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sábado, fevereiro 29, 2020

Entendendo a religião do Candomblé e Ifá - pt.4 - O cosmo metafísico yorùbá

  Entendendo a religião do Candomblé - pt 4

O cosmo metafísico yorùbá










Este desenho retirado do livro “African Cosmos” mostra uma visão bastante ampla da metafísica do cosmo yorùbá com quase tudo que eu já mencionei aqui. Ele insere a divindade Oxumarê (Òṣùmàrè) com a importância devida, retratada mesmo no Dahomey como a serpente que envolve o mundo e garante sua proteção, é a ligação entre o órun (Ọ̀run) e o Àiyé.

Esta figura retrata bem o equilíbrio e a metafísica do cosmo yorùbá. Lembro que no meio dos dois mundos, entre os dois mundos, está Ifá e o opón (Ọpọ́n Ifá) fazendo a ligação para as mensagens celestiais e o axé (àṣẹ) de Olódùmarè.

É importante ressaltar que, no ponto de vista do culto de Ifá, o opón (Ọpọ́n Ifá) é parte integrante do modelo e por isso tratado como um instrumento sagrado.

No contexto religioso yorùbá, somente quando tratamos sob o ponto de vista de Ifá é que surge de fato uma tríade importante: Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)Olódùmarè – Exú (Èṣù). Somente na visão metafísica de Ifá é que essa trindade tem importância e relevância. No culto de orixá (Òrìṣà) o que vamos encontrar é orixá (Òrìṣà) e Exú (Èṣù).

Sob o ponto de vista do culto de orixá (Òrìṣà) essa representatividade da tríade não ocorre e isso explica a razão da inicial oposição a existência de Olódùmarè, como deus distante o culto de orixá (Òrìṣà) podia reconhecê-lo mas sua presença não era tão significativa como a que encontramos nos versos de Ifá.

Em Ifá, pelo contrário, só encontramos nos versos Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), Exú (Èṣù), Olódùmarè, Eégún, ajé (Àjẹ́) e personagens comuns. A presença e participação dos orixá (Òrìṣà) existe, mas, não é constante, eles refletem bastante a humanidade doas divindades com arquétipos de comportamentos humanos.

Vamos decompor esse grande diagrama em partes para entender melhor a metafísica do cosmo.

Por que entender a proposta metafísica da religião é importante?

 

Vamos entrar agora na parte mais abstrata e criativa das religiões que é o seu modelo metafísico e filosófico. Eu peço a atenção de todos para isso porque entender isso é compreender a religião.
 
Para que precisamos de uma religião?

Essa é a pergunta mais importante.

De onde vem deus?

Essa é outra pergunta importante.

Vou tentar abordar isso antes de falar sobre esta religião.

A primeira coisa é, de onde vem deus? Sem dúvida deus vem do coração das pessoas, ele está dentro de nós porque o conceito de uma divindade superior existe em toda a face da terra e sempre existiu em toda a história da humanidade. Os homens sempre criaram um deus para os proteger.

Deus não é uma criação artificial, ele não foi inventado e depois copiado como uma boa ideia por um monte gente. Coisas artificiais duram um tempo, depois elas desaparecem mesmo que durem um pouco.

Deus surge em todo lugar, eu digo que não existe ateu que resista a uma dificuldade a um desespero, nessas horas todo mundo vira religioso.

Como eu disse, ao longo de todo a face da terra, nos lugares mais ermos e em toda escala de tempo, deus sempre surge ou ressurge. Isso ocorre de forma natural. Deus está no coração das pessoas.

A religião não é deus, sem dúvida, a religião é o manual de instruções de deus para nossa vida, para usarmos ele, deus, para acessarmos o supernatural, para buscarmos o divino. Na religião se concentra o conhecimento do mistério do que não conhecemos.

Cada um pode ter uma fé própria em deus, mas isso não adiciona nada a você ou a sua vida. Você apenas vai crer em algo que concorda com você em tudo e não te ensina nada, também, nunca e contraria. Não existe ganho em ter um deus pessoal, esta é uma fé que não envolve o mistério.

O mundo natural nós descobrimos e controlamos através da ciência, ela representa aquilo que a gente vê e toca. Podemos com a ciência antecipar e planejar o que vai acontecer. A ciência não envolve a fé.

Mas além do nosso conhecimento existe o mistério, o que não conhecemos e para usar o mistério você precisa da fé religiosa.

A fé, para os que têm dúvida do que seja, se materializa quando duas partes creem uma na outra sem reservas e agem baseado nesta confiança.

A fé, é uma experiência humana fundamental, ela existe entre as pessoas e se prolonga para as demais coisas da vida como os mistérios e religiões. Ter fé, crer, é uma condição de existir do convívio humano.

Segundo J.B. Libano (2004, 15):


“A verdadeira experiência de fé humana exige de quem crê um gesto de entrega e daquele em que se crê a verdade de sua existência, a veracidade de seu ser. A fé é sempre bilateral. De um lado ha a entrega; de outro, a aceitação merecida. Portanto a fé humana se opõe a ilusão, ao engano, a mentira, ao mito, à superstição”.

O contrário da fé é o medo. A fé sem retorno, na qual apenas você dá e nada recebe de volta é a fé cega.

De acordo com a sabedoria do povo indiano, o homem trilha aquele caminho espiritual que por vocação é o seu, seja o do conhecimento (jnâna), o da devoção (bhakti) ou o da ação (karma), caminhos esses que não são mutuamente excludentes.

De acordo com a tradição católica, o homem pode seguir a via de Marta (da ação) ou a via de Maria (contemplação, com devoção ou sapiência).

A fé não tem nada a ver com a ciência ou com o conhecimento, são coisas distintas e não exclusivas.

Ter fé é uma capacidade humana e se dedicar ao conhecimento, a sapiência ou racionalidade (como dizem os indus e católicos) não o tira do caminho da fé religiosa ou espiritual.

Quando você tem fé humana você tem a capacidade de confiar em outras pessoas, de dedicar sua vida, acreditar nos seus atos, aguardar suas mudanças e, principalmente, crer que pode esperar sempre o melhor desta pessoa.

Esta é a fórmula mágica e máxima da fé. Acreditar que você sempre pode esperar, sem medo e sem dúvida, o melhor do outro. Pessoas de fé não tem medo de outras pessoas, não tem medo do futuro.

A fé humana. Como eu disse, é a base para todas as demais, você não terá fé religiosa se não acreditar nas pessoas.

A fé religiosa te permite crer no mistério, no desconhecido no não mensurável. Quando atingimos o limite de nossa inteligência, o que nos permite ir além e acima é a fé religiosa. É ela que nos permite explorar o mistério, o não conhecido, o que usamos e somos beneficiados mas não compreendemos completamente.

O círculo de viena1 representou no século XIX a expressão da ideologia do racionalismo contra o mistério. Todo o campo religioso é reduzido ao secular e contido nele, não mais poderia haver a expansão no pensamento religioso para a vida das pessoas e a religião deveria estar contidas nas paredes da igreja.

A partir do iluminismo a humanidade abandonou o seu lado místico em favor da ciência e da racionalidade, na verdade, ela se renovou porque estava àquela altura intoxicada por uma fé cega que lhe trazia o malefício. Podemos compreender que a humanidade foi a certa altura asfixiada pelo pensamento sacro, mas a mudança disso foi bastante radical e tornou a crença religiosa em superstição.

O homem deixa deus para trás e somente passa a confiar naquilo que ele mesmo pode realizar, ele passa a ser o seu próprio deus.

Mas apesar disso as religiões não acabaram. Mesmo em países socialistas onde foi perseguida a religião sempre sobreviveu. Não houve doutrina que impedisse que deus estivesse no coração das pessoas.

A perda para a humanidade foi não poder contar mais com o supernatural, não crer que o supernatural podia beneficiá-lo e também de criminalizar a magia.

Assim hoje, frente a um mundo onde todo o conhecimento está disponível ser religioso significa acima de tudo ser uma pessoa esclarecida. O mundo é cruel demais, duro demais para que você seja uma crente ingênuo. Para ser religioso você deve abraçar com vigor e violência sua fé, senão ela não se sustentará.

Neste sentido o que entender a metafísica de uma religião acrescenta a sua vida? Tudo.
A vida na verdade é um mistério, viver e nascer são mistérios, onde surge a centelha da vida, onde surge a nossa alma, o que nos dá vida, o que nos diferencia de um pedaço de carne cheio de proteínas? A vida é um mistério.

Não é importante você entender como a religião explica o surgimento do mundo, sua gênese, isso não acrescenta nada, é romance. O que precisamos entender é como a religião propões a nós entendermos o mundo, nossa vida, nossa participação nele, nosso destino final.

O modelo metafísico da religião é o que explica nossa relação com ela e a troca que vamos ter com isso. Também explica qual a proposta que a religião tem para nós como seres humanos, o que ela propõe que sejamos ou nos comportemos.

Mais que tudo o que ela nos dá em troca dessa dedicação, como falei, fé é uma via de duas mãos, de um lado tem uma pessoa que crê e de outro quem merece isso. Você dá e recebe de volta.

De maneira bem objetiva e sem romance, eu vejo que em qualquer religião temos que entender as seguintes propostas:

  • Como é a teogonia e qual a relação que temos que estabelecer com o divino. No núcleo disse esta a explicação de, por que temos que ter uma relação com o divino.
    Isso significa conhecer a que tipo de liturgia e rotinas temos que nos submeter e o papel delas em nossa vida e na relação com o divino.

  • Quais as propostas ética e morais que a religião nos traz para nós e entender o que isso nos beneficiará como pessoa.
  • O que a religião oferece para nós em relação ao supernatural. O que recebemos dela, não podemos ter uma relação com a religião na qual apenas temos que dar e nos submeter sem que isso nos retorne.
  • Qual o sentido de nossa existência. Entender o contexto de existência mudará a forma como conduziremos nossa vida.
É uma lista pequena, pretensiosa, mas objetiva. Não adianta eu escrever 10 páginas aqui e no fim você não entender nada.

A proposta metafísica é onde a religião começa, o resto, deriva disso. Você tem que entender o modelo da religião para a vida para então adotar essa visão.

O que você não pode é se submeter a uma religião que te promete deus quando você morrer, ou que exija que você passe o dia todo se submetendo a deus e se humilhando e que não te mostre nada em troca, nada que seja superior.

Uma religião tem que fazer você uma pessoa melhor consigo mesmo e com o mundo todo, iniciando por sua família e sociedade. Todo o mundo deve se beneficiar de sua religião, deus não tem preconceito com ninguém. Uma religião não cria privilégios, ela distribui amor.

Você não pode se envolver e se casar com uma pessoa sem antes conhecer ela profundamente e se identificar com ela. É o mesmo com a religião. Religião não pode significar submissão.

Deus não precisa de súditos. Deus não precisa de seguidores. Deus não precisa de oferendas. Deus não precisa de obediência. Deus não pode ser egoísta ou raivoso ou vingativo. Deus não pode esperar de você atos ruins contra ninguém, você não pode semear a infelicidade.

