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terça-feira, maio 21, 2013

Teologia Yorùbá

O Cosmo Yoruba - Parte 9

O nome de deus


Olódùmarè não é o único nome pelo qual o deus supremo é chamado. Existem outros nome, sendo que o mais comum é Ólórun (Ọlọ́run).
 

A divindade suprema Yorùbá pode, além disso, ser chamada por vários outros nomes além dos 2 citados: Éléda (Ẹlẹ́da), Aláyè, Élémi (Ẹlẹ́mí) e Ólójó oni (Ọlọ́jọ́ Òní). Isso para citar os mais conhecidos, mas, sem dúvida os 2 primeiros são os mais populares.

Os nomes na sociedade Yorùbá são um capítulo muito especial. Os Yorùbá acreditam enormemente na força das palavras. Esta força esta ligada ao axé (aṣẹ́) que existe no nosso corpo e sai pela respiração e também a força que as palavras tem. Eles acreditam em encantamento como um instrumento de força e nomes fazem parte disso.
 

Nomes representam força e trazem significados. Cada nome Yorùbá tem um caráter e um significado por si só. A nenhuma criança é dado um nome sem um motivo ou significado. Uma criança jamais recebe um nome sem ter nascido. Os nomes na maioria das vezes são sentenças ou abreviação de sentenças e frases, que tem significado direto e ligação com ancestres, com a condição de nascimento, com os pais e também eventos em torno do nascimento.
 

Uma pessoa pode ter até 3 nomes diferentes e o nome real somente é conhecido pelos pais. Os nomes não são falados em vão, jamais. Eles entendem que quem conhece o nome da pessoa pode abençoá-lo e amaldiçoá-lo.
 

A primeira forma de se conhecer uma pessoa é saber o seu nome e seu significado. Existem 3 tipos de nomes que uma pessoa poder receber. O primeiro é o nome dados por deus (Olódùmarè) que esta ligado ao seu nascimento. O segundo é o nome dado por Ifá e o terceiro é o nome escolhido pelos pais.

Eles serão usado com cuidado, preservando sempre o nome original da pessoa. Muita gente nem vai conhecer o nome verdadeiro de uma pessoa, essa, segundo eles, é também uma forma de se proteger.

A etimologia de nomes Yorùbá é alvo de muito estudo pelos próprios Yorùbá. Existe um habito de abreviar uma frase inteira em um nome. Também palavras são formadas pela junção de outras 2 ou 3 palavras ou uma longa palavra resume uma frase. Isso torna a língua deles, sob alguns aspetos, bastante complexa porque podem existir palavras e expressões muito regionais ou locais a determinados lugares. Além disso eles usam muita a figura da onomatopeia nas frases e neologismos aparecem o tempo todo.
 

O caso do nome de deus é a mesma coisa. Cada um dos nomes dele tem um significado.

Não temos um nome próprio em si para deus, mas, expressões que exaltam suas qualidade e poderes.

Infelizmente não existe consenso para o significa do nome Olódùmarè e nem vou entrar nesta discussão, porque se tem uma coisa chata é a infidável discussão do significado de uma palavra e o nome se soma a esse contexto.


Os Yorubas comenteram alguns enganos em sua existência como povo, na minha opinião ;e claro. Não ter uma escrita foi uma delas, isso atrasou demais o seu desenvolvimento e fez com que uma sociedade bastante evoluida fosse superada. Outra é a linguagem em sí, muito confusa.

Podemos ver longas controvérsias sobre significado de palavras, justamente devido ao problema causado pela forma como a lingua gera nova formas de expressão, com aglutinações, elisões, etc..  como ja comentei.

Não vou aqui gastar palmos de linhas falando sobre os possíveis significados de Olodumare, por exemplo....
 
Para os demais nome temos significados, assim:

Éléda (Ẹlẹ́da) – senhor da criação. Este nome é usado para outras divindades de forma que não esta associado exclusivamente a deus. A divindade pessoal de cada pessoa, Orí, também é chamada assim e o orixá (Òrìṣà) pessoal também.


Aláyè – O senhor da vida.


