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sexta-feira, maio 29, 2020

Olóòkun e as crianças de orixá (Òrìṣà)

Introdução

Esta história sobre Olóòkun é bastante interessante. Foi extraída de um verso de Ifá e não diz respeito a Olóòkun ela tem uma mensagem poderosa que quero trazer aqui.

Como eu sempre falo mensagens tiradas de versos de Odù são muito complicadas porque uma mesma situação tem recomendações diferentes para pessoas diferentes dependendo do contexto. Existem poucas mensagens que são absolutas.

Essa aqui é uma pouco diferente e merece destaque.

O trabalho do Bàbáláwo é analisar essas história junto com o consulente e entender como isso se encaixa na vida e nos problemas dele. É um trabalho de detetive e psicólogo, as vezes de filósofo. Se Bàbáláwo não é para qualquer um.

Recomendo que leiam essa história e façam sua análise.

Antes disso, uma observação. Olóòkun é considerado um orixá (Òrìṣà) masculino em toda a terra yorùbá. A origem deste orixá (Òrìṣà) é no Benin (não é Dahomey) e na sua origem é masculino. Somente é Ifé ele é considerado feminino. Essa história possivelmente é de Ifé porque mostra orixá (Òrìṣà) como feminino.


Olóòkun e as crianças de orixá (Òrìṣà)

Em termos de acumulação financeira e de ativos, Olóòkun foi a divindade mais bem-sucedida criada por Olódùmarè. Ela possuía quatro quintos de todos os recursos na Terra. Ela controlava muito mais coisas na terra do que todas as outros inrumolé (Irúnmọlẹ̀), orixá (Òrìṣà) e seres humanos juntos. Ela era um orixá (Òrìṣà) muito honrada e respeitada. Seu festival anual também era o maior evento do mundo.

Sempre que ela convidava inrumolé (Irúnmọlẹ̀), orixá (Òrìṣà) e seres humanos para sua celebração, eles deveriam vir com, pelo menos, um de seus filhos. Quando os convidados chegavam à festa, algo acontecia que afetaria seus filhos. Quando chegava a hora de começar a cerimônia, as crianças que acompanhavam os pais, ou seriam levados pelo mar ou eles perderiam suas vidas se afogando no oceano. A maioria dos que participaram da cerimônia voltaria para casa sem os filhos e com uma longa e triste história para contar aos outros.

Chegou a data em que Olóòkun convidou todos os 401 inrumolé (Irúnmọlẹ̀) para sua festa anual. Todos eles deveriam vir com, pelo menos, um de seus filhos. Era impossível que eles se recusassem a comparecer porque esse não era o caminho das Divindades. Foi quando Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) finalmente decidiu ir para consultar Ifá: O que devo fazer para evitar a perda do meu filho se eu participar do festival anual de Olóòkun?

O Bàbáláwo disse a Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) para oferecer um ebó (Ẹbọ) om duas cabras adultas; uma seria para o ebó (Ẹbọ) e a outra seria entregue a Olóòkun ao invés de seu próprio filho. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi instado a oferecer o ebó (Ẹbọ) antes da data do festival. O Bàbáláwo assegurou que, se fizesse isso, seu filho seria poupado. Ele também foi advertido a não para ir à cerimônia com qualquer um de seus filhos. Ele obedeceu.

No dia da cerimônia, todos os convidados vieram com seu filho. Somente Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) foi lá com sua própria cabra. Todos aqueles que o viram pensaram que ele era louco ou cínico. Todos foram instruídos a trazer ao menos um de seus filhos, então por que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) veio com uma cabra ? Todos os convidados estavam totalmente convencidos de que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) receberia a humilhação de sua vida naquele dia porque Olóòkun não acharia esse estranho senso de humor um caso engraçado.

Quando chegou a hora das crianças irem comemorar com Olóòkun, um por um, todos os convidados foram adiante e entregaram seus filhos. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) também foi adiante, mas entregou sua cabra. Na presença dos pais, as crianças foram levadas para o mar. A maioria deles foi lavada enquanto os restantes se afogaram bem nos olhos de seus pais! A cabra foi abatida para consumo, também na presença de todos os convidados.

