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quinta-feira, março 26, 2015

Odus negativos no Candomblé

Odus negativos no Candomblé

Revisão 3


Quando posso, ou podia, eu assisto a programas de rádio sobre Candomblé aqui no Rio. Podem ser ouvidos pela Internet também, existem 2 rádios que tradicionalmente tem esses programas normalmente no horário noturno e a partir das 21:00.


Olha, eu ouço, mas é um verdadeiro FEBEAPA, como diria o já falecido Stanislau Ponte Preta. Sim, um festival de besteira, mesmo para o Candomblé, onde é difícil falar que algo que não é besteira. É inegável o caráter comercial que os programas têm.
O objetivo dos programas é esse, atrair clientes e, se eles não tivessem sucesso nisso, não existiriam os programas.

Temos que lembrar que existe vontade para tudo e quem os procura, o faz de livre e espontânea vontade. Igualmente quem os ouve faz porque quer. Dessa forma, cada um avalie o que é bom ou ruim para sua vida.


Eu tinha vontade de, de vez em quando, fazer uma coletânea das besteiras que eles falam, mas, meu tempo não é lixo para eu falar de lixo. Assim vou tocar em um ponto apenas que é relevante para eu que sou Bàbáláwo, que é o caso de
Odu negativo.

Lembro a todos que eu já falei aqui que a maior parte dos Babalorixas e Iyalorixas de Candomblé, que se promovem falando de Ifá e Odù, não tem a menor ideia sobre o que estão falando.

Eles nada sabem e não tem ideia do que seja Odù ou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Eles apenas usam isso para impressionar as pessoas e torná-los diferente dos demais, arrotando um conhecimento que não tem. Repetindo, Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) de Candomblé não sabe nada de Ifá, de Odù ou de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

O que se fala de Odù no Candomblé não é Ifá. O ifá que o Candomblé diz que têm, foi criado aqui na década de 90 e foi retirado do livro do Maupoil, principalmente e de outros, poucos, que na é poca ficaram conhecidos. Esse livro, Maupoil - A Adivinhação Na Antiga Costa Dos Escravos, é muito antigo, fala do Benin e de Fá, uma variação do Dahomey. Não é Ifá e não está ligado com a religião yorùbá e, o que tem no livro e foi copiado pelo Candomblé, esse conhecimento, não tem em Ifá de verdade.

Isso é uma coisa de livro, antigo, ou de uma culto que eu, como Bàbáláwo e pesquisador, desconheço.

O nosso Ifá do Candomblé, com seus significados de Odù, é uma Jabuticaba, só tem aqui no Brasil, no Candomblé.


O que posso dizer aqui de forma simples, é que é uma jabuticaba. O Candomblé criou um Ifá e um Odù só para ele.

Essas pessoas falam de um Ifá que não é o de verdade.
Esse Ifá que os Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) dizem que sabem e explicam é algo que eles constroem na cabeça deles. Eles partem dessa de Ifá que foi inventada aqui na década de 90 do século XX e derivam e criam conhecimento e entendimento.

Eu posso afirmar isso baseado em várias coisas.

A primeira é que sou Bàbáláwo e sei, hoje, como é Ifá. Eu pratico isso e conheço os versos de Ifá. A segunda é que eu já fui do Candomblé e aprendi esse Ifá do Candomblé. Antes de ir para o culto de Ifá eu, no Candomblé acreditava nisso que esta por ai, e pratica da forma como o pessoal aqui no Brasil diz que deveria ser. Por fim, eu pesquisei sobre o tema e sei como isso nasceu e se desenvolveu.

É importante que entendam isso.

Aqui no Brasil foi criado um Ifá que, na ausência do culto de Ifá no Brasil, foi construido da cabeça de pessoas daqui. O que eles chamam de Ifá, Odù e Itan, são coisas que eles aprenderam de fontes ruins, inventaram e foram se copiando, o que transformou muitas informações em erros.