Élémi (Ẹlẹ́mí) – O senhor que dá o sopro da vida.


Ólójó oni (Ọlọ́jọ́ Òní) – O senhor do dia de hoje


Ólórun (Ọlọ́run) – O senhor do Órun (ọ̀run) o espaço supernatural


Eu poderia ainda citar mais alguns nomes que transmitem poderes e qualidade de deus, mas, o conceito é esse. O Livro Orun Aiye do Jose Beniste faz uma abordagem boa sobre este tema de nome, recomendo consultá-lo.


Ao dar a uma mesma divindade vários nomes, que não são nomes próprios em si, mas títulos e qualidades, os Yorùbá foram muito mal compreendidos pelos poucos cultos europeus que fizeram os primeiros e mal feitos estudos da religião e do povo Yorùbá. Eles acreditaram que ao se deparar com mais de um nome para designar a divindade suprema que haviam várias divindades supremas, o que não era verdade. Assim ao invés de uma divindade suprema eles entenderam que haviam muitas.


O nosso cosmo Yorùbá se inicia então com o entendimento que existe uma divindade suprema, da qual emana todo o poder e que controla toda a existência. Esta divindade criou o universo e todas as suas criaturas e é dela que emana todo o poder que controla a existência.


A divindade não tem gênero.

É importante entender que Olódùmarè criou todas as criaturas, todos somos criação de Olódùmarè e, cada criatura existente, tem a centelha de Olódùmarè. Não existe preferencia, todas as criaturas, humanos, animais, vegetais e minerais são criações de Olódùmarè.
 

domingo, maio 19, 2013

Teologia Yorùbá

O Cosmo Yoruba - Parte 8

A presença de Olódùmarè 


Olódùmarè, não é nem onisciente nem onipresente. Essas características, apesar de propaladas por muitos autores não aparecem nos versos de Ifá. Alguns autores africanos dão essas qualidades a ele, o que é muito natural de se esperar em um deus  supremo e reflexo do deus abraâmico, mas, não encontrei o que justificasse essa afirmação nos versos de Ifá que já li. De fato vi o contrário. Entendo que muitos desses autores, principalmente os primeiros, tiveram uma formação escolar cristã, a maior parte deles eram reverendos (o que não deprecia suas obras), e o conceito do deus cristão domina um pouco suas mentes.

Sei que essa afirmação vai incomodar muita gente. Inúmeros são os que repetem isso principalmente porque essa afirmação estava contida em obras dos primeiros autores sobre a religião Yoruba, fossem eles europeus ou mesmo africanso, mas, o que eu afirmo é baseado no que eu observei por eu mesmo e não o que eu copiei de outros.

Olódùmarè toma conhecimento e partido das coisas a partir da informação que recebe das divindades que encarrega disso, notadamente Exú (Èṣù) e Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà). Os assuntos são levados a ele.

Apesar disso, Olódùmarè não é um deus distante, como muitos gostam de afirmar. Existe uma densa e consistente teogonia que nos assiste e acompanha nossa vida, como veremos mais adiante. De forma alguma somos desassistidos pelo divino. O que existe é um modelo diferente e que reflete a sociedade tradicional Yorùbá e que cria em torno de nós, de fato, o contrário, uma camada de superproteção.

Essa qualificação, de deus distante foi dada por ocidentais que encontraram um modelo cosmogônico distinto do que eles estão acostumados, visto que, eles, consideram o deus cristão, Jeová, é onipresente, onisciente e rezam diretamente para ele. Essa onipresença e onisciência é uma visão romântica visto que, o cristianismo, por exemplo, não tem nenhum instrumento que demonstre a real preocupação do divino com eles e que os permita interagir com esse divino.

O que eles tem é um modelo passivo no qual você ora e aguarda, acreditando que deus vai agir por você. No modelo cristão o mal, pode interagir diretamente na vida deles, é uma presença constante, mas o divino não tem essa obrigação. Basicamente eles tem que se conformar com a afirmação de que no fim da vida deles, quando morrerem vão encontrar com deus e  ter a sua paz eterna.

