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí não deixou seu quarto. Ọ̀rúnmìlà se moveu para dentro só para encontrar os corpos das mulheres empilhados uns sobre os outros na porta de Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí. Quando ele percebeu que elas estavam todas mortas, a dor tomou conta dele. Ele gritou e acusou Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí de introduzir agonia em sua casa, dizendo:
Oro, eu não entrei em aliança com você para a morte
Nem eu negociei para ter aflição
E eu não acordei com você que minha casa seria incendiada
Quando Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí ouviu isso, ela simplesmente respondeu assim:
É verdade que você não entrou em aliança comigo para a morte
E que você não fez barganha para aflição
Mas você também não me disse que a luz seria levado a olhar na minha cara!
Foi assim que Ọ̀rúnmìlà soube que as mulheres de sua família foram as que trouxeram luzes para o quarto de Odu para olhar para seu rosto em desafio. Isso foi o que provocou-a para atacá-las.
As folhas de Ọ̀dundun são grossas ao toque
as folhas de Tẹ̀tẹ̀rẹ̀gùn são longos e grande na aparência
Se você olhar para Adẹ́tẹ̀. As folhas do Cactus
E olhar para as folhas Ọ̀dundun
Eles se parecem exatamente o mesmo
Estas foram declarações de Ifá para Ọ̀rúnmìlà
Quando ele foi se casar com Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí
A descendência de Olówu Ṣàkoorogbále
Ele foi aconselhado a oferecer ebo
Ọ̀rúnmìlà começou a cantar e sua música se tornou uma canção de lamentação, ele disse:
Ọ̀rọ̀ mọ̀dímọ̀dí, eu não entrei em aliança com você para a morte
Nem eu negociei para ter aflição
E eu não acordei com você que minha casa seria incendiada
É verdade que você não entrou em aliança comigo para a morte
E que você não fez barganha para aflição
Mas você também não me disse que a luz seria levado a olhar na minha cara!
Ifá diz que não importa o que aconteça nenhuma mulher deve ser autorizado a ver Odù ou possuir Odù. Foi Odù ela mesma, uma mulher companheira, que decretara contra a ser visto por qualquer mulher.


Notas:
Esse verso é importantíssimo, mostra que Odù recebeu o poder absoluto de Olódùmarè e depois de “casa” com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). A mulher não tem nenhum espaço no sacerdócio de Ifá e isso esta definido aqui.
Mas, é da mulher que orunmilá recebe o axé (àṣẹ) de Olódùmarè, o poder absoluto e o controle sobre ajé (Àjẹ́).
Mais uma vez eu destaco a questão do equilíbrio, o sacerdote de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é homem mas seu poder vêm de Odù a mulher.
Essa história mostra mais uma vez a narrativa comum dada em Ifá as mulheres. Elas mentem e são traiçoeiras. Esse comportamento, como o mostradona história de Pópoólá é a forma mais comum como a mulher é mostrada nos versos de Ifá. Observe que minha experiência com os versos mostra padrões e determinados personagens sempre surgem para se comportar da mesma maneira.
O Olofin (rei, chefe, líder) da aldeia sempre tem o mesmo comportamento e os animais também, cada um deles representa uma personalidade. A mulher é tratada da forma como eu destaquei nessas histórias.
Se por um lado ela é dotada de poder destrutivo através de sua inerente característica de ser ajé (Àjẹ́) por outro seu comportamento sempre reflete, mentira, traição e falsidade.