Antes do final da cerimônia, Olokun convocou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e todos os outros convidados para sua presença. Todos eles esperaram ansiosamente para testemunhar como Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) receberia o esculacho que ele merecia. Como ele ousa trazer com ele uma cabra quando todos os outros trouxeram seus filhos, eles se perguntavam?

Quando todos se reuniram, Olóòkun enfrentou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) e Perguntou; "Por que você escolheu trazer uma cabra quando você deveria vir com um de seus filhos? Você pode se explicar a todo mundo aqui, o que está por trás de sua ação?

Todo o encontro ficou completamente silencioso. Eles queriam ouvir suas razões para se comportar de maneira tão engraçada. Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) pigarreou e com um sorriso, ele respondeu: “depois de deliberar profundamente com o meu Orí, concluí que isso me traria muita tristeza e agonia pelo meu filho amado a ser morto diante de meus olhos. É por isso que eu decidi trazer uma cabra comigo. Se a cabra fosse morta, como você fez, não me machucaria nem me causaria pesar como esse

faria se fosse a morte do meu próprio filho. Por isso não pude trazer minha

criança para esta cerimônia e ver meu filho morrer diante dos meus olhos.

Esse é o seu motivo?”, Perguntou Olóòkun. “Sim, essa é a minha razão”, respondeu Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Olóòkun então voltou sua atenção aos outros convidados que haviam perdido seus filhos. Ela então perguntou a eles ”por que nenhum de vocês raciocinou da maneira que Órunmila (Ọ̀rúnmìlà)? Nenhum de vocês é menos brilhante. Todos que são brilhante não são inteligentes. Aqueles que são inteligentes faltam entendimento. Aqueles que têm entendimento entre vocês não sabem como combiná-lo com sabedoria. Quem tem sabedoria não sabem como aplicar sua retrospectiva e previsão de qualquer maneira! Vocês são todos tolos! Vocês todos foram trazer seus filhos para o meu festival e toda vez que eles têm morrido.

Não foi suficiente a primeira experiência para ensinar a todos uma lição? Você não pode emprestar uma folha em retrospectiva? Por que nenhum de vocês poderia prever que isso no ano seguiinte teria o mesmo padrão do ano passado e do ano anterior? Você todos continuaram trazendo seus filhos aqui para serem mortos! Onde estão seus cérebros? De repente seu cérebro vazou de seus ouvidos? Vocês são os inrumolé (Irúnmọlẹ̀) ao quais os assuntos do mundo repousam em suas mãos? Vocês são todos tolos!

De qualquer forma, não se preocupe mais com isso. No próximo ano, traga seus filhos novamente e testemunhe eles serem mortos!

Ela então parou um pouco. A essa altura, os rostos de todos os convidados já estavam se contorcendo em enormes caretas de agonia. Muitos deles começaram a desejar o chão para abrir e engoli-los. Ela então perguntou: “quando todos vocês foram convidados pela primeira vez e vocês perderam seus filhos, por que você não usou a sua retrospectiva e avaliação quando você foi convidado novamente no ano seguinte? Se todos vocês tivessem decidido deixar seus filhos para trás em casa, o que poderia uma pessoa fazer contra 401 inrumolé (Irúnmọlẹ̀) depois de todos terem tomado uma decisão? Ela então declarou ”quando uma lei é feita, assim que alguém percebe que a lei não está no interesse do grupo, a única coisa razoável é revogar essa lei! Por quê todos vocês não usaram seu bom senso? Por esse motivo, todos vocês precisam elogiar Órunmila (Ọ̀rúnmìlà) por usar seu discernimento, retrospectiva e previsão. Ele é o único que foi poupado de agonia entre vocês! Isso é tudo o que tenho a dizer a todos os presentes aqui hoje. Ofereço a todos um bom dia!

DESEJO QUE TODOS REFLITAM SOBRE ISSO NA VIDA DE VOCÊS.

quinta-feira, março 26, 2015

Odus negativos no Candomblé

Odus negativos no Candomblé

Revisão 3


Quando posso, ou podia, eu assisto a programas de rádio sobre Candomblé aqui no Rio. Podem ser ouvidos pela Internet também, existem 2 rádios que tradicionalmente tem esses programas normalmente no horário noturno e a partir das 21:00.