A religião Yorùbá pensa diferente, precisamos ser felizes aqui e agora. Olódùmarè se preocupa com isso e coloca ao nosso redor um vasto conjunto de divindade, meios de comunicação e meios de correção de problemas. Assim, Olódùmarè pode ser tudo, menos um deus distante.  Esta teia de proteção vai ficar clara mais à frente.

Os yorubanos, explicam, que assim é a sociedade deles. Existe em todos os níveis uma larga cadeia de hierarquia que funciona e deve ser respeitada. Desta forma, como eles explicam, você quando tem um problema não vai diretamente ao Rei reclamar ou pedir por você.  Você tem uma hierarquia de pessoas a quem recorrer. O Rei assiste sua população através de seus representantes e ministros.

Olódùmarè colocou os orixá (Òrìṣà) para cuidarem de nossa vida no àiyé. Somos protegidos e assistidos por seus ministros, os orixá (Òrìṣà). São eles que cuidam da gente e é usando os orixá (Òrìṣà), Exú (Èṣù)   e Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà)  que Olódùmarè sabe o que ocorre com a gente e passa aos seus ministros o poder para nos ajudar.

Quando os assuntos são levados a Olódùmarè este tem como saber a verdade que esta envolvida em tudo o que é dito e feito. Mesmo não sendo onisciente, Olódùmarè é quem pode saber o que reside em nosso coração, ele sabe exatamente quem somos, o que pensamos e o que queremos.

Entre Olódùmarè e os habitantes do Órun (ọ̀run) e do àiyé existem intermediários. São esses intermediários que, quando necessário trazem os assuntos a Olódùmarè. Todo o nosso relacionamento dentro desta religião é feito através das divindade que representam Olódùmarè.

Este modelo reflete o modelo da  própria sociedade Yorùbá. Quanto mais importante e mais velho, menos pessoas tem acesso e mais esse acesso é feito por intermediários. Assim o modelo do cosmo não é diferente do próprio modelo da sociedade.

Todo o culto religioso às divindades é feito às divindades que Olódùmarè colocou para representá-lo. Nesta e em qualquer religião são cultuadas as divindades a quem podemos recorrer. Nenhum liturgia ou oferenda é feita a Olódùmarè, ele não precisa e nem intercede. Quem intercede são os seus ministros.

Olódùmarè esta sempre presente em nossa lembrança e rezas, sabemos que ele é o poder supremo, mas, nunca o tememos. Olódùmarè e seus ministros são puro amor.
Longe de ser um deus distante, Olódùmarè cria todas as condições para que sejamos felizes nesta vida. O compromisso de Olódùmarè é com a nossa felicidade e com o nosso destino em cada momento de nossa vida.

Olódùmarè é o único responsável por nos dar a vida. É ele quem unicamente tem o poder de dar o sopro da vida à nossa forma humana que é moldada por Orixá nla (Òrìṣà nla). Além disso ele nos da o nosso axé (aṣẹ́) e nossa centelha divina, nossa virtude divina, o pedaço único que Olódùmarè coloca em todos nós.

Não existe a referência que somos feitos sua imagem e semelhança. Quem constrói nossa aparência é Orixá nla (Òrìṣà nla) – Ọ̀ṣàlá. Ele constrói nosso corpo Ajalá constrói nossa cabeça. 



A SEGUIR:  OLODUMARE, O NOME

quarta-feira, maio 15, 2013

O problema de pular de casa em casa


Uma das coisas que vocês devem ter muita atenção quando ouvem a história de alguém, é se essa pessoa se iniciou e cantou os seus 7 anos na mesma casa, ou se a pessoa é aquela que frequentou tudo quando é casa, dando uma obrigação em cada lugar.

O correto na formação de qualquer pessoa é, primeiramente, ela escolher uma casa para frequentar. Se a casa for adequada, se ela se afinizar com as pessoas que frequentam a casa e, também, se entender com a forma como o dirigente dirige a casa ela pode então decidir continuar na casa.

