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quinta-feira, janeiro 18, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - RELIGIÃO E TEOLOGIA SÃO OBRAS HUMANAS - PARTE 6 DE 11

 

RELIGIÃO E TEOLOGIA SÃO APENAS OBRAS HUMANA

Depois de abordar a questão de quem de fato falou com deus ou não falou e como essas obras foram elaboradas, a próxima questão é:

RELIGIÃO NÃO É DEUS E DEUS NÃO É A RELIGIÃO.

As pessoas que creem em deus mas não aceitam uma religião tem alguma razão.

Religião é uma organização humana, criada por humanos e formatada por humanos para:

  • Transmitir e interpretar o significado da palavra de deus para as pessoas

  • Essa interpretação tem como objetivo, nos dar um conhecimento sobre o que é a vida e nosso objetivo nela, sem contudo tirar de nós a oportunidade de viver uma vida nova a cada renascer.

  • Também tem como objetivo nos fazer pessoas melhores em relação a sociedade e as demais pessoas.
    Ela nos faz ser pessoas gentis, generosas e comunitárias, assim, deus nos motiva a ser sempre nossa melhor versão.

  • Trazer conhecimento de como podemos recorrer a ele e ao supernatural que ele criou para obter ajuda e superar dificuldades, sem interferir com nosso livre arbítrio (de ser bom ou mal) ou com o nosso esforço sincero em superar nossas dificuldades.

Esses objetivos são os que permeiam as religiões no mundo. São objetivos bons e justos que justificam a necessidade das religiões.

Religiões são necessárias e importantes. Elas são, de fato, nossa ligação com deus. Não existe ligação com deus sem uma religião e você vai entender por quê.

Só que a base da religião é a palavra manifesta de deus e foi sobre isso o que falamos primeiro. A religião se constrói em torno disso. É necessário existir a manifestação de deus primeiro, para depois se estruturar a religião baseada na teologia. Isso parece simples mas nem sempre é assim e é por isso que as vezes surgem e desaparecem religiões.

Mas a palavra é apenas o início. A religião se manifesta de fato na vida das pessoas através do que chamamos de teologia, que é a interpretação desta palavra que foi capturada e documentada por nós, homens. Apesar da importância que estou dando para a teologia porque ela é a transmissão da palavra de deus e do seu significado para a humanidade, a religião somente se manifesta com as pessoas percebendo a presença de deus na vida delas, a mão de deus.

Mas sem teologia não tem religião. Sem a palavra de deus não tem teologia e sem religião não tem deus na nossa vida.

Nesse momento, os que estão prestando atenção no que falo vão pular na cadeira, mas, vejam o que eu disse: sem religião não tem deus NA NOSSA VIDA.

Porque a religião é aquilo que tem como objetivo direcionar nosso comportamento, nossos atos e nossas ações como humanidade. Ter uma religião significa que você, de fato, acredita em deus e se dispõe a fazer o que ele orienta para você ser a pessoa que ele deseja.

Não vejo como coerente as pessoas que creem em deus mas não se sujeitam a nenhuma religião. Eu uso a palavra “sujeitar” intencionalmente, a religião traz um código de valores, ética e moral próprio.

Religião é feita para a relação entre humanos e não para nossa relação com deus.

Na verdade, também traz informações e orientações para a relação com deus, mas, essas orientações têm que ser a coisa mais simples da religião. Na minha visão, não podemos ter religiões honestas cujo foco seja a relação e submissão humana à relação com deus.

Mas, temos que crer em deus e aceitar as orientações ou regras, chame do que quiser, que ele nos dá para a nossa relação entre humanos e o mundo.

Como eu disse, religião não define deus, mas, define o que ele espera de você.

Assim, temos uma sequência obrigatória. Você tem que crer em deus, crer que ele se comunica com a gente através de sua palavra manifesta e, dentro de uma religião, entender através da interpretação dessa palavra o que deus espera de você nessa vida.

Nessa cadeia a única coisa divina é deus. Todos os demais elementos são humanos e não se consegue ter fé em deus sem, primeiro, ter a fé humana. Aliás isso foi uma coisa que eu aprendi rápido, pessoas que não tem fé religiosa é porque também não tem fé humana, os ateus, na minha observação prática são assim. Eles não acreditam no que as pessoas dizem, elas só acreditam nelas mesmas e nas coisas que consideram evidentes e factuais. O problema delas não e com deus é com as pessoas.

Avalie, se não tenho razão, por você mesmo. Se conhecer um ateu declarado, veja se alguém contar qualquer coisa que fuja do normal ou do esperado por ele, se ele vai acreditar. Mesmo se a pessoa que contar for uma pessoa confiável, mesmo que a história tenha detalhes o ateu jamais vai acreditar na outra pessoa. Mais ainda, como eu disse eles só acreditam neles mesmos, para qualquer coisa. A questão não tem a ver com deus e sim com a ausência de fé em tudo que não sejam eles.

Pessoas assim, que não tem fé humana não terão fé religiosa. Para acreditar em deus você tem que primeiro acreditar nas pessoas também.

Apesar de toda a fé envolvida na religião, você não pode perder o entendimento que, sejam as palavras como também a teologia, a interpretação dessas palavras, são atos humanos. Os homens interpretam as palavras de deus, que chegaram a eles de alguma forma e criam a religião para as transmiti-las para as demais pessoas.

A teologia é sempre a interpretação humana dessas palavras e é, assim também, uma criação humana derivada da nossa inteligência. Por isso poderemos ter, dependendo do povo, da época e do local, teologias melhores ou piores baseadas nas mesmas palavras sagradas.

Por essa razão, tenha muito cuidado com pessoas que falam em nome de uma religião e que explicam religiões. Essas pessoas que traduzem o significado das palavras de deus, em qualquer religião ou seja, lidam com os textos sagrados, fazem um processo humana de análise, interpretação e entendimento. Não existe nada de sagrado em teologia, é apenas uma visão humana.

Teologia é necessária? Sim. É absoluta? Não. Sempre poderão existir variações desse entendimento. No fim, teologia sempre será uma proposta ou uma tese religiosa.

Entenderam esse processo humana de gerar uma religião?

Vou dar um exemplo fácil de ser entendido:

Jesus não criou nenhuma religião. Ele nasceu judeu e morreu judeu. Ele nomeou 12 apóstolos para transmitir suas palavras e nenhum deles criou uma religião, todos foram mártires e eles também eram judeus.

A religião foi criada por pessoas que acreditaram em pessoas. A religião cristã foi fundamentada no Jesus mitológico, o teológico e não somente no Jesus histórico. Depois de iniciado o processo tomou rumo próprio. Muita teologia e textos do NT foram feitos por pessoas que jamais tiveram contato com Jesus. Elas escreveram sobre o mito. O primeiro entendimento teológico cristão mais organizado surge no século 2.

A teologia sobre a qual se fundamenta a igreja católica foi criada por homens através dos concílios. Os religiosos de alta hierarquia se reuniam em concílios que duravam meses ou até anos e definiam a teologia católica.

100% do que você entende que é a religião católica é baseada em teologia criada nesse processo e não necessariamente está na bíblia. Se você é católico ou protestante saiba que as coisas que você acredita que é a religião ou que deus ou Jesus disse são, na verdade, apenas criações humanas. Nada disso está na Bíblia.

O novo testamento é uma obra literária, criada sob medida, tardiamente aos fatos para estabelecer uma linha histórica e narrativa. Nenhum daqueles livros foi escrito pelas pessoas a quem lhes são dadas a autoria. Essa é uma área de estudo muito interessante e você se surpreenderia com o que pessoas tem a relatar sobre isso.

Não consigo abordar e explicar o pouco que sei sobre isso aqui e agora, mas, se você se interessar vai ter muito o que pesquisar.

O que estou explicando nesse momento é o processo humana envolvido na religião.