Os católicos tem uma coisa que eu gosto muito de repetir, isso não faz parte desta religião yorùbá, mas como estou falando de fé religiosa e religião vou usar.

Existem 3 virtudes teologais que temos que ter: Fé; Esperança e Caridade.

Temos que ter fé que deus nos protege em nossa vida, temos ter fé que sempre podemos contar com ele. A fé é a base de nossa relação humana e religiosa.

Temos que ter esperança, porque caso nossa vida não esteja boa ou estejamos infelizes temos que ter a esperança que vamos superar os nossos problemas.

Temos que ter caridade, porque deus nos ama, a todos e se deus nos ama, então se fizermos o bem a alguma pessoa estaremos agradando a deus, fazendo aquilo que ele espera de nós.




As divindades






 

Esse diagrama bem simplificado serve como uma primeira visão.

Os yorùbá entendem que as divindades se dividem em forças da direita (do bem) e as da esquerda(do mal). Segundo textos existem 401 divindades da direita e 201 divindades da esquerda.

Esse número é irrelevante com um número absoluto.

Os yorùbá não tem aritmética, assim 200, para eles representa não 200 unidades e sim uma quantidade muito grande, o significado é adjetivo, 200 é um adjetivo para muitos.
O número 1 adicionado, resultando em 201, significa que podem ter mais, outros podem se adicionados, que o número não é estático. O número 400 significa então outro adjetivo, significa que é muito mais ainda.

Desta maneira existem muitas divindades da esquerda, porém existem muito mais na direita, o bem é muito mais do que o mal.

Nas forças do bem temos:

  • Os orixá (Òrìṣà)
  • Os ancestres – egúngún
  • Os anjos guardiões – Enikeji (ou Orí)
Os dois primeiros possuem cultos especiais e são os mais importantes no contexto da religião, porque, os orixá (Òrìṣà) e os ancestres, tocam em todas as pessoas e comunidades.

O terceiro não possui um culto distinto, mas, faz parte de todos os cultos, o Orí é o conceito mais importante para tratar a individualidade de todas as pessoas e seu culto e liturgias permeiam os cultos de orixá (Òrìṣà) e Ifá.

Os orixá (Òrìṣà) são os enviados de Olódùmarè para cuidar de nossa vida no Àiyé, eles poderiam ser descritos como arcanjos, anos de hierarquia superior do culto cristão. A função dos orixá (Òrìṣà) como ministros de Olódùmarè, representantes do seu poder para sustentar nossa existência no Àiyé, será amplamente mostrada quando explicarmos o mito que está nos versos do Odù Oxé-otuwa.

Os egungun são os espíritos dos vivos que já voltaram para casa, para o órun (Ọ̀run). Os egungun representam no modelo religioso a celebração da vitória, o triunfo do espírito humano sobre a morte. Além disso eles ligam o presente com o passado, são um elo temporal de continuidade e perenidade. A presença dos egungun junto aos vivos, na sociedade yorùbá, através do culto de egungun, permite que os vivos encarem o futuro com esperança.

Uma família yorùbá típica é estendida e compreende ambos, os vivos e os que já partiram, promovendo com isso a integração entre a visão do mundo natural, o Àiyé e o órun (Ọ̀run), um como continuidade de outro.

O culto egungun funciona como um unificador social, promovendo relações cordiais entre os vivos e entre os vivos e os mortos como se fossem parte do mesmo contexto.
Temos então mais uma tríade que é a relação Ori-orixá-egungun.

Ori traduzindo a ligação do indivíduo com o supernatural, os orixá (Òrìṣà) como a ligação de Olódùmarè e os seres vivos e os egungun a ligação dos seres vivos no Àiyé e os que já partiram para o órun (Ọ̀run).

Esta é a tríade mais importante e traduz de forma muito eficiente o papel da religião junto a sociedade.

Como força intermediária temos ajé (Àjẹ́), as feiticeiras. Observe que este é um conceito relativo. Ajé (Àjẹ́) pode ser nesse modelo tratado como força neutra porque e algumas situações pode beneficiar pessoas e ser uma fora punitiva condicional, mas, o seu principal comportamento é sempre ser prejudicial as pessoas, como Verger define é uma fora que traz o equilíbrio impedindo que alguém seja beneficiado pelo bem em excesso.

Dentro dessa religião, não encontro nenhuma referência ou indicação para que ajé (Àjẹ́) receba pelas pessoas um tratamento preferencial. Ajé (Àjẹ́) é algo que pertence as feiticeiras, não é trazida para o nosso convívio sob a forma de oferendas ou assentamentos. Ela é evitada, aplacada ou combatida e quem a usa será sempre uma pessoa malévola.

Alguns autores fazem essa referência de ser uma força neutra ou mesmo que pode trazer o bem. Eu, nunca vi isso. Em tudo o que eu lí, sempre traz o mal, a perda, a morte e a destruição.

Lamento muito pelas pessoas que caem no conto do vigário de pessoas inescrupulosas que vendem iniciações e assentamentos de ajé (Àjẹ́) para leigos e incautos. Isso não traz o bem, apenas o mal. 

 Nas forças completamente negativas temos os Ajogun, que são os espíritos do mal que causam os problemas na vida no Àiyé, são eles, entre outros, a morte, a doença, a perda, a paralisia, a maldição, o feitiço, a praga, o aprisionamento.

Não existe possibilidade de alguma pessoa entender os Ajogun como diferente de uma força absoluta negativa.

Observem que o termo orixá (Òrìṣà) não define todas as divindades do órun (Ọ̀run), do supernatural. Orixá (Òrìṣà) define as divindades que estão ligadas aos serem humanos, que existem para nos proteger e das quais nós somos ligados através de sua essência (vou falar sobre isso quando falar sobre a construção da individualidade).

Orixá (Òrìṣà) é o espelho das características humanas em deus, Olódùmarè, ou seja é sua manifestação de humanidade que serve de modelo para que nós humanos possamos entender o que deus espera de nós. Também é parte do compromisso de deus com nossa vida, com nosso sucesso e felicidade.

As demais divindades recebem o nome de inrumolé (Irúnmọlẹ̀) ou Imolé (Imọlẹ̀). Inrumolé (Irúnmọlẹ̀) é um nome que cobre todas as divindades, inclusive as que são orixá (Òrìṣà). Orixá (Òrìṣà) é assim um tipo especial de inrumolé (Irúnmọlẹ̀).

No orun (Ọ̀run), desta forma, além das almas perenes das pessoas, existem muito mais divindades, sendo que divindades são de fato uma manifestação do próprio Olódùmarè uma extensão de sua natureza e poder, uma forma dele se manifestar.

Repetindo para deixar claro, no contexto teogônico, vamos ter divindades, inrumolé (Irúnmọlẹ̀) que lidaremo e que não são orixá (Òrìṣà). Os orixá (Òrìṣà) são aquelas que receberam a designação divina de suportar a vida humana no Àiyé.

No nível do Àiyé, do mundo natural, estão os seres humanos, a natureza (pedras, ervas, árvores, oceanos, rios e outros) e os animais.

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1foi o nome como ficou conhecido um grupo de filósofos que se juntou informalmente na Universidade de Viena de 1922 a 1936. Em reuniões semanais procuravam reconceitualizar o Empirismo a partir das novas descobertas científicas e demonstrar as falsidades da Metafísica. O Círculo de Viena era composto por cientistas que, apesar de atuarem em várias áreas como física, economia, etc., buscaram resolver problemas de fundamento da ciência, problemas estes levantados a partir do descontentamento com os neokantianos (seguidores de Kant) e os fenomenólogos (seguidores de Hegel). Schlick, por exemplo, tentou mostrar o vazio dos enunciados sintéticos a priori, de Kant. E por duas vias: - Se os enunciados têm uma verdade lógica, então eles são analíticos e não sintéticos; - Se a verdade dos enunciados depende de um conteúdo factual, eles são, portanto, a posteriori e não a priori.


CONTINUA EM PARTE 5



PRÓXIMOS TEXTOS

- O MODELO METAFISICO YORUBA PARA O BEM E O MAL

- O EQUILIBRIO E A CONCILIAÇÃO ENTRE O BEM E O MAL TEOLOGICO


Entendendo a religião do Candomblé e Ifá - pt 3 - A gênese yoruba (revisado)

  Entendendo a religião do Candomblé - pt 3 

A gênese yorùbá


Eu estava decidido a não falar sobre a gênese Yorùbá neste trabalho. Na minha opinião é apenas uma história e pouco ou nada contribuiu para entender a religião. Esse assunto fica mais no campo da necessidade de existir um mito religioso que explique a criação do mundo, principalmente porque este é o primeiro livro da bíblia cristã. Assim todo mundo também tem que ter o seu “Gênesis”.

Os Yorùbá tem sua gênese. A gênese Yorùbá se inicia no momento em que Olódùmarè decide criar o Àiyé, o mundo natural, e para isso designa as suas divindades para esta tarefa.

“….o Àiyé existia e era uma enorme massa de água e matéria pantanosa, nada vivia neste lugar”.

O que levou Olódùmarè a criar o Àiyé ninguém sabe, apenas é dito que ele teve a motivação de fazê-lo e colocou em execução. Isso não e diferente do muito cristão.

Existem, de fato, várias histórias sobre a criação do mundo, vou aqui citar apenas algumas delas, como eu já disse, não acho essas histórias relevantes para entender a religião.

Olódùmarè chamou Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá), uma das mais importantes divindades Yorùbá, à sua presença e o encarregou da tarefa, dando para ele os materiais que ia necessitar, lembrando que no conceito yoruba, estamos tratado apenas da criação do aiye, do mundo físico visto que no mito yoruba, o mundo espiritual, o orun, já existia, assim, a gênese, é um mito de criação do mundo natural que vivemos. 


Observem que esta é uma distinção muito grande entre a visão Yoruba e a visão cristã, a qual todos estão acostumados. Conforme eu procuro sempre destacar estamos tratando de religiões muito distintas em tudo e, a religião yoruba não é uma cópia da religião cristã. É uma raiz religiosa própria como uma visão diferente da nossa relação com o divino e uma proposta própria para a metafísica mundo natural-Mundo supernatural.


Muitos dizem que a religião yoruba teria sido formatada pelos evangelizadores europeus, anglicanos e que filósofos como Mbiti e Idowu teriam trazido a visão cristã para o modelo yoruba.


Isso é uma possibilidade, mas, eu depois de estudar mais afundo a religião e a cultura religiosa não tenho essa opinião. Para poder dizer eu tive que fazer as duas coisas, buscar referências mais amplas e profundas sobre a religião e pensamento yoruba, assim como, também, tive que me aprofundar em questões teológicas católicas.


A religião yoruba tem distinções suficientes na sua teologia, teogonia, cosmogonia e teodiceia. É mais simples em algumas coisas, mais ingênua em outras, confusas em diversos pontos, mas, profunda e complexa em muitos aspectos.


A questão da gênese é similar em mais uma religião e não apenas na relação yoruba-cristãos. Minha opinião é uma extrapolação do que pensa Mbiti, eu vejo que as religiões do mundo todo tem muitas similaridades. Elas tem mais coisas que as aproximam do que as afastam.