Com o passar do tempo poderá fazer, algumas pequenas obrigações, como um Bori, e por fim a sua feitura, depois claro de ter absoluta certeza de que aquilo é o que ela quer para si. Somente depois de frequentar uma casa, de conhecer como funciona a casa e a religião que pretende adotar é que ela pode decidir se iniciar.

Mas, principalmente se o local que ela esta escolhendo é o local onde ela vai querer estar, por no mínimo os próximo 7 anos, até concluir o processo de feitura, quando se transforma em um Egbon, um mais velho. 

Nem todo mundo fará 7 anos e terá um Oye, um cargo de babalorixá ou de Iyalorixá. NÃO é verdade que todo mundo que atinge os 7 anos será babalorixá ou Iyalorixá e poderá abrir uma casa para ela.

Observe que, um coisa é a contagem de tempo cronológico desde a sua feitura e outra é você poder de fato contar esse tempo como realizado dentro da religião.  O tempo só vale se você "canta" seus anos, você precisa dar as obrigações necessárias. Assim, depois da feitura você tem a obrigação de 1 ano, depois a de 3 anos e finalmente a de 7 anos. Somente quando "canta" o ano é que você pode contar seu tempo cronológico.

Uma pessoa que já tenha sido iniciada a 10 anos, somente poderá contar 10 anos de feita quando der a sua obrigação de 7 anos, antes disso tem os anos que já "pagou". Assim de você cronologicamente tem 10 anos de feita, mas, apenas cantou os seus 3 anos, você tem 3 anos!

A escolha apressada de uma casa, pode levar uma pessoa a se desligar daquela casa e procurar outra. Isso não é o normal e nem deve ser a prática. Claro que, atitudes muito ruins do dirigente ou de membros da casa podem levar você a uma situação insustentável e obrigá-la a deixar a casa.

Mas essa é uma coisa que deve ser evitada. É também muito comum pessoas que intempestivamente decidem fazer sua feitura sem avaliar como será a convivência dentro da casa e depois, quando viram Iyawo e descem ao último degrau da escala hierarquica não aceitam essa situação.

O normal é que a pessoa deve se conformar com seus problema e cumprir os seus anos. 

Claro, como disse, existem momentos que isso se torna impossível. Normalmente consequencia de uma escolha errada inicial. Mas, um iyawo, deve engolir seu orgulho e cumprir seus anos. Sacrifício é sacrifício, além da dificuldade e do esforço existe o aprendizado.

No fim de tudo você vai ter uma história, uma casa e fazer parte de uma linhagem.

Contudo existe um tipo de pessoa que usa a mudança de casa como estratégia para esconder sua enganação. Essas pessoas que não querem cumprir nada, querem enganar os outros.

Dessa maneira, a mudança de casas é também uma estratégia para apagar o seu passado e seus erros e mais, para inventar obrigações que não deu ou mesmo feitura que não fez.

Veja, tem gente que faz sua feitura e desaparece daquela casa, talvez fique lá até a obrigação de 1 ano e nunca mais é visto.

Ai ela abre uma casa e começa a dizer para todos que é babalorixá ou iyalorixá de tal orixá e que foi feita em outra cidade, etc..  Aliás, pessoas mal intencionadas costumam procurar iniciação em outra cidade ou outro estado justamente para poder encobrir obrigações que nunca deram.

Tem muita gente que se diz babalorixá e iyalorixá que nunca foi feito de verdade. Provavelmente foi para uma outra cidade, deu um bori ou qualquer outra coisa e volta dizendo que foi feita. Essas pessoa frequentam a casa de outros para copiar as coisas e aprender por repetição.

Isso é muito comum.

Muito mais comum ainda em pessoas que vieram de Umbanda, onde tinham uma casa e filhos de santo. Imagine se essa pessoa que tem um status social elevado nesta comunidade vai virar Iyawo de Candomblé? Muito dificil.  O mais comum é fazer um Bori longe e dizer que foi feito, é até fazer a feitura e depois nunca mais aparecer.