A religião cristã foi virtualmente moldada pelo que dizem que Paulo escreveu, basta ver a relevância dele no novo testamento e nas referências teológica. O NT são os evangelhos, as epístolas de paulo e o apocalipse de João. É por isso que eu digo que a teologia católica é apocalíptica.

Contudo Saulo de tarso, que não era um dos 12 discípulos e nunca conheceu jesus. Ele, supostamente, aprendeu sobre jesus através de discípulos de discípulos – Ananias e Gamaliel. Mas nada do que está no livro de Atos dos Apóstolos é confiável, existem 2 Paulos, o histórico e o mitológico. O de algumas das cartas, umas 6 é o histórico e o dos Atos é apenas mitológico. Ele entendeu que foi escolhido por deus e saiu pregando para os não judeus, criando igrejas e criando uma teologia nova através do seu entendimento. Sem dúvida fez um trabalho muito importante, tão ou mais do que os dos apóstolos judeus originais. Além disso ele foi mais um que se declarou profeta de deus. Ele dizia que deus inspirava o que ele falava. Só que ele não fez profecias ele saiu criando teologia do nada. Mas atenção, o livro atos dos apóstolos é uma obra teológica, nada ali é histórico.

Agostinho de Ipona foi outro que criou teologia unindo a religião com a filosofia grega. Ele criou teologia do nada para justificar o que precisa, como o pecado original. Ele é um exemplo da geração de teologia para explicar teses. Tomas de Aquino idem, esses 2 foram muito importantes na definição da teologia católica, mas, a teologia de fato nasceu nos concílios, não nasceu nem de deus e nem de jesus.

Mas a real teologia católica nasceu dos concílios. Foram os concílios que definiram cada milímetro da teologia católica. A Bíblia tem muito pouca relevância nisso. A teologia católica é a convergência da base bíblica do NT com a filosofia grega.

Por essa razão é que eu já ouvi de teólogos católicos que você primeiro tem que ser católico e depois você ler a bíblia. A religião deve nascer de dentro de você, do coração dando assim um aspecto muito sentimental a isso.

Isso não deixa de ser bonito, eu gosto disso, mas, racionalmente tenho essas explicações. Você não vai encontrar na bíblia a teologia católica, assim ler e decorar a bíblia é um exercício inútil. Os católicos se desprenderam da teologia judaica baseada no AT. Provavelmente os teólogos católicos sabem muito bem da origem dos livros no AT e do NT, principalmente deste último, assim não veem sentido em se fixar neles buscando ali a palavra de deus.

ISSO TUDO FICOU COMPLEXO?

quarta-feira, janeiro 17, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - QUEM SÃO OS PROFETAS? - PARTE 5 DE 11

 QUEM SÃO OS PROFETAS?

Existem dezenas ou centenas de textos que as pessoas que escreveram como textos teológicos e mensagens de deus. Deus é muito ativo, não parou de trabalhar como supõe os cristãos cessacionistas.

No caso do cristianismo muita coisa foi escrita, seja pela oportunidade como pela motivação divina. Até hoje, toneladas de livros teológicos são produzidos. Devemos supor que essas pessoas foram instadas ou inspiradas a fazer isso, não inventando isso da cabeça delas. Contudo, no caso cristão, poucos foram incluídos no cânone ou mesmp são classificados como apócrifos. O critério de montar o cânone do AT ou do NT foi exclusivamente humano. Essa é uma história que um dia eu falo.

A verdade de ser um profeta de deus ou não, está em cima de um fio muito fino. Profetas não eram pessoas que brilhavam no escuro.

Muitos desses autores são anônimos, creio que maioria, mas, existem pessoas que se auto-declararam profetas. Eu pesquisei a origem de algumas pessoas que se declararam profetas e criaram ou contribuíram para uma religião. Vocês se assustariam com os fatos. Veja Mohamed do islã, ele tinha pesadelos, não conseguia dormir e falou isso com uma pessoa. Essa pessoa disse para ele que isso ocorria porque ele era um profeta de deus. Ele acreditou nisso e passou a adotar, por conta dele essa versão. Ninguém o elegeu profeta, ele se auto-declarou. Nunca fez nenhuma profecia que se realizou e nunca fez nenhum milagre para demonstrar a sua ligação com deus.

Veja o caso de Paulo, ele se auto-declarou apóstolo. Mas ele nunca conheceu jesus, não foi um dos 12 escolhidos, ele disse que um anjo falava as coisas para ele e que Jesus “aparecia” para ele. Claro que existiu o Paulo histórico e o mitológico, mas o histórico saiu divulgando no mundo grego a divindade Jesus, criando teologia que estabelecendo a igreja cristã. Na teologia cristã, os pontos mais basilares não vieram do pentateuco, vieram dos escritos de Paulo, do Apocalipse e principalmente da cultura grega que moldou os mitos e os evangelhos. Essa é mais uma história longa que não dá para contar aqui.

Em comum nessas 2 histórias e em dezenas que existem na bíblia ou fora dela, é que ninguém falou ou viu deus, exceto essas pessoas que declararam isso.

Parem para pensar um pouco. Deus só se manifesta para muitos em uma passagem do AT, quando Moisés recebe os mandamentos. No NT supostamente quando Jesus é batizado.

Em todo o relato bíblico apenas os profetas é que se comunicam com deus. Só elas tinham esse contato, deus ou seus anjos, apenas se comunica com 1 pessoa e essa pessoa convence as demais.

Tudo depende das pessoas acreditarem neles e nenhuma dessas pessoas pode afirmar que foi o próprio deus. Como julgar o que é verdadeiro se o processo é o mesmo para todos os profetas independente do tempo?

Ellen white se dizia profeta de deus e o que ela falou e escreveu foi aceito e adotado apenas pelos adventistas. Os demais cristãos questionam e zombam dela ser uma profetiza.

Alan kardec não falava com deus, mas com espíritos que falavam em nome de deus. Qual a diferença entre falar com anjos ou espíritos, como no passado alguém diferenciava isso? Allan kardec criou o espiritismo como uma extensão do cristianismo, baseado no NT e é inegável o bem que isso trouxe a humanidade.

Qual a diferença entre Saulo de tarso, Ellen white e Alan kardec, entre outros? Apenas quem acreditou neles. Até hoje muitas pessoas já se declararam como profetas e quase sempre são refutadas por outras.

Nesse ponto vocês podem estar se perguntando, onde quero chegar?

No mesmo ponto, a religião é uma obra humana. E ninguém pode afirmar que o deus supremo falou de fato com qualquer pessoa. Como já disse, o modelo judeus de que o próprio deus supremo falou com eles e protegeu eles só entra na cabeça de pessoas que tem preguiça.

Esse longo bloco foi apenas para destacar isso, ninguém pode afirmar que tratou com o deus supremo. Pode falar que falou com uma divindade, um mensageiro, um anjo mas não se pode provar que se trata com o deus supremo. Aliás, anjos existem para isso, para serem mensageiros.

Pelo que eu disse até aqui já está claro para mim que eu posso dizer que o modelo que temos em Ifá no qual Olódùmarè é um deus supremo e que cuida, somente ele de toda a existência e que esse deus supremo não exige culto e estabelece divindades para o representar junto a humanidade, como seus ministros, com poderes para isso e baseado em suas regras é um modelo absolutamente racional, razoável e adequado para ter um deus supremo.

O modelo cristão de que o deus supremo falou com alguém e que essas palavras estão registradas na bíblia como foram ditas, não faz nenhum sentido teológico e histórico.

terça-feira, janeiro 16, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - QUEM FALOU COM DEUS DE VERDADE - PARTE 4 DE 11

 

QUEM FALOU COM DEUS DE VERDADE?

Apesar dos relatos usados na bíblia serem amplamente aceitos, hoje, por metade a população mundial e esses relatos mostrarem uma relação de exclusividade e intimidade de deus com o povo judeu, como se fossem únicos e especiais, não muda isso ser apenas a forma como os próprios judeus entenderam e escreveram para si mesmos, convenientemente, o que eles entenderam que foram as palavras de deus.

