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quarta-feira, maio 21, 2014

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá

(Parte 4/5)

A escolha de ebós e oferendas


Após o Babalawo ter determinado o tipo e origem do estado do odù, ele parte para definir o ebó. Esta definição pode variar entre tradições, escolas e ramas, mas basicamente passa por determinar primeiro os elementos que serão necessários no ebó de ifá e se além disso será necessária alguma oferenda para uma ou mais divindades que se apresentarem para te ajudar. 

O ebó de ifá é feito em cima do opon ifá, o tabuleiro de ifá e é um processo composto de muitas rezas. A quantidade de elementos é bem menor do que comparado com o que se faz no candomblé e sua preparação bem mais simples.


As oferendas para divindades são convertidas em axé para você, orixá não come, quem come é seu corpo. Mas existe também o caso onde a oferenda é usada para aplacar ou afastar ajoguns ou ajés. Essas oferendas podem ser comidas votivas ou animais. Não existe regra, cada caso é um caso.


O grande problema nesta fase é o exagero. As pessoas pecam pelo excesso, assim, em vez de oferecerem pouco ou o mínimo necessário, iniciam oferecendo muito e fazendo questão de incluir animais. Não existe erro se a oferta é feita e o oráculo aprova. Contudo poderia também ter aceitado muito menos.


As coisas que alertei no assunto anterior, sobre os estados de Ire ou Osogbo e a forma de ver isso, interpretar isso e explicar isso ao cliente repercute aqui. Sem dúvida serão os "graves" casos de osogbo de determinarão muitos ebós e com muitas coisas. Por isso que expliquei a questão da orientação do Odù,
O que esta envolvido em grandes oferendas é sempre a mesma coisa, o vil metal, o dinheiro. Custa mais em material e custa mais na remuneração pelo serviço de executar aquilo. Quanto mais pessoas envolvidas, mais dinheiro. Ifá é diferente do candomblé neste aspecto. No candomblé as pessoas trabalham para a casa de forma que sempre a casa é quem recebe. Em Ifá no modelo cubano, não tem essa de casa e egbé. Cada um que vai la recebe para isso.


Eu digo que você deve fazer o que o oráculo indica, nem mais nem menos. Entretanto, dosar o que vai ser oferecido para aprovação é que são elas. Como eu alertei antes, toda vez que tem dinheiro envolvido você deve ficar atento. Isso, o dinheiro, muda tudo.


Na hora de determinar o ebó eu penso que sempre se começa com o pouco. Gradativamente se adiciona e uso de animais somente em último caso. Não que eu seja desses preocupado com animais, não sou, minha preocupação é com o consulente.


Não faça ebó como falta de opção. Faça se quiser e se confia na pessoa. Você pode desistir a qualquer momento.


A minha recomendação mais importante e valiosa é esta: se um ebó deu certo não adianta voltar lá pedindo um reforço. Não adianta fazer mais ebós ou fazer ebós maiores e mais complexos. Você não ganhará mais por isso. O ebó funciona na medida certa do que tem quer ser. Também traz o resultado certo que tem que trazer. Seria muito fácil se fosse assim, quanto mais ebó mais resultados, todo babalawo e babalorixá seria rico.
 


Uso de estórias na interpretação


A coisa mais importante em Ifá são as histórias dos odu. Elas são que tem as mensagens para o consulente. A consulta será tão boa e precisa quanto o babalawo se dedicar explorar e entender as estórias.

Você poderá encontrar Babalawos que não se preocupam com as estórias. Isso ocorre porque nos tratados cubanos existem 2 tipos de informação. Existem uma série de pré – interpretações associadas a cada odu. Muitas pessoas se preocupam apenas em aprender isso fazendo que a consulta com elas fique muito objetiva. Os odus saem e elas já saem dizendo o que é o problema e, com suas respostas elas vão ajustando a interpretação delas. Como o ebó já foi tirado ela só precisa equalizar com você uma situação que você concorde, ai acabou.


Esse formato é igual ao dos babalorixás de candomblé. Eles fazem consultas com búzios de 15 minutos.


Mas ifá não é assim, ou melhor, não deve ser assim.


Você deve ouvir as estórias e interpretá-las junto com o Babalawo associando as estórias a sua vida. As boas histórias deixam lições importantes para você. Acima de tudo o próprio consulente é quem analisa se aquela estória se encaixa na vida dele. O Babalawo, através da visão do consulente sobre a estória consegue captar o que aflige aquela pessoa, quais são seus temores e os valores que ela tem.


A estória permite você avaliar sua vida e seu comportamento, suas ações e realizações. Ao se espelhar nos personagens e situações, você tem a oportunidade de fazer uma auto – avaliação. 


A percepção deste conjunto de coisas permite ao Babalawo entender de fato a origem dos problemas do indivíduo. Ajudá-lo a entender a origem é o que permite a essa pessoa corrigir sua vida. As pessoas não conseguem por si só ver essa causa raiz. Elas veem os problemas que tem como uma conspiração da vida e das pessoas ao seu sucesso. Elas buscam no jogo alguém que, então, resolva esses problemas com ela, esses problemas que não são dela e que estão atrapalhando sua felicidade.


O Babalawo de verdade estará em uma consulta sempre de olho nas causas raiz, buscará aquilo que Ifá tem a falar aquela pessoa e que está ligada ao destino dela. Por isso que eu digo que teologia é importante. Orunmilá é o eleri ipin, o testemunho do nosso destino, o que ele tem de relevante a falar para nós esta ligado a isso e é esta característica que personaliza ifá. 


As pessoas vão a Ifá com um problema, mas, na consulta, ifá vai falar o que é importante para você saber. Depois o Babalawo endereça o seu problema, mas, Ifá diz as pessoas aquilo que elas precisam ouvir para serem felizes e realizar o seu objetivo de vida.


O Babalawo que em vez de focar nisso se ocupa com o imediato, não realiza a sua função como representante de Orunmilá. Esse viés de interpretação é objetivo mas não é um bom ifá. Para fazer isso vá a um jogo de búzios ou cartas que eles vão ser até melhores.
 

Babalawos determinando orixá em jogo.


Não tem nada pior, mais idiota e baixo do que babalawo que se mete a, em consulta a Ifá, dizer orixá e coisas de orixá, seja para abiãs como iniciados. Isso é um hábito ruim, sem ética e desprovido de fundamento.


Isso sempre foi feito pelos olhadores de búzios, babalorixás ou não. Nunca prestou para nada, sempre foi motivo de piadas e sempre foi baseado em arquétipos. As poucas vezes que alguém acertava era apenas coincidência. O objetivo disso sempre foi comercial. O olhador busca através disso, da determinação de orixá, de pegadas que permitam a ele prender o interesse do consulente, fazer ele voltar e comprar mais coisas dele. Orixá sempre é um gancho muito bom, as pessoas adoram, igual horóscopo.


A pessoa vai para uma simples consulta de búzios e já sai dali com orixá, qualidade e juntó. É mole? Ninguém com 3 neurônios pode acreditar nisso. Para que a feitura? Para que os ritos de feitura? Quem passa por uma feitura ou participa entende facilmente a bobagem que é essa coisa de orixá em jogo. Falo de feituras de verdade, não essa coisa de 7 dias.


No caso de ifá o que mais encontro é Babalawo que não sabe nada de orixá, dizem que sabe, falam que sabem, acham que sabem, mas acreditam que só porque virou Babalawo se transforma automaticamente em especialista. Especialista de coisa nenhuma. Alguns são pessoas que podem até ter convivido em uma casa de candomblé visto e aprendido alguma coisa ou até bastante, mas, não eram e não serão babalorixás. Não adianta se comportar como um babalorixá frustrado, e como Babalawo querer fazer aquilo que cabe a um babalorixá de direito e com propriedade para lidar com isso.


Outros, nunca foram de candomblé, nunca conviveram em um terreiro. A pessoa entra pela porta lateral de ifá, sem saber nada, é instruído em algumas coisas de lukumi e passa a se achar alguma coisa. Inicialmente eu digo que o lukumi está mais para uma umbanda omoloko melhorada do que para um candomblé, mas isso é apenas minha opinião idiota. Os cubanos não podem responder a isso porque eles não conhecem nem candomblé, nem omoloko e muito menos umbanda. Assim eles nem sabem o que eu estou falando.


Contudo aceito que pessoas antigas de lukumi, cubanos nascidos e feitos nesta tradição conheçam orixá, do jeito deles, mas conhecem. Os ritos lukumi são muito sérios e é uma tradição de orixá com história e esás.


Entretanto, brasileiros que entram com o bonde andando, sem formação e experiência nada sabem de nada. Não se pode comparar um lukumi que cresceu dentro disso e um brasileiro que cai de paraquedas nisso.


Essas pessoas, brasileiros, não conhecem nem o lukumi e muito menos o candomblé, fazem o mesmo que o pessoal de umbanda que vai para o candomblé faz, mistura uma coisa com a outra e sai tocando como se fossem gente de verdade.


Dessa forma cuidado ao darem ouvidos a Babalawos quando se trata de orixá. Não é a praia dele.

sábado, maio 17, 2014

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá (Parte 3/5)

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá

(Parte 3/5)


A questão de ire e osogbo


Este texto não tem objetivo de explicar sobre o conteúdo da consulta e sim fazer recomendações e explicações gerais para quem vai a uma consulta. Mas, mesmo com este sentido não dá para não comentar sobre o estado do odù, devido a alta significância disso na relação de consumo cliente – babalawo. 