Olha, eu ouço, mas é um verdadeiro FEBEAPA, como diria o já falecido Stanislau Ponte Preta. Sim, um festival de besteira, mesmo para o Candomblé, onde é difícil falar que algo que não é besteira. É inegável o caráter comercial que os programas têm.
O objetivo dos programas é esse, atrair clientes e, se eles não tivessem sucesso nisso, não existiriam os programas.

Temos que lembrar que existe vontade para tudo e quem os procura, o faz de livre e espontânea vontade. Igualmente quem os ouve faz porque quer. Dessa forma, cada um avalie o que é bom ou ruim para sua vida.


Eu tinha vontade de, de vez em quando, fazer uma coletânea das besteiras que eles falam, mas, meu tempo não é lixo para eu falar de lixo. Assim vou tocar em um ponto apenas que é relevante para eu que sou Bàbáláwo, que é o caso de
Odu negativo.

Lembro a todos que eu já falei aqui que a maior parte dos Babalorixas e Iyalorixas de Candomblé, que se promovem falando de Ifá e Odù, não tem a menor ideia sobre o que estão falando.

Eles nada sabem e não tem ideia do que seja Odù ou Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Eles apenas usam isso para impressionar as pessoas e torná-los diferente dos demais, arrotando um conhecimento que não tem. Repetindo, Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) de Candomblé não sabe nada de Ifá, de Odù ou de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).

O que se fala de Odù no Candomblé não é Ifá. O ifá que o Candomblé diz que têm, foi criado aqui na década de 90 e foi retirado do livro do Maupoil, principalmente e de outros, poucos, que na é poca ficaram conhecidos. Esse livro, Maupoil - A Adivinhação Na Antiga Costa Dos Escravos, é muito antigo, fala do Benin e de Fá, uma variação do Dahomey. Não é Ifá e não está ligado com a religião yorùbá e, o que tem no livro e foi copiado pelo Candomblé, esse conhecimento, não tem em Ifá de verdade.

Isso é uma coisa de livro, antigo, ou de uma culto que eu, como Bàbáláwo e pesquisador, desconheço.

O nosso Ifá do Candomblé, com seus significados de Odù, é uma Jabuticaba, só tem aqui no Brasil, no Candomblé.


O que posso dizer aqui de forma simples, é que é uma jabuticaba. O Candomblé criou um Ifá e um Odù só para ele.

Essas pessoas falam de um Ifá que não é o de verdade.
Esse Ifá que os Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) dizem que sabem e explicam é algo que eles constroem na cabeça deles. Eles partem dessa de Ifá que foi inventada aqui na década de 90 do século XX e derivam e criam conhecimento e entendimento.

Eu posso afirmar isso baseado em várias coisas.

A primeira é que sou Bàbáláwo e sei, hoje, como é Ifá. Eu pratico isso e conheço os versos de Ifá. A segunda é que eu já fui do Candomblé e aprendi esse Ifá do Candomblé. Antes de ir para o culto de Ifá eu, no Candomblé acreditava nisso que esta por ai, e pratica da forma como o pessoal aqui no Brasil diz que deveria ser. Por fim, eu pesquisei sobre o tema e sei como isso nasceu e se desenvolveu.

É importante que entendam isso.

Aqui no Brasil foi criado um Ifá que, na ausência do culto de Ifá no Brasil, foi construido da cabeça de pessoas daqui. O que eles chamam de Ifá, Odù e Itan, são coisas que eles aprenderam de fontes ruins, inventaram e foram se copiando, o que transformou muitas informações em erros.

Se você é do Candomblé, como eu fui, e aprendeu esse Ifá, lamento, não é nada disso.

Aliás, o processo que eu entendo que ocorreu foi esse da cópia e reprodução. Alguém descobriu algum material, talvez até correto, saiu repetindo e criando em torno disso, outros pegavam o que esse falou e fazia a versão dele e por ai foi. Acabaram criando uma cultura própria, sem nenhuma base.


O livro do Bernard Mapouil foi a principal fonte do Candomblé e em torno disso criou-se conhecimento próprio. Mas a partir desse material e na ausência de algo melhor, o tema “viajou” muito.