Igbadu

O texto a seguir retirado de verso de Odù mostra como é criado o Igbadu.
Aquele que ofende padece a morte do faltoso,
Olá, Òsé’yèkú.
Ifá é consultado para Odù
que diz que ela se sente como seu apèrè (espécie de grande caixa cilíndrica). Eles dizem, tu Odù, que se senta com seu apèrè, eles dizem, faz uma oferenda.
Ela diz, por que deverá fazer uma oferenda?
Eles dizem, por causa de teus filhos, tu farás uma oferenda.
Eles dizem a Odù que ofereça dez ovos de galinha.
Eles dizem que ela prepare dez caracóis.
Eles dizem que ela prepare dois mil (búzios) (5 shillings).
Odù faz a oferenda.
Quando Odù fez a oferenda,
Ifá é consultado para ela, Odù que se senta com seu apèrè.
Eles dizem, tu Odù,
eles dizem, ela ficará idosa, ela se tornará uma velha.
Eles dizem, será dito que sua cabeça ficará toda branca, que ela se tornará muito velha.
Eles dizem que ela permanecerá no mundo, que ela não vai morrer rapidamente, tu Odù.
Quando Odù não morre rapidamente,
Odù goza de boa saúde.
Quando o tempo passa, Odù torna-se muito idosa.
Eles devem pedir a palavra a Odù.
Até quando irá sua velhice.
Odù nada mais sabe.
Talvez ela tenha ouvido a palavra que eles disseram?
Talvez não tenha ouvido a palavra que eles disseram?
Quando chegou o tempo, Odù chama todos os seus filhos.
Ela diz, vós, filhos deles,
ela diz, a velhice chegou para ela.
Ela diz, se eles quiserem pedir-lhe (a palavra),
ela diz, procurará algo que a ajude, algo ao qual eles podem pedir a palavra.
Odù parte.
Odù retorna,
ela vai convocar todos os seus companheiros para que compareçam juntos.
Naquele tempo Odù está com a cabaça.
Todos os seus companheiros, em conjunto, pensam na palavra que a cabaça virá dar. São quatro (conselheiros).
Aquele que comparece naquele dia é Ọ̀bàriṣà.
Após ter chamado Ọ̀bàriṣà, ela chama Babalúayé.
Após ter chamado Babaluáyé, ela chama também Ògún.
Quando acabou de chamar Ògún, ela chama também Odùdúà.
Odùdúà é então o quarto entre eles.
Odù diz que ela está sentada em seu apèrè.
Odù diz que ela tornou-se muito idosa.
Odù diz que deseja ir ao lugar aonde os velhos vão.
Ela diz, a coisa que ela lhes pede.
Ela diz, se alguém quiser partir, deverá falar com sua gente, dizer que ela quer partir.
Eles dizem, ah!
Eles dizem a ela que não parta.
Eles dizem, o lugar de que falaram, esses quatro então olharam o mato, assim viram a cabaça coberta de excrescências.
Quando viram a cabaça coberta de excrescências,
Ọ̀bàriṣà diz a Ògún para ir colher a cabaça.
Ògún então colhe a cabaça, colhe quatro delas.
Ọ̀bàriṣà diz a Ògún para cortá-las.
Ògún corta essas cabaças.
Ọ̀bàriṣà diz que ele dê uma delas a Odùdúà, que Ògún também dê uma a Ṣòpọ̀ná.
Ògún diz que é a cabaça deles que ele corta.
Quando Ògún cortou as cabaças, corta as cabaças em quatro caminhos.
Ògún diz que cortou.
Odù diz, juntos batamos em nossos peitos com nossas mãos (a união faz a força).
Ela diz, ela quer que toda a sua gente,
que todos ponham a mão (aceitem) por ocasião de sua partida, que todos ponham a mão (aceitem) na coisa decidida, que os filhos e os filhos de seus filhos, que eles peçam a palavra que ela vai dizer.
Quando ela assim falou.
Ọ̀bàriṣà gosta de ẹfun (pó branco).
Obàlúayé gosta de osùn (pó vermelho).
Ògún gosta do carvão vegetal,
Odùdúà gosta da lama.
Ọ̀bàriṣà pega a cabaça de ẹfun.
Ele diz, a cabaça de ẹfun,
Ele diz, ele a leva para ela, Odù.