Observem que eu não vejo demérito na Umbanda. Quem vê e demonstra que NUNCA entendeu o que é a Umbanda são as pessoas que saem dela para o Candomblé. O que eu entendo ser muito difícil é uma pessoa sair da Umbanda, onde tem um status e liberdade e ir para uma OUTRA religião, totalmente diferente e virar Iyawo. Não a-cre-di-to

Mas, voltando a nossa linha original, quando uma pessoa diz que deu cada obrigação em casas diferentes isso é um demérito e não um mérito.

Qual o motivo que leva uma pessoa a pular de casa em casa? Porque não ficar em uma casa e se subordinar a um superior?  Se a pessoa sai pulando é porque não quer se subordinar a ninguém.

Observe que tem  muita gente que inventa obrigação. Tem muita gente que sai de São Paulo e do Rio e vai para Salvador dar bori em uma casa grande. Bori esse feito no corredor, do tipo sem nenhuma importância, daqueles que eles dão em cliente. Voltam de lá dizendo que foram feitos em determinada casa ou que contaram o ano tal lá.

O elenco de mutretagens é muito grande. Fique desconfiado de pessoas que não conseguem te apresentar o seu babalorixá ou iyalorixá. Fique desconfiado de pessoas cujo iniciador já morreu, aliás esse é o golpe mais clássico. Fique desconfiado de pessoas que não tem junto de si nenhum mais velho, nenhum irmão de santo, nenhum ogan, etc...  Fique desconfiado de gente que procura outras cidades e estados para "dizer" que deu obrigação.

É muito comum pessoas de Umbanda dizerem que foram feitas no Candomblé só para poder se anunciarem como tal, sem nunca ter sido.

Não é dificil você aprender com histórias de outros ou frequentando casas de outros para poder repetir as coisas que viu e ouviu depois como se fosse sua.

Mas, eu acho, que o pior mesmo, mas o muito pior mesmo,  são as pessoas que dizem que trocam de aguas, entenda de Nação. São pessoa que foram feitas no Ketu, com Orixá e ai, sem mais nem menos aparecem com uma casa de Jeje ou de Angola. Isso é completamente esquisito, para mim sem nenhuma confiabilidade. Isso não existe....

O cara é doté fulano de tal de Xango.  Como assim?  e na casa dele só se faz orixá. Isso é o normal, pessoas dizer que trocaram de nação mas continuam fazendo as coisas da nação original, contudo, sem agora deverem a hierarquia e a coerência, podem fazer de qualquer jeito, ou mesmo dizerem que são se Nago Vodum, que é a oficialização do sambo do crioulo doido.

Essa estória do cara mudar de nação, 100% dos casos é para acobertar mal-feitos.

Os desvios, no geral, como disse,  são muito grandes e criativos, os principais são:

- pessoas não feitas que pagam grandes somas para que alguem de uma obrigação de 7 anos nela para legitimar a sua safadeza.  Tem gente que aceita isso, por dinheiro.

- pessoas que dão obrigações menores e dizem que foram obrigações maiores.

- pessoas que vão dar obrigações em lugares distantes para não ter testemunhas

- pessoas que ficam frequentando casas e furando roncó para poder aprender aquilo que não sabem e fundamentar suas mentiras.

- pessoas que dizem que foram feitas em casas que acabaram e por pessoas que já morreram

... e por ai vai

O normal, como eu disse é aquela pessoa que pode se apresentar e também a sua ascendência. Que frequenta a sua casa matriz e recebe pessoas de sua casa matriz.  Que tem um superior e se subordina a ele. Não importa o quão velho você seja, sempre vai ter alguém mais velho que você.

Como eu disse antes, sempre tem casos de exceção e nem sempre a gente consegue terminar onde começou. Mas mesmo essa história pode ser confirmada.

Assim, abra seus olhos e tome cuidado com quem se envolve.

segunda-feira, maio 13, 2013

A Mão que balança o àjà (adja)


Não sei se as pessoas que participam de alguma casa já deram a importância devida se aquela mão que esta tocando a sineta, o àjà, esta limpa para cuidar da sua cabeça ou de seu Orixá.

Nunca pensaram nisso?

Não estou falando se aquela pessoa lavou aquela mão com água e sabão, mas sim se aquela pessoa ali não suja aquela mão fazendo feitiços para ganhar dinheiro. 