Após o Babalawo determinar o odù principal ele deve determinar se ele veio trazendo ire ou osogbo / ibi. 


Muitos se referem a esta parte do processo sendo como determinar se ele está positivo ou negativo. Minha visão disso é diferente e vou explicar a seguir. Esta diferença de entendimento, que estou propondo agora, é significativa como um fator importante que afeta a relação consulente-Babalawo. 

Como já ocorre no candomblé e com outros videntes, o jogo é apenas a porta de entrada para outros negócios. Vocês nunca devem perder esta perspectiva de negócio que está envolvida porque isso é, de fato, o que determina o resultado de muitos jogos. Entender isso facilita o entendimento do comportamento associado às pessoas nesta atividade oracular.

Não é a expectativa do olhador que o atende (seja ele Babalawo ou outro) que a relação entre vocês se conclua com a consulta ao oráculo. Quem vai a um oráculo é porque tem problemas, não vai ali para bater papo, e o olhador é acima de tudo um profissional para resolver problemas através do supernatural. Para a muitos Babalawos, o que ele faz não é um sacerdócio, bom, também é um sacerdócio (da forma como ele gostaria de se ver), mas sem nenhuma dúvida é uma profissão, ou também um negócio. 


O valor da consulta sempre leva em consideração o valor de mercado dela,mas não é com isso que o Babalawo se mantêm. O mais relevante é a perspectiva de fazer novos negócios, de ebós a iniciações, após a consulta (como resultado dela). Isso é igual ao valor do jornal em uma banca de jornal. O valor que a gente paga não deve cobrir o custo do papel. O que permite o jornal ser impresso e circular são os anúncios que ele contém. Também como a TV que é de graça para nós, mas mantida pelos anunciantes. 


A gente vê na praça videntes que dizem que a consulta dele tem um valor mínimo, incentivando assim as pessoas a procurá-lo. De fato, a consulta tem mesmo um valor baixo, na verdade o trabalho de venda dele será sobre o psicológico do consulente em função do que ele vai ver no jogo (sendo criativo ou não). Ele vai trabalhar as ambições e medos do consulente, independente dos problemas (e gravidade) que eles tenha de fato. Afirmo que essas pessoas são boas no que fazem, isto é, induzir as pessoas a gastarem dinheiro em trabalhos com eles e muitas vezes são também muito boas na sua vidência.

Outras inovam, dizem que o valor da consulta já inclui o trabalho posterior. Isso é só marketing. Tomem cuidado.


Com o Babalawo não é diferente. 


Como eu disse toda consulta a Ifá leva a um ebó, claro, existem os casos que pode não ser necessário, mas o normal é ter mesmo e prefiro me dirigir a regra e não a exceção. A questão de ter o ebó é parte da estrutura do oráculo e é perfeitamente normal e esperado.
Devemos, em primeiro lugar, considerar que a consulta a Ifá já é um ebó. Esta é uma grande diferença entre ifá e outros oráculos.


A origem disto está na teologia explicada no inicio deste texto. Orunmilá é o eleri ipin, o testemunho do nosso destino. Vamos a Ifá para recorrer a Olodumare através de Orumilá, quando precisamos de uma orientação em nossa vida para poder cumprir o nosso destino (ou objetivo de vida). Olodumare responde através de um odù. O odù não é apenas um sinal ou desenho, os sinais o representam, mas, uma consulta feita com um Babalawo, traz o odù como a energia que Olodumare envia para nos ajudar. O odù é o axé de Olodumare que desde o momento da consulta através de Orumilá, Exu e principalmente dos orixá se manifestará na nossa vida.


O trabalho do Babalawo é ser o intermediário disso e posteriormente, através do ebó conduzir e manipular este axé para que ele se manifeste em sua plenitude na vida de vocês e não seja perdido. O Babalawo é um intermediário desta operação assim como o são os orixás que se apresentarão para ajudar a pessoa.


Quando Olodumare criou o aiye ele sabia que a vida teria interesses mas também dificuldades causadas pelos ajogun e ajé. Ele também sabe que o processo de nascimento pode ter falhas desde a escolha do Ori até a concepção física. Para que as pessoas pudessem superar tudo isso ele criou ifá. Ifá contém a palavra de Olodumare através dos seus versos e também os signos através das marcas de odù. Essas coisas transmitem o axé do Olodumare para as pessoas, as palavras de ifá rezadas a partir dos versos Invocam ou transportam o axé de Olodumare.


Desta maneira a própria consulta já é um ebó. Por isso é importante o uso de ikin e por isso o Babalawo deve rezar o odu que sai na consulta.


Toda esta explicação teológica é para dizer que não concordo com a visão ou forma de explicar, não importa, que as pessoas usam, inclusive as que se dizem Babalawo, de que um odù traz uma negatividade e por isso o ebó é necessário, sem o que a pessoa ficaria com a negatividade com ela.


Essa visão sempre existiu no candomblé, com os babalorixás tocando o terror com os odu, dizendo que tal odu era terrível, o outro provocava isso ou aquilo, levando às pessoas a crerem que eles, os odù, eram uma coisa ruim que agarrava em você e você tinha que se livrar dela.


Isso continua em Ifá, após sacar o odù o babalawo deve determinar se ele vem no estado de bênção, ou ire, ou de mal, ibi. Os cubanos não usam a palavra ibi, usam osogbo, que significa que, não é ire. As palavras mudam mas são usadas da mesma forma.


O uso desta interpretação de odù positivo ou negativo visa sempre o mesmo, induzir o consulente a fazer o ebó. Como Babalawo eu digo que você deve fazer o ebó recomendado. O odu e o ebó são uma resposta divina a sua súplica. Não fazer é desperdiçar o axé que Olodumare envia para você a seu pedido, uma vez que, se você vai a Ifá é porque pede ajuda.


Apesar disso eu, como todo mundo, sei que o objetivo do vidente, olhador ou Babalawo é que você faca o ebó. Existe uma transação mercantil em curso entre você e ele, e ele não quer de você apenas o valor da consulta, ele quer muito mais. A consulta é uma porta aberta às oportunidades. Esta é uma sombra que não pode ser ignorada nesse processo.


Em função disso é que o entendimento da orientação do odù é importante, porque esta interpretação é o principal motor das ações direcionadas ao consulente.


Cada um deve avaliar no que acredita, o que eu posso fazer é dar a minha visão. Neste sentido minha interpretação é que um odu sempre é positivo porque ele é axé. O problema já está com você, o odu sempre vem para ajudá-lo. Se você não fizer o ebó vai ter desperdiçado o axé. Também não descarto em alguns casos, principalmente em Ire algum desequilíbrio temporário, porque axé demais também atrapalha.


Na minha visão quando o odù vem em ire ele traz bênçãos para você, axé para impulsionar sua vida, ajudá-lo a melhorar, realizar algo, etc... Quando ele vem em ibi (também chamado de osogbo ou ayewo) ele vem para retirar ou neutralizar um mal que o ronda, uma sombra em você, etc... o axé do odù será usado para zerar sua conta, deixá-lo sem a influência da energia negativa ou da eminência de uma situação desfavorável.


Dessa maneira odù sempre é uma energia boa. Ele pode vir para alavancar sua vida ou para retirar a negatividade que já existe.


Minha visão da religião é sempre positiva. Os orixá estão sempre para nos ajudar, para trazer o bem para nós. Eu não mistifico situações, não vejo orixás exigindo coisas, cobrando coisas ou punindo que não os adora. Vivo bem e sem problemas com essa minha visão. A teoria na prática é a mesma, ou melhor, o rito e a teologia são o mesmo.


Assim eu recomendo que não se assustem com essa questão de ire ou osogbo. Nenhum mal foi jogado sobre suas cabeças. Acreditem no oráculo, sigam as recomendações tenham fé em deus e nos orixá. Mas, vocês não precisam de gente prevendo o fim do mundo. Ajam com prudência e fiquem de olho vivo nas espertezas. Depois da consulta decidam o que querem fazer. Se a pessoa que consultaram não passou confiança ou o ambiente que ele está ou que se cerca não é confortável para vocês, não façam nada. Não aumente o tamanho do seu problema.


Decidam com racionalidade o que querem fazer. Não tomem decisões por medo.

Quando e falar, a seguir, sobre escolha de ebós, vocês vão fechar o entendimento de porque é importante a definição de Ire / osogbo.

O uso de ìbò

A questão de Ìbò é um pouco técnico e mais profundo e não sei se todos vão compreender, mas, é importante comentar.

Uma das coisas que mais torna ifá um oráculo interessante para o consulente é o uso dos ìbò (ibô). Os ibô são objetos que o Babalawo coloca em ambas as mãos do consulente e este os embaralha colocando cada um e uma mão mas escondidos do babalawo, que não deve saber em qual mão está cada Ìbò. O objetivo deles é servir para responder as dezenas perguntas de sim ou não que surgem durante a consulta. 


Um dos objetos significa SIM e o outro significa NÃO. A cada pergunta os objetos são novamente embaralhados. O Babalawo define às cegas qual a mão o consulente deve abrir e, em função do conteúdo da mão, o tipo do ìbò, a pergunta será respondida com SIM ou com NÃO. O que o Babalawo faz é usar os ikins ou opele para, através da ordem de senioridade dos odu determinar que mão deve ser aberta. O ìbò determina a resposta., mas, o Babalawo não sabe a resposta antes da mão ser aberta.