Ele diz que ela a ponha com seu apèrè.
Ele diz, se seus filhos lhe prestarem culto, que eles a invoquem, ele diz, assim eles farão o culto da cabaça de ẹfun.
Ele diz, ele a leva para ela, Odù.
Ele diz, todas as coisas que eles pedirem a essa cabaça, ele diz, essa cabaça as fará por eles,
Ele diz, ele, Ọ̀bàriṣà, não os combaterá
ele diz, porque ele e ela, Odù, são uma única coisa.
Ele diz Ọ̀bàriṣà (a) dá a Odù.
Obàlúayé pega o osùn,
no osùn com o qual ele esfrega seu corpo.
Ele o leva na cabaça.
Ele diz, tu esta cabaça,
ele diz, ela se toma sua cabaça (de Odù) hoje.
Ele diz todas as coisas que teus filhos te pedirem, eles as receberão todas.
Se for dinheiro que eles pedirem, então ele o fará por eles.
Aos apelos que seus filhos fizerem, ela responderá no interior dessa cabaça, pois ela tornou-se idosa.
Assim ele fala.
Odù aceita e isso se torna duas cabaças.
Ògún também traz a cabaça de carvão vegetal.
Ele traz a cabaça para Odù.
Ele diz, tu Odù,
ele diz, eis a cabaça de carvão vegetal.
Ele diz, todas as coisas com as quais eles farão o culto de sua cabaça, ele diz, eles também adorarão esta cabaça que ele te dá.
Ele diz, seus filhos não morrerão na infância.
Ele diz, seus filhos não envelhecerão em meio ao sofrimento.
Odù aceita, isso se torna três cabaças.
Odùdúà também traz a cabaça de lama.
Ele a traz para ela.
Odùdúà diz que eles adorem essa cabaça de lama com o apèrè de Odù, com as cabaças que os outros orixá (Òrìṣà) têm levado a Odù.
Odù aceita, isso se torna quatro cabaças.
Essas quatro (cabaças) são aquilo que todos adoram.
Eles dizem, os quatro cantos do mundo estão nas quatro cabaças.
Odù diz, se seus filhos adoram o apèrè que lhe pertence, assim adoram também a ela.
Ela diz, as coisas que eles lhes dizem para fazer, ela as fará para o bem. Ela diz, se eles adorarem a cabaça de ẹfun que é de Ọ̀bàriṣà, que eles também a venham adorar lá, ela responderá.
Ela diz, se eles adorarem a cabaça de osùn, ela responderá.
Ela diz, se eles adorarem a cabaça de carvão, ela responderá.
Ela diz, se eles adorarem a cabaça de lama, ela responderá.
Ela diz, mas se agora eles trouxeram o apèrè,
ela diz, vós, todos os seus filhos, é ela que vós adorais,
que vós queirais vir adorá-la em um único corpo que ela pôs nesse apèrè.
Desde essa época, com obi branco e obi vermelho
eles adoram Odù.
Se eles sabem que querem entrar em seu aposento,
que eles irão adorá-la,
eles recorrem à água da calma,
esfregam os olhos com ela.
A água da calma com a qual esfregam os olhos naquele dia, é de folha òdúndún, folha tètè, folha rínrín, limo-da-costa, caracóis.
Eles o esmagam na água.
Quando alguém esfregou os olhos com ela, pode entrar na casa de Odù., pode ir ver igbádú.
Eles chamam o apèrè de igbá Odù.
Eles chamam o apèrè de casa de Odù.
Ah! ireis abrir o apèrè igbádú, ireis olhar.
Odù pôs suas coisas lá antes de morrer.
Ela disse que seus filhos vêm adorá-la, no corpo da cabaça que ela pôs no apèrè.
Eles vão adorar Odù. naquele lugar.
Desde esse dia, adoramos Odù. no interior do apèrè.
Se o Bàbáláwo quiser adorar Ifá, ele irá na floresta de Ifá,
se (anteriormente) ele não adorou Odù. no apèrè, ele nada fez,
Ifá não sabe que ele veio adorá-lo, não sabe que ele tornou-se seu filho.
Ele diz que todos os seus filhos que vieram à floresta de. Ifá, adoram novamente Odù. sua mulher no apèrè.