Mas seguindo com nossa gênese, o mito yoruba se inicia com o mundo natural já existindo, o Àiyé já existia, mas, era uma imensidão de água. Olodumare cria primeiro um mundo de água primordial.


Não vejo uma simultaneidade entre a criação do mundo de água primordial com o processo de criar a terra. No que me lembro o mais comum é que esse mundo de água já existia quando olodumare decide criar a terra e popular o mundo.


Para transformar o mundo de água primordial em habitável, olodumare designa Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) para esta tarefa. Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) recebeu dele uma bolsa de terra solta (alguns dizem que foi uma concha de caramujo), uma galinha de 5 dedos e um pombo.

Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) foi para o limite entre o Órun (ọ̀run) – o mundo supernatural e o Àiyé – o mundo natural e jogou a terra do saco sobre a água. Logo a seguir mandou a galinha de 5 dedos e o pombo que imediatamente começaram o seu trabalho de espalhar a terra por todo o Àiyé.


Isto foi feito até que uma grande porção da água fora coberta pela terra. Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá), então, voltou a Olódùmarè dizendo que já tinha concluído o seu trabalho.

Olódùmarè enviou o camaleão, que é um animal conhecido por ser muito cuidado e delicado na forma como se move e encontra caminhos. O camaleão nesta primeira visita relatou que apesar de uma grande porção de terra já estar espalhada e uma superfície razoável estar coberta, que a terra ainda não era seca e segura o bastante para ser habitada.


Algum tempo depois foi feita uma segunda visita e o camaleão constatou que a área de terra era grande o bastante e já estava seca o bastante para ser usada.


O lugar sagrado por onde foi iniciado o trabalho de espalhar a terra pelo mundo foi chamado de Ifé (Ìfẹ̀), palavra que significa, aquilo que é amplo. De acordo com a tradição Yorùbá neste lugar foi fundada a cidade de Ile ifé (Ilé-Ifẹ́) , a cidade sagrada Yorùbá, o lugar onde o mundo começou e o lar de todos os habitantes.


Ainda hoje quando um estrangeiro chega em Ile ifé (Ilé-Ifẹ́) na Nigéria ele pode ser recebido com a saudação “bem-vindo de volta a sua casa”, porque todos os seres humanos foram criados e iniciaram a população da terra a partir de Ile ifé (Ilé-Ifẹ́).


Olódùmarè colocou na nova terra a árvore do dendezeiro (Igi ọ̀pẹ) que daria sombra, bebida, óleo e nozes para comer. Outras árvores também foram plantadas para serem utilitárias para os novos habitantes. A Galinha e o pombo que foram usados para espalhar a terra deveriam agora espalhar as árvores que dariam subsistência aos futuros habitantes.

Os primeiros habitantes da terra teriam a água vinda do coco, uma palmeira, para matarem sua sede. Contudo essa água não se mostrou suficiente e Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) apelou para Olódùmarè por uma solução. Olódùmarè criou então a chuva que passou a cair sobre toda a terra.


Após isso Olódùmarè necessitava habitar o Àiyé e para isso os habitantes do Órun (ọ̀run) teriam que ter um corpo para poderem viver no novo mundo. Mais uma vez Olódùmarè pediu que Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) ficasse encarregado de confeccionar o corpo das pessoas, a partir de barro.


“... Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) foi designado também para um outro trabalho especial. Ele seria o criador dos corpos dos homens para o futuro. Não é claro pela tradição oral quando esse trabalho foi iniciado, contudo, ele aceitou a tarefa.

Sua atribuição foi desde então moldar o físico dos homens a partir da terra da própria terra, do seu barro.

Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) se tornou o escultor divino, mas, o direito de dar vida aos corpos criados era reservado exclusivamente a Olódùmarè.

A instrução dada a Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) era que ele deveria preparar os corpos e deixá-los em uma sala preparada por Olódùmarè e deixar o lugar. Olódùmarè iria para lá e daria o sopro da vida para cada pessoa, completando a criação do homem.

Ao dar o sopro da vida Olódùmarè reserva para ele e somente ele, a capacidade de criar a vida e transmitir o seu axé (aṣẹ́) para cada ser humano. Cada ser humano recebe assim a partícula de vida vinda de Olódùmarè, seu axé (aṣẹ́) e suas virtudes divinas pessoais.
A história conta, ainda, que Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) ficou com inveja de Olódùmarè e queria ele mesmo ser quem dava vida às pessoas.

Ele preparou um plano para espionar Olódùmarè. Uma vez completada a forma que ele devia dar aos habitantes do àiyé, ele se escondeu em um canto esperando a chegada de Olódùmarè. Olódùmarè, contudo, percebeu isso e colocou Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) em sono profundo. Quando acordou o trabalho já estava feito. Desde então Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) se contentou com a parte do trabalho que lhe cabe.


Este texto for retirado do livro “Olodumarê – God in Yorùbá belief” de Abolaji Idowu.

Junto com essa história alguns comentários são pertinentes antes de continuarmos. O primeiro diz respeito a prerrogativa que Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) tem de fazer as formas humanas como ele quer. O nascimento de albinos, corcundas e alijados fazem parte de sua prerrogativa. Assim ele define cores marcas, etc... Alguns mitos sugerem que ele seja um beberrão e que quando bebe faz essas formas não normais.


Esse é um mito vulgar, mas, como toda metáfora serve apenas para indicar que esses desvios que ocorrem são feitos pelo próprio Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) e que ele pode fazê-lo. Os Yorùbá designam como pertencentes a Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) as pessoas que assim nascem.


Outra diz respeito ao envolvimento da divindade da morte Ikú, que é masculina. Quando Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) foi criar as formas do àiyé ele solicitou que pegasse o barro para isso, conforme instrução de Olódùmarè que os corpos fossem feitos da terra do próprio àiyé. Vários emissários foram enviados mas quando chegavam no àiyé, a terra chorava dizendo que não fosse tirado nenhuma parte dela.


Aquilo comovia todos os enviados e ninguém pode trazer a terra para fazer o barro. Ikú se prontificou a ir e pegou terra necessária, prometendo devolver o que fora tirado. Dessa maneira cabe a Ikú, a morte, devolver a terra o corpo de todas as pessoas restaurando assim o que Ikú tira para estes corpos serem feitos. O costume Yorùbá é que os corpos sejam enterrados diretamente na terra para que a terra possa pegar de volta o que lhe foi tirado.


Este é o que chamo de um mito estrutural que, através de uma história cria uma visão metafórica que explica os fatos e fenômenos do àiyé. Existem muitos mitos e versos desta natureza, com a finalidade de estruturar a metáfora da religião sobre a vida.

Sobre a história da gênese existe uma variação muito conhecida e usada aqui no Candomblé. Nesta versão Odùduwà, uma outra divindade, assume a criação do mundo.

Nesse mito Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) muito arrogante não se prepara para a tarefa. Já Odùduwà, consulta Ifá e faz um Ebó (Ẹbọ) preparatório.


No meio do caminho Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá), Exú (Èṣù) faz ele ficar com sede e Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) fura com seu cajado o troco do dendezeiro, de onde sai uma bebida, o vinho de palma, com o qual ele não só mata sua sede como se embebeda desmaiando ao pé da palmeira e não mais acordando.


Odùduwà então volta e relata a Olódùmarè o que ocorreu. Esse então dá para ele a bolsa da criação e pede que ele oduduwa crie o mundo. O resto do mito é igual mas com Odùduwà no lugar de Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá).


Como prêmio de consolação Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) fica com a criação do corpo das pessoas.


Mas, quem foi Odùduwà?


Neste assunto o mito religioso se mistura com o mito histórico. Odùduwà foi um histórico e poderoso líder do povo Yorùbá. Ele migrou de sua terra original, provavelmente no Egito e se estabeleceu nas terras Yorùbá, em Ile-Ìfẹ̀. Ele se estabeleceu em Ìfẹ̀ com seus seguidores e estabeleceu uma proeminente dinastia Yorùbá.


Segundo Idowu, Odùduwà se estabeleceu em um lugar onde já existia um líder local chamado Ọrẹ̀lúéré. Odùduwà se estabeleceu sem prestar qualquer respeito a ele e Ọrẹ̀lúéré preparou um ardil. Ele envenenou um dos filhos de Odùduwà e este teve que chamar Ọrẹ̀lúéré para ajudá-lo, porque Ọrẹ̀lúéré era tido como um excelente médico.

Odùduwà teve que se submeter temporariamente a Ọrẹ̀lúéré para ver seu filho curado e se colocou também sob a proteção de Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá) que era a divindade do local. Os recursos de Odùduwà eram muito superiores, mas, seu estabelecimento não foi feito sem uma fraca oposição dos que já habitavam lá.


A sociedade ògboní foi provavelmente instituída neste período, como uma oposição a Odùduwà, pelas pessoas que já habitam aquelas terras, para poderem preservar seus valores e costumes.


Mas Odùduwà se tornou muito grande e conquistou a terra de Ọrẹ̀lúéré e muitas terras em volta. Quando morreu passou a ser cultuado como um ancestre e depois uma divindade. O nome Odùduwà não pertencia ao homem e sim uma divindade cujo culto foi trazido por ele.

O conflito entre Ọrẹ̀lúéré e Odùduwà, virou o conflito entre Odùduwà e Orixá-nlá (Òrìṣà-nlá), sendo que o primeiro venceu o segundo e se tornou o governante e dono da terra. Com o passar das gerações a história deste conflito se transformou em um mito religioso no qual Odùduwà se torna o criador do mundo. O mito original Yorùbá ficou assim modificado para acomodar questões políticas e históricas.


Segundo Idowu, essa segunda versão não é a gênese original. Surgiu pela necessidade de acomodar a figura de Odùduwà, que se tornou orixá (Òrìṣà) e patrono na nação em Ilé Ìfẹ̀.

Na raiz desta história está o fato de Odùduwà ser cultuado como uma divindade masculina ou feminina dependendo da região Yorùbá onde se esteja. Quando masculina a referência é ao homem, o conquistador e patrono da nação. Quando feminina a divindade trazida por essas pessoas.


Existe a necessidade de mencionar que de fato Odùduwà (também chamado Oòduà) é algumas vezes citado omo “mãe” e venerado como mãe terra em algumas partes da terra yorùbá, especialmente entre o povo de Ègbádò e Kétu. Alguns acadêmicos sugerem que o aspecto masculino de Odùduwà seria um desenvolvimento tardio, refletindo a tentativa de uma nova dinastia legitimar sua hegemonia, substituindo uma divindade pré-existente.

Tudo o que diz respeito a história yorùbá é muito confuso.


No livro “Orun Aiye” de José Beniste existe uma descrição muito boa, bem mais extensa que esta que dei, sobre a história desses 2 mitos. O livro em português deve ser lido por aqueles que querem entender a religião e não vou transcrever aqui nenhum trecho. Não há necessidade. O meu objetivo era explicar a base da gênese Yorùbá e não tenho como deixar de explicar os 2 mitos conflitantes.