Observem que é um trabalho colaborativa. Ifá diz ao Babalawo qual mão deve ser aberta. Porém foi o consulente que colocou sem a ciência do Babalawo, o ìbò que determina SIM ou NÃO. A resposta é o resultado do trabalho de ambos.


Chamamos isso de interação entre o oráculo e o Orí do consulente. Usando dessa maneira o Babalawo não pode manipular as respostas, mas, acima de tudo o consulente participa do oráculo.


Os tipos de objetos são trocados de acordo com o tipo de pergunta, normalmente o objeto que significa NÃO é o mesmo, o que vai significar o SIM em cada pergunta é que muda. O objetivo do uso disso é fazer com que o oráculo interaja com o Orí com consulente, seu orixá individual e protetor. 


Existem Babalawos que estão deixando de usar isso. Existe uma forma de fazer o processo sem o ibô, que o Babalawo emprega quando esta sozinho ou jogando para ele mesmo. O que noto e que esta simplificação acaba atraindo as pessoas. Veja, já é uma simplificação usar o opele, será uma maior ainda você dispensar o ibô. Claro que as pessoas tem explicações para isso, mas racionalizar é um processo fácil. O complicado é fazer o que deve ser feito.

sábado, maio 10, 2014

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá (Parte 2 / 5)

O que você precisa saber sobre consultas a Ifá

(Parte 2 / 5)



O valor da consulta e de trabalhos adicionais


O valor de uma consulta a Ifá esta ligado ao mercado disso, o mercado de consulta a oráculos. Para este mercado não existe especialização o que importa é a eficácia, a rapidez que se resolvem problemas. Ifá não é eficaz, é eficiente, com o suporte de ifá você poderá resolver problemas da sua vida e decisões de maneira definitiva.

Não entre na idéia de que tudo que é bom é caro. Uma consulta a Ifá, se bem feita vai te dar orientações e conselhos. É isso que você esta pagando. Um Babalawo não pode almejar ser rico. Ele pode almejar que em função da dedicação que Ifá exige e do prazer e realização que ele sente em fazer aquilo, que Ifá possa sustentá-lo. Todas as religiões sustentam os seus sacerdotes, ser um sacerdote remunerado por este ofício não é nada demais.

Pagar a um Babalawo pela consulta é completamente natural. Os espiritas ( kardecistas ) que são elitistas e arrogantes, além de representarem um embuste ideológico, inventaram que a prática da religião deveria ser caridade, porque é um dom divino. Isso é tão fraudulento e elitista como era o barão de coubertain que criou as olimpíadas modernas somente para amadores (Ele apenas queria afastar, como fez por muito tempo as classes mais pobres da disputa).


Padres são remunerados, monges são sustentados, literalmente pelas comunidades onde vivem.


Ifá exige dedicação e gastos para se manter. Mesmo pessoas que trabalham e são Babalawo precisam cobrar para fazer frente aos seus gastos devido à esta atividade religiosa. O Babalawo tem que periodicamente se submeter a cerimônias e ebós devido ao exercicio da atividade como Babalawo. Lidar com o supernatural, suas energias e os problemas das pessoas transfere para o Babalawo, suas casa e vida energias que devem ser neutralizadas.


Assim, um Babalawo cobra pelo que faz, mas, isso não é um trabalho para ser rico. Se você procura um Babalawo que seja rico ou muito bem de vida em função do que faz, pensem muito bem, porque é você que vai pagar pela gasolina azul dele ( como a gente falava antigamente...).


Não use para Ifá o mesmo raciocínio que usa para médicos, onde quanto mais caro e mais difícil a consulta, melhor o médico é.

se você vai a Ifá de fato, não importa se a consulta custa R$1 ou R$10. Quem fala com você é Orunmila. O Babalawo é o intermediário. O divino, Orunmila vai falar com você tão bem em uma consulta de 1 ou de 10. O que você tem que saber é se aquela pessoa é de fato um Babalawo e se leva a sério o que faz.


Além disso, você pode anotar ou pedir para que seja anotado os Odù da consulta e os Ebó. Isso é seu, você pagou por isso. Existe um padrão para essa anotação. Você pode levar isso para qualquer Babalawo interpretar para você.

Essa é outra grande diferença entre Ifá e os outros oráculos. Uma vez feita a consulta, qualquer Babalawo pode interpretar e fazer os Ebós. Se você não gostou desse, procure outro para fazer os ebós ou mesmo para que ele interprete para você. Nesse aspecto é igual a médico....  você pode levar seus exames para validar o diagnóstico e receitas. Ifá é igual.

Fique atento porque os gastos de uma consulta não se esgotam no valor daquela consulta. Em quase todos os casos haverá sempre um ebó a ser feito, esse é o jeito de ifá. Pode ainda envolver oferendas ou sacrifícios a orixas, mas vou comentar a seguir isso. Nesse momento eu chamo a atenção que, a menos que você não vá fazer o ebó indicado ( ebó de ifa é uma coisa mais simples ) que o ebó vai custar pelo menos o mesmo que uma consulta.

Dessa maneira já vá montando o seu orçamento baseado nisso, você vai gastar no mínimo o dobro do valor da consulta, certamente mais, tudo vai depender do bom senso e ética do Babalawo.


Observem, não estou dizendo aqui que todo Babalawo é aético. Estou dizendo que vocês devem ficar atentos, não existe garantia de virtude. Isso é vida normal, mundo real, tem gente que nem é Babalawo e finge que é. 



Nota: As postagens deste assunto já estão preparadas para publicação, são mais 3.  O que determina a quantidade de postagem é o tamanho do texto. Textos muito grandes ficam muito chatos de serem lidos, as pessoas desistem no meio. No fim da Postagem eu faço um texto completo, reunindo todas as partes que fica como referência do assunto.

Enquanto publico essas partes preparo o próximo que acredito será muito útil para todos.

domingo, maio 04, 2014

O que vc precisa saber antes de se consultar em ifa (Parte 1 / 5)


O que vc precisa saber antes de se consultar em ifa

(Parte 1 / 5)


O objetivo desta postagem, assim como o do Blog é o de esclarecer e ensinar com informação atualizada e de boa fonte. O que eu escrevi nesta postagem representa a minha opinião sobre o tema. É baseado em minhas observações, experiências e análise. Este não é um assunto teórico e sim opinativo.

Não foi feito para ser uma trilogia, mas ficou grande e assim vou publicar em partes, senão, ninguém lê. O intervalo de tempo será menor do que uma semana.
 

Os temas abordados nesta sequência serão os seguintes:
  • Por que as pessoas devem ir a Ifá?
  • Anatomia de uma consulta
  • O uso de ikin ou opele
  • O valor da consulta e de trabalhos adicionais
  • A questão de ire e osogbo
  • O uso de ìbò
  • A escolha de ebós e oferendas
  • Uso de estórias na interpretação
  • Babalawos determinando orixá em jogo
  • Assentamentos e iniciações
Todos esse temas contidos no escopo da ida a uma consulta a Ifá.
 

Imagino que muitas pessoas, ou todas, devem ter, no mínimo uma grande curiosidade em se consultar no oráculo de ifá, eu já tive e isso me levou a primeira consulta, a curiosidade. Mas seja por necessidade ou por simples curiosidade de saber qual a diferença entre este oráculo e os demais, já conhecidos, como búzios, cartas e até consulta com guias de umbanda, eu gostaria de deixar aqui registrada a minha contribuição para que esta, a consulta a Ifá, seja uma boa experiência. 

Observem que não entrarei em aspectos de medir a qualidade de quem procuram, isso cabe a vocês, antes de se definirem, procedam a um processo mínimo de buscar recomendações e opiniões, como aliás a gente deve fazer na nossa vida normal, antes de ir a algum lugar ou contratar algum serviço. Não encare ifá de forma diferente, essa coisa de sacerdote e de portador de valores puros ou elevados, representante de deus, é só na sua imaginação, o mundo real tem todo o tipo de pessoa exercendo esta atividade, sejam os bons, os mau-caráter ou os incompetentes.


Esta é então a minha primeira recomendação avalie bem o lugar para onde vai.
 

Por que as pessoas devem ir a Ifá?

Além da curiosidade, as pessoas podem ter bons motivos para ir a Ifá. Conforme a teologia diz, Orunmilá é o eleri ipin, o testemunho do nosso destino, aquele que está ao nosso lado quando nos ajoelhamos perante Olodumare e pedimos a vida que queremos ter no aiye. Orunmilá testemunha aquilo que pedimos e também o destino que Olodumare nos dá. Esta informação pertence a nós, a Olodumare e a Orunmilá somente. Porém quando nascemos nós esquecemos o que foi combinado. Sendo Olodumare um deus distante, Orunmilá é o único que pode nos ajudar.

Na porta do salão de Olodumare esta elenini, a divindade do infortúnio. É um ajogun, um dos espíritos que apenas trazem o mal para as pessoas na sua vida no aiye. Ela ouve o que pedimos e fará tudo para nos atrapalhar, afinal ela é o infortúnio. 


Conforme está no odù irosun meji, nos esquecemos nossos objetivos de vida, o dito destino, quando nascemos. Isso foi uma consequência do awo que ao ter problemas na sua vida, volta ao orun para falar de novo com Olodumare. Este awo, irosun meji, se prepara para esta viagem e com a orientação de ifá, engana elenini que sai da porta de Olodumare, para ir a cozinha fazer o seu café da manhã com elementos que o awo havia trazido através do seu ebó de ifá. 