Foram eles, homens hebreus, que escreveram aquilo ali, do jeito que melhor lhes convinha. Deus não mandou nada escrito já pronto para eles e muito menos se preocupou em fazer edição posterior.

Deus não enviou um fax ou um manuscrito com as palavras dele.

Eu não questiono as palavras de deus que estão em qualquer religião, elas tem significado e objetivo. O que estou lembrando a todos é que foram homens as transcreveram, redigiram, estenderam ou até mesmo inventaram parte daquilo ou tudo aquilo. Se a inspiração ou vontade de escrever aquilo foi divina, a elaboração é totalmente humana.

Tudo o que está na Torat foi transcrito, editado e selecionado para publicação, por homens, ao longo de muitos anos. Não existe certeza da autoria dos textos e muito menos de uma única autoria para os grandes relatos. A cópia de originais foi obra de muitas pessoas que tinham a capacidade de ajustar, ampliar ou reduzir os relatos. Não existe nem mesmo uma real cronologia. Não existe a certeza de que os livros que estão no antigo testamento foram escritos naquela ordem, o que se tem certeza é de que não foram escritos naqueles tempos originais.

Existem enormes indícios que uma parte ou uma grande parte é repetição criativa de mitos sumérios. Existe uma grande certeza de que o genesis, por exemplo, foi escrito tardiamente, depois ou durante o exílio da babilônia para acomodar a teologia e não o contrário.

Vejam, não é o objetivo aqui avançar nessa crítica sobre a bíblia, não quero mudar o foco da discussão e quem quiser saber sobre isso procure a bibliografia e até canais no youtube que se dedicam a esse análise. Vou passar ao largo deste tema, apenas para fazer algumas afirmações simples. Estou tratando aqui da autoria das palavras escritas de deus.

E por quê? Porque, como eu disse, a base da religião, o primeiro elemento, são as palavras sacras e no caso dos judeus e cristãos eles usam essas palavras como sendo verdadeiras expressões de deus, como a história real e tratam a mesma coisa fas demais como mitologia, estorinhas. Mas, o fato é que a bíblia também é mitologia.

Antes de achar que as palavras da bíblia são sagradas e vindas de deus, aprenda que < 1% dos judeus da época sabiam escrever. Escrever era especializado, feitos por escribas que eram poucos e caros. O material para escrever era muito caro e raro.

Não havia interesse nas pessoas aprenderem a ler ou escrever. Isso era “ciência de foguetes”. Não havia papel ou tinta, isso, quando havia era absurdamente caro. Assim ninguém de fato aprendia a ler e escrever, documentos eram coisas da elite.

As histórias eram registradas na forma de canções e versos porque eram fáceis de serem decorados e, desta forma, tudo muito resumido.

Não existe nenhuma possibilidade dos personagens originais terem escrito ou mesmo pedido para escrever qualquer coisa, seja sua história ou sejam aquelas frases. Apesar de toda a incerteza que envolve a recuperação da história, a maior certeza é que os livros foram todos escritos muito tardiamente por pessoas especializadas em escrever que, assim, criaram as palavras, frases e narrativas baseada em histórias conhecidas oralmente.

Para o caso real do antigo testamento, os personagens originais, os profetas, se de fato existiram e não são apenas mitos, jamais escreveram ou registraram o seu contato com deus. Isso seria impossível para eles. Em um momento muito tardio um escriba faria isso, usando suas próprias expressões para relatar algo que estava na memória do povo. Além disso usando uma linguagem primitiva, com pouca capacidade de expressão. Um desses escribas inclusive escreveu por sua conta mesmo um dos livros do antigo testamento, afinal qual qual a diferença entre ele escrever o que falavam e o que ele achava que deveria ser?

Assim nem Moisés, nem Davi, nem salomão ou qualquer rei ou profeta escreveu nada, quiçá existe certeza da existência desses personagens.

O conteúdo dos livros da bíblia, no máximo, existia oralmente. Por isso que, ao longo dos muitos séculos, o povo judeu perdia o seu “fio da meada” e se afastava do monoteísmo de adonai. Os judeus só foram reconhecer esse problema no exílio da babilônia quando eles tomaram contato com a grande civilização da época, outras culturas e bibliotecas.

O exílio da Babilônia foi muito importante para os judeus. Foi ruim mas foi bom. Eles decidiram se converter ao monoteísmo e enriqueceram seu conhecimento do supernatural com o contato com outros povos, adicionando complexidade e profundidade.

Lá na babilônia eles decidiram duas coisas importantes. A primeira foi escrever os seus livros sagrados. Assim a Torat é uma construção muito tardia de tudo, um romance mitológico disfarçado de história.

A segunda decidiram eles mesmos serem monoteístas. Mas isso foi apenas em torno do século V AEC. Até essa época eles ainda tinham vários deuses, Adonai era, supostamente, apenas um desses deuses, mas, na Torat escrita ele virou o único desde o início, retratando, possivelmente, uma história que somente existiu na Torat e não no mundo real.

As palavras que estão ali, as frases e té mesmo o sentido foi escrito por profissionais em escrever. Os livros eram copiados manualmente e assim o que não mudou entre uma cópia e outra? Análises mostram que vários textos tiveram mais de um autor e foram escritos em momentos diferentes, isso é feito analisando o estilo literário e situações e locais narrados.

O que é certo é que quem viveu aquilo não escreveu nada e quem escreveu não viveu e esta é a razão de eu afirmar que quem escreveu não foi deus e assim isso não é sagrado.

Existem livros religiosos muito mais antigos do que a Torat. Os mitos sumérios e Ugaritianos antecederam a própria organização dos judeus e os indianos também antecederam-nos em vários séculos. Sem querer complicar muito, a própria unidade dos hebreus e as 12 tribos são coisas que surgem na Torat escrita.

Dessa forma, o que é sagrado em uma religião é a fé em deus. Deus é sagrado, suas manifestações são sagradas. Um livro humano não é sagrado por si só.

Vejam que eu não estou desvalorizando esta religião, estou dizendo que o livro bíblico não pode ser sagrado e adorado porque ele é humano. A fé é em deus, este é o sagrado. O livro, como eu outras religiões, documenta a religião. Eu lamento se tem pessoas que adoram a bíblia como sagrada e as palavras da bíblia como a representação das próprias palavras de deus.

Os demais povos no mundo todo, certamente, passaram pelo mesmo processo junto a deus, retratando cada um deles o entendimento do que deus significava e transmitia para eles em mensagens e visões que vieram da oralidade para a escrita em momentos diferentes.

Ninguém pode afirmar que o próprio deus supremo escreveu alguma coisa. O fato nisso é que ele não escreveu nada. O que podemos entender pelos relatos bíblicos é que, no máximo, um intermediário de deus com a humanidade, anjos por exemplo (cujo significado da palavra é mensageiro), falaram ou sugestionaram humanos a algum entendimento.

Lembro a todos que essa coisa de dizer que qualquer texto sagrado, a bíblia por exemplo, é uma obra de deus ou que aquelas são suas palavras, é figurativo, tudo aquilo foi escrito por homens, da forma como eles quiseram escrever ou como entenderam.

Esse papo de que as pessoas escreveram aquilo inspiradas por deus e por esta razão aquilo vira sagrado é argumento para os ingênuos. Eu sou religioso e tenho fé religiosa em deus mas não sou burro. É claro que houve orientação e inspiração para as pessoas agirem, as pessoas não criam essas histórias do nada elas viveram aquilo. Mas, vocês acham que deus incorporou na pessoa? Ou passou um fax? Ou um anjo possuiu a pessoa e escreveu aquelas palavras exatas?

Atenção, não estou tirando a credibilidade de textos religiosos, estou dizendo que 1) ocorreu no mundo todo e a bíblia é como todos os demais; 2) ainda assim é uma obra humana.