Outras versões da Gênese


Existe uma outra versão da Gênese, que considero muito interessante porque é igualmente simpática e bem estruturada. Esta versão está descrita por Osamaro Ibie, mas não foi inventada por ele, já vi uma referência distinta da dele. É uma versão de gênese, mas que coloca orunmila no centro da história. Nesta versão todos os orixá (Òrìṣà) são enviados para criar o mundo mas o único que tem sucesso na tarefa é Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

A versão a seguir é bem longa e certamente vai ao encontro da minha opinião de que ler esses textos sobre a gênese pouco adiciona a religião, são mais uma curiosidade. Contudo é uma versão diferente, bem longa e com muitos detalhes e por isso eu resolvi incluir.
Peço a todos que tratem-na com restrições, como eu disse é mais uma versão e certamente e menos conhecida, repito, estou incluindo aqui pela curiosidade de conhecer um mito alternativo que tem muita riqueza de detalhes.

Esse mito está no livro do Osamaro Ibie, mas, eu já vi em um texto que saiu em uma revista Yorùbá (que não tenho guardado) que, sim, existe essa versão de gênese.
Osamaro Ibie é mais um dos autores Yorùbá contestados o tempo todo por terem tido educação cristã. Mbiti, Idowu estão na mesma classe, mas essas pessoas tiveram contribuições importantes para documentar a religião. Naquela época estudar através de um seminário certamente era a única forma de eles receberem educação. Aqui no Brasil também já foi assim, meu pai foi seminarista e depois saiu, mas se ele não tivesse entrado no seminário jamais teria tido educação formal para poder depois seguir sua vida laica.
O mesmo era lá, com falta de escolas e de oportunidades essas pessoas ou ficavam ignorantes ou estudavam em seminários.

Nada na obra desses africanos que citei me indica que eles tenham deformado a teologia baseado na cristã. A obra deles é de qualidade. Apesar disso existem sim pessoas que uniram a teologia católica com a religião yorùbá formando “igrejas”.

Os livros de Idowu, Mbiti e outros são bons e com conteúdo adequado. Claro que a formação teológica deles influencia a forma como eles analisam e formatam o que escrevem assim como isso ocorre comigo ou com qualquer um, nossas ilações e conclusões sempre serão baseadas na maneira como construímos nossa formação, mas, isso não significa que haja desonestidade intelectual na obra.

Osamaro Ibie publicou uma versão longa, com muitos detalhes que certamente ele inseriu baseado no que conhecia. A versão dele contêm segmentos de histórias que ele depois publicou nos Odù que escreveu. Seu texto de gênese tem o mérito de contar uma história longa baseada no conteúdo amplo dos Odù e não ser apenas uma história isolada. Ela tem muito mais contexto.

O grande defeito dela é colocar Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como o protagonista de tudo, mas, isso, é parte do modo Yorùbá de contar suas histórias. Eles mudam o protagonista para aquele que interessa a sua região ou culto. Assim na região de Obeokuta, por exemplo, Iyemoja é a divindade feminina máxima, lá tudo é ela, ignorando referências de outras regiões para outros orixá (Òrìṣà). Esse é um cuidado que temos que ter quando lemos os autores africanos.

Outra situação é que cada culto coloca o seu orixá (Òrìṣà) como protagonista principal, assim, colocar Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como o centro de tudo é reflexo disso.
Por exemplo, Baba Tunde Lawal é um fabuloso escritor, mas, temos que ter atenção porque tudo dele gira em torno de Iyemoja devido a origem dele. O que em outras regiões seriam coisas de Óxun (Ọ̀ṣun) ou Olóòkun para ele é sempre Iyemoja.

Desta maneira temos que, ao ler, qualquer texto dar esses descontos. O que importa NUNCA é a versão literal ou o significado literal. Tudo são metáforas e a pessoa inteligente tem que entender as histórias, os significados e concluir o que ali é um exemplo ou um conhecimento absoluto de fato. Não é simples.

Vamos então ao longo mito.


Deus desenvolveu um plano para enviar todas as divindades à Terra simultaneamente, mas sem nenhum aviso prévio. Uma bela manhã, portanto, Olódùmarè convidou sua criada ARUGBA a convidar cada uma das Divindades de seus respectivos lares para comparecer no Palácio Celestial na manhã seguinte para uma designação especial.


ARUGBA partiu muito cedo naquela manhã. Porém, antes disso, Olódùmarè havia preparado uma Câmara especial equipada com vários instrumentos com os quais esperava que as divindades realizassem suas designações na Terra. A mensagem de Arugba para cada uma das Divindades era clara. "Meu pai me enviou para convidá-lo a se preparar para uma designação especial amanhã de manhã. Você deve se preparar para partir para a designação assim que a mensagem Divina for dada a você. Você não deve voltar para sua casa antes de embarcar na missão ''.


Acima de tudo, as Divindades entenderam a mensagem literalmente e não se preocuparam em perguntar a seus próprios conselheiros ou tutores como definir a designação que Olódùmarè lhes reservava. Arugba visitou as casas das divindades em ordem de antiguidade, o que significava que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) a mais jovem das divindades, era a última a ser visitada.


Enquanto isso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que costumava fazer uma adivinhação a cada situação, todas as manhãs, era aconselhado por ifa a fazer um banquete naquele dia em particular, antecipando todos os visitantes à sua residência. Quando Arugba chegou à casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), já era muito tarde da noite. Não tendo tomado qualquer refeição desde a manhã seguinte, Arugba já estava com muita fome quando chegou à casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Antes de permitir que ela transmitisse a mensagem divina, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) convenceu-a a fazer uma refeição. Ela comeu com satisfação e depois disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que Olódùmarè queria que ele se apresentasse no Palácio no dia seguinte, acompanhado das outras divindades, para uma missão especial.


Ao apreciar a hospitalidade de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ela confidenciou-o ainda mais, revelando os detalhes da missão que Olódùmarè lhes reservava. Ela o aconselhou a pedir três favores especiais a Olódùmarè, além de quaisquer instrumentos que ele colecionasse na câmara interna de Olódùmarè para sua missão. Ele deveria pedir o camaleão, a galinha de cinco dedos na casa de Olódùmarè e a bolsa especial de Olódùmarè. Veremos o significado desses pedidos especiais posteriormente. Em uma parte final, Arugba disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que, se ele desejasse, também poderia convencer Olódùmarè a deixá-la acompanhá-lo em sua missão. Com estas palavras, Arugba partiu para casa, tendo completado sua tarefa.


Na manhã seguinte, uma após a outra, todas as divindades compareceram ao Divino Palácio de Olódùmarè. Assim que chegaram lá, Olódùmarè ordenou que cada um deles prosseguisse na jornada para a Terra sem retornar a seus respectivos lares. Um após o outro, eles vieram e receberam as ordens da marcha para partir para a terra. As primeiras divindades a chegar à terra logo descobriram que não havia terreno para se pisar. O lugar inteiro ainda estava encharcado. Havia apenas uma palmeira que estava no meio da água, com suas raízes no órun (Ọ̀run), que era a porta do órun (Ọ̀run). A medida que eles iam entrando, eles não tinham mais onde ficar, exceto nos galhos da palmeira1. Foi realmente um período muito difícil.


Antes de deixar o órun (Ọ̀run), cada uma das divindades coletou da Câmara interior de Olódùmarè todos os materiais e instrumentos de sua escolha. São os mesmos instrumentos que os iniciados aos cultos de cada divindade usam para sua iniciação até hoje.


Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegou ao Palácio de Olódùmarè, todos os outros já haviam partido. Quando ele se reportou ao Todo-poderoso, ele também recebeu as ordens da marcha para prosseguir imediatamente à Terra. Foi-lhe dito, como os outros, que colecionassem quaisquer instrumentos que encontrasse na câmara interna. No entanto, todos os instrumentos disponíveis haviam sido coletados pelos outros na época e, como restava apenas uma concha vazia de caracol, ele não teve escolha a não ser segurá-la. Ele então apelou a Olódùmarè que, como não tinha nada a recolher da Câmara interna, deveria receber:


(a) O Camaleão - a criatura mais antiga da casa de Olódùmarè para aconselhá-lo sobre como lidar com os problemas iniciais da habitação terrestre;

(b) O benefício de ir à terra com a galinha de cinco dedos da casa divina de Olódùmarè;

(c) A Bolsa do oráculo de Olódùmarè, para coletar as coisas com as quais ele estava indo;

(d) O privilégio de ir à Terra com Arugba, para lembrá-los das regras do órun (Ọ̀run).


Seus quatro desejos foram atendidos. Quando ele estava saindo, ele colecionou quatro plantas diferentes, que os Bàbáláwo usam para todos os seus preparativos até hoje. Ele também coletou uma amostra das plantas e animais que ele poderia colocar as mãos.


Ele guardou todas as suas coleções dentro da bolsa que Olódùmarè deu a ele. A sacola Divina tinha a misteriosa capacidade de acomodar qualquer coisa que não fosse do tamanho e também de produzir o que fosse necessário.


Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) alcançou o caminho da terra, encontrou todas as outras divindades penduradas nos galhos das palmeiras. Ele também não tinha opção a não ser se juntar a eles.


Depois que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) estava sentado ou em pé no galho de palmeira por algum tempo, Arugba o aconselhou de dentro da Bolsa Divina, onde ela mantinha, para virar a boca da concha do caracol para baixo na água abaixo, porque ela continha o solo básico2. a terra que tornaria o terreno difícil de pisar. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que havia recolhido a concha do caracol vazia da câmara interna de Olódùmarè não conhecia seu conteúdo. Também é óbvio que ele só encontrou a concha do caracol dentro da Câmara Interior de Olódùmarè porque todos os outros a ignoraram. Nenhum deles, exceto ARUGBA, sabia que continha o Segredo da Terra.


Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) virou a concha do caracol para baixo, o conteúdo escasso de areia caiu na água abaixo e a água começou a borbulhar. Dentro de muito pouco tempo, montes de areia começaram a se acumular ao redor do ponto da palmeira. Depois que tantos montões se formaram, ARUGBA mais uma vez falou com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) de dentro da bolsa, desta vez, aconselhando-o a deixar a galinha cair nos montes de areia. Enquanto espalhava os montões, a área do solo começou a se espalhar. É a mesma operação que a galinha ainda está realizando até hoje. Onde quer que a galinha seja encontrada, ela é vista usando os pés para espalhar a areia no chão.


Depois que o terreno foi estendido por uma grande área, as outras divindades, que agora estavam maravilhadas com o misterioso desempenho de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ordenaram que ele descesse e andasse no chão para verificar se poderia apoiá-los.


De novo. ARUGBA aconselhou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), de dentro da sacola, a deixar cair o piso do camaleão primeiro no chão. O Camaleão caminhou furtivamente no chão, por medo de cair sob seus pés. Mas o terreno manteve-se unido, e é o mesmo processo de caminhada cautelosa a que o Camaleão se acostumou até hoje. É por isso que o camaleão pisa suavemente no chão.


Assim que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) teve certeza de que o chão era forte o suficiente, ele desceu à terra do galho de palmeira e sua primeira tarefa foi transplantar as plantas que trouxe do órun (Ọ̀run). Depois disso, todas as outras divindades vieram à terra uma após a outra.