O awo refaz seus objetivos com Olodumare e sai correndo de volta ao aiye. Elenini percebe que foi enganada e corre atrás dele, mas quando percebe que não vai alcançá-lo lhe arranha as costas da cabeça até a cintura, fazendo assim a marca da coluna vertebral nos homens. Além disso ela faz com que as pessoas se esqueçam do que trataram com Olodumare. O awo irosun meji ganha uma nova vida mas se esquece do que pediu a Olodumare.


Ifá, através de Orunmilá serve para nos relembrarmos disso. Através de ifá Orunmilá nos traz orientações baseadas no destino que pedimos a Olodumare. Dessa maneira ifá não é um oráculo comum que fala do passado e presente, ou um contador de fofocas. O que ele diz esta alinhado com o que nós mesmo estabelecemos para nossa vida. Nos momentos que temos dificuldade e precisamos de orientação, naqueles momentos em que já buscamos em nós as respostas e também toda a ajuda disponível sem sucesso, nós sempre teremos Orunmilá, o eleri ipin, o testemunho do nosso destino para recorrer.


Além disso temos a questão do Orí que vamos buscar no mercado de ìdó com Ajalá. Existe um fator de acaso na escolha do ori. Ajalá não faz todos os Orí bem-feitos. Esta situação está explicada em uma história bem conhecida do Odù Ogbe Yonu. Dependemos do acaso ou de uma cuidadosa preparação antes da escolha do Orí.


Por desconhecimento da teologia, existe um sobre valorização da questão do Orí, mas que não será aqui que vou explicar. O Orí inu, é o elemento importante para nossa prosperidade no aiye. Um bom Orí nos levara a prosperar rápido e com menos esforço.


Entretanto também temos que escolher no mercado de Ejigboromekun um bom iwa pele. Sem um bom iwa pele um bom Orí não trará prosperidade, isto esta explicado no odu Ogbe alara.


A escolha do bom Orí é explicada no odu ogbe ogunda, na história de afawupe, o filho de Orunmilá. Como está na história, quando não escolhemos um bom Orí, teremos que lançar mão dos ebós que compensarão este problema ao longo de nossa vida. Desta forma, através de Ifá nós determinamos também o que precisamos fazer para prosperar em nossa vida.


Você deve ir a ifá com essas indicações. Quando precisa tomar decisões importantes em sua vida, quando avalia que seus esforços não estão sendo recompensados, etc.. Ifá é o oráculo da vida, do destino, das grandes mudanças e revisões na nossa vida.


Para coisas comuns e normais, problemas no seu trabalho, com seu marido ou mulher e coisas assim, qualquer vidente pode ajudá – lo, talvez melhor do que ifá. Um bom jogo de búzios resolve nossas questões imediatas de vida. Se você tem questões da religião para resolver, coisas ligadas a orixá, obrigações então, o jogo de búzios, definitivamente, é o oráculo indicado.


Mas ifá está aberto a tudo e sempre vai ajudá-lo em qualquer situação, sejam as questões de vida bem como as mais simples.



Anatomia de uma consulta

Para evitar decepções ou ansiedades desnecessárias, é importante entender o formato de uma consulta a Ifá, as suas fases. Entender isso permitirá a você tirar melhor proveito da consulta.

A consulta a Ifá é bem diferente das dos demais oráculos que vocês podem estar acostumados, como búzios, cartas ciganas e tarot, por exemplo. Esses últimos são bastante interativos e o olhador vai continuamente falando com a pessoa sobre o problema e a resposta do oráculo. A consulta termina junto com a manipulação do oráculo.


Ifá é muito diferente. A consulta começa após a manipulação do oráculo. Após uma breve abertura com rezas, o Babalawo vai passar um bom tempo interagindo com oráculo determinando várias coisas até chegar nos ebós a serem feitos. Tudo isso é o Babalawo e seu oráculo sozinhos, sem que ele fale nada com o consulente. Ele poderá usar o consulente para interagir com o oráculo, mas este processo não implica em explicar ao consulente o que está ocorrendo.


Somente após ele concluir toda a interação com o oráculo e já com o ebó determinado é que ele vai falar com o consulente. Pode parecer estranho mas é assim que funciona. O Babalawo precisa ter o cenário inteiro, composto do odù principal, detalhamento dele e do ebó para poder conversar com o consulente. 


Fases da consulta a Ifá:

  • Abertura do oráculo
  • Determinação do odù principal
  • Determinação do estado do odù, tipo do estado e origem
  • Determinação do ebó
  • Explicação e discussão com o consulente
  • Perguntas complementares do consulente
  • Aconselhamento final e encerramento.
As 3 últimas etapas são as que permitem a interação do cliente na consulta. As etapas anteriores são de trabalho do Babalawo com o seu oráculo. Ele precisa de um conjunto de informações para então poder conversar com o consulente. 

Tenha paciência para esperar. Quando ele for conversar com você, então você terá todas as informações e poderá perguntar tudo o que quiser e o Babalawo poderá usar o oráculo para respondê-lo, mas, existe um tempo de preparação que para o Babalawo é rápido e para você pode parecer uma eternidade.

 

O uso de ikin ou opele

Na primeira etapa da consulta o Babalawo deve determinar o odù principal que será analisado, mas ele não é o único que será analisado. Ele é o principal, mas haverão outros complementares. Esta determinação é feita usando os ikins ou a corrente de opele.

Os ikins são o principal instrumento do Babalawo, eles representam o próprio Orunmilá para o Babalawo. O surgimento dos ikins é explicado no odu iwori meji. Nele Orunmilá após um desentendimento com um filho abandona o aiye. As pessoas depois procuram orunmila para que ele volte, mas sem sucesso, Orunmilá deixa então os ikins para representá-lo. Definitivamente esta história não encerra o tema e existem outras.


Muitos poderão observar que se os ikins surgiram após a volta de Orunmilá para o Órun, o que Orunmilá usava para consultar ifá? Eu lembro de ter lido uma referencia a serem usados seixos de rio, mas, não posso citar esta referencia, não me lembro onde foi e nem se pode ser considerada como válida.


Outra questão teológica importante seria discutir que, se ifá é Orunmilá, como o próprio orunmila consulta ifá? Mas essa conversa vai ficar para o texto sobre teogonia.


Referencias aos ikins em Ifá surgem em outras histórias e outros odu. A tradição cubana, no odu ogunda ika, faz ifá nascer no aiye nas mãos de um bebe que nasce de dentro de um elefante, morto por caçadores, sendo que a criança nasce com cabelos e barbas brancas e com 8 ikins em cada mão. Uma história bizarra como só os pataki conseguem produzir.


Sem nenhuma dúvida os ikins são a mais verdadeira e autêntica representação de orunmila. Podemos dizer que no contexto do Babalawo é a única coisa que representa Orunmilá. Um Babalawo somente precisa carregar os seus ikins consigo, mais nada.


Posteriormente à criação dos ikins Orunmilá pede a Olodumare que lhe de uma ajuda. O processo de consultar ifá era lento e a demanda das pessoas era muito grande. Olodumare envia a ajuda para ele, através de um escravo, de nome Alakan, que Orunmilá compra no mercado e que ao se jogar no chão forma a combinação dos Odù com o corpo. Esta história faz parte do Odù Ogbe Meji. Opele depois trairá Orunmilá, é transformado na corrente que possibilita consultas mais rápidas, esta história é narrada no Odù Obará Irosun. A história de opele e Orunmilá é muito interessante e será contada em outra postagem.


Nesse caso podemos ter mais uma discussão teológica uma vez que se Orunmilá fica claro nesta história que Orunmilá usava ikins no aiye. Fica para outra vez.


Explicado isso, minha opinião é que se vocês vão a Ifá que seja para uma consulta com ikins. Vocês devem requerer isso quando marcar a consulta. Se o Babalawo aparecer com opele, depois que combinou antes usar os ikins, vocês levantem e vão embora. Os ikins é que são o instrumento principal do Babalawo e a voz de orunmila.


Se o Babalawo for cobrar a mais por isso, vocês podem querer pagar ou não. Lembrem-se que como em todo negócio sempre o que melhor negocia se da melhor. Ele é que está vendendo, você é o comprador, ele está tão ou mais interessado que você, porque a consulta é apenas a porta de entrada para outros negócios que ele vai tentar empurrar para você. Se não quiser pagar a mais digam que não quer pagar nada a mais ou coloque na sua cabeça o quanto está disposto a dar a mais, o Babalawo que decida o que quer fazer. 


Uma consulta a Ifá sempre é longa, coisa de 2 horas, e deve ser uma ocasião importante para você. Pode não ser para o babalawo, mas, para você é um momento importante, ninguém vai a Ifá para tratar de coisas banais, nem mesmo um Babalawo consulta Ifá para ele ou com outro Babalawo se não for um momento importante. Não será o ikin que vai tornar isso mais demorado. Aliás este é um fator importante, se você vai a ifá e sua consulta leva meia hora, então, foi ao lugar errado. Com prática o Babalawo lida bem rápido com os ikins e isso compensa o tempo a mais que vai gastar (e gasta mesmo).


O uso generalizado do opele pelo Babalawo é apenas uma grande conveniência. Ele não pode desprezar importância dos problemas dos consulentes. Mas ao lidar muito com o opele ele perde a prática de usar ikin.