Não foi deus que escreveu aquilo, foram homens que escreveram, com o jeito humano de pensar, entender e escrever. As pessoas que escreveram não estavam em contato com deus.

Os cristãos aceitam com enorme facilidade relatos bíblicos de pessoas influenciadas por anjos para fazer as coisas ou receber as palavras de deus, mas, quando outras religiões relatam fenômenos similares com as divindades que essas religiões entendem, eles dizem que é o diabo.

Assim, parem de usar ou aceitar o argumento de que se está escrito na bíblia, do jeito tal, é porque é sagrado e vindo de deus. Parem de se fixar em pessoas que ficam fazendo interpretações de frases exatas e procurando se tem ou não artigo antes da palavra, se é um substantivo ou adjetivo. Parem de se preocupar como estava escrito em hebraico ou grego ou latim. Pessoas escreveram isso tudo.

E COMO É ISSO EM IFÁ?

Os nossos textos sagrados são os versos de ifá. Eles representam a mensagem de deus para nós na forma de versos que contam histórias e usam as mesmas estruturas de parábolas e metáforas. Além dos versos existem mitos e cantigas que representam a tradição oral. A origem disso é indeterminada, mas existem com formatos bem definidos.

O objetivo desse corpo literário é o mesmo de toda religião, trazer informação, valor e ética. Mostrar por exemplos como proceder. É esse corpo literário que é usado pelos Bàbáláwo para orientar e responder e orientar às pessoas que os buscam por orientação.

Como no judaísmo, existe o texto sagrado e a tradição oral que traz mais informações e detalhes sobre o que está nos versos. Observe que a expressão tradição oral não significa que isso foi apenas falado oralmente sem ser escrito, significa que é uma tradição de conhecimento que existe no povo ao lado dos versos e que define a visão metafísica.

Como os yorùbá não tinham escrita até o século XIX, tudo deles era oral e por isso mesmo muito mais falho do que o normal. Muito se perdeu e muito foi mudado ou se deteriorou. Muita riqueza literária se perdeu. Existem diversas fontes de versos de ifá e não existe uma compilação única.

Não se sabe a autoria e possivelmente são muitos autores. Entendemos que é inspirado por deus, porque ali tem muito conhecimento e muita consistência para ter sido uma obra do acaso.

Nossos versos e a tradição oral são obras humanas, resultado do entendimento humano. Deus não passou nenhum fax. Não se sabe a origem ou quem relatou isso inicialmente. O que sabemos é que era uma tradição 100% oral que foi transformada em textos a partir do século XIX e mais fortemente no próprio século XX.

Apesar disso as palavras são consideradas sagradas e pronunciar frases e nomes tem força de axé (àṣẹ) (energia). Isso é em Ifá e é em qualquer religião, nada diferente, inclusive na católica onde orações fortes são feitas em latin.

A forma como foram documentados os versos, exige do Bàbáláwo inteligência e critério. Repetir o que recebe sem pensar a respeito é o caminho do erro. O entendimento é fruto da interpretação simbólica do corpo literário. Não tem interpretação pronta. Além disso, devido a essa origem incerta e não documentada, não se aceita qualquer versão de nada. O fato de alguém apresentar um mito ou um verso não torna aquilo verdade, porque o Bàbáláwo tem que saber a natureza do que estpa lidando e a facilidade que existe em inventar coisas. Assim ser Bàbáláwo, o sacerdote de Ifá, é muito mais complexo do que muitos imaginam.

Sabendo esse contexto só idiotas repetem histórias de Ifá sem antes pensar e analisar o que ouviu, porque contexto é tudo.

Bom, voltando a questão desse bloco o processo de gerar texto sacro é o mesmo, alguém, um humano faz isso através de inspiração, sonhos, vidência e qualquer outro processo supernatural. Esta pessoa, apenas, vai receber isso e falar para as demais que foi deus que falou aquilo para ela e que ela jura que não inventou nada.

Mas atenção, qualquer pessoa pode escrever algo dizendo que está sendo inspirado por deus. Eu posso dizer isso agora também. Posso dizer que minhas palavras são inspiradas por deus.

Quem pode me contrariar?

Qual foi o critério que escolheu os textos que estão na bíblia? Qual critério de aceitar um profeta?

O HUMANO!

Assim como Jesus, além de suas ideias inspiradoras tinha que mostrar poder curando pessoas ou renascendo após a morte para que as pessoas acreditassem que eram mais do que as ideias dele mas também palavras e ideias de deus, o que torna profecias e profetas como aceitos é similar. Não bastam boas e inspiradoras palavras. Algo mais tem que tornar o profeta confiável.

Mas no fim, repito, será um critério humano que vai fazer isso ser aceito, as profecias e os profetas não vem com selo de qualidade de deus.



segunda-feira, janeiro 15, 2024

QUAL É O MELHOR DEUS - PARA QUE UMA RELIGIÃO? - PARTE 3 DE 11

 

PARA QUE UMA RELIGIÃO?

Não é a religião de define deus. Deus existe independente de qualquer religião o definir.

Deus não está contido na religião.

Mas é através da religião que deus se comunica com gente, nos instrui em como devemos ser, orienta em quais seres humanos devemos nos tornar, qual o modelo de ser humano que eles espera e mostra como ele está disposto a nos ajudar em nossa jornada humana.

Qualquer um pode reconhecer deus, mas, somente se você adota uma religião você se dispõe a seguir as orientações de deus para a humanidade. Os que adotam deus sem uma religião querem apenas receber. Os que adotam uma religião estão disposta a dar e se sacrificar.

Estão enganados os que pensam que a religião existe para adorarmos deus. Religião não é uma formula de idolatria. Não são regras de adoração. Um deus supremo, não precisa de orações, promessas, oferendas e sacrifícios.

Um deus supremo não se daria ao trabalho de criar uma religião para ensinar as pessoas adorá-lo e engrandecerem-no. Pensar isso vai de encontro a ideia de existir um deus supremo.

A religião é sim uma criação divina ou de inspiração divina. Mas o objetivo dela é a humanidade. A religião é feita para nós humanos, para que sejamos nós, entre nós mesmos, pessoas melhores. Também para preencher o vazio que existe dentro de nós quando nascemos com absoluta potencialidade de fazer tudo e qualquer coisa, com um livro em branco na nossa frente, para sermos que desejarmos e não nos perdemos.

O que aprendi em Ifá é que a vida é um enorme desafio, uma teia de possibilidades com as quais podemos realizar o que desejarmos. Esta é a motivação da vida, este é o desafio de uma nova vida e este é o ciclo que motiva as vidas eternas.

O livro em branco que ganhamos quando nascemos, esquecendo tudo o que sabemos e o que já vivemos, junto com o livre arbítrio, é presente supremo que recebemos de deus.

Mas isso é poderoso demais e para equilibrar isso, para orientar as ações de farão o potencial se transformar em atos, como define Platão, deus nos dá a religião.

Assim podemos ter como metáfora uma balança, que somos nós e a vida. Em um prato dessa balança temos o livre arbítrio e no outro temos a religião. Deus nos dá a total liberdade de ser e fazer qualquer coisa, ser independente de qualquer vontade e predestinação. Isso é o livre arbítrio. Mas é poder demais e o equilíbrio é a religião, o que nos permitirá conduzir nossa alma e vida nesse ambiente.

Em Ifá é assim que a vida deve ser conduzida esse é o modelo da vida.

O que o livro dos Odù mostra em cada um dos seus capítulos são as possibilidades da vida humana e esses 2 pratos contrastando as possibilidade do arbítrio com a ética da pessoa humana. Tudo podemos, desde que conduzamos com isso com honra, caráter, ética, gentileza generosidade e outras virtudes.