Conclusões

As histórias relatadas estão longe de cobrirem todas as existentes mas foram destacadas por terem alguma relevância ao entendimento ou por trazerem informações importantes.
Esta é a religião do equilíbrio e Ifá tem isso em suas entranhas. Eu não coloco Ifá acima de nenhum outro culto, todos que leem sabem disso, mas, a realidade é que a noção do equilíbrio esta contida em tudo que Ifá faz e nos versos de Odù.

No Odù Òdí Méjì temos a história principal sobre o equilíbrio de Ifá, quando Ifá explica porque se marca um ou dois traços quando se consulta com Ikin. Isso é perene em tudo de Ifá. Dessa maneira, Ifá é um culto masculino, mas todo o poder do Bàbáláwo para interferir no mundo físico, no Àiyé vem da mulher, de Odù sua esposa mítica.

Também são muito especiais as histórias onde Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se encontra com as ajé (Àjẹ́) e obtêm delas cooperação, mostrando sempre que não a forma de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) superar o poder de ajé (Àjẹ́). Assim, a atuação masculina de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) encontra no poder feminino, que foi dado a elas por Olódùmarè a forma de atuar no mundo.

Para eu cobrir todo o fundamento teológico disso precisaria destacar mais Odù com a história de Òdí Méjì e o mito que esté em Ọ̀sá Méjì, o qual narra o momento em que Olódùmarè dá para Odù a cabaça com o pássaro com poder absoluto e depois ela se entende com Eégún e dá para ele o seu poder através do pássaro que ficará empoleirado no seu ombro.

Vejam um trecho final do verso:
ela diz, grita, eis Eégún eis Eégún.
Ela diz, eles gritam por causa dele.
Ela diz, ele arrasta seu chicote no chão, ela diz, a honra cabe a ele.
Ela diz, a partir de hoje,
ela diz, ela concede Eégún ao homem.
Ela diz, por causa dela,
ela diz, mulher alguma nunca mais ousará entrar na roupa deEégún.
Ela diz, por causa de Òrisàlá, ela diz, ela dá Eégún ao homem.
Ela diz, mas se ele deve sair,
ela diz, ela tem o poder que ele utiliza.
O motivo se deve à amizade entre Eégún e eleye.
No lugar de onde vem Eégún, as eleye (também) vêm.
Todo o poder utilizado por Eégún é o poder de eleye.
Odú diz, mulher alguma jamais entrará na (roupa) de Eégún. mas ela poderá dançar, ir ao encontro de Eégún,
Quer dizer que se Eégún sair,
ela dançará diante dele,
ela dançará na estrada, ao encontro de Eégún.
Ela diz, a mulher fará isto unicamente.
Ela diz, a mulher não ousará nunca mais entrar de novo no pátio dos fundos. Ela diz, a partir de hoje é o homem que levará Eégún para fora.
Ela diz, ninguém, nem os netos, nem os velhos poderão zombar da mulher. Ela diz, a mulher tem mais poder sobre a terra.
Ela diz, além do mais, a mulher nos pôs no mundo.
Ela diz, todo mundo nasceu da mulher.
Ela diz, todas as coisas que as pessoas quiserem fazer, se não forem ajudadas pelas mulheres, ela diz, não podem fazer.
(É por este) motivo que os homens nada podem fazer na terra, se não o obtiverem das mãos das mulheres.
Eles cantam.
Por essa razão
Òbàrisà também canta.
Quando é o quinto (dia), eles fazem (a festa) da semana.
Ele diz que todos os cânticos que eles cantarão serão este aqui, vi ndos do (odu de ifá) òsá méji.
Ele diz, eles saúdam as mulheres,
Ele diz, se eles saudarem as mulheres, a terra será tranquila.
Eles cantam assim:
Dobrai o joelho, dobrai o joelho para as mulheres.
A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos.
A mulher é a inteligência da terra, dobrai o joelho para a mulher. A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos”.
Creio que esse Odù é bastante suficiente para colocar esse equilíbrio entre forças no qual o poder de Olódùmarè dado a ajé (Àjẹ́) se encontra com o poder do homem depositado em Eégún.