O opele é ótimo em muitas situações. O Babalawo o usa muito, é um instrumento bom, simples e rápido para sacar odù, sem dúvida. Quando se precisa fazer perguntas de sim/não em sequência e quantidade ou quando se vai lidar com consulta a problemas não complexos, decisões e orientações, o opele é ótimo. Como eu disse, Ifá suporta a gente nas questões importantes e também nas simples

.
Entretanto é minha visão que quando a pessoa procura ifá com questões importantes para ela e sua vida que o instrumento do Babalawo deve ser o ikin. Mais do que isso, minha opinião é que o instrumento preferencial do Babalawo é o ikin, deixando o opele para casos menores, problemas menores e também para agilizar o seu trabalho. Mesmo em uma consulta com ikin, o opele tem seu espaço, mas isso não é assunto para aqui.





>>> Continua

quarta-feira, abril 23, 2014

O Babalawo e a Teologia

O Babalawo e a Teologia


Vocês devem notar que gosto de trilogias, pois é, nas 2 últimas postagem critiquei primeiro os cursos de Ifá que tem surgido e no segundo critiquei o uso de tratados por pessoas que não fazem parte do culto, não são Babalawo ou awo, como instrumento de aprendizado de Ifá.

Revisando um pouco, e adicionando umas pitadas, a minha crítica aos cursos é que eles são apenas um caça-níquel, a mesma coisa que já ocorre ( e ocorreu ) com o candomblé. Aprender Ifá através de cursos ministrados por terceiros, não é o processo de uma pessoa aprender ou entender Ifá. Se a pessoa que ministra é de fato um Babalawo, como muitos dizem que são, ela deveria praticar o que aprendeu e não se dedicando a ensinar terceiros. Se não está exercendo a sua função de Babalawo é porque não é Babalawo ou porque não teve habilidade para tal e por isso não deveria ensinar nada a ninguém.

A indústria de iniciações é muito lucrativa, muito mais lucrativa do que trabalhar com consultas a Ifá e ebós. Só que o Babalawo ajuda as pessoas quando faz jogos e ebós e não quando inicia outros, Ifá é sacerdócio, não uma pirâmide financeira. As pessoas que querem ganhar dinheiro percebem rapidamente que nunca estarão bem de vida através de Ifá exercendo a função de Babalawo. Uauuu! Que novidade!

Essas pessoas veem que o caminho para isso, ganhar dinheiro de fato, são as iniciações, essas sim, pouco trabalho e muito dinheiro. Hoje em dia (como aliás sempre foi) existem muito mais pessoas interessadas em atender sua vaidade do que realmente saber se podem, ou melhor, se deveriam, ser iniciados. Dessa maneira, iniciações é um mercado prospero, alimentado pela vaidade e com nenhuma cobrança de resultado, o que importa é o título para ela pendurar no pescoço.

Este mercado de iniciações tem uma vantagem adicional, que é o fato de que a pessoa iniciada vai dar ao seu iniciador uma receita recorrente de jogos, ebós e cerimonias. Iniciar é um excelente negócio. Difícil mesmo é a pessoa ser um Babalawo de fato.

Esses cursos são, então, um bom caminho para isso: A pessoa tem curiosidade, acha que tudo pode desde que faca um curso ou leia um livro, então se escreve nesses cursos. Em pouco tempo vai estar querendo se iniciar.

Não se iludam, a indústria de iniciações é muito poderosa. Ela mexe com a vaidade das pessoas, com o seu ego. Todos querem se achar como os escolhidos, os predestinados e as iniciações são um caminho fácil para a pessoa encontrar isso. Sempre foi assim, seja no candomblé como na umbanda e Ifá não fica para trás.

Volto a repetir, lugar de Babalawo é atrás de um opon, ajudando pessoas e não promovendo cursos.

As pessoas sempre preferem a visão maniqueísta, simplista, de sim ou não e certo ou errado para definir os assuntos. Mas esse não é o modelo do mundo real. O mundo real, o que vivemos é uma realidade bastante complexa, cheia de sutilezas e de tons de cinza entre o branco e o preto. As pessoas é que por limitação delas tentam sempre reduzir os assuntos a sim ou não, branco ou preto.


Desta maneira, curso de teologia ou ifá sao enganações oferecidas a leigos, pessoas comuns e laicas. O trabalho do Babalawo não é dar cursos e sim ajudar as pessoas. O que as pessoas buscam em uma religião não é aprender teologia e Ifá. Elas querem viver a sua Fé que não estão sozinhas no mundo e que deus e todo o divino as ajuda na sua vida, eles querem ser pessoas melhores e querem ver a vida delas em um contexto maior, nao apenas em uma existência breve e mundana.


Para encontrar isso elas não precisam de aprender teologia ou aprender Ifá. Elas buscam em uma religião esse caminho e no sacerdote uma pessoa que as conduza por este caminho. Essas pessoas não merecem encontrar um fazedor de ebós, uma pessoa que esteja somente a fim do dinheiro delas ou uma pessoa que as queira iniciar em qualquer coisa.

Mas, aprender teologia é sim importante para os sacerdotes e membros ativos da religião. Isso hoje é bem complicado, livros são uma opção e cursos, bem estruturados seriam uma ótima opção. Minha crítica diz respeito ao uso equivocado disso, com segundas intenções ou intenção nenhuma, não ao objetivo de ensinar ou aprender teologia para quem de fato necessita ou mesmo aqueles que tem curiosidade disso. 

Como eu disse o mundo é complexo. Falar sobre alguns assuntos é as vezes complexo.
No segundo texto eu critiquei o uso de tratados cubanos de ifa por curiosos e interessados em Ifá como fonte de aprendizado. Como expliquei, não se trata de segredo porque no ifa cubano só o quarto de Ifá tem algum segredo, o resto está em papel. Trata-se de desordenamento, não se aprende Ifá em tratados, eles são um manual de trabalho do Babalawo, um guia de referência.


Acredito que esse assunto já foi suficientemente abordado e que ainda não entendeu, lamento.

Neste texto aqui, vou comentar sobre o conhecimento de teologia. 

Por mais que o Babalawo seja proficiente em Ifá, é necessário conhecer muito bem a teologia e a teogonia da religião. Esse conhecimento é necessário para entender as histórias e interpretar as informações que o jogo traz através dos Odù e orientar as pessoas sobre a religião que elas procuram. Se o Babalawo não compreende corretamente a metafísica das relações entre o mundo espiritual e natural, as divindades, suas relações com as pessoas, se não entende a natureza e comportamento dos orixá, os diversos tipos de espíritos, os limites de ajé e egun, as questões ligadas a ori, ou mesmo, se tem uma compreensão equivocada desta teogonia, enfrentará problemas na sua atividade.

O que observo muito é o Babalawo que aprende uma coisa ou outra de forma irregular, assim tudo para ele é uma coisa ou outra. Desta forma aparecem aqueles que falam que tudo é ori. Outros nem entende o que é ori de fato. Outros dizem que tudo é egun, esses são os mais comuns, alguns acham que sabem fazer coisas para Ajé, mas, esses nem sabem com o que estão lidando.
 

Isso é como foi a onda dos abikus no candomblé (que ainda existe, o coisa fora de moda). Os babalorixa viam abikus em todo mundo, alguns faziam isso de safadeza mesmo, outros porque não sabiam mesmo. Até hoje isso ainda existe e basta ter um irmão morto para o seguinte virar abiku.

Tudo isso que estou falando pode parecer meio estranho a vocês, mas são coisas bem distintas na formação de um sacerdote. Uma coisa é a pessoa aprender o que um Babalawo precisa saber para lidar com o seu oráculo. Este conhecimento é obtido nos tratados de Odù e com o iniciador dele, porque existe muito conhecimento adicional, oral e explicativo, como eu já disse, o tratado não representa IFÁ, é apenas um guia de referência. O Babalawo tem que estudar o tratado e cada Odù, aprender como se usa isso, o significado das coisas e as cerimonias associadas. Isso vai lhes dar conhecimento importante, mas, restrito ao significado e histórias que cada Odù tem e ao ofício do Babalawo.

Este é um tipo de conhecimento que o Babalawo deve adquirir. É importante, mas, é um tipo. Não é automático ou mesmo natural que o Babalawo, por aprender ifá e os odù, estará automaticamente aprendendo a teologia, teogonia e a metafísica da religião, não é assim. Estas coisas fazem parte de outro conhecimento. Não confunda um conhecimento com o outro.

Eu já vi pessoas que são iniciadas com 15 anos, as vezes menos. Outras que nunca tiveram qualquer contato com a religião yoruba, somente conheceram ifá e foram habilmente convencidas a se iniciarem.

O que estas pessoas, sem nenhuma ou pouca experiência de vida vão poder adicionar a seus consulentes? O que essas pessoas sabem de religião ou da religião que estão? O que elas terão aprendido da religião? O que saberão de orixá? Qual a experiência ou contato que terão? O que suas experiências de vida adicionarão a elas no seu trabalho como Babalawo?

Aprender a religião em si, a teologia e teogonia é outra coisa. Requer outras fontes e principalmente muito mais estudo adicional e dedicação. Sem um bom conhecimento da teogonia, a própria interpretação do Babalawo ficará um pouco prejudicada em alguns casos. O iniciador dele pode até ter um bom domínio da religião, mas terá tempo e disponibilidade para ensinar tudo o que sabe? Acho difícil, nem o iniciador e muito menos o iniciado vai ter tempo de disponibilidade para isso. O iniciador pode ser uma pessoa para discutir assuntos mas estará disponível para ensinar de cátedra?