O que Ifá diz é que é isso o que deus expressa para nós através da religião, de suas orientações. Nós devemos trazer beleza ao mundo selvagem e bruto. Mas, temos que fazer isso de maneira sincera, de dentro da nossa alma, não podemos ser obrigados a isso.

Nesse sentido o mal teológico, seja em Ifá, representado por Elénìnì ou no judaismo representado por satã e seus anjos têm o mesmo sentido.

Se alguém tem dúvida de porque eu escolhi Ifá em detrimento a outras religiões e teologias, foi por causa de que em Ifá eu vi o ciclo se fechando de forma coerente e sem dogmas inexplicados ou explicações idiotas.

Assim o deus supremo, seus embaixadores ou emanações, o sentido da existência dessas divindades, o sentido de vivermos, a eternidade da alma, a razão de vivermos várias vidas, a razão de não vivermos apenas uma vida, as regras dessa vida, o arbítrio, a assistência de deus à nossa vida, o julgamento da vida, a necessidade de valores e ética, nossa relação com antepassados e outras coisas, tudo isso se fecha e com um sentido harmônico, sem respostas idiotas e sem becos sem saída.

Claro que, a mesma coerência que encontro em Ifá outras religiões podem ter, não tenho a capacidade de eleger isso, mas, posso afirmar que, nada disso faz sentido no cristianismo.

Na verdade, o cristianismo herdou do judaísmo a falta de visão da grandeza de deus e aí, todo o resto, foi estragado por isso.

A visão de um deus supremo é igual a que vemos em Ifá e em outras religiões e que também foi retratada por Bento de Espinoza.

Vou citar Espinoza várias vezes aqui porque ele trouxe essa questão da grandeza de deus para a filosofia. Eu não penso que ele esteja certo em tudo o que falou em seu Tratado Político Teológico. Acho mesmo que a inteligência de deus ilumina e inspira as pessoas, mas, nem sempre elas entendem tudo ou nem sempre elas conseguem desenvolver como poderiam. Na minha visão esse é o caso de Espinoza.

Aqui alguns podem dizer, quem é você para criticar Espinoza ou questionar ele? Sou um, como muitos que conheceram o que ele analisou o que leu. Todos nós escrevemos para que outras pessoas leiam e concordem ou não com a gente. O que nos faz brilhante não é nossa avaliação ou de nossos pares, são as pessoas a quem de destinam o que pensamos.

Nossos críticos reais são as pessoas comuns.

Mas, existe um ponto que Espinoza conseguiu trazer à discussão, que foi a questão do questionamento sobre a verdadeira grandeza de deus versus a visão míope de um deus pessoal. É essa parte que eu uso dele aqui.

O deus supremo de ifá é não só o criador da realidade que vivemos como também é o todo, a fonte de toda a vida, a força que mantêm tudo funcionando e que equilibra tudo. Esta é a visão de Ifá e é muito similar a de Espinoza.

Olódùmarè, em Ifá, reflete esse deus supremo e por essa razão distante de nós. Essa distância de deus gera críticas pelos cristãos, como seria de se esperar, mas, aproxima muito da visão de Espinoza. Mas não é somente em ifá que vemos isso, o budismo reflete isso também de uma forma mais explícita que o induísmo. O budismo é um religião que se despega do deus teo e se liga ao conceito de deus deo.

Vejam, mais uma vez. Isso são ilações minhas. Eu vejo similaridade no conceito, eu vejo que a substância é a mesma. A manifestação, a forma é distinta, mas, na minha visão apontam para essa essência.

Eu já falei extensivamente sobre o deus supremo e a grandeza de deus, mas, vale repontuar isso agora.

As religiões que consideram o deus supremo o grande deus criador, distanciam ele do homem, claro, porque o deus supremo é o criado do universo, de toda a vida, da natureza e também sustenta isso tudo funcionando em harmonia. Esse é o deus que Espinoza disse que deveria ser o deus supremo e, nisso, ele estava certo.

As religiões que definem um deus supremo de fato, também definem que existe uma emanação desse deus supremo, através de divindades ligadas a humanidade que humanizam o contato com as pessoas.

Assim, existe uma lógica nisso, uma ordenação. Essa pode não ser a visão certa, não sabemos, ninguém sabe, mas, é evidente que a visão abraâmica é uma alegoria.

Este é um modelo mais coerente do que modelo que os cristãos criaram e acreditam, no qual existe um deus supremo, mas, esse deus dá atenção individual a eles aos seus problemas e desejos.

Em genesis, 18, existe a descrição de que o deus supremo foi até abraão e comeu com ele. Tem teólogos que dizem que foi deus, outros quando percebem a bobagem dizem que foi um anjo, a interpretação depende apenas da cabeça e conveniência de quem fala. Mas a bíblia toda reflete esse modelo do deus supremo tratando com os judeus.

Se falarmos sobre como e quando a Torat, a Bíblia foi escrita ficaria fácil entender a razão disso, mas, esse tema é muito longo e não é para agora.

Assim esse modelo, de um deus regional ou pessoal é aceito pelos cristãos, mas, é um modelo defeituoso, conveniente e que não faz sentido.

Essa comunicação de deus com a gente, que eu resumi em poucas palavras, se manifesta através uma religião, que tem como primeiro elemento as palavras de deus para nós. Elas, as palavras, são a base do entendimento de deus.

Voltando a questão do que é a religião, as palavras são a primeira criação humana nesse modelo religioso, porque deus não manda um fax ou email. Pessoas que dizem que estão em contato com deus escrevem o que entenderam.

Mas as palavras, são brutas e o conjunto desses textos define um entendimento. O significado precisa ser compreendido e nesse ponto temos a teologia, que é uma interpretação humana da palavra de deus.

Além das palavras, deus também nos ensina a obter ajuda supernatural para nossa vida e isso se faz através da liturgia.

A esse conjunto integrado e homogêneo da palavra, da teologia e da liturgia, nós damos o nome de religião.

Assim temos

Deus

As palavras

A teologia

E os ritos

O que todas as religiões definem é que pessoas preparadas, os sacerdotes, vão gerar a teologia e executar os ritos.

Este é o contexto no qual as religiões estão contidas.

Existem 2 coisas que são basilares na existência de uma religião. A primeira é deus e a segunda somos nós seres humanos, porque esta ligação deus-humanidade é o objetivo de uma religião.

Está surpreso com isso? É bem simples, não?

Todos esses elementos têm uma finalidade. As palavras significam deus, a teologia é o que explica as palavras, que revelam os segredos e transmitem para nós o sentido da vida e o que deus espera de nós e os sacerdotes os que são preparados para essa tradução e execução dos ritos.

Os ritos, que tantos se incomodam, são o elemento que liga nós a deus, é através dos ritos que vamos a ele pedir ajuda e recebemos ajuda, porque existe um supernatural junto de nós.

Contudo não existe perfeição nisso tudo. Deus não interfere nessa construção e não garante qualidade.

Tudo isso ai, incluindo as palavras de deus são uma construção humana. Homens escrevem a palavra como eles a entenderam ou como querem. Homens interpretam essas palavras como conseguem construir e analisar e homens criam as liturgias baseados no seu entendimento disso.

Nada disso é sagrado porque é uma obra humana. Tratar qualquer parte disso é idolatria.

A religião nos liga a deus, mas, é uma construção humana. Nada é efetivamente sagrado.

A razão de serem várias as religiões é porque, apesar de ser o mesmo deus, o mundo é muito grande, são muitas pessoas com culturas e sociedades diferentes. Sejam as palavras ou a forma de entendê-las, varia e assim temos as várias religiões. Mas, todas elas, tem a mesma única finalidade, nos fazer pessoas melhores.

Esse é o único contexto que interessa em uma religião, nos fazer melhores para com as demais pessoas que vivem com a gente nesse mundo. Esse é o objetivo de deus para nós, o objetivo dele. Cada um de nós tem seus próprios objetivos para a vida.