Vocês acham mesmo que ontem, o cara estava fazendo feitiço para satisfazer algum cliente em obter algo de forma rápida e menos lícita e, no dia seguinte, esta lá tocando um Xirê ou fazendo um Bori como se uma coisa não tivesse a ver com a outra?

Imagine você ajoelhado para lavar sua cabeça ou cuidar de seu Ori, mas tendo ali na sua frente uma pessoa que dedica grande parte do tempo dele fazendo feitços por dinheiro?

Acha mesmo que a mão dele esta boa para você? Acha mesmo que o que ocorreu em um dia é lavado apenas com um jato d'água? Não acha que uma pessoa que faz amarrações e feitiçarias com sacrificios não tem em torno de sí uma legião do mal? Não acha que aquele mal, perda ou maefício que ele faz não vai para você?

Gente, gentileza gera gentileza. O bem atrai o bem.

Sugiro que decubram que tipos de trabalho são feitos na casa que frequenta, ainda mais se a pessoa se diz de Candomblé e continua trabalhando e dando consulta com Exu e Pombo-gira de Umbanda.  

Se a pessoa é de uma religião como o Candomblé, que cultua divindades no mais alto nível de evolução que tem em èsù uma divindade do mesmo patamar de um Orixá, talvez até superior e que cultua o Orì, o guardião pessoa de cada um, por que, essa pessoa, que se diz sacerdote dessa religião e que tem uma casa dessa religião, por que, ela tem necessidade de trabalhar e dar consulta com exu, pombo-gira e malandros, que ocupam, memo na Umbanda, o menor patamar de evolução espiritual?

Não passa para vocês que alguma coisa esta fora do lugar? Os orixás de Candomblé, os guias de Umbanda ou mesmo você?


Para qual finalidade as pessoas procuram a casa que você frequenta? Para pedir coisas?  Para trocar favores por dinheiro?  Para obter coisas de outros?  

Se sua casa recebe pessoas que vão para lá com essa finalidade, isso não é religião, isso, não é de longe, o Candomblé. Isso é só fetiçaria, casa de trabalho ou seja la como queira chamar.

E ai?  Você vai permitir que uma pessoa dessas coloque a mão na sua cabeça?  Que faça ou cuide do seu orixá?  Tem certeza? Tem certeza mesmo?

Você acha que isso vai fazer o bem para você?  Você acha que aquela mão serve para sua cabeça?

Assim, quando olhar aquela mão que balança o àjà, pense bem nisso para saber se você esta na casa certa.

sexta-feira, maio 10, 2013

O Terror dos Odus


Gente, essa semana, estava eu calmamente andando de carro quando, pela hora, resolvi colocar na radio tropical AM, aqui no Rio. Estava la um pai de santo, que se declara de Candomblé, de Ogun,  mas que faz um programa que a gente não sabe se aquilo é Umbanda ou Candomblé.  É ouvindo pessoas desse naipe é que entendemos porque esta essa bagunça em casa de Candomblé.

Mas, o fato dele misturar Umbanda e Candomblé no programa dele não me impressiona, afinal, ele só esta ali para ganhar dinheiro, não é sacerdote e muito menos religioso e faz aquilo o que sabe ou aprendeu. Essa mistura não serve a ninguém, nem ao Candomblé e nem a Umbanda, serve apenas a pessoas despreparadas, como ele, que fazem um deserviço à religião.

Esta ideologia, de mistura e de uma pessoa que se diz de Candomblé (porque é mais sofisticado) ficar também falando de Umbanda e dizendo que pratica em sua casa "sem preconceito" as duas coisas, serve apenas ao comércio que ele faz.

O que me impressionou, negativamente, foi a apologia a Odù que ele faz. Como todo pai de santo umbandista-candomblecista, que muitas vezes nem cumpriu seus anos na mesma casa, ele mal entende de Candomblé, deve entender muito bem de feitiço e para entender de feitiço, você não precisa ser ninguém, você pode ser um qualquer um, sem ética e escrúpulo.