Se, neste contexto, estamos falando de uma pessoa iniciada dentro da tradição cubana então é caso complicado. Os cubanos tem uma visão própria da teologia e teogonia, muito afastada da visão yoruba, tão afastada que existem cubanos que gritam aos 4 cantos que IFÁ nasceu em cuba, ou que somente o ifá cubano preserva o verdadeiro ifá e que os yoruba não sabem mais nada de ifá. Eu achava que isso era apenas ufanismo e arrogância, coisas bem típicas de cubanos, mas, hoje acredito que esta é uma avaliação ingênua de minha parte, possivelmente isto é uma forma deles justificarem esses grandes desvios.

Em termos de orixá, a visão deles tem pouco haver com a nossa do candomblé. Para uma pessoa como eu, que aprende a teologia e teogonia buscando fontes confiáveis yoruba e conhece orixá a partir da visão prática e teórica do candomblé, eu vejo os cubanos com uma parte desta religião, sem duvida, mas uma variante que tomou caminhos diferentes. Eles desconhecem aspectos importantes da teologia e orixá é teoria apenas, quase não tem incorporação. Esse assunto será tema de um próximo texto que infelizmente vai provocar a ira dos cubanos.


Mas voltando ao nosso tema, e sendo objetivo, o conhecimento consistente da teologia permite ao Babalawo responder e entender de forma mais extensiva o seu oraculo. Sei que é um pouco complicado entender isso que estou colocando, mas conhecer bem a sua religião através da teologia e teogonia permite ao Babalawo melhor compreender as metáforas que existem nos versos de odù bem como possibilitam que ele faça uma melhor dosimetria do que recomendará ao consulente. Acima de tudo vai permitir a ele desenvolver melhor o aconselhamento.

Estou adicionando mais informação de maneira, que vamos a mais explicações. A consulta a Ifá tem 2 aspectos. O primeiro é que a partir do odù sacado você determina o ebó a ser feito e o executa. Isso é bem simples, não precisa ser um Babalawo brilhante e altamente experiente. Se o Babalawo for honesto ( vou explicar em outro texto ) chega-se facilmente a um resultado padrão que, em princípio atende bem ao problema do consulente.

Existem Babalawo que fazem isso bem rápido e mecanicamente.


A segunda parte é que a partir do odù que saiu para a pessoa, o Babalawo deve ter a capacidade de juntar tudo e aconselhar o consulente. Isso é bem mais difícil. Requer muito mais do que conhecer o odù, entre os Babalawo é dito que somente aqueles realmente inspirados conseguem fazer isso é a hora em que ELA se manifesta através deles e eles conseguem "falar ifá". Isso é muito diferente de falar o que se decorou lendo os tratados de odù.

Mas, com ou sem Ela, o aconselhamento é uma parte importante da consulta, possivelmente a parte mais importante. Neste processo, como citei, o Babalawo une o entendimento das mensagens de odù, combinando os diversos odus que são relevantes à consulta, mais a teologia e sua experiência de vida e como Babalawo. 

Isso é Ifá. Ifá não é apenas fazer ebós e transmitir uma mensagem simples e objetivo do problema que trouxe a pessoa ao oráculo, a consulta. Ifá é perceber o que orunmila tem como mensagem de vida para aquela pessoa, Ifá é uma oportunidade para a pessoa revisar sua vida, afinal orunmila é o eleri ipin, o testemunho do nosso destino. Se a consulta a ifa servir apenas para resolver coisas mundanas e ordinárias de nossa vida, qual a diferença entre uma Babalawo e um vidente qualquer? Qual a distinção entre você ser o sacerdote do eleri ipin?

Este aconselhamento é a soma de conhecimento de ifá mais o conhecimento da religião. O Babalawo fala como um sacerdote da religião, não como uma pessoa qualquer. Não se trata de usar apenas bom senso e experiência. Trata-se de se dirigir às pessoas como um representante de uma religião. Para isso o Babalawo tem que conhecer a teologia da sua religião.

Existe um fator complicador. Se ele estiver lidando aqui no Brasil com um iniciado, um iyawo, egbon ou ogan, por exemplo, e não conhecer a teologia, orixá e o candomblé, sua atuação terá que ser restrita e cuidadosa. Em primeiro lugar, ao lidar com uma pessoa ligada a uma casa religiosa ele tem que ser extremamente ético e atento para não causar problema. Tem muita gente que é muito perturbada e se confunde com muita coisa.

Em segundo lugar, se ele não tiver aprendido a teologia e a prática do candomblé, se conhecer apenas o que ensinaram a ele sobre a visão lukumi então não deve falar nada. Saber pouco e ainda saber uma tradição que é completamente diferente do candomblé não vai ajudar ninguém. Existirão situações que ele não conhece e não saberá tratar com os consulentes.

Cubanos que foram formados no lukumi e esses brasileiros que aprenderam com eles, ou seja, que sabem muito menos do que eles, recomendarão ações erradas e podem causar problemas. O mesmo vale para pessoas com formação em candomblé e que se deparem com alguma pessoa iniciada no lukumi ou na YTR. Nesses casos, o conhecimento de teologia não vai ajudar muito. O Babalawo terá que ser muito cuidadoso e tratar da vida da pessoa sem se envolver nos seus assuntos religiosos.

As vezes isso é difícil porque as pessoas podem procurar um Babalawo para confrontar alguma situação sua. O Babalawo deve ter maturidade para não se envolver desnecessariamente em problemas que poderiam ser evitados. Ética é muito importante.
A última coisa que pode envolver o conhecimento ou não conhecimento de teologia, são os casos em que as coisas são feitas e não funcionam ou não são de efeito permanente.

Podem existir situação nas quais as ações do babalawo terão curta duração, não vão resolver o problema, os ebós vão se suceder sem que exista uma resposta adequada. Não estou falando nenhuma novidade, muitos já devem ter visto isso ocorrer. Também ocorre em Ifá.

Isto geralmente esta associado a um conhecimento oh interpretação equivocada da teologia e teogonia.A coisa mais comum e besta que eu vejo são aqueles idiotas que em face de um problema ou situação dizem que: tudo é Ori. Não diga! E o que mais? Fica todo mundo fazendo aquela cara de "ah é?" sem entender e sem saber o que fazer com essa frase idiota. Claro que tem ainda os que dizem que tudo é egun, ou encosto ou feitiço.

A realidade é que aquela pessoa que está ali consultando Ifá para outra pode não compreender plenamente sua religião, não como quem está consultando imagina, não compreende de fato como aquelas energias do supernatural se manifestam e influenciam a vida da pessoa, podem também não distinguir qual o melhor caminho a trilhar para buscar uma solução.


Existem problemas simples, mas, existem também os complicados, que lidam com coisas mais inéditas e que saem do lugar comum. Pode ser uma comparação besta, mas você pode ter aqueles médicos de SUS para os quais tudo é virose e os especialistas de fato. Quando coincide você estar com virose mesmo o médico do SUS vai acertar, será ótimo para você, mas, nem tudo é virose não?


Se o babalawo não entende o contexto geral não vai saber também o que fazer objetivamente para ajudar quem o procura. Isso é o que resulta nos casos onde os ebós nao fazem efeito, o consulente retorna recursivamente ao oraculo, os ebós e oferendas aumentam de tamanho, o consulente procura muitas pessoas.

Isso também o resultado da falta de conhecimento da teologia e teogonia.


Não deixe de comentar o blog sobre as postagens e sugestões. Em breve mais postagens com conteúdo sobre a religião, além dessas sobre comportamentos.



quinta-feira, abril 17, 2014

O Uso de tratados para estudar Ifá

O Uso de tratados para estudar Ifá




É muito comum que neófitos e pessoas interessadas usem tratados de Ifá para estudar Ifá. Também é comum eu observar essas mesmas pessoas, que não fazem parte do culto, citarem Odùs e histórias de Odù, para mostrarem conhecimento e intimidade com o tema. Isso é um erro, apenas mostra que a pessoa não pertence ao culto e não entende dos instrumentos do culto.

Não tem nada mais bobo que essas pessoas que inserem nas suas conversas um pseudo conhecimento de Odù ou então aquelas frases perolares sobre Orí e como tudo é Orí (tudo o que a pessoa sabe fazer é repetir isso para não ter que falar aquilo o que não sabe).

Vamos com uma coisa de cada vez. Primeiro ao estudo de Ifá com tratados. Faz parte da tradição cubana escrever tudo sobre tudo. Muito diferente do candomblé onde o segredo do culto esta acima de tudo, talvez até em desmedido excesso porque muitos confundem segredo litúrgico com teologia. Os cubanos, por sua vez, escrevem e vendem tudo o que fazem, sempre foi assim. Iniciou com a confecção e comércio de libretas e chegou aos tratados e livros, em espanhol e inglês. Acredito que foi o ávido mercado americano que motivou isso.

Neste escopo também se situam os tratados de ifá, com a descrição do significado dos 256 odu e suas histórias. Eu nunca achei um material equivalente a um tratado cubano para a tradição nigeriana. Neste aspecto, como em inúmeros outros, a tradição religiosa do Brasil é muito próxima da nigeriana, onde ainda existe alguma tradição de manter o segredo, reserva e tradição oral (apesar de isso também estar sendo quebrado sistematicamente). Algum material pode ser obtido em trabalhos de antropólogos e no caso de ifá o que encontramos é a transcrição dos versos de Odù, mas nada se compara ao nível de detalhamento e exposição dos tratados cubanos.