Mas os cristãos em geral (católicos e protestantes) não pensam assim. O modelo teológicos deles é uma construção humana de textos que eles criaram para o seu cânone e posteriormente de interpretações, teologia, que eles definiram para eles mesmos através de sínodos e concílios. O que só católicos definiram como religião e teologia foi inspirada em Cristo, mas, foi só isso, inspirada.

Nessa construção própria deles, nós nascemos condenados ao inferno. Para sermos salvos precisamos da religião. Somente a religião pode nos salvar do inferno e o sacerdote é então essa pessoa que nos salva do inferno.

Lamento se os católicos pensam assim, mas deus apenas quer nos salvar de nós mesmos de nosso livre arbítrio. O livre arbítrio é tão pleno e poderoso que temos que ser salvos, por opção, de nós mesmos. Essa visão que nascemos condenados e precisamos ser salvos do inferno é uma interpretação ruim dos cristãos criada por homens.

Exercendo nosso bom senso e nosso senso crítico, se você supõe que, em face ao mundo como um todo, a toda a humanidade e seus povos - que o próprio deus supremo criou - que este mesmo deus se apresentaria apenas para você e seu pequeno grupo dizendo que vocês são os escolhidos e todos os demais são dispensáveis e ele não se importa com eles, então, se você crê nisso, você não é diferente de qualquer povo que cria um deus próprio para ele e o idolatra como um deus menor e quase pessoal.

Foi por essa razão que Espinoza foi perseguido ele trouxe essa crítica mostrando que não havia a grandeza de deus nessa visão.

Não podemos conciliar o entendimento de um deus supremo com essa visão de um deus pessoal. Essa visão, bíblica, de um deus supremo que exige culto e adoração, ser amado como único e louvado, não tem sentido para um deus supremo.

Vamos falar sobre a questão da idolatria, na verdade, o que está na bíblia era que deus apenas queria ter o monopólio da idolatria.

Não existe a rejeição à idolatria, se fosse assim deus seria como o deus de espinoza.

A torat, ou o pentateuco, são instruções de como deus quer ser idolatrado, instruções detalhadas que incluem os sacrifícios e como devem ser feitos.

Assim existe idolatria na bíblia, mas, ela é exclusiva para esse deus que eles entenderam e traduziram.

A visão de um deus sem idolatria aparece claramente em outras religiões. Situando no nosso tema, ela aparece em ifá, porque Olódùmarè, o deus supremo nessa religião não estabelece idolatria.

Olódùmarè, claramente reflete o deus de Espinoza, que é superior e que sustenta toda a existência e não exige culto porque nossa vida, viver já é um culto a deus.

No induísmo, brama também é assim. Olódùmarè e brama são muito similares e refletem, de fato, um deus supremo.

Atualmente, quando os cristãos veem as mesmas práticas, descritas no pentateuco, em outras religiões as rotulam de pagãs e dedicadas a um deus menor ou a uma visão menor de deus, alguns mesmos dizem que são cultos a demônios.

Mas o pentateuco é apenas isso, instruções de idolatria e liturgia como encontradas em outras religiões. Mas, no pentateuco, um deus pede exclusividade de idolatria e isso continua sendo idolatria porque existe a necessidade e obrigação de ser idolatrado. Não é porque não existe uma imagem física que isso deixa de ser idolatria.

A minha visão é que um deus supremo, criador de tudo não estaria preocupado com isso, em ser idolatrado.

Mas essa miopia sobre deus é bastante comum nos judeus e isso se propagou aos cristãos.

Não dá para juntar a manifestação um deus supremo e um deus regional numa mesma página. Se é supremo, é de todos e não é de um grupo. Se é dedicado a um grupo é mais um deus menor entre muitos que foram criados na mesma época.

Por que estou me referindo a um deus menor e com isso aborrecendo um monte gente? É intencional, porque o que falta é essa visão da grandeza de deus.

Ademais, esse deus, como descrito pelos judeus, passa toda história do antigo testamento brigando e combatendo um outro deus menor, baal -não estou inventando nada, é o que está na bíblia.

Repito, se algum povo ou grupo viesse a mim contando essa história de ter sido especialmente escolhido e que o deus deles os ajudou a derrotar seus inimigos, incentivando ou não se importando com guerras e chacinas (como esta no deuteronômio, antes de entrarem em canaan) eu diria que se tratava de um deus subordinado, um deus menor e não o deus supremo porque tudo isso seria pequeno demais para um deus superior.

Você não pode esperar que deus, sendo grandioso e criador de tudo e todos, deixaria o resto da humanidade toda sem sua orientação e proteção escolhendo apenas os judeus para os suportar, como se só eles merecessem, só eles fossem bons, só eles fossem os eleitos e que só eles poderiam divulgar a palavra de deus “a palavra da salvação da humanidade”.

Seguindo o entendimento judaico, deus estaria tratando todos os demais como se fossem um erro dele. Como se aquelas pessoas, homens, mulheres e crianças fossem desprezíveis, como quando mandou os judeus matarem homens, mulheres e crianças cananitas, como se fossem animais.

Se ele queria exterminar pessoas e era o deus superior porque não estalava o dedo? Ou mandava seus anjos truculentos fazerem algo?

Segundo os judeus mais de uma vez deus mandou os anjos exterminarem seus inimigos.

Porque precisava que os israelitas fizessem esse trabalho sujo, que aliás não fizeram porque não eram burros.

No mesmo deuteronômio deus manda ainda os pais matarem os filhos desobedientes. Deus manda saul exterminar os amalequitas. Manda matar um homem que pegava lenha aos sábados; procurem no google pelas palavras “deus manda matar” e depois voltamos a falar de um deus superior.

Você reconhece nesses relatos um deus supremo? Que toma partido de um lado que precisa de homens para fazer seu trabalho sujo? Se mata mulheres e crianças?

ESSA É A VISÃO DE UM DEUS SUPREMO, O QUE CRIOU O UNIVERSO E A VIDA?

Alguma coisa está errada e não é deus. Certamente falta um entendimento do que deus passou a eles.

O problema disso tudo é que a sua visão sobre deus e religião é fortemente influenciada por essa visão que se espalhou no mundo, porém reflete um entendimento humano. Os judeus criaram a Torat no século V, escreveram cuidadosamente um documento para contar sua história como etnia e ajustaram essa história para mostrar um passado que não foi o deles.

Os cristãos por sua vez fizeram o mesmo com o novo testamento que é uma obra de ficção e complementaram isso com teologia definida em salões.

Não vou detalhar aqui esses temas, o que quero dizer é que você é muito influenciado por essa visão cuidadosamente construída para que o modelo de religião deles definisse o único deus legítimo e que todos os demais fosse demônios e menores, quando é o oposto.

Cabe lembrar que deus quando criou a humanidade inseriu a fé como parte de cada ser humano, todos nascemos com deus no coração. Não precisamos que ninguém nos ensine sobre deus, a fé e a crença em deus surge naturalmente em todas as pessoas. Você têm que fazer um esforço grande para não crer em deus.

Onde ? Existe o reconhecimento da grandeza do deus superior, criador de tudo se ele escolhe um grupo pequeno e despreza todo o resto da humanidade?

Isso não faz o menor sentido, o que faz sentido é o que eu disse, que através de sua grandeza deus sempre se fez presente em todo o mundo de maneira diferente ou melhor sendo entendido ou traduzido diferente.

Voltando ao início o reconhecimento da grandeza de deus, da grandeza de um deus supremo e criador de tudo e todos no leva ao real entendimento que deus se faz presente em todo o mundo, para todas as pessoas e que por essa razão, ao redor do mundo outras religiões reconhecem e divulgam a palavra e teologia do deus supremo.

O deus supremo está para todos o tempo todo. No mundo todo ele se manifesta e as pessoas o traduzem em religiões. Claro que elas são diferentes, porque pessoas são diferentes e entendem diferente.