Eégún é a representação do homem, o poder do homem, visto que a mulher não é também representada em Eégún. Lembro a todos que a figura de Eégún e do culto d Eégún é para mostrar a todos que a vida é contínua, que a alma não morre, que vivemos para sempre e podemos reencarnar. Esta é a razão da religião ter Eégún, seja pelo sentido de valorizar o vínculo familiar contínuo e perene como por demonstrar que vida e um ciclo sem fim.
Somente Eégún pode conter o poder de ajé (Àjẹ́). Essa é uma informação que poucos têm. Além disso existe um velho dito popular que fala que somente Olódùmarè pode salvar o homem de uma esposa vingativa. É a mulher que prepara a comida, as oferendas e isso é o caminho para o orun (Ọ̀run).

É uma sociedade patriarcal e se engana quem acha que isso foi diferente, mas, as mulheres são dotadas de capacidades especiais para quebrar esse domínio.
Acredito que isso ficou, também, claro nas histórias que mostrei.

O assunto mulher não está restrito a teologia e Ifá e para falar sobre ele é preciso entender alguns conceitos importantes sobre a sociedade Yorùbá e outras estruturas da religião. Eu acredito que a maior parte dos erros de entendimento aqui no Brasil e na diáspora são advindos de nós não entendermos de forma ampla a sociedade e valores e também outras estruturas religiosas que completam o todo.

O equilíbrio do poder masculino-feminino na sociedade fica evidente quando analisamos a estrutura dos cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́).

Ẹdan é o símbolo máximo da sociedade e reprenta uma figura masculina e ua feminina unidas por uma corrente.

Ilé (Ilẹ̀) a terra, deve trazer paz, felicidade, estabilidade social e sobrevivência, é a terra que dá poder a Ògbóni mas também alimenta ajé (Àjẹ́) que é a ira de Ilé (Ilẹ̀). As sociedades Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) estão unidas no seu aspecto social, muito mais do que uma estrutura religiosa é uma estrutura da sociedade yorùbá e por esta razão não foram transportadas pela diáspora. O seu significado é a busca de equilíbrio e pacificação do espírito feminino representado por Ilé (Ilẹ̀).

Mesmo nas sociedades masculinas de Eégún e Orò a mulher tem cargos.
Observe que Eégún é o culto festivo e alegre e Orò representa sempre o poder sombrio de Eégún, Orò é a manifestação de Eégún no seu aspecto punitivo para a sociedade. É Orò que executas as mulheres feiticeiras, ajé (Àjẹ́) que usam seu poder para o malefício.
Ilé (Ilẹ̀), a grande mãe Ògbóni em seu aspecto sombrio, se transforma em Ọ̀gẹ́rẹ́, a manifestação irascível e vitimizadora, que traz morte a seus filhos. Esta é a visão ambivalente da sociedade frente a terra. Ela mostra o potencial explosivo da relação homem-mulher em uma sociedade masculina e a necessidade de exercer a diplomacia.
Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) surge da visão Ògbóni de omón iya (Ọmọ ìyá), os filhos da mesma mãe e tem o objetivo de sensibilizar a mãe natureza Ìyá Nlá aos problemas dos filhos e da sua responsabilidade maternal.