Eu sei quem foram as pessoas que iniciaram esse conhecimento aqui e posso dizer que TODAS ELAS, se iniciaram em Ifá quando os cubanos e nigerianos chegaram no Brasil e essas pessoas abandonaram esse método que elas ajudaram a divulgar.

Pessoas como o Pena, o Portugal, o Adilson e mais alguns outros que desenvolveram esse tema em livros, apostilas e aulas. O método e o conhecimento que elas ajudaram a criar e divulgar ficou para trás, elas procuraram Ifá de fato porque sabiam que o que fizeram era uma coisa particular.

Isso gerou vários desentendimento, que hoje a gente tenta explicar, não é fácil porque ainda tem muita gente que continua a usar e promover esse conhecimento.

Um desses assuntos está no uso do termo Odu negativo.

Aliás, a primeira coisa a lembrar é sobre o continuado uso de determinar Odu através de data de nascimento. Leitores, por amor ao seu Orixá,
isso é uma idiotice. Já expliquei no Blog. ISSO NÃO EXISTE. É uma bobagem, uma besteira. Não faça isso e nem acredite nisso. Se alguém fala sobre numerologia e Ifá é basicamente porque esta pessoa é ignorante e não sabe nada, mas nada mesmo, de Ifá.

Numerologia é numerologia, Ifá é Ifá. Não existe vínculo!

Se a pessoa pede sua data de nascimento, faz umas contas, risca aquela cruz no papel e coloca 4 Odù nela e sai explicando sua vida com aquilo, acreditem isso não é Ifá. Pode ser algum outro conhecimento esotérico que eu não conheço.

Repito, já fiz isso ai como qualquer candomblecista, achava o máximo, mas, pesquisando e aprendendo, descobri que isso não existe em Ifá. Se isso existe é porque é parte de outra coisa.

A outra coisa grave é quando a pessoa amarra nisso a afirmação de que saiu para essa pessoa um
Odù negativo. Veja, a pessoa não está se referindo a que naquela consulta o Odù é negativo para aquela pessoa. Na cabeça do olhador, Odùs são coisas do mal, com raras exceções, trazem coisas e problemas gravíssimos.

É assim que descrevem Odù, exceto Obará que sempre é positivo, porque isso interessa a eles, todo o resto, são situaçõs gravíssimas.

Assim Osa é sempre negativo, Owonrin, eji ologbon, eji onile e outros que não lembro agora, também.
Na visão desse olhadores, Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà), os Odù significam alguma coisa negativa que é trazida naquele momento para a sua vida, tipo uma praga que você pega durante o jogo deles.

Você está bem, entra lá para jogar e o jogo traz então uma praga que eles vão ter que tirar para você.

Raro mesmo é ver alguém dizer que algum Odù é bom, todos são ressaltados pelos seus caráteres mais graves, de acordo com essas definições de Odù que o Candomblé inventou.

Eu, se ouvisse isso, ficaria assustado com Ifá e Odù. Tudo é dito ser tão sério e grave que jamais me interessaria.


Vou repetir eu ouço as pessoas falando assim, se referindo a determinados Odù com gravidade.

Gente,
NÃO existem Odùs negativos por definição.

Odù não te traz nada negativo,
Odù é sempre positivo para sua vida.

Um Odù pode, naquele momento, trazer uma mensagem na qual ele indica uma negatividade ou uma positividade que
já está presente em você e em sua vida ou vai se manifestar.

Odù não é a negatividade. Odù é a mensagem que explica o que você já tem e é também a benção de Olodumare trazendo a solução para sua vida.


Odù é o remédio não é a doença.

Não podemos chamar o remédio para curar o câncer do próprio câncer. Se um remédio é destinado a curar uma doença, se vemos alguém usando-o vamos saber que aquela pessoa tem aquele problema e não que aquele remédio é quem transmite a doença para ela.


Os Nigerianos entendem que o Odù anuncia uma Benção, um Ire, ou então um questionamento um Ayewo, porque eles não aceitam que ele anuncie um mal. Você deve questionar o que não está bem com você.


Os Cubanos também pensam assim. Para ele é Ire, benção ou Osogbo (não benção). Eles não usam a expressão Ibi - mal.


Odù é sempre o remédio, é a benção que recebemos de Olódùmarè através de Ifá.