É por isso que a palmeira, cuja primeira criação teve suas raízes do órun (Ọ̀run), é respeitada por todas as divindades. É a raiz de sua genealogia. Todas as divindades se espalham da palmeira para estabelecer suas várias moradas em diferentes partes da terra.

Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), sendo a mais nova de todas as divindades, ficou e serviu a cada uma das mais idosas. Ele serviu OGUN, SANGO, Olóòkun, etc. No curso de sua servidão, uma das divindades apreendeu ARUGBA dele. Assim, ele foi privado de seu consultor-chefe e confidente.


É significativo nesta fase mencionar que o processo de iniciação na religião de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é uma tentativa de comemorar esse processo de deixar o órun (Ọ̀run) e vir ao mundo para se estabelecer entre as palmeiras. A mulher que carrega o IKEN na cabeça para ugbodu é chamada ARUGBA. Tendo em vista que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) nunca se casou com Arugba, também não é aconselhável que qualquer iniciado da IFA se case com a mulher que o seguiu até UGBODU. Da mesma forma, não é aconselhável usar a esposa para a cerimônia, para que a mulher certamente não seja seduzida uma hora depois da cerimônia, seja pela morte ou por outras pessoas.


A presença de Arugba como a única mulher ao redor criou uma série de problemas para as divindades. Um após o outro, eles lutaram para mantê-la. A luta por Arugba logo trouxe à tona o pior das divindades. Os mais ferozes, Sango, Sankpana, Ogun, etc., brigavam entre si com todas as armas à sua disposição. Houve uma confusão completa que levou à acrimônia entre eles. Desta vez, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi o primeiro a voltar ao órun (Ọ̀run) para fazer um relatório a Olódùmarè. O papel de guardião de Arugba perdeu-se para as divindades porque ela havia sido privada da companhia de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) com quem ela veio ao mundo.


Todas as outras divindades haviam se estabelecido com os instrumentos que coletavam da Câmara interior de Olódùmarè. Por sua parte, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) havia perdido o uso de todas as coisas que ele trouxe, incluindo até a bolsa do oráculo que, sem o conselho de Arugba, ele não sabia como usá-lo. Depois de viver uma vida de privação e penúria, ele decidiu voltar ao órun (Ọ̀run) para perguntar a Olódùmarè por que a vida na Terra era tão dolorosamente diferente da vida no órun (Ọ̀run). As quatro plantas que ele trouxe do órun (Ọ̀run) nunca o ajudaram, embora sejam as usadas durante a iniciação da IFA até hoje, e também são usadas para qualquer preparação medicinal feita por Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Quando chegou a hora de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) retornar ao órun (Ọ̀run), ele foi ao pé da palmeira e subiu aos galhos. De lá, ele transfigurou para o órun (Ọ̀run) . De volta ao órun (Ọ̀run), ele era uma das poucas divindades a ver Olódùmarè fisicamente. Olódùmarè, nunca se soube, perdeu a paciência, mas, obviamente ficou irritado ao ver Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Ele pediu desculpas a Olódùmarè, mas explicou as dificuldades que experimentara na Terra nas mãos de seus irmãos divindades. Ele reclamou que, surpreendentemente, as regras do órun (Ọ̀run) não estavam sendo seguidas na terra.

Depois de ouvir o relatório de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), Olódùmarè o liberou para permanecer brevemente no órun (Ọ̀run), mas enviou Elénìnì (o obstáculo), a mais poderosa de todas as divindades, para verificar o relatório de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)3. Quando Elénìnì chegou à Terra, ele assistiu o desempenho das divindades restantes de perto. Ele não estava apenas satisfeito com o relato correto de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), mas com medo de que, com a privação predominante na Terra, as divindades acabassem em guerra uma contra a outra.


Assim que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) partiu para o órun (Ọ̀run), as outras Divindades se recusaram a cooperar umas com as outras. Seu irmão mais novo, que costumava servir a todos, havia partido e nenhum dos outros estava preparado para servir a mais ninguém. A vida tornou-se intolerável, especialmente porque não havia meio de troca comercial. A necessidade de dinheiro se tornou muito evidente. Um após o outro, todos eles voltaram para o órun (Ọ̀run) para relatar a missão impossível. Eles também decidiram que pediriam a Olódùmarè que lhes desse autoridade Divina, axé (àṣẹ), com a qual eles poderiam fazer com que as coisas acontecessem, que servos mortais os servissem e que tivessem dinheiro para negociar.


Ao chegar ao órun (Ọ̀run), eles pediram esses favores e Olódùmarè deu a todos eles, mas prometeu despachar dinheiro depois que eles voltassem à Terra. Todos eles, incluindo Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), receberam ordem de voltar à Terra para completar a missão que haviam iniciado. Desta vez, uma vez que os terrenos haviam sido formados na Terra, era possível retornar pela rota terrestre para a Terra4.


Uma a uma, as divindades começaram a voltar para a terra com seus seguidores humanos. Como eles estavam saindo, nenhum deles se incomodou em descobrir os fatores misteriosos responsáveis ​​pelas dificuldades que haviam encontrado na Terra. Exú (Èṣù), prometeu criar problemas a qualquer divindade que não conseguisse pedir seu apoio antes de retornar à Terra. O Odù Oyeku Meji revelará mais tarde como Exú (Èṣù) desbloqueou os canos de chuva do órun (Ọ̀run) para causar uma precipitação de três anos que impediu as divindades de chegarem a seu destino a tempo. Antes de partir, no entanto, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) procurou o conselho de seu mestre, que lhe disse para não ter pressa para se apossar do dinheiro que Olódùmarè havia prometido enviar ao mundo e oferecer sacrifício a Exú (Èṣù) antes de sair do órun (Ọ̀run), Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez como lhe foi dito.

Antes de partir do órun (Ọ̀run), Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) havia sido aconselhado por Olódùmarè a retornar ao pé da palmeira da qual as divindades pousaram em primeira instância, porque era o fundamento de sua existência na Terra. Assim que as divindades partiram em sua jornada de volta à Terra, uma forte chuva começou a cair. A chuva continuou por vários dias e noites. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), porém, fora aconselhado a não procurar abrigo contra a chuva antes de voltar à terra. Desafiando a chuva, seguiu em frente para construir uma cabana ao pé da palmeira. Todos os outros não encontraram o caminho até depois que a chuva parou, ou seja, mil dias e mil noites depois. Após a redução da chuva, eles encontraram um adivinho chamado Okiti puke, que os aconselhou que eles somente poderiam se estabelecerem adequadamente depois de homenagear a base de sua fundação, que é o pé da palmeira.


Isto tomou lhes tempo para rastrear a localização da palmeira onde Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) já havia estabelecido uma habitação viável. Como ele era o guardião da palmeira, ele colheu os benefícios de todos os sacrifícios feitos por cada uma das divindades ao pé da palmeira.

Depois de todos estarem razoavelmente assentados, o papagaio foi o primeiro a descobrir o monte de búzios que desciam do céu para o chão ao lado da extensão de água que separava o céu da terra. O papagaio alertou as divindades que, sem os devidos preparativos foram extrair dinheiro da pilha e como veremos mais adiante, todos que tentaram extraí-lo morreram sob sua avalanche.


Exú (Èṣù) ainda estava em seu jogo de destruir todas as divindades que se recusavam a reconhecer sua influência e autoridade. Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) viu que todas as outras divindades que corriam atrás do dinheiro não voltaram para casa, ele decidiu ir e descobrir o que estava acontecendo com elas. Posteriormente, ele descobriu que todos haviam morrido sob a avalanche de dinheiro. Ele, portanto, decidiu ouvir seu anjo da guarda sobre o que era responsável pela destruição em massa.


Foi-lhe dito que qualquer um que se aproximasse do dinheiro com ganância e avareza estava fadado a ser destruído por isso porque o dinheiro era sempre um fenômeno faminto. Qualquer um que desejasse aproveitar o benefício do dinheiro tinha primeiro que alimentá-lo. Foi-lhe dito o que fazer para alimentar o dinheiro e como extraí-lo. Ele fez como lhe foi dito e se tornou a única divindade que conseguiu ganhar dinheiro como seu servo. É por isso que um santuário de Ifá assenta com dinheiro e caprichos até hoje.


O sucesso com o qual Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) descobriu o segredo do dinheiro rendeu-lhe a ira das divindades restantes, que recorreram à agressão aberta para destruí-lo. Através de um sacrifício especial revelado por Ejiogbe Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fez seus inimigos lutarem entre si. Ocorreu um completo pandemônio na Terra, com a partilha do dinheiro. Enquanto isso, chegavam ao céu notícias de que havia comoção geral na terra. Olódùmarè enviou a Morte para trazer os responsáveis pelo conflito de volta ao céu, mas ele tentou e falhou. Ele só conseguiu remover os seguidores das divindades, mas não as próprias divindades. Com seus seguidores destruídos pela morte, eles descobriram que não poderiam conseguir muito sem a ajuda de seus auxiliares.


A morte e o dinheiro conseguiram quebrar a espinha dorsal das divindades, porque haviam ignorado totalmente as leis do céu quando chegaram ao mundo. Foi a vez da divindade mais forte, Elénìnì (infortúnio ou obstáculo) chegar e acabar com eles. Ele deixou o palácio de Olódùmarè com instruções claras para voltar ao céu com o resto das divindades. Ele saiu com seu Akpo-minijekun para coletar todos eles e trazê-los de volta ao órun (Ọ̀run).

Enquanto isso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fazia sua adivinhação diária uma manhã e viu que a catástrofe estava se aproximando. Ele foi aconselhado pela Ifá a preparar um banquete elaborado para um visitante poderoso que vinha do céu. Foi-lhe dito que ele teria uma placa aparecendo no horizonte três dias antes da chegada do visitante. No dia da chegada do visitante, ele deveria reunir todos os seus seguidores e dançar em procissão de sua casa até a prefeitura, onde eles dançariam e cantariam em louvor ao visitante ilustre. Da prefeitura, ele deveria convidar o visitante para sua casa para um banquete. Essa era a única maneira de ele se salvar da catástrofe iminente.


Ele fez o que lhe disseram. Cerca de sete dias depois, ele viu uma estrela vermelha aparecendo no céu e percebeu que o visitante estava a caminho. Ele fez a preparação que havia sido aconselhado a fazer e estava em um estado máximo de preparação - desconhecido para ele, o visitante já estava no mundo. Desgraça, a divindade, a mais poderosa de todas, estava por perto.


Seu primeiro porto de chegada foi na casa de Ogun. Ele conheceu Ogun em sua oficina e rapidamente o transformou em uma folha e o embolsou. Ele fez o mesmo com todas as outras divindades nos três dias seguintes. No terceiro dia, ele aprisionou todos eles dentro de sua bolsa e estava na hora de ir para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).