Deus se manifesta para alguém e esse alguém entende aquilo de forma um pouco diferente, ou adiciona sua criatividade ou posteriormente surgem interpretações diversas. Isso é o processo humano o qual deus não controla e por isso derivam religiões boas ou más e estas últimas sempre acabam.

Mas ele plantou a semente original, árvores distintas nascem dela, umas boas outras melhores e outras não tão boas.

Essa questão de qual deus escolher é baseada apenas na falta de entendimento da mensagem de deus. O erro não está em deus.

Para isso ficar mais evidente vamos entender a natureza humana da palavra de deus, da religião e da teologia, porque explica onde esta a falha.

domingo, janeiro 14, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - A GRANDEZA DE DEUS - PARTE 2 DE 11

 

VOCÊ ENTENDE O QUE É A GRANDEZA DE DEUS?

O entendimento do que estou falando envolve primeiro e mais importante o reconhecimento da grandeza de deus.

Isso parece meio óbvio, mas, é isso o que falta às religiões semitas, o real entendimento sobre a grandeza de deus. Eles, na prática, nos textos, diminuição a grandeza de deus é a raiz desta questão.

Não quero parecer arrogante e nem mais esperto do que todos e, sem dúvida, existem pessoas muito inteligentes que são católicas e cristãs, mas é elementar que a interpretação que eles adotam é tacanha.

As religiões derivadas da torat, do pentateuco, falham nisso, eles, na minha visão, de forma proposital ou acidental - não sei - não reconhecem deus em sua grandeza. Eles não traduzem nos seus livros o verdadeiro deus supremo.

Isso é muito simples, mas nesse vídeo eu não vou poder ficar dando os exemplos, quem sabe em um outro, nesse momento vocês terão que avaliar meus argumentos.

Isso é uma questão humana, porque, temos pessoas que creem em deus, aceitam a teologia de uma religião, creem na tese da gênese do universo e da humanidade a partir do deus superior e criador, mas, que, apesar disso, não aceitam a real perspectiva da grandeza de deus e aceitam sem pestanejar a formatação de um deus menor.

Essas pessoas preferem se apegar a uma visão muito restrita de propriedade do deus que, nesse caso, deixa de ser um deus superior e se torna um deus menor, um subordinado. Eles, nos seus textos, não retratam um deus superior.

Se você não entendeu ainda a que estou me referindo, a torat e a bíblia mostram para todos um deus pessoal, um deus exclusivo, dedicado a um grupo e que elege poucos e os trata como especiais pelos 6.000 anos de história que estão na bíblia.

O que é mostrado ali são os escolhidos versus o resto da humanidade, como se esse restante da humanidade não fosse criado pelo mesmo deus.

Vamos resumir, o antigo testamento mostra um deus, que eles dizem ser supremo, o criador de tudo, mas, absolutamente preocupado e dedicado a eles, um povo pequeno face humanidade e que apesar da dita, atenção, desse deus, se comporta mal e pessimamente ao longo de uns 3.500 anos. Somente no século 5 AEC é que os judeus se convertem ao monoteísmo e aceitam Javé, antes nunca foram, Javé era mais um deus sendo oferecido a eles.

E essa preferência toda termina em nada, porque esse povo representa apenas menos do que um traço na população do mundo junto com sua religião.

Após você ler todo aquele livro, o antigo testamento você continua sem ter a menor ideia de qual foi o objetivo daquilo tudo.

O fato de eles, em sua maioria não aceitarem a mudança no mundo feita por um evidente sucessor dos profetas, o cristo, é apenas a continuidade da mesma forma de agir desse povo em relação a deus ao longo de sua história e eles continuam achando que o deus supremo os escolheu como especiais, apesar deles não terem nenhum compromisso com o trabalho de deus para o mundo.

Espinoza, filósofo judeu, do século XVII, muito criticado sobre esse tema, tratou sobre esse tipo de visão. Ele expôs essa questão da grandiosidade versus a pequenez. Alguns podem não conhecer o que ele disse ou estarem estranhando eu trazer ele a esse tema, mas, eu vou citar ele aqui algumas vezes porque um grande mérito dele foi trazer a tona essa questão da grandiosidade de deus e a crítica a forma como a torat retratava um deus menor.

Eu vou fazer um video complementar para comentar sobre essa visão dele.

O que vou explicar, então é, como essas pessoas retiram a grandiosidade de deus e transformam ele numa figura menor, apesar de afirmarem justamente o oposto e mais, como as pessoas não reconhecem essa visão menor.

Essa é a discussão agora.

Deveria caber facilmente a todos que realmente acreditam em deus e principalmente na grandeza de deus, naturalmente aceitarem as demais religiões como legítimas, porque elas evidentemente são parte da grande obra de deus para toda a humanidade.

Eu digo que tem que ser uma aceitação natural, porque, isso, parte de entender a existência de um deus supremo e maior e principalmente a finalidade de religiões.

Vamos perder um tempinho explicando deus e a religião para depois voltar nessa questão da grandeza. Esse é um dos meus assuntos preferidos.



sexta-feira, janeiro 12, 2024

QUAL O MELHOR DEUS A ESCOLHER? PARTE 1 DE 11

 

QUAL O MELHOR DEUS A ESCOLHER?

Existe uma questão que tem origem nas religiões abraamicas e que nos afeta um pouco.

As religiões abraamica são: judaísmo, catolicismo e suas variações e até o islã.

Essa questão é a que eles enfrentam as outras religiões em relação a existência de deus.

Os abraamicos, todos eles, entendem que eles têm o deus, o verdadeiro e que outras religiões tem outra coisa, mas essa outra coisa não é deus, porque só eles conhecem o deus de verdade.

Vocês não podem imaginar quantas formas diferentes temos de enfrentar esse argumento bobo, mas, eu aqui vou enfrentar isso usando a teologia deles e claro, bom senso.

Essa colocação sobre deus, adquire diversos sabores dependendo da religião dessa raiz semita, essas que eu citei, mas a questão é a mesma.

A posição deles pressupõe que existem vários deuses ou sub-deuses ou falsos deuses ou demônios. Eles usam várias denominações. Isso não é simples, eles definem as outras religiões da forma como querem, mas, no fim, somente eles tem o absoluto, único e verdadeiro deus e a única verdade.

O curioso que essa verdade surge da cabeça deles.

Acreditem, tratar desse tema seria um longo e interessante relato, explicando que os judeus sempre foram politeístas, muito tardiamente mudaram isso e ai se converteram e reescreveram muito tardiamente toda a sua história para apagar esse passado. O antigo testamento é uma obra literária cuidadosamente elaborada.

Mostrar que esse entendimento que eles fazem das outras religiões é parte disso, que existe na atualidade um enorme esforço dos cristãos em geral de distorcer entendimento do livro deles para empulhar suas teses.

Dessa multiplicidade de deuses é que veio o título do vídeo, mas, para simplificar: temos, de fato, muitos deuses? Temos o deus deles, o deus dos hindus, o deus dos chineses, etc..?

Qual é o melhor deus a ser escolhido nessas opções?

O que isso muda na nossa vida?

Ao escolhermos um deus e uma religião mudamos nossa vida e nosso destino?

Por exemplo, os cristãos terão uma vida e um pós-vida diferente dos induístas? Depois que você morrer, vai ter uma porta para os cristãos entrarem, outra para os induístas? Outra para os espíritas? Já pensarem nisso?

Por quê eles tem esse problema da supremacia do deus deles e as demais religiões não têm?

Que deus devemos escolher? Qual é melhor? O deus deles ou os outros deuses?

Se tratamos deus como Olódùmarè, teremos escolhido o deus errado?

Bom, antes de seguir tenho que dizer que esse assunto é bem extenso, dá para falar muitas e muitas horas sobre isso e, assim, eu escolhi um viés entre os muitos possíveis, um que eu entendo ser mais simples para abordar o tema.