Eu tenho uma explicação bem simples e que qualquer pessoa pode entender. Odù sempre é uma benção. Se você está bem e necessita melhorar ou trilhar novos caminhos, o Odù vem positivo, ou em Ire como falamos, trazendo esse axé adicional para você. Ele vai alavancar a sua vida, te impulsionar.


Se você não está bem e o Odù vem negativo, ou em osogbo, não é o Odù que tem o problema é você, e nesse caso ele vem tirando essa sua negatividade para normalizar sua vida.


Em Ifá, verdadeiro, primeiro se determina o Odù e depois, usando novas caídas e os Ìbò você determina o tipo de mensagem (Ire/osogbo Ire/Ayewo).


Veja, entenda, o Bàbáláwo, primeiro determina o Odù, depois identifica se ele vem trazendo bençãos ou se vem removendo problemas, negatividade.

Os Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) não fazem nada disso, nem sabem, nem usam Ibo. O Odù cai e eles logo vaticinam os problemas, qualificando o Odù como ruim só pela identificação.

Desta forma,
em Ifá de verdade, qualquer Odù sempre representa uma mensagem sobre uma situação positiva ou negativa e sempre trazendo a solução para esta situação.  Dessa maneira um Odù sempre é positivo. Ele será negativo para resolver e que você já tem. Não é o Odù que traz isso.

Vou dizer de outra forma, o problema ou situação, você já tem, o Odù é a mensagem que traz a forma de resolver isso. Ele não é o problema, ele sempre vem resolver sua situação.

NÃO existe isso de dizer que determinado Odù seja por definição negativo ou que tenhamos nos 16 Odu aqueles negativos e os positivos.


Todo Odù vem de
Olódùmarè através de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà). Assim todo Odù é bom, é a mensagem que explica o que você precisa fazer para melhorar.

Pior é que essas pessoas sem conhecimento e escrúpulo fazem isso usando a maldita data de nascimento. Temos então 2 besteiras ao mesmo tempo, numerologia para determinar Odù e predefinição de positivo/negativo. Não levem isso a sério.


Duas coisas podem motivar eles falarem essas besteiras. A primeira e mais provável é ignorância. Eles não sabem mesmo o que é correto. Aprenderam alguma coisa de qualquer jeito e inventam mais para esconder o pouco que aprenderam. A segunda é que isso é uma boa estratégia para assustar as pessoas, sem motivo e fazer essas pessoas os procurarem.


Vou repetir o que eu disse no início, O tal Ifá ou Odù que o Candomblé usa, não é o Ifá de verdade, isso foi uma invenção aqui no Brasil.

Vou fazer outra afirmação, 100% dos Babalorixá (Bàbálórìṣà) e Iyalorixá (Ìyálòrìṣà) que jogam búzios com Odù não sabem ler nada no jogo. Eles jogam com aurividência e clarividência. É a mediunidade deles que diz o que eles têm para falar para você, não são os búzios jogados, lamento decepcioná-los com isso.

Para conhecer mais sobre Odù leia o texto


O que é odù? 




sexta-feira, maio 10, 2013

O Terror dos Odus

O Terror dos Odus


Gente, essa semana, estava eu calmamente andando de carro quando, pela hora, resolvi colocar na radio tropical AM, aqui no Rio. Estava la um pai de santo, que se declara de Candomblé, de Ogun,  mas que faz um programa que a gente não sabe se aquilo é Umbanda ou Candomblé.  É ouvindo pessoas desse naipe é que entendemos porque esta essa bagunça em casa de Candomblé.

Mas, o fato dele misturar Umbanda e Candomblé no programa dele não me impressiona, afinal, ele só esta ali para ganhar dinheiro, não é sacerdote e muito menos religioso e faz aquilo o que sabe ou aprendeu. Essa mistura não serve a ninguém, nem ao Candomblé e nem a Umbanda, serve apenas a pessoas despreparadas, como ele, que fazem um deserviço à religião.

Esta ideologia, de mistura e de uma pessoa que se diz de Candomblé (porque é mais sofisticado) ficar também falando de Umbanda e dizendo que pratica em sua casa "sem preconceito" as duas coisas, serve apenas ao comércio que ele faz.