Enquanto se dirigia para a casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), ele conheceu uma longa procissão de cantores e dançarinos. Deram-lhe Obi para comer e água para beber, chamando ele de o pai de todos e a divindade mais próxima do Deus Todo-Poderoso. Pela primeira vez desde que chegou ao mundo, o infortúnio sorriu. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) então saiu e disse a ele que suspeitava que devia estar com fome e que havia preparado um banquete para ele. Ele os seguiu para casa no início da procissão, em meio a cantos e danças. Ao chegar à casa de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), o visitante celestial se deliciava com todas as suas comidas e ele estava extremamente feliz. No final do banquete, ele observou que se todas as outras divindades fossem tão magnânimas quanto Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), o órun (Ọ̀run) não teria sido repleto de notícias de atrocidades na Terra. Ele disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores que Olódùmarè não projetou o mundo para ser um antônimo, mas com um sinônimo do céu5. Ele relatou que Olódùmarè estava determinado a destruir o mundo, em vez de permitir que ele continuasse, é uma vergonha para a bondade da imagem e reflexão de Deus.


Ele se perguntou se Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), com sua sabedoria, poderia torná-lo um lugar melhor, ele respondeu que a tarefa não era fácil, mas que continuaria a fazer o seu melhor6. Com isso, o infortúnio deu a ele a bolsa contendo todas as outras divindades e proclamou que a partir de então ele deveria ter autoridade sobre todas elas. Isso explica por que os únicos adivinhos que têm sucesso nos caminhos do céu são aqueles que têm o apoio e a cooperação de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) até hoje. Seja sacerdote Ogum, sacerdote Olóòkun, sacerdote Sango, etc, a menos que eles tenham o seu próprio Ifá, eles não têm a bênção do céu. Caso contrário, eles serão vítimas de todos os tipos de obstáculos7.

Assim que as divindades recuperaram sua liberdade, voltaram aos seus feudos fratricidas. Eles ficaram particularmente irritados com o fato de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ter conseguido sua salvação das mãos frias do infortúnio.


As notícias de suas atrocidades continuaram a ir para o céu. Olódùmarè foi informado de que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) era a única divindade que estava cumprindo as leis do órun (Ọ̀run) no Aiye. Deus então convidou a palmeira a ir à Terra para fornecer uma plataforma para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) retornar ao céu com seus seguidores. Uma noite, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi convidado por seu anjo da guarda para subir em uma palmeira que subitamente crescera na frente de sua casa. Ele recebeu três dias para se preparar. Ele subiu na palmeira e pediu a todos os seus seguidores que o seguissem. Quando chegaram ao topo da palmeira, todos foram absorvidos pelo órun (Ọ̀run). Assim que todos estavam em segurança no céu, Olódùmarè liberou o dique que estava segurando a chuva no céu e a subsequente chuva torrencial inundou e consumiu o mundo.


Esse foi o fim da divinosfera e da primeira tentativa de encontrar habitação na terra; pode-se ver pela análise anterior que o mal desempenhou muito pouco ou nenhum papel na destruição do mundo.


Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) revela que sete gerações se passaram no órun (Ọ̀run) antes que Olódùmarè decidisse embarcar em um segundo experimento para a habitação da terra. As divindades argumentaram que a primeira tentativa falhou porque havia muitos cozinheiros preparando a sopa. Deus cedeu às sugestões das divindades e decidiu dar a cada uma delas a chance de esgotar suas capacidades; foi Elénìnì, a divindade do infortúnio, que propôs que Ogun, o engenheiro, deveria ter a primeira tentativa. Ogun aceitou o desafio e decidiu, sem demora, sair para a missão. É por isso que ele é considerado o descobridor de caminhos do universo.


Alagbede (Ògún), a Divindade Metal / ferro, o ferreiro, foi então enviado por Olódùmarè para preparar o caminho para os outros. Como ferreiro da divinosfera (o mundo das divindades), ele deveria estabelecer a infraestrutura para que outros pudessem construir no mundo. Ele foi enviado com 200 seres humanos (homens e mulheres) para habitar o mundo. Ògún, no entanto, era tão egocêntrico que não viu sentido em consultar ninguém no céu em busca de conselhos antes de partir com seus seguidores em sua missão. Ele partiu para a terra com seus 200 seguidores sem se preocupar em fazer os preparativos adequados para alimentar seus seguidores na terra. Ele achava que fundar uma habitação em um ambiente virgem era como ir à guerra. Ògún também é a divindade guerreira. Quando ele vai para a guerra, ele fica sem fazer qualquer provisão para alimentação. Ele alimenta seu exército das pilhagens que faz ao longo do caminho da guerra. Ele partiu para a terra na mesma suposição.


Tão logo cruzaram a última das sete colinas antes dos limites do céu, chegaram à zona cinzenta entre o céu e a terra. A zona cinzenta é chamada Hades, que é o lar dos Àbíkú, do Ẹgbẹ́ (Ẹgbẹ́) órun (Ọ̀run). A partir de então, eles se mudaram para a zona escura da fronteira, onde não há sol. É chamado Erebus8. Muitos viajantes costumavam se perder nessa zona no momento em que as pessoas viajavam livremente entre o céu e a terra. Agora, ele se aproxima da escuridão do útero feminino para os viajantes que vêm ao mundo9.


Ao chegar à terra, ele colocou seus homens para trabalhar sem demora, preparando moradas e estradas temporárias. Na manhã seguinte, seus 200 seguidores mortais perguntaram o que eles iam comer. Como não havia comida por perto, ele lhes disse para cortar ramos do mato ao redor para comer. Eles comiam o mato mais isso não os saciava. Em 14 dias, ele havia perdido mais da metade de seus seguidores mortais por fome. Ele ficou sem opção a não ser recuar para o órun (Ọ̀run) com os remanescentes fracos para dizer a ele que não tinha comida para alimentar seus seguidores. Foi assim que Ogun desistiu de sua missão e retornou ao órun (Ọ̀run).


Em seguida, Deus convidou a divindade da água (Olóòkun) para ir ao mundo, para fundar uma habitação auxiliar lá. Ele também recebeu 200 pessoas para acompanhá-lo ao mundo. Como Ògún antes dele, Olóòkun também partiu sem fazer os preparativos adequados para a viagem. Ao chegar à terra, os seguidores da divindade da água também perguntaram a ele o que eles deveriam se alimentar e ele lhes deu água para beber, o que não lhes deu nenhuma satisfação nutricional. Quando seus seguidores foram despovoados pela fome, Olóòkun, como Ògún antes dele, voltou ao céu para relatar o fracasso de sua missão.

Deus convidou várias outras divindades para a designação, mas eles educadamente recusaram-se a ir, pois duvidavam que tivessem alguma chance. Olódùmarè finalmente convidou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) (a divindade da sabedoria) para tentar. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) imediatamente procurou o conselho dos anciãos celestes que o aconselharam a procurar a ajuda de Exú (Èṣù). Ele fez um sacrifício a Exú (Èṣù), que o aconselhou a vir ao mundo com uma bagagem composta por amostras de todos os alimentos, pássaros, répteis, animais etc. disponíveis no órun (Ọ̀run).


Ele colecionou todos esses itens em sua sacola de adivinhação e conseguiu que seus seguidores os levassem com ele para o mundo. Esta bolsa misteriosa tem duas características espetaculares. Leva o que quer que seja colocado nele sem peso e produz o que é exigido dela.


Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) cometeu o erro inicial de não procurar conselhos de seus colegas seniores, Ògún e Olóòkun, que antes haviam feito tentativas abortadas de fundar o mundo. Quando ele partiu em sua jornada do orun, Exú (Èṣù) foi ridicularizar Ogun e Olóòkun por Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ter procurado e obter autorização dele antes de partir para o mundo e que ele teria sucesso onde eles fracassassem. Ele revelou a eles que o fracasso deles foi o castigo por não procurar e alistar seu apoio antes de ir para a terra. Ele os lembrou do ditado celestial de que o cão segue apenas aqueles que o tratam com benevolência.

Por inveja e raiva, o Ògún causou uma floresta densa para bloquear o caminho que ele havia feito anteriormente ao mundo. Ao chegar a esse ponto, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores não puderam prosseguir porque não possuíam os instrumentos para abrir caminho pela densa floresta. Enquanto esperava, o rato se ofereceu para abrir a trilha para o caminho. Na verdade, ele abriu o caminho, mas, sendo um animal pequeno, o caminho que ele abriu não era amplo e alto o suficiente para fornecer espaço para a figura humana.

Foi nessa fase que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) enviou pedido de ajuda para Ògún para ajudá-lo. Ogun apareceu e repreendeu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por não ter contado a ele antes de partir para o mundo. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pediu desculpas instantaneamente a Ògún e explicou que, longe de ignorá-lo, ele havia enviado Exú (Èṣù) para informá-lo (Ògún) de sua iminente jornada à Terra. Quando Ògún lembrou-se de que Exú (Èṣù) realmente o havia informado, ele desceu e concordou em limpar a rota que havia bloqueado. No entanto, ele alertou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que, enquanto estiver na terra, ele deveria alimentar seus seguidores com a mesma comida (palitos) com a qual ele (Ògún) havia alimentado seus seguidores durante sua breve estada na terra; com isso, a floresta foi derrubada e Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) continuou sua jornada com seus seguidores.


Antes de chegarem a Erebus, os limites do céu e da terra, Olóòkun também fez com que um grande rio interceptasse o caminho anteriormente construído por Ògún para o mundo. Quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores chegaram à margem do rio, eles não puderam continuar sua jornada. Depois de vagar por algum tempo, Olóòkun apareceu e perguntou a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por ousar partir para o mundo sem dizer a ele. Mais uma vez Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pediu desculpas a Olóòkun e explicou que ele havia realmente enviado Exú (Èṣù) para lhe contar sobre sua proposta de viagem à Terra antes de partir. Lembrando que Exú (Èṣù) de fato havia lhe dito, Olóòkun perdoou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e instantaneamente secou o rio para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seu grupo seguirem para o mundo. Antes de partir, no entanto, Olóòkun ordenou que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) fizesse o que ele fazia, alimentando seus seguidores com água quando ele chegasse ao mundo. Com essas injunções, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) entrou no mundo.


O ponto em que eles entraram no mundo era uma floresta densa, então ele rapidamente conseguiu que seus seguidores construíssem moradias improvisadas enquanto estavam ocupados plantando as colheitas que trouxera do céu. Enquanto eles estavam sendo plantados, Exú (Èṣù) interveio e os fez crescer e dar frutos no mesmo dia. Na manhã seguinte, as colheitas estavam prontas. Estes incluíam milho, banana-da-terra, inhame, etc. e uma variedade de frutas. Os pássaros e animais que eles trouxeram também se multiplicaram da noite para o dia através das maquinações de Exú (Èṣù) e estavam prontos para o abate ao amanhecer.


De manhã, os seguidores de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) se reuniram para pedir sua comida. Em deferência ao compromisso que ele deu a Ògún no céu para alimentar seus seguidores como ele fez, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) deu palitos a todos os seus seguidores para comer. Em seguida, ele também respeitou os desejos de Olóòkun, dando-lhes água para beber. Isso é muito simbólico, porque a partir de então se estabeleceu a tradição de que o ser humano começa o dia mastigando paus para limpar os dentes. Isto é seguido pelo uso de água para desde suas bocas. Essa tradição subsiste até hoje, embora com pequenas modificações com o uso de escovas e cremes dentais - que ainda se aproximam do bastão de mascar. Depois de escovar os dentes, a água ainda é usada para enxaguar a boca.