Além disso, neste vídeo, vou estar falando da forma como as religiões abraamicas, que eu citei, tratam essa questão de deus e por essa razão estarei referenciando muito os judeus e o judaísmo, apenas porque o entendimento e história deles está na origem dessa questão. Não tem nenhuma razão especial e este tema não é destinados somente aos judeus.

Primeiro vamos a uns números sobre religião no mundo:

32% é cristão (50% católico)

0,2% é judeu

23% é muçulmano

Total abraamico – 55%

7% é budista

15% é induista

total Indu – 22%

15% é sem religião mas creem em deus

3% são ateus

4,8% - outras

Podemos entender várias coisas com esses números.

A primeira é que eles, os semitas, são apenas metade da população do mundo. A outra metade não pensa igual a eles.

A segunda é que, de fato deus fez um bom trabalho através dessa religião, partindo dos judeus, que são menos do que um traço na estatística, ele convenceu metade do mundo a seguir esta religião. Inclusive explorar esse tema, de por que e como deus espalhou essa religião pelo mundo já seria um tema enorme.

A terceira é que os ateus são apenas 3% do mundo, eles são menos do que qualquer religião, são pouco mais do que um traço, mas, querem dominar o discurso. Eles conseguem isso devido aos 15% que creem em deus mas não tem religião, como sempre esse pessoas ficam em cima do muro mas sempre caem do lado cristão, prejudicando todo mundo.

Eu gostaria de abordar diretamente a questão de existir ou não vários deuses, mas, tenho que fazer um pouco diferente. É necessário explicar isso em uma ordem para que isso possa ser abordado, caso contrário vai ser inútil, assim tenham um pouco de paciência.

Vamos então a um argumento teológico simples - como eu prometi - para iniciar, mas, para isso, precisamos não tomar partido de nenhuma religião, porque não dá para olhar essa questão estando de ante mão preocupado em afirmar a posição de uma delas.

Na gêneses das outras religiões, que não as semitas, um deus supremo também criou tudo do nada.

Nenhuma história é igual à outra, em algumas aparecem mais ou menos deuses, existem justificativas para a criação e, sem nenhuma coincidência, elas refletem, no fundo, a forma humana de se relacionar, mostrando que as pessoas apenas contaram as histórias de uma maneira que as outras pessoas entendessem. Mas isso é apenas variações da literatura de construção e não podemos examinar esses textos buscando exatidão histórica ou descritiva porque são textos humanos. Foram escritos para descrever um contexto para humanos e feitas por humanos.

Uma história na qual um deus único e solitário cria o tudo do nada e sem motivação ou explicação não é melhor do que outras que mostram um deus maior e outros menores criando o mundo e as pessoas, baseados em um motivo qualquer, conflito entre eles, etc.

O exame disso mostra que as outras religiões, grandes ou não, reconhecem a existência do mesmo deus supremo e da mesma criação unificada.

As narrativas normalmente são na forma de versos épicos e trazem variações na maneira de se entender o mesmo assunto com mais ou menos detalhes.

Não se pode ficar confrontando detalhes e mostrando defeitos ou lacunas nas narrativas de cada uma, como os semitas gostam de fazer para ter razão.

Não tem nada de melhor em uma gênese simples e sem graça versus outra épica e cheia de detalhes. A história da gênese sempre será uma obra humana feita para humanos entenderem.

O que importa é o sentido geral do tema e, nesse sentido, o fácil entendimento da presença do deus supremo é constante nas religiões.

Existe uma abordagem aqui, que tem muitos pesquisadores e trabalhos que questionam a autenticidade do relato judaico, esses que as pessoas tratam como sendo o verdadeiro, mostrando as referências originais e como foi criado, mas não vou abordar esse viés.

Então, seguindo o que estou explicando, não podemos ter vários deuses supremos criando o mundo de forma diferente ou mais de uma vez.

O que temos então são várias fontes, independentes, relatando a presença do mesmo deus supremo criando tudo. Esta é uma consciência coletiva, que atribui a um deus supremo a origem da vida e do mundo.

Como consequência do que estou dizendo, não podemos ter jeová de um lado criando o universo só para os judeus e de outro brama e olódùmarè, por exemplo, fazendo o mesmo para hindus e africanos. Só temos 1 universo e 1 mundo para ser criado, não vivemos em universos paralelos.

Como outras religiões também relatam um deus supremo e como não podem haver 2 ou mais deuses supremos, temos que estar tratando do mesmo e único deus supremo, que existe e criou tudo. Mas, esse deus, é entendido ou traduzido por povos diferentes de maneiras diferentes.

Entendam que, nenhum deus, passou um fax para os humanos contando a história da criação.

As gêneses sempre são obras humanas feitas para humanos entenderem e sempre surgiram quando não havia escrita e foram documentadas em escrita muito posteriores a sua origem.

Assim, não existe, de fato, um deus a escolher, não existe deus melhor a ser escolhido, uma vez que, como eu afirmo, estamos tratando do mesmo deus, apenas com nomes diferentes.

Como consequência dessa minha afirmação, as demais religiões também são manifestações do mesmo deus supremo.

Assim, isso é o que um observador independente, que não esteja comprometido com nenhuma dessas visões, pode facilmente concluir.

O meu argumento é simples de entender, deus, em todo o mundo e ao longo dos séculos sempre esteve junto das pessoas, se anunciando e com isso estabelecendo religiões. Ele sempre buscou proteger e orientar a humanidade, como um todo a encontrar sua melhor versão humana.

Na visão de todas as religiões o mundo, o universo e toda a humanidade é obra de deus. A obra é o todo e não apenas uma parte.

Claro que, contrário a essa minha visão muitos vão se levantar, principalmente os semitas: judeus e cristãos.

Vão dizer que estou fazendo uma salada, misturando tudo e que tudo é a mesma coisa, que deus é único e apareceu para eles e blablabla.

Mas não é isso que eu falo. Eu não penso que é tudo igual. Todas as religiões são diferentes e a razão disso é humana e não divina.

Minha visão é que cada pessoa deve escolher apenas uma religião e basear sua fé nas mensagens desta religião e desconsiderar as outras.

Se escolheu a melhor ou não isso é de cada pessoa. Eu reconheço religiões ruins e boas por critérios objetivos, mas cada pessoa deve fazer sua escolha.

E por que escolher apenas uma? Porque cada religião tem uma consistência teológica contida nela. Existe orientações, indicações, proibições e modelos a serem seguidos e isso só faz sentido com o entendimento da teologia e com o devido equilíbrio das coisas.

Eu sugiro que essa escolha deve ser também baseada em sociedade e cultura, não vejo sentido em alguém aqui no Brasil querer ser induísta. Religião é importante, tem propostas diferentes para você entender e viver sua vida, mas escolher uma é uma escolha pessoal e cada um viva com a escolha que fizer.

Por fim, é minha posição que você deve ter uma religião ao invés apenas de crer em deus. Ter uma religião significa você aceitar e se submeter as mensagens e orientações de deus. Significa você mudar quem é e sua vida baseado no que deus transmite através do entendimento deste religião. A pessoa que adota uma religião está aberta a dar e receber de deus. Quem crê sem adotar uma religião quer apenas receber de deus.

Vocês podem estar confusos, nesse momento onde eu quero chegar, mas, calma isso vai ficar claro.

O que eu estou afirmando é que não temos um deus melhor ou verdadeiro a escolher. É o mesmo deus supremo. Você não pode acreditar em um deus supremo e duvidar das outras religiões, se você faz isso é você que está acreditando em um deus menor ou no seu diabo preferido.

O problema com os semitas: judeus e cristãos, nessa questão é que a teologia deles depende da afirmação de serem únicos e de terem a única verdade. Sem isso o castelo de cartas deles desaba, por isso são tão agressivos nessa questão. Esta é a razão da intolerância.

Eles fazem você acreditar que só eles falaram com deus quando na verdade ninguém falou com deus nenhum.

É isso que eu vou explicar.