O que me impressionou, negativamente, foi a apologia a Odù que ele faz. Como todo pai de santo umbandista-candomblecista, que muitas vezes nem cumpriu seus anos na mesma casa, ele mal entende de Candomblé, deve entender muito bem de feitiço e para entender de feitiço, você não precisa ser ninguém, você pode ser um qualquer um, sem ética e escrúpulo.

Feitiço, simpatia e amarrações é o que se vende por ai, para gente as vezes pior do que aquele que faz o feitiço. Sim, quem contrata feitiço é muito pior do que aquele que faz.

Mas, voltando ao Odù, a cada grupo de pessoas que ele mencionava ele relacionava a um odu, e para cada odu era uma lista de desgraças. Coisas que assustavam e indicavam que aquelas pessoas deviam procurá-lo imediatamente para serem socorridas daquela "moléstias" que elas tinham. Bom, ele não disse que era uma moléstia, mas, relacionar pessoas a Odù e Odù a desgraças e coisas ruins, para mim, significa isso.

Claro que essa atitude não é somente dessa pessoa, muitos pais de santo, mal formados e mal preparados que aprenderam sobre Odù e Ifá em folhetins e sem nenhuma profundidade fazem o mesmo.

Nem precisamos nos preocupar se esse personagem que eu citei é de verdade ou não, se é uma ficção minha. Não tenho dúvida que muitos já ouviram o mesmo tipo de coisa.

Primeiro, ninguém, exceto esse tipo de gente ignorante, pode associar Odu a qualquer pessoa. Além do mais, em um programa de rádio onde, provavelmente, ele faz isso usando a data de nascimento.

Isso, de usar data de nascimento, NÃO EXISTE EM IFÁ.  jamais odu pode ser associado a uma pessoa baseado em data de nascimento. Dessa forma não sejam vocês, leitores e ouvintes, os IDIOTAS. Não passem suas datas de nascimento para esses trambiqueiros. Não acreditem nisso. Não percam o seu tempo. Não jogem o seu dinheiro fora.

Claro, se você é idiota, otário ou ignorante no assunto certamente vai passar sua data de nascimento e a pessoa vai dizer baseado nela qual é o seu odu de vida, de nascimento, pé, cabeça e sei lá mais o que. Eu não posso, de fato, inibir a estupidez.

Em segundo lugar, o estelionatário do rádio, para cada Odù, citava um rol de desgraças. Odu não é isso. Odu é a energia de olodumare, é a coisa mais divina que Olodumare, deus, nos envia. É a resposta aos nossos problemas. É a solução dos nossos problemas. Odù não traz problema, Odù sempre traz a solução do problema, a benção de Olodumare para que a gente saia daquela situação.

Odù é o analgésico ou o antibiótico. Se você tem uma dor e, um médico, receita um analgésico ele esta te passando a solução para a dor. Claro que se a gente vê uma receita de antibiótico vai saber que a pessoa esta com uma infecção e não que aquele antibiótico causa a infecção.

Olodumare nos manda, através de Ifá, o Odù, que indica o problema por ser ele, o Odù, a solução do problema. Jamais Odù é o problema ou o mal.

Quem não sabe isso e diz que é babalorixá, iyalorixá e pai de santo é porque é idiota e não sabe nada de Ifá e de Odù.

O culto de Ifá veio para esclarecer esse monte de absurdos que eram, e ainda são,  falados pelas pessoas que não procuram informação. O modelo usado no Candomblé, até hoje, no qual o mesmo babalorixá tem que saber de tudo, no caso de Ifá esta furado, esse modelo não vai continuar, aliás, mesmo para Orixá já deveria ter sido modificado.

Odù de nascimento só é obtido até o oitavo dia de nascimento e através de uma consulta de Babalawo de Ifá. Odù no dia a dia só através de uma divinação, seja por Ifá ou Búzios e é uma mensagem que vale para aquele momento.

Lamento estar sendo tão direto assim, mas, espero que essa objetividade tenha utiliidade.

A gente fala um monte de eufemismos e amenidades e não adianta nada. espero que indo direto assim no assunto, as pessoas percebam que essas pessoas nada acrescentam a vida delas.