Depois de dar a seus seguidores varas e água, eles ainda estavam pedindo mais comida. Ele lhes disse para irem à fazenda que depois florescera e colheriam alimentos para comer. Eles tiveram um dia de campo e começaram a comer todas as descrições de comida para o conteúdo de seus corações. Os animais e pássaros também estavam disponíveis em abundância para fornecer carne para todos eles. Depois disso, eles ficaram felizes na terra como seus primeiros habitantes.


Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) depois viajou para o céu para relatar seu sucesso para Olódùmarè, e todas as outras divindades começaram a vir ao mundo uma após a outra com seu séquito de seguidores, veremos nos próximos capítulos e volumes que as realizações de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) lhe provocou inimizade de outras divindades. Essa é a inveja interminável no mundo hoje entre praticantes e gente a toa, excelência e indolência, sucesso e fracasso e todas as outras forças positivas e negativas que afetam a vida humana. Explica por que aqueles que se esforçam para ter sucesso sofrem o descontentamento daqueles que tentaram e falharam ou daqueles que se recusaram a tentar10.


É importante, nesta fase, lembrar que tudo o que fazemos que nos beneficia na vida é uma função da divindade orientadora acompanhada ao mundo por nossos ancestrais originais que estabeleceram a habitação humana na Terra. Os seguidores de Ifa hoje são descendentes do primeiro conjunto de seres humanos que seguiram Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ao mundo. O mesmo acontece com Ògún e seus seguidores, Xangô (Ṣàngó) e seus seguidores, Olóòkun e seus seguidores, Omolu e seus seguidores, etc. etc.

Enquanto isso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) voltou ao céu para relatar o sucesso de seus esforços ao Pai Todo-Poderoso. Ao voltar para o órun (Ọ̀run), Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) relatou o sucesso de sua missão primeiro para Olódùmarè e, finalmente, ao Conselho das Divindades. A notícia de seu sucesso foi recebida com murmúrios de inveja e marcou o início do fim da estreita afinidade que existia anteriormente entre as divindades.


À frente das mais agressivas divindades esta a divindade da morte Ìkù quem é responsável pela morte de todos os seres criados por Olódùmarè. De fato, vemos que ele é a única divindade que se alimenta diretamente dos seres humanos e que era a mais feliz entre todas as divindades quando o homem foi criado por Olódùmarè. Ele exclamou na criação do homem: “finalmente Deus criou um alimento básico para mim”. Ele atinge suas vítimas através de quatro das divindades mais agressivas. O primeiro deles é Ògún, responsável por todas as destruições resultantes de conflitos, incêndios, guerras e acidentes. Ele mata pela massa de massa. Há o Xangô (Ṣàngó), que também destrói apenas quando sua vítima viola as leis naturais. Há a Omolu que destrói indiscriminadamente através de epidemias. A doença é a esposa da morte e quem destrói os seres por eutanásia. Há também a Divindade da Noite, as bruxas, que destrói seres inocentes em massa. Todas essas divindades são criadas por Deus e recebem seus poderes destrutivos por Deus. Veremos que a mais poderosa de todas as divindades criadas por Olódùmarè é a desgraça ou o obstáculo - Elénìnì. Ele é o mais próximo divinamente de Olódùmarè porque é o guardião do palácio divino de deus.


A maioria dessas divindades imediatamente assumiu uma postura agressiva no momento em que souberam que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) havia roubado o show delas. Eles imediatamente juraram ir e destruir o mundo estabelecido por Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). De sua parte, ele rapidamente procurou Exú (Èṣù) em busca de ajuda, que lhe disse para não se preocupar, Exú (Èṣù) garantiu a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que as divindades belicosas se destruiriam antes de destruir o mundo criado por ele. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) também foi a divindade do obstáculo, Elénìnì e festejou-o laboriosamente para obter seu apoio e cooperação.


Enquanto isso, todas essas divindades começaram a fazer arranjos para sua viagem à terra. O Odù Oyeku meji mais tarde nos revelará como todos partiram para o mundo e levou três anos para chegarem lá.


Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) havia sido aconselhado na adivinhação para garantir que ele fosse o último a partir para a terra. Ele também foi avisado de que haveria uma chuva muito forte na terra que duraria mil dias e noites. Ele deveria desafiar a chuva e não se abrigar antes de chegar ao seu destino.


Uma após a outra, todas as divindades partiram para a Terra. Ao chegar ao limite do órun (Ọ̀run) e da terra, eles descobriram que tinham que atravessar o último rio no órun (Ọ̀run) com uma pequena ponte de corda que só podia acomodar um passageiro de cada vez. Levou algum tempo para atravessar para o lado terrestre do rio. Ao chegarem a Erebus, a terra da escuridão contínua, eles descobriram que estava chovendo e todos começaram a procurar abrigo onde quer que pudessem encontrar um. Todos os seus projetos de destruição do mundo haviam evaporado no ar como resultado das dificuldades que encontraram no caminho, que foram inventadas por Exú (Èṣù).


Entre as divindades amigas que estavam do lado de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) estavam ilé (casa) e Ìgèdè (encantamento). A Casa que não se move, disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para carregá-lo em sua sacola de Adivinhação. O encantamento, que não tem membros, disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) que a batalha que o esperava na terra seria muito dura. Portanto, ele aconselhou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) a levá-lo junto, engolindo-o para que tudo o que ele dissesse acontecesse. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) concordou com os dois pedidos.

Como recomendado, ele esperou que todas as divindades agressivas partissem para a Terra. Antes de partir, quando chegou à margem do rio, encontrou apenas um, era a rainha da bruxaria (chamada lyami Osoronga). Ela estava fraca demais para atravessar a ponte. Ela implorara a todas as outras divindades para ajudá-la a atravessar a ponte, mas todas se furtaram, porque tradicionalmente tinham medo dela. Quando ela viu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) chegando, ela implorou para que ele a ajudasse, mas ele respondeu dizendo que a ponte só podia levar um ocupante de cada vez. Ela então propôs que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) deveria abrir a boca para ela voar para dentro, prometendo sair no final da ponte. Com isso, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) concordou em obedecer. Ele ignorou o fato de que ela era uma das divindades que juraram destruí-lo na terra.


No fim da ponte para o Àiyé, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) disse-lhe para sair, mas ela recusou, alegando que o estômago dele era uma morada adequada para ela. Ele blefou que ela morreria de fome dentro de seu estômago, mas ela o interrompeu dando uma mordida no intestino dele, dizendo-lhe que todos os alimentos básicos (coração, fígado, intestino etc.) eram abundantes dentro dele.


Percebendo o risco que assumira, ele rapidamente usou seu instrumento de adivinhação para procurar uma solução. Ele tirou uma cabra da bolsa, matou e cozinhou. Tendo preparado, ele a convidou para sair para comer, mas ela disse que só podia comer em privado. Ele pegou um pano branco e fez uma barraca improvisada com ele. Ela então saiu e se escondeu dentro da tenda e se alimentou da carne de cabra.


Enquanto desfrutava de sua refeição, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) desapareceu na escuridão de Erebus, enfrentando a chuva e, sem olhar para trás, continuou sem parar em sua jornada.

Ele conheceu todas as divindades se abrigando em um ponto ou outro na beira da estrada. Em consonância com os conselhos que recebeu no céu, ele continuou sua jornada sob a chuva até chegar ao seu destino. Ele foi felizmente recebido por seus seguidores, que estavam começando a se perguntar por que ele havia demorado tanto tempo a voltar.

Ao chegar em casa, ele disse a Ìgèdè e Ilé para descerem. Ilé desceu, mas morreu instantaneamente, enquanto Ìgèdè lhe disse que ele seria mais eficaz dentro de seu estômago. Isso explica por que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é considerado o patrono dos encantamentos e a única divindade capaz de conjurar com a palavra falada.


Ele disse a seus seguidores para preparar um túmulo adequado para Ilé. Enquanto ele estava em estado à espera de ser sepultado, ocorreu a ocorrência mais maravilhosa desde o estabelecimento do mundo. De repente, fileiras de casas começaram a surgir por todo o assentamento, semelhante ao tipo de casas que eles têm no céu.


Esse foi o começo da fundação arquitetônica do mundo, no lugar das cabanas anteriormente construídas pelos seguidores de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), edifícios palaciais começaram a surgir por toda parte.


Aqueles que se abrigaram contra a chuva, acamparam permanentemente em todos os tipos de locais esquálidos pela longa duração da chuva. Quando a chuva cessou, eles estavam tão acostumados a suas acomodações improvisadas que não viram sentido em sair deles. É por isso que divindades como Ògún, Xangô (Ṣàngó), Olóòkun , Oya, Omolu, etc. têm seus santuários fora de casa até hoje. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) , sendo o único que veio direto para casa desafiando a chuva, é a única divindade (além de Orisa Nla que veio depois) sendo localizada e servida no lar.


Recorde-se que as divindades agressivas que vieram com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) ao mundo o fizeram com uma determinação: vir e destruir o mundo que ele havia construído. Infelizmente para eles, eles estavam mal preparados para a viagem porque não obtiveram autorização formal de Olódùmarè antes de deixar o órun (Ọ̀run). Ao chegar ao mundo, eles logo descobriram que sem a autoridade de Deus, eles não poderiam cumprir sua missão. Eles então se reuniram e decidiram voltar ao órun (Ọ̀run) para obter a devida liberação de Deus. Liderados por Ògún, o mais antigo de todos, partiram para o órun (Ọ̀run).


Ao chegar ao palácio de Olódùmarè, eles pediram a autoridade Divina – axé (àṣẹ) com a qual fazer e desfazer. Visto que Deus não recusa nenhum pedido, ele deu-lhes e todos eles renderam seu próprio axé (àṣẹ) a Ògún para tomar a custódia deles. Qualquer um que quisesse usar seu próprio axé (àṣẹ) foi a Ògún para coletá-lo e devolvê-lo depois de usá-lo.

Com esses instrumentos de autoridade, eles começaram a criar todo tipo de problemas para Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores, que por sua vez começaram a fazer todo tipo de sacrifício para se defender dos desígnios malignos das divindades agressivas. Quando chegou ao ponto em que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores estavam usando todo o seu dinheiro para fazer sacrifícios para dissipar as maquinações perversas das divindades, ele decidiu perguntar ao anjo da guarda o que fazer a respeito. Ele foi aconselhado a preparar um encanto especial, agora chamado de gbetugbetu. Depois de prepará-lo, ele deveria usá-lo para visitar Ògún e ordenar que ele entregasse todas os axé (àṣẹ) que ele tinha sob sua custódia. Com esse encanto, é possível conjurar alguém para se comportar conforme as instruções do usuário.


Ele preparou o feitiço de acordo com as instruções e fez uma visita a Ògún. Ao chegar à casa de Ògún, Orunmila disse que ele veio recolher todos os axé (àṣẹ) com ele. Sem qualquer hesitação, Ògún foi ao seu tesouro, levou todos eles e os entregou a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Com as axé (àṣẹ) nas mãos, Orunmila saiu de casa e, quando chegou em casa, engoliu todas elas.