Do seu lado, a tradição cubana se afastou completamente deste referencial de reserva do culto. Mais ainda, o afastamento foi também teológico e teogônico. Tanto o ifá cubano como a tradição de orixá se baseiam em uma teologia muito própria, uma criação cubana, fortemente influenciada pelo sincretismo católico, com interpretações particulares da teologia, histórias próprias e personagens próprios. Tudo isso desenvolvido na sua ilha. Houve uma influência tardia nesse processo de obras de antropólogos na metade do século passado para fechar lacunas que eles tinham, mas isso será tema de outro texto.

Cabe lembrar que os cubanos são normalmente muito grossos e agressivos em seu posicionamento quando tratam deste assunto de teologia e interpretação deles. Agindo desta maneira eles afastam qualquer pessoa que tenta dialogar com eles. Isso apenas reflete um enorme problema de autoestima que eles tem em relação a tradição deles versus as demais.
Mas este não é o tema aqui. A questão é que os cubanos tem tratados que documentam o ifá como eles praticam. Isso é muito bom, sem dúvida para quem esta no culto. Contudo estes tratados podem ser livremente comprados ou baixados na internet. Não é requerido nada, qualquer um tem acesso a tudo. Com isso, uma enorme quantidade de pessoas sem vinculo com o culto ou orientação passam a ter acesso a muita informação de Ifá. Essas pessoas passam então a estudar e citar o conteúdo desses documentos procurando mostrar conhecimento, entre outras coisas.

Mas deixando de lado este aspecto exibicionista, que existe mas não é o principal, em função da farta documentação, as pessoas que tem algum interesse, conseguem encontrar informações sobre Ifá e utilizam o que existe para estudar Ifá. Vamos lembrar que existe uma carência de obras que seja didáticas e explicativas, o que existe fartamente disponível são tratados que deveriam ser usados por um Babalawo. Acredito, até, que isso valoriza o estudo desses tratados, afinal a pessoa esta tendo acesso a informação "reservada".

O que essas pessoas não entendem é que aquilo que elas estão usando para estudar é apenas conhecimento bruto, sem real utilidade.

Os tratados não foram feitos para serem lidos em sequência, odu a odu. Tratados não foram feitos para ensinar Ifá a ninguém. A pessoa não aprende Ifá lendo tratado.Saber Odù a Odù não vai fazer a pessoa saber Ifá ou mesmo entender o culto e a religião. Não existe nos tratados uma história contínua a ser contada. O conhecimento contido nos tratados não é expresso desta forma.

Os Odù representam histórias e mensagens para todo o tipo de pessoa e situação. Um Odù vai dizer que o certo é uma coisa e outro pode dizer que o certo é o contrário. Cada um deles será adequado para uma situação e momento. O tratado não se equivale a uma bíblia. Alguns Odù contêm o que eu chamo de histórias estruturais, aquelas que de fato representam uma parte da teologia, mas, majoritariamente as histórias dos Odù são feitas para lidar com situações humanas, decisões e orientações para pessoas.

Você aprende medicina lendo bula de remédios? Você aprende medicina lendo dicionário de doenças? Se você não aprende medicina lendo isso não vai aprender Ifá também lendo tratado de Odù. O conhecimento necessário para Ifá vai além disso.O Babalawo sabe disso e sabe como usar este instrumento. Principalmente ele sabe que o importante são as histórias e não a parte interpretada. O curioso não entende nada disso e se debruça sobre um tratado como se fosse um livro.Se a pessoa tem interesse em entender o que é Ifá, não vai encontrar nada de útil em tratados. Ifá é apenas parte de uma religião. A pessoa deve se interessar pela religião em si, o todo, ai vai entender o papel de ifá nesta religião.

Dessa forma, terminando a primeira afirmação, tratados não são o meio para se estudar Ifá e muito, muito menos mesmo, conhecer a religião.

Indo para a segunda parte, quem faz isso e fica citando odu como se fossem salmos, passagens como se fosse a bíblia, não tem a menor ideia do que é Ifá. Não é assim, São muitas mensagens. Ifá é contextual. Para aquela pessoa naquele momento a mensagem é aquela e ainda tem que ser interpretada.

Não existe essa coisa de dizer que se tal coisa esta escrita em Ifá então é um dogma da religião. O Babalawo, de fato, sabe disso e não fica falando bobagens. Ele fala com quem precisa aquilo que a pessoa precisa. É claro que como conhecimento que ele tem dos Odù e histórias ele pode em algum momento observar uma situação com uma pessoa que o remete a um Odù ou história o qual ele acha que é útil para aquela pessoa naquela situação. Ai, então, ele pode citar a história como uma orientação a esta pessoa.

Mas, vejam, isso é direcionada, particularizado e ele usa isso com o seu conhecimento e exercendo o fato de ser um Babalawo. Pessoas que tem conhecimento e inteligência não ficam citando Ifá como pastores evangélicos citando a bíblia. Não se transcreve o conteúdo de Odù como se estivesse citando um salmo, não se usa a referência do Odù como se fosse um versículo. Isso é coisa de noviço.

Desta forma, esqueçam tratados. Se querem aprender Ifá aprendam sobre a religião e onde Ifá se insere no contexto de sua vida.

Se a pessoa se interessa pelo culto e quer se iniciar, isso é um longo caminho, mas longo mesmo, de pré destinação, vocação, prática, experiencia e estudo. Esse caminho não passa apenas por vontade e estudo. Em termos de estudos, a pessoa deve primeiro conhecer religião, sua teogonia e teologia. Deve entender o que é um orixá, na prática, sem teoria. Por fim vai se aprofundar especificamente em Ifá. Assim, em qualquer caso, se debruçar sobre um tratado de odu é a última coisa que se faz.

Se preocupe com a religião e com o significado dela para sua vida. Isso é que é o importante, dê valor a todos os cultos da religião, não tem culto curinga ou superior. Encontre o seu caminho na religião como uma foma de harmonizar sua vida e objetivos.

Existem pessoas que acham que Ifá contém e resume a religião. Não é verdade. Você pode encontrar em versos NIGERIANOS, algumas historias, na forma de versos que são estruturas da teologia, mas nem tudo está ali. Tem muita teologia e fundamentação por fora disso. Além disso acesso a versos é complicado, a maior parte da teologia vem da interpretação dos versos e de tradição oral que corre entre os membros, lembrando que não é habito de nigerianos, assim como dos brasileiros de documentar tudo o que sabem.

Existem também pessoas principalmente sociopatas, que acham que o Babalawo é o sacerdote supremo da religião e que esta acima de tudo. Essas pessoas pregam que tudo é ou passa por Ifá e que berço do Ifá é Cuba. Vejam, Ifá é importante nesta religião, assim como o é o culto de orixá. O culto de Ifá é um culto bem especializado da religião, o de orixá é bem mais amplo e útil para as pessoas na vida normal delas.

Entender Ifá não é entender toda a religião. Posso dizer com certeza que os Babalawo cubanos e os brasileiros, iniciados nesta tradição, e que somente apenderam a religião através desta tradição de Ifá, isto é, não tiveram contato com a religião através do candomblé ou de outro culto de orixá, são as pessoas que menos conhecem de teologia e teogonia da religião que eu conheço. Alguns conceitos deles chegam a ser primários. Não estou fazendo uma colocação pejorativa ou tendo como objetivo atacar ninguém. Isso é uma constatação de minhas observações, baseado em uma amostra restrita de pessoas que convivi pessoalmente e em redes sociais, claro, mas não deixa de ser uma amostra. O que quero exemplificar é que apesar dessas pessoas serem bons ou excelentes Babalawos, concentrarem no seu mundo de Ifá e tratados, não os ajudou com a religião como um todo.

Não sei como isso funciona no lado da tradição nigeriana, mas, ja vi videos, no youtube, de brasileiros desta tradição ou nessas rádios de web, que são péssimos, de chorar. Evidentemente, são pessoas que aprenderam a religião por um viés único e limitado. Não devemos esquecer que tudo é relativo, assim, essa minha avaliação de bom ou ruim é baseada no meu conhecimento, contudo, eu pelo menos tenho certeza que perco bastante tempo estudando teologia e teogonia.





sábado, abril 12, 2014

Os cursos de Ifá e teologia Yoruba

Os cursos de Ifá e teologia Yoruba


Atualmente podemos observar muitas, ou algumas, depende do ponto de vista, iniciativas de pessoas, promovendo cursos para ensinar Ifá ou mais ambiciosamente teologia. Tenho certeza que muitos vão estar tentados a procurar esses cursos ou apostilas.

São promovidas por Babalawos, todos com pomposos nomes em Yoruba, e que posam em vistosos alakas. Como resistir a isso se Ifá desperta a sua curiosidade?  

Fácil responder a isso: Ignorando.

Essas coisas não levam a lugar algum. Isso sempre existiu nesta religião, principalmente no Candomblé. São programadores de rádio que se anunciam, vendendo o seu produto, prometendo ensinar tudo. A web agora é um campo vasto para isso, tem rádios, programas via streaming e YouTube. O produto sempre é o mesmo: conhecimento. Sim, aquele conhecimento que você busca da religião que já esta ou que quer estar e que é difícil obter. Ai surge uma boa alma oferecendo a solução dos seus problemas.

O que esta ocorrendo em Ifá é o mesmo que já aconteceu com o Candomblé, repito isso, não se trata de nenhuma novidade.

Todos devem imaginar a esta altura: sou contra? Eu que escrevo um blog sou contra quem quer ensinar a religião, a teologia?

Sim, claro. Isso não tem nenhuma utilidade a não ser captar o seu dinheiro.

Vejam esse blog aqui é livre. Não tem nem propaganda. Não ofereço nada, não vendo nada. Dessa maneira posso falar isso confortavelmente. Vou explicar com calma minha posição, depois disso cada um faça sua avaliação.