Se você é do Candomblé, como eu fui, e aprendeu esse Ifá, lamento, não é nada disso.

Aliás, o processo que eu entendo que ocorreu foi esse da cópia e reprodução. Alguém descobriu algum material, talvez até correto, saiu repetindo e criando em torno disso, outros pegavam o que esse falou e fazia a versão dele e por ai foi. Acabaram criando uma cultura própria, sem nenhuma base.


O livro do Bernard Mapouil foi a principal fonte do Candomblé e em torno disso criou-se conhecimento próprio. Mas a partir desse material e na ausência de algo melhor, o tema “viajou” muito.

Eu sei quem foram as pessoas que iniciaram esse conhecimento aqui e posso dizer que TODAS ELAS, se iniciaram em Ifá quando os cubanos e nigerianos chegaram no Brasil e essas pessoas abandonaram esse método que elas ajudaram a divulgar.

Pessoas como o Pena, o Portugal, o Adilson e mais alguns outros que desenvolveram esse tema em livros, apostilas e aulas. O método e o conhecimento que elas ajudaram a criar e divulgar ficou para trás, elas procuraram Ifá de fato porque sabiam que o que fizeram era uma coisa particular.

Isso gerou vários desentendimento, que hoje a gente tenta explicar, não é fácil porque ainda tem muita gente que continua a usar e promover esse conhecimento.

Um desses assuntos está no uso do termo Odu negativo.

Aliás, a primeira coisa a lembrar é sobre o continuado uso de determinar Odu através de data de nascimento. Leitores, por amor ao seu Orixá,
isso é uma idiotice. Já expliquei no Blog. ISSO NÃO EXISTE. É uma bobagem, uma besteira. Não faça isso e nem acredite nisso. Se alguém fala sobre numerologia e Ifá é basicamente porque esta pessoa é ignorante e não sabe nada, mas nada mesmo, de Ifá.

Numerologia é numerologia, Ifá é Ifá. Não existe vínculo!

Se a pessoa pede sua data de nascimento, faz umas contas, risca aquela cruz no papel e coloca 4 Odù nela e sai explicando sua vida com aquilo, acreditem isso não é Ifá. Pode ser algum outro conhecimento esotérico que eu não conheço.

Repito, já fiz isso ai como qualquer candomblecista, achava o máximo, mas, pesquisando e aprendendo, descobri que isso não existe em Ifá. Se isso existe é porque é parte de outra coisa.

A outra coisa grave é quando a pessoa amarra nisso a afirmação de que saiu para essa pessoa um
Odù negativo. Veja, a pessoa não está se referindo a que naquela consulta o Odù é negativo para aquela pessoa. Na cabeça do olhador, Odùs são coisas do mal, com raras exceções, trazem coisas e problemas gravíssimos.

É assim que descrevem Odù, exceto Obará que sempre é positivo, porque isso interessa a eles, todo o resto, são situaçõs gravíssimas.

Assim Osa é sempre negativo, Owonrin, eji ologbon, eji onile e outros que não lembro agora, também.
Na visão desse olhadores, Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà), os Odù significam alguma coisa negativa que é trazida naquele momento para a sua vida, tipo uma praga que você pega durante o jogo deles.

Você está bem, entra lá para jogar e o jogo traz então uma praga que eles vão ter que tirar para você.

Raro mesmo é ver alguém dizer que algum Odù é bom, todos são ressaltados pelos seus caráteres mais graves, de acordo com essas definições de Odù que o Candomblé inventou.

Eu, se ouvisse isso, ficaria assustado com Ifá e Odù. Tudo é dito ser tão sério e grave que jamais me interessaria.


Vou repetir eu ouço as pessoas falando assim, se referindo a determinados Odù com gravidade.

Gente,
NÃO existem Odùs negativos por definição.

Odù não te traz nada negativo,
Odù é sempre positivo para sua vida.