Cinco dias depois, Ògún queria usar seu próprio axé (àṣẹ) e foi ao seu tesouro buscá-lo. Para sua surpresa, ele descobriu que não era apenas o seu próprio lugar, mas todo o lote pertencente às outras divindades também havia desaparecido. Ele tentou se lembrar de quem o visitou durante os últimos cinco dias, mas, como sua memória havia falhado, ele decidiu verificar as divindades. Ele foi primeiro a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para perguntar se foi ele quem veio recolher os axé (àṣẹ) dele. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) negou jamais visitá-lo e muito menos coletar os axé (àṣẹ) dele. Com o desaparecimento do axé (àṣẹ) das Divindades, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e seus seguidores tiveram um pouco de descanso e começaram a viver felizes e pacificamente.


Assim que um firme fundamento foi estabelecido para habitação permanente na terra; mais habitantes do céu começaram a fazer visitas frequentes à terra. Aqueles que acharam o Céu insuportável para viver escaparam para o mundo. Outros saíram de curiosidade.

Inicialmente, durante muito tempo, foi possível caminhar sobre os pés do céu para este mundo e voltar; foi o apelo do gênero feminino a Exú (Èṣù) que encerrou a passagem física entre o céu e a terra; anteriormente, era possível sair o céu e chegar ao mundo com lembranças claras do que quer que se deseje realizar na terra, foram Exú (Èṣù) e Elénìnì que bloquearam a passagem da memória.


Quando as divindades partiram para o céu, uma após a outra, deixaram seus seguidores e descendentes para manter a vida na terra, já vimos: o conflito que caracterizou a coabitação terrestre das divindades. Quando voltaram ao céu, um após o outro, os conflitos se tornaram ainda mais ferozes entre os mortais leigos. Isso explica as lutas, guerras, traições, comoções e destruição mútua que subsistem entre os habitantes desta terra até hoje. Foi assim desde o começo e assim permanecerá até o fim dos tempos. Não é inteiramente culpa dos homens. É um reflexo do conflito sem fim entre o bem e o mal.

Esse mito tem os mesmos elementos dos anteriores mas colocando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) como centro dos acontecimentos, isso é bem típico dos yorùbá, que dão importância a divindade que querem dar.


Nessa versão, os orixá (Òrìṣà) descem ao Àiyé através de uma árvore e não de uma corrente, é curioso que essa mesma árvore surge no mito seguinte, do Benin.

Uma versão também interessante do Benin, situado a leste da terra yorùbá (não é o Dahomey). Vou citar esta versão porque existe uma grande influência entre esses 2 povos, os Yoruba e os Bini.


Em sua gênesis, os Bini acreditam que Òsànóbùa, sua divindade principal, e Anume, sua esposa, tiveram 3 filhos, chamados, Òblẹ́mwẹ̀n, Olóòkun e Òglùwú. O costume Bini estabelece a superioridade de machos sobre as fêmeas e desta forma Olóòkun assumiu uma posição de superioridade em relação a sua irmã Òblẹ́mwẹ̀n. Um dia Òsànóbùa enviou seus 3 filhos com o poder e a missão de criar o mundo. Naquele tempo o mundo era uma imensidão sem fim de água, que tinha apenas uma árvore Ikhinmwin (igual a um Akoko).

No alto desta árvore vivia um pássaro chamado Ọ̀wọ̀nwọ̀n


A cada uma dos filhos foi dado a opção de escolher um presente para ir com eles junto com a canoa que eles deveriam tomar. Os dois mais velhos escolheram a prosperidade e ferramentas de trabalho. O mais novo se preparou para escolher suas ferramente quando o pássaro pediu para ele levar com ele uma conha.


Quando a canoa chegou ao centro das águas, o mais jovem virou a concha e uma quantidade sem fim de areia saiu dela. Dessa maneira a terra começou a se espalhar sobre as águas. Eles ficaram com receio de sair da canoa e mandarem um camaleão examinar se a terra era firme. O lugar onde a terra emergiu foi chamado de Agbon, “o mundo”, um nome que foi trocado para a Agbor, hoje uma cidade a lesta da cidade do Benin.

Òsànóbùa, desceu por uma corrente até o mundo recém-estabelecido e demarcou o mundo. Foi de lá que as pessoas foram enviadas para os 4 cantos do mundo, para cada país e cada geografia. Ele fez então o seu filho mais novo como o responsável por Benin, dono da terra e estabeleceu o seu próprio reino como sendo o mundo espiritual, através das águas onde o céu se encontra com o mundo.


Òsànóbùa, ficou estabelecido em seu palácio no mundo espiritual e para a humanidade é um deus remoto, primariamente preocupado com o mundo espiritual, tendo delegado a seus filhos o cuidado do mundo físico, ou natural. Não existe culto a Òsànóbùa. Òsànóbùa é apelado somente em última instância, quando tudo o mais já falhou. Ele nunca demanda oferendas.

Existe um assentamento para Òsànóbùa, ele é composto apenas de um longo poste ficando em um monte de areia e no alto uma roupa branca que tremula no vento como uma bandeira.

Para Òblẹ́mwẹ̀n foi dado o controle sobre o nascimento e a agricultura, ela é chamada a esposa da terra, mãe de todos os seres humanos e seres vivos. Olóòkun recebeu o poder de doar a prosperidade e Òglùwú o poder da morte. Òsànóbùa então enviou Olóòkun para ser o rei do mar


Como podem observar o mito da criação dos Bini é bastante parecido com o mito Yorùbá da gênese e apesar de existirem variações nos personagens Yorùbá.


O teólogo, acadêmico e pesquisador Mbiti, que escreveu vários livros sobre a religião africana, defendia uma tese, a qual explicava, de que havia uma “religião africana”.

Devo lembrar que ao falarmos de África, um continente enorme, temos sempre que nos situar geograficamente. Existem várias formas de ver a África, eu adoto a seguinte:

A África é composta da parte norte, chamada de Saariana, ou Magrebe, que é uma região desértica formada de povos árabes e atualmente predominantemente muçulmanos.

Logo abaixo existe uma faixa intermediária que vai do atlântico ao mar vermelho, que é uma zona de transição entre o Magrebe e a África sub-saariana, chamado de Sahel.

Abaixo do Sahel fica a África negra, se estende por todo o continente entre o atlântico e o índico, até o chifre da áfrica no extremo sul.


Essa região tem ainda divisões. A áfrica central e ocidental, a das florestas úmidas fica entre o Sahel, ao norte, o atlântico ao oeste e a leste a áfrica oriental e ao sul a áfrica meridional, que é a África das savanas.


Na África oriental ficam a Etiópia, Uganda, Tanzânia, Somália e outros países.

Na África das savanas, a África meridional, temos África do Sul, Angola, Moçambique, Zâmbia, e outros.


Na figura abaixo isso esta aproximadamente mostrado, lembrando que, como eu disse existe mais de uma forma de dividir a África, a abordagem geográfica, tipo, norte, sul, ocidente, oriente, etc.. não é a melhor, eu, entendo que existe um agrupamento que considera similaridades culturais e assim, uso esse de Magrebe, Sahel, África Central, África meridional e África oriental.


Em 100% das vezes que eu cito África, no contexto de religião ou mesmo no contexto relacionado com nos no novo mundo, estou me referindo a, primeiro, a África negra, segundo a África Central, a das florestas, a África úmida.



 


John Mbiti, se focava nessa região de África que eu citei. Na posição dele, havia, acima de tudo, uma religião africana, ou seja, uma identidade religiosa comum. Apesar das variações e divisões regionais ligadas a cada etnia, ele, em sua análise, via elementos comuns que ligavam as manifestações e práticas religiosas. Dessa forma, apesar de perecerem várias religiões, na verdade, elas seriam uma só, com um corpo teológico comum e que se manifestavam na prática de formas.


Seus livros analisavam as religiões de várias etnias e destacavam esses aspectos comuns. Ele. Mbiti, é conhecido por defender essa posição, o que não quer dizer que todos aceitem isso, mas, Mbiti assim o pensava e defendia.


O contexto de eu citar isso é sobre a similaridade desta questão de origem do mundo natural, onde encontramos mais de um mito e similaridades entre religiões de etnias distintas.

Antes de encerrar é importante citar que Orisa-nla, apesar de ter tido grande importância e relevância na questão da criação do mundo e das pessoas, de acordo com alguns dos mitos que citei, não tem nenhuma posição hierárquica em relação aos demais orixá, dentro do panteão yoruba.


Palavras finais sobre a gênese

Como disse no início esse mitos apenas servem para mostrar que esta é uma religião original, de raiz e que não está ligada a nenhuma outra. Os mitos da gênese são apenas uma história de criação do mundo, a origem das coisas e não trazem em si, nenhum grande fundamento teológico.

Eu incluí nesse texto com esse intuito, dar acabamento a tudo. Não vejo nada mais importante nesses mitos do que isso. Os cristãos entendem que sua gênese seja um fundamento e isso virou uma disputa histórica com a ciência entre criacionistas e evolucionistas.

No caso yorùbá, como eu disse, tudo é metáfora, não entendam isso de forma literal e não importa para nós, de fato se aparecemos no mundo ou se nascemos de uma minhoca. Isso não é relevante a uma religião.


Uma religião é importante pelo que ela faz com as pessoas, como ela as transforma para o seu bem e para o bem da sociedade.


1Notar a semelhança com o gênese de Benin, onde também havia uma árvore no meio de toda a água, mas lá, ela não era usada para o acesso ao órun (Ọ̀run).

2Mais uma vez semelhança com o mito do Benin

3Notar que é claro e evidente que Olódùmarè não é onipresente ou onisciente. Ele necessita de informantes para saber o que está ocorrendo no mundo.

4O Aiye e o órun (Ọ̀run) eram ligados

5Interessante comentário que mostra que a vida na terra é semelhante a vida no orun

6Mais uma referência interessante sobre a missão dos babalawo

7Sem duvida interessante, mas, claramente, um corporativismo de Ifá

8Os nomes hades e erebus não são Yorùbá. Não se fixe no nome que ele deu e sim no conceito de existir essa região

9Refrerência ao útero como sendo a passagem entre o órun (Ọ̀run) e o Àiyé

10É importante observar que essa inveja e raiva atribuída aos demais orixás contra Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) é parte da analogia entis, o uso de divindades para espelhar a natureza humana de deus e permitir o ensinamento do melhor caráter (Ìwà).



CONTINUA EM PARTE 4



PROXIMOS TEXTOS

- O COSMO METAFÍSICO YORUBA

- A CONTRIBUIÇÃO DA RELIGIÃO PARA A SOCIEDADE

- ENTRE DOIS MUNDOS

- ORUN, O MUNDO ESPIRITUAL

- O MUNDO NATURAL, O AIYE

- O QUE SÃO OS ORIXÁ

- OLODUMARE DA O PODER AOS ORIXÁ

- OS CULTOS DA RELIGIÃO

- A RELIGIÃO NO BRASIL