O sentido de uma religião


A primeira coisa que todos devem ter atenção é para a base disso tudo. Para que as pessoas precisam de uma religião? O que as pessoas esperam de uma religião ou em uma religião?


O que as pessoas procuram quando vão ao Candomblé ou a Ifá é uma busca muito simples, elas querem uma religião. Uma religião é o que todos precisam na sua vida. A religiosidade não é uma invenção humana, ela é real, nasce de dentro de nós. O motivo disso é que apesar de termos milênios de civilização humana, a religiosidade sempre se renova. As religiões se sucedem, abrem-se alternativas, algumas desaparecem, mas, a religiosidade esta SEMPRE presente com a natureza humana.

Ela nasce de dentro das pessoas, naturalmente. O mundo já teve muitos modismos e hábitos. Todos começam e acabam. A religiosidade se mantêm perene. Mesmo a pessoa mais afastada, mais incrédula, em seu momento de aflição busca à deus, sob alguma forma.

A religião é o meio ou método que nos leva a deus. Mas, mais do que isso ela também traz junto de si uma visão para a forma como devemos viver, como devemos ser e como devemos conduzir nossa existência na terra. A religião não é apenas uma formatação de deus, não é apenas a ligação com do homem com deus é, também, a mensagem de deus para que os homens possam viver bem.

Acreditar em deus é simples. Estar aberto para, além de reconhecer que ele existe, adotar um modo de vida com valores, ética e moral voltados para a vida em sociedade é outra coisa.

Temos que reconhecer que existem muitas opções para se exercer a religiosidade através da religião, varias delas são muito boas outras nem tanto, mas, não tem propósito eu declarar aqui que qualquer uma delas seja a definitiva ou soberana. Essa afirmação é idiota demais.

A religião tem como objetivo nos fazer pessoas melhores. SIM, É ISSO MESMO!

Muito mais do que nos ligar com deus, ela nos da uma visão da vida baseada em valores individuais e coletivos que devem ser harmonizados, ela nos oferece uma filosofia de vida que nos guia para felicidade comunitaria e uma visao de continuidade e consequencia de nossas ações que nos motivam a sermos pessoas boas.

São esses valores e ética, contido dentro das religiões, que nos motivam a sermos pessoas boas para com a sociedade que nos cerca. Não tenho a pretensão de afirmar que sem a religião as pessoas não desenvolverão boas qualidades. O que eu digo é que a religião é uma fonte de inspiração, exemplo e orientação para também se atingir a esses benefícios.

O que torna a religião uma fonte poderosa é a inspiração divina, a associação com a fé e com deus. A nossa fé em deus nos conforta e nos motiva. Fazemos o que fazemos na religião inspirados na Fé de que deus e seus ministros nos assistem e protegem.

É isso o que as pessoas procuram em uma religião. Elas não querem se sentir sozinhas no mundo. Justamente é isso o que a religião deve oferecer para as pessoas.

A religião, no contexto da Fé, é o meio que contem essa filosofia. Ela nos dá a visão da proteção de deus para nós, nos dá uma filosofia para guiar nossos passos desde o dia em nascemos até o dia em morremos e nos transmite valores para que sejamos pessoas boas com a gente mesmo, com nossa família e com a sociedade que nos cerca. A religião não poda a vida das pessoas, ela não limita a forma como vivemos, pelo contrário, ela dá uma dimensão muito maior para isso.

É o contexto global, a visão do todo, da continuidade, do propósito maior que nos motiva a viver sendo uma pessoa exemplar.

Muitas pessoas criticam as religiões pelos motivos errados. Seria mais produtivo elas analisarem o que uma religião deve fazer. Eu vejo em redes sociais pessoa publicando frases de pessoas que dizem que uma pessoa não pode precisar de uma religião para ser melhor. São 2 idiotas, a pessoa que falou a frase e a que publicou.


A mera crença na existência de deus não torna as pessoas mais solidárias, caridosas, tolerantes, comunitárias, etc.. Isso é uma idiotice, uma estupidez. Pelo contrario, a crença em um deus pessoal pode levar as pessoas a desenvolverem um padrão ético que apenas sirva para justifica-las para confortá-la. A pessoa quer apenas a parte de deus que protege ela, seja ela como for. Ela não esta disposta a conhecer novos valores e ser crítica consigo mesma.

Essa é a diferença em apenas crer em deus, do seu jeito como muitos dizem de boca cheia, como se isso fosse o melhor, e seguir uma religião. Quem segue uma religião, além de deus, ganha uma filosofia para viver e também ganha valores e ética para seguir. Essa opção de ter um deus pessoal e uma religião própria, a mim é uma completa sandice, apenas um exercício de egoísmo.


O sacerdote de uma religião é aquele que tem a capacidade de dar as pessoas esta visão religiosa, a visão filosófica que a religião a que ele pertence propõe para a vida das pessoas. Ele é a pessoa que deverá ajudá-las a, elas mesmos, modificarem suas vidas e de acompanhar seu crescimento, esperando elas evoluírem.

O ensino e teologia e Ifá


A teologia é um instrumento do sacerdote para isso ela tem filosofia que a religião transmite às pessoas. O culto a que ele pertence lhe da o método e fazer e exercer isso.


Não é minha opinião que cobrar para ensinar teologia vai resolver a necessidade das pessoas ao buscarem uma religião. Teologia é conhecimento bruto, como eu disse um instrumento de trabalho para o sacerdote. Será usando a teologia que o sacerdote poderá conduzir as pessoas nessa busca por elas mesmas, pela identificação do papel delas no mundo e a absorverem os valores que aquela religião propõe.


O papel do sacerdote é junto à pessoas, é um papel de ensinamento e orientação. É principalmente um papel de respeito às individualidades e a busca da integração da individualidade ao coletivo.


Não é minha opinião que ensinar Ifá vá trazer nenhum benefício às pessoas. Não acho ensinar teologia a pessoas comuns seja o caminho para essa integração, seja o caminho da religião. O papel do sacerdote é necessário. Não penso também que todos querem ser sacerdortes, muito menos que estão todos preparados para serem sacerdotes. Qualquer pessoa pode ser um sacerdote, mas, todas as pessoas não nasceram ou tem a capacidade de ser um sacerdote.

Nao acho de fato que ensinar Ifá seja ensinsar religião, isso não vai ajudar a ninguém. As pessoas não vão chegar a lugar algum através disso. Voltem ao início deste texto, revisem o que as pessoas procuram em uma religião.

Esses cursos de teologia são aquilo o que sempre foram, um caça-níquel. Pessoas que se declaram sacerdortes sem entender de fato a religião e seu sentido na vida das pessoas, que não estão dispostas a se doarem para ninguém se alimentam da curiosidade das pessoas para fazer dinheiro. Não vou entrar no mérito do conteúdo ensinado, teria que conhecer os tais cursos, apenas me atenho ao aspecto de que esse não é o caminho do sacerdócio.

O caminho do mercador é simples, identifica uma demanda e a atende com um produto. É o que essas pessoas fazem. Elas não estão contribuindo com nada.

A pessoas também devem entender que o caminho da religião não é o caminho solitário, é um caminho comunitário. Ela tem que se integrar, aprender pela transmissão, pelo exemplo. A busca de conhecimento religioso, por pessoas comuns, em livros, tratados e cursos é somente um exercício da individualidade. É o mesmo que a pessoa dizer que ela acredita em deus do jeito dela. Ela busca então o conhecimento para formatar essa sua religião pessoal.

O caminho do sacerdócio esta aberto a todos. É um caminho muito longo. Serão muitos anos de estudo, acompanhados de uma grande capacidade de compreensão e também de uma enorme prática na relação com as pessoas. É um processo empírico de aprendizado e com muitas tentativas e erros.

Se você busca uma religião para sua vida, não é através dessa falta de honestidade que você vai encontrar.

O papel do sacerdote


Por fim e mais importante. Um sacerdote não é uma pessoa que rezas missas, faz batizados e casamentos, faz jogos e ebós. Isso é o que muitos fazem para ganhar dinheiro.

Ser um sacerdote é conduzir as pessoas pela religião, é ajudá-las e se encontrarem. Sacerdote é aquele que transmite a religião e não aquele que vive da Fé de quem os procura.

Existem muitas pessoas que enchem a boca para se dizer sacerdotes de uma religião. É muitos são de fato, mas, eles transmitem algo para alguém? No caso de Ifá e Candomblé certamente todos eles estão ai para ganhar dinheiro com você. Prometem uma vida melhor e solução de problemas.

Eles vendem axé.

Quantos de fato estão comprometidos com transmitir a religião de uma forma que as pessoas possam entender aquela religião?

Só é sacerdote de fato, no sentido que as pessoas esperam, aqueles que se dedicam a isso ou também a isso. O jogo, os ebós e oferendas fazem parte da religião, são a ajuda de deus para a vida de vocês. Mas esta religião não se resume a comprar axé.

Assim tenham cuidado com quem vocês se envolvem. Não olhem uma pessoa como representante de uma religião, de deus se ele apenas quer trocar axé por dinheiro.

Não existe nenhum problema você procurar as pessoas que vendem axé. Muitas vezes isso é bem vindo e necessário. Apenas cuidado com o envolvimento que vocês vão ter com essas pessoas.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Leitores,

Lamento o Blog não estar sendo atualizado, mas, eu estava impedido de fazê-lo devido a um processo que estava participando.  Vou retornar a normalidade.