Um Odù pode, naquele momento, trazer uma mensagem na qual ele indica uma negatividade ou uma positividade que
já está presente em você e em sua vida ou vai se manifestar.

Odù não é a negatividade. Odù é a mensagem que explica o que você já tem e é também a benção de Olodumare trazendo a solução para sua vida.


Odù é o remédio não é a doença.

Não podemos chamar o remédio para curar o câncer do próprio câncer. Se um remédio é destinado a curar uma doença, se vemos alguém usando-o vamos saber que aquela pessoa tem aquele problema e não que aquele remédio é quem transmite a doença para ela.


Os Nigerianos entendem que o Odù anuncia uma Benção, um Ire, ou então um questionamento um Ayewo, porque eles não aceitam que ele anuncie um mal. Você deve questionar o que não está bem com você.


Os Cubanos também pensam assim. Para ele é Ire, benção ou Osogbo (não benção). Eles não usam a expressão Ibi - mal.


Odù é sempre o remédio, é a benção que recebemos de Olódùmarè através de Ifá.

Eu tenho uma explicação bem simples e que qualquer pessoa pode entender. Odù sempre é uma benção. Se você está bem e necessita melhorar ou trilhar novos caminhos, o Odù vem positivo, ou em Ire como falamos, trazendo esse axé adicional para você. Ele vai alavancar a sua vida, te impulsionar.


Se você não está bem e o Odù vem negativo, ou em osogbo, não é o Odù que tem o problema é você, e nesse caso ele vem tirando essa sua negatividade para normalizar sua vida.


Em Ifá, verdadeiro, primeiro se determina o Odù e depois, usando novas caídas e os Ìbò você determina o tipo de mensagem (Ire/osogbo Ire/Ayewo).


Veja, entenda, o Bàbáláwo, primeiro determina o Odù, depois identifica se ele vem trazendo bençãos ou se vem removendo problemas, negatividade.

Os Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) não fazem nada disso, nem sabem, nem usam Ibo. O Odù cai e eles logo vaticinam os problemas, qualificando o Odù como ruim só pela identificação.

Desta forma,
em Ifá de verdade, qualquer Odù sempre representa uma mensagem sobre uma situação positiva ou negativa e sempre trazendo a solução para esta situação.  Dessa maneira um Odù sempre é positivo. Ele será negativo para resolver e que você já tem. Não é o Odù que traz isso.

Vou dizer de outra forma, o problema ou situação, você já tem, o Odù é a mensagem que traz a forma de resolver isso. Ele não é o problema, ele sempre vem resolver sua situação.

NÃO existe isso de dizer que determinado Odù seja por definição negativo ou que tenhamos nos 16 Odu aqueles negativos e os positivos.


Todo Odù vem de
Olódùmarè através de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Assim todo Odù é bom, é a mensagem que explica o que você precisa fazer para melhorar.

Pior é que essas pessoas sem conhecimento e escrúpulo fazem isso usando a maldita data de nascimento. Temos então 2 besteiras ao mesmo tempo, numerologia para determinar Odù e predefinição de positivo/negativo. Não levem isso a sério.


Duas coisas podem motivar eles falarem essas besteiras. A primeira e mais provável é ignorância. Eles não sabem mesmo o que é correto. Aprenderam alguma coisa de qualquer jeito e inventam mais para esconder o pouco que aprenderam. A segunda é que isso é uma boa estratégia para assustar as pessoas, sem motivo e fazer essas pessoas os procurarem.


Vou repetir o que eu disse no início, O tal Ifá ou Odù que o Candomblé usa, não é o Ifá de verdade, isso foi uma invenção aqui no Brasil.

Vou fazer outra afirmação, 100% dos Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) que jogam búzios com Odù não sabem ler nada no jogo. Eles jogam com aurividência e clarividência. É a mediunidade deles que diz o que eles têm para falar para você, não são os búzios jogados, lamento decepcioná-los com isso.

Para conhecer mais sobre Odù leia o texto


O que é odù? 




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