O objetivo é fazer os membros da comunidade a amarem e interagirem um com o outro como filhos da mesma mãe. A manifestação de Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) através do seu festival é feita para pedir saúde, vida longa, prosperidade, muitos filhos, evitar doenças, mortalidade infantil e evitar desastres. O objetivo do culto que pode ser através de uma grande festival ou de eventos menores e até mesmo para apenas uma família, tem a finalidade de promover a paz e o bem estar social. Pessoas de todos os cultos de orixá (Òrìṣà) participam.

Os cultos de Ògbóni e Geledé (Gẹ̀lẹ̀dẹ́) são assim mais uma manifestação do equilíbrio dos poderes masculino e feminino.

Muitos aqui se questionam porque as pessoas dos cultos de orixá (Òrìṣà) e demais segmentos desta religião não são unidas. A razão é que trouxeram apenas o culto de divindades e não o entendimento de equilíbrio da sociedade integrado coma religião.
Para finalizar isso eu digo que não existe sentido no culto de Ifá na presença da mulher. Essa posição de mulher sacerdote é uma violação do princípio básico de equilíbrio da religião. A Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi dado o poder do oráculo e à sua união com Odù foi trazido o poder feminino.

Ninguém entende aqui o que é ajé (Àjẹ́) porque, para entender ajé (Àjẹ́), tem que se compreender uma dimensão muito maior de sua atuação no contexto social e cosmogônico. Não se trata apenas de feiticeiras e sim do poder feminino no equilíbrio do mundo.

A feitiçaria em sí, o malefício é combatido pela sociedade através de Orò.

Afirmar a não participação de uma mulher em Ifá, não é apenas ficar interpretando ou repetindo que dizem versos ou aceitar ou não como verdade a história que está em Orangun méjì. Trata-se de entender que não é possível sob o ponto de vista teológico se reunir em uma única pessoa as duas coisas, os 2 poderes, uma mulher em atividade fértil feminina não pode ser detentora de 2 poderes, isso é romper com os princípios da religião e da própria sociedade.

Para aceitar a iniciação de mulheres um Bàbáláwo teríamos que fazer 2 coisas. A primeira é jogar no lixo o que está escrito em Orangun Méjì. A segunda é ignorar um princípio que norteia a sociedade e a religião. Entender o equilíbrio masculino e feminino é tão importante quanto entender o que é axé (àṣẹ).

Dessa forma não acredito e não aceito em iniciações para Ìyánifá ou qualquer outro neologismo que se invente.

O que a mulher pode fazer em ifá?


Após todos esses textos, explicações e opinião, muitos podem surgir com essa questão. Não vou deixar de responder.

O que acho que mulher não deve fazer em Ifá é o que nigerianos e cubanos querem que elas sejam, apenas empregadas domésticas deles. Ser Apétebi (Apẹ̀tẹ̀bí) é primariamente isso na visão dos estrangeiros.

Ha, sim, elas também cozinham, seja as comidas de axé (àṣẹ) como principalmente as comidas de “branco”.

Se você, mulher, se satisfaz com isso, ok, Ifá será um bom lugar para você.
Sobre comida de axé (àṣẹ), que no Candomblé, culto de orixá (Òrìṣà) é uma coisa importante, requer conhecimento, confiança e tem até cargo para isso, lembro que pouco se cozinha para orixá (Òrìṣà) em Ifá, não existe complexidade e volume.

O que as mulheres deveriam fazer?

Deveriam aprender e usar búzios como oráculo, deveriam aprender os Odù Méjì, deveriam aprender a rezar em Ifá, deveriam semanalmente fazer oferenda de obi (ou coco) para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e sim deveriam preparar oferendas e ebós. Não existe razão para o Bàbáláwo não fazer tudo o que uma mulher faz como atividade, mas, todo mundo precisa de ajuda ter uma apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí) pata manter a casa preparada para uso é importante.

O mesmo se aplica a essas pessoas que fazem cerimônia de Awofakan, afinal, o que eles aprendem?