Feitiço, simpatia e amarrações é o que se vende por ai, para gente as vezes pior do que aquele que faz o feitiço. Sim, quem contrata feitiço é muito pior do que aquele que faz.

Mas, voltando ao Odù, a cada grupo de pessoas que ele mencionava ele relacionava a um odu, e para cada odu era uma lista de desgraças. Coisas que assustavam e indicavam que aquelas pessoas deviam procurá-lo imediatamente para serem socorridas daquela "moléstias" que elas tinham. Bom, ele não disse que era uma moléstia, mas, relacionar pessoas a Odù e Odù a desgraças e coisas ruins, para mim, significa isso.

Claro que essa atitude não é somente dessa pessoa, muitos pais de santo, mal formados e mal preparados que aprenderam sobre Odù e Ifá em folhetins e sem nenhuma profundidade fazem o mesmo.

Nem precisamos nos preocupar se esse personagem que eu citei é de verdade ou não, se é uma ficção minha. Não tenho dúvida que muitos já ouviram o mesmo tipo de coisa.

Primeiro, ninguém, exceto esse tipo de gente ignorante, pode associar Odu a qualquer pessoa. Além do mais, em um programa de rádio onde, provavelmente, ele faz isso usando a data de nascimento.

Isso, de usar data de nascimento, NÃO EXISTE EM IFÁ.  jamais odu pode ser associado a uma pessoa baseado em data de nascimento. Dessa forma não sejam vocês, leitores e ouvintes, os IDIOTAS. Não passem suas datas de nascimento para esses trambiqueiros. Não acreditem nisso. Não percam o seu tempo. Não jogem o seu dinheiro fora.

Claro, se você é idiota, otário ou ignorante no assunto certamente vai passar sua data de nascimento e a pessoa vai dizer baseado nela qual é o seu odu de vida, de nascimento, pé, cabeça e sei lá mais o que. Eu não posso, de fato, inibir a estupidez.

Em segundo lugar, o estelionatário do rádio, para cada Odù, citava um rol de desgraças. Odu não é isso. Odu é a energia de olodumare, é a coisa mais divina que Olodumare, deus, nos envia. É a resposta aos nossos problemas. É a solução dos nossos problemas. Odù não traz problema, Odù sempre traz a solução do problema, a benção de Olodumare para que a gente saia daquela situação.

Odù é o analgésico ou o antibiótico. Se você tem uma dor e, um médico, receita um analgésico ele esta te passando a solução para a dor. Claro que se a gente vê uma receita de antibiótico vai saber que a pessoa esta com uma infecção e não que aquele antibiótico causa a infecção.

Olodumare nos manda, através de Ifá, o Odù, que indica o problema por ser ele, o Odù, a solução do problema. Jamais Odù é o problema ou o mal.

Quem não sabe isso e diz que é babalorixá, iyalorixá e pai de santo é porque é idiota e não sabe nada de Ifá e de Odù.

O culto de Ifá veio para esclarecer esse monte de absurdos que eram, e ainda são,  falados pelas pessoas que não procuram informação. O modelo usado no Candomblé, até hoje, no qual o mesmo babalorixá tem que saber de tudo, no caso de Ifá esta furado, esse modelo não vai continuar, aliás, mesmo para Orixá já deveria ter sido modificado.

Odù de nascimento só é obtido até o oitavo dia de nascimento e através de uma consulta de Babalawo de Ifá. Odù no dia a dia só através de uma divinação, seja por Ifá ou Búzios e é uma mensagem que vale para aquele momento.

Lamento estar sendo tão direto assim, mas, espero que essa objetividade tenha utiliidade.

A gente fala um monte de eufemismos e amenidades e não adianta nada. espero que indo direto assim no assunto, as pessoas percebam que essas pessoas nada acrescentam a vida delas.

segunda-feira, maio 06, 2013

Teologia Yorùbá

O Cosmo Yoruba - Parte 7

Olódùmarè – O senhor do destino


O nosso destino e vida também estão nas mãos dele. Antes de viajarmos do Órun (ọ̀run) para o Àiyé vamos a Olódùmarè pedir que ele confirme as coisas que planejamos para nossa vida. A Olódùmarè cabe confirmar o nosso destino final. No modelo Yorùbá existem 3 tipos de destino para cada pessoa. Um deles é o que Olódùmarè nos encarrega de cumprir.

É ele também que no fim de nossa vida é o juiz de nossas realizações. O modelo teológico Yorùbá estabelece um processo de julgamento que leva em conta nossas ações ao longo de toda a nossa vida. Não somos julgados o tempo todo e por qualquer ato. Lembre-se que todas as criaturas são criações de Olódùmarè, nada ou ninguém tem privilégios, de forma que, nosso julgamento se baseia no que acumulamos de realizações ao longo de nossa vida e somente ao fim dela, quando nos reapresentarmos no Órun (ọ̀run) à Olódùmarè, seremos julgados por ele e somente por ele. Ele é o juiz supremo.


Ele é o único juiz do nosso destino e de nossas realizações. A religião estabelece assim uma prestação de contas sobre nossos atos e realizações, mas, levamos a vida toda para construir esse julgamento. Nesse momento poderemos receber punições e, em casos mais extremos, ter o nosso status no Órun (ọ̀run) modificado em função de nossas realizações no Àiyé e do respeito que obtivemos de nossa família.


Se formos bem sucedidos na nossa vida do Àiyé, tivermos atingido nossos objetivos e também obtido o respeito e consideração de nossos parentes, amigos e sociedade, nos tornaremos um Ara Órun (Ara ọ̀run) respeitável. Estaremos em grande conta com Olódùmarè. Poderemos à partir do Órun (ọ̀run), e dessa nossa posição de destaque, ajudar e socorrer os seus familiares em sua vida no Àiyé. Eventualmente poderemos até ser divinizados e nos transformamos em um orixá (Òrìṣà), como já ocorreu com personagens importantes do povo Yorùbá.


A família é um valor muito importante na religião, tudo gira em torno dela e o conceito da ancestralidades e descendência determina toda a questão da reencarnação.


Fica bem clara, como mostrado, a diferenciação do modelo cristão de moral e pecado. A religião Yorùbá tem valores, ética e moral muito rígidos e retos, ligados a família e a vida em sociedade, mas não tem o modelo de pecado & punição que a religião cristã estabelece e as pessoas se acostumaram.


Ela esta igualmente equidistante do modelo de não ter pecado e nem ética que é erradamente pregado por pessoas ligadas ao Candomblé, como uma virtude. Essas pessoas confundem a sua própria falta de ética, decoro e valores morais com a religião que elas dizem professar e que de fato ignoram.


Mas, a quase infinita paciência de Olódùmarè tem limites. Se uma pessoa exagera nos erros de sua vida, se ela, de alguma maneira, se torna uma pessoa insuportável para a sociedade, poderá sofrer a ira de Olódùmarè e irá morrer. A ira vem através de alguns orixá (Òrìṣà) que tem esse poder de exercer a ira de Olódùmarè. São poucos os que assim o podem, Xangô (Sango) e Ómólu (omolu) são 2 deles. Orixá (Òrìṣà) não tira a vida ou traz a infelicidade para ninguém, exceto os casos citados.


Uma das características de nossa vida é o tempo que determinamos para ficar no Àiyé, vivos. Quando vamos a Olódùmarè pedir o nosso destino, estabelecemos também o tempo que vamos viver. Este tempo é o nosso compromisso com Olódùmarè. Caso venhamos a morrer antes porque provocamos nossa morte ou porque nos suicidamos, o compromisso com Olódùmarè já estava estabelecido e não voltaremos ao Órun (ọ̀run) antes desse tempo. Isso nos fará ficar vagando no Àiyé como um espirito perdido até que se cumpra o tempo que nos comprometemos a cumprir.


Entendo, por ilação, que esse tempo não valerá para os casos onde nossa morte for acidental, sem nosso controle, ou provocada por outros.


Entre as punições que podemos receber esta nos afastarmos de nossa linhagem familiar e a de voltar ao àiyé na forma de animais, formas menos nobres.




A SEGUIR:  A PRESENÇA DE OLODUMARE