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sábado, maio 18, 2024

O MONOTEÍSMO REPRESENTA DEUS??

 

O MONOTEÍSMO REPRESENTA DEUS?

 

Os judeus e cristãos, principalmente os últimos, porque são mais numerosos, brandem o monoteísmo como sendo a coisa certa o modelo correto de religião. A partir dessa informação todas as demais religiões, não monoteístas, são pagãs. Só que, só a deles é monoteísta.

Eles usam a palavra PAGÃO no sentido pejorativo, para classificar uma religião como um politeísmo ou adoração de deuses e demônios, o termo pagão nunca é usado no seu sentido correto. Pagão é uma palavra que era usada para classificar qualquer coisa que não fosse cristão, apenas isso. Assim, nessa definição, uns 60% do mundo é pagão, incluindo o islã.

A palavra pagão é então, sempre uma ofensa, representa a ausência do deus verdadeiro, um misticismo, fetichismo ou animismo.

No modelo cristão, o monoteísmo se transforma na virtude e o diferente disso é o deletério. Contudo, uma rápida análise, que qualquer pessoa com mediana inteligência consegue fazer, mostra que somente o judaísmo, o cristianismo e o islamismo são auto-proclamados como monoteístas, além do que, classificar o catolicismo como monoteísmo é absolutamente incorreto.

As demais religiões do mundo normalmente ficam em torno do Henoteísmo. Creio que, na atualidade, exceto os chamados xamanismos, que também é um adjetivo ruim, nenhuma outra religião se enquadra como um politeísmo que passa a ser apenas um modelo de referência assim como a monolatria já foi, no passado, um modelo de referência.

Para quem não sabe, no henoteísmo o reconhecimento de um deus superior convive com manifestações desse mesmo deus através de divindades auxiliares que fazem a ligação ou representação desse deus supremo junto às pessoas, à humanidade.

O henoteísmo, que é o modelo mais natural, mantêm a crença em um deus supremo. A adição de divindades é apenas a forma como nós humanos vemos esse deus supremos se projetando junto a nós. É absolutamente falso tratar essas divindades de novos deuses, como se houvessem muitos, essa é uma fala do monoteísmo contra as demais religiões.

É como em Ifá, onde o deus supremo Olódùmarè se manifesta humanizado junto às pessoas através dos Orixá (Òrìṣà), que recebem culto por causa disso e, também, através de outras divindades que não são Orixá (Òrìṣà) e por isso não recebem culto, apenas compõe o entendimento do poder e influência deste mesmo deus supremo. É o modelo de ministros e embaixadores.

Cabe alertar que o catolicismo é, na verdade, um henoteísmo.

Assim, de onde surgiu esse modelo superior de religião que somente aqueles que inventaram têm? O monoteísmo?

A história é bem simples e vai decepcionar muita gente que acredita nessa visão de superioridade. Inclusive, conhecer essa história fará vocês verem a própria bíblia de uma forma diferente. Mas, antes cabe alertar que, para explicar isso eu necessito entrar no tema de historicidade da Bíblia, mas, não vou me aprofundar nesse tema, quem se interessar pelas coisas que vou citar, pode procurar as fartas informações que hoje estão disponíveis. Mais ainda, o que vou abordar aqui, sobre historicidade, são coisas objetivas e sobre as quais não existe dúvida entre os diversos pesquisadores.

Eu principio alertando que monoteísmo não está ligado ao correto reconhecimento de deus e de sua grandeza. O reconhecimento do deus superior, o supremo não está ligado ao monoteísmo.

Os estudos históricos e arqueológicos feitos em Jerusalém e em todo Israel, feitos, inclusive, por arqueólogos e historiadores Judeus, mostraram de forma bem evidente que diferente do que está na bíblia, os judeus sempre foram politeístas. Sempre viveram em Canaã, sempre cultuaram deuses diferentes, sempre tiveram imagens e símbolos e sempre fizeram esse culto localmente em suas casas e vilas, entre centenas de outras afirmações que podemos fazer e que contrariam o que está na Bíblia.

É fantasiosa a visão de que eles se converteram ao monoteísmo através de moisés e que eram os únicos monoteístas na sua região, pelo contrário, já haviam, antes deles, manifestações de religiões que buscavam o modelo da monolatria (como no Egito), Pérsia e opções henoteístas.

O povo que hoje chamamos de judeus mas que já tiveram outras denominações não eram monoteístas e muito menos eram uma potência militar e civilizatória. Nunca foram um farol de conhecimento e lucidez, pelo contrário.

As descobertas arqueológicas e históricas mostram a Bíblia como um livro de mitos e não de história. Observe, a Bíblia não está sendo criticada como livro religioso, apenas perde o seu caráter histórico de retratar fatos e verdades. É um livro de mitos, heróis e narrativas fantásticas como qualquer outra religião tem.

É claro que a reconstituição da história antiga é muito falha. Vocês tem que entender que um arqueólogo ou historiador não encontram a história pronta em textos e documentos. Isso pode ocorrer para tempos recentes mas não para o período antigo. Essas pessoas, sozinhas ou em conjunto, encontram artefatos diversos, restos de ocupação humana, obras civis, fragmentos de textos, corpos e através da observação de uma extensa área de extratos procedem a sua datação e, por fim, criam uma narrativa de história baseada naquilo que estão vendo. Esta narrativa sai da cabeça das pessoas.

A história antiga, que muitas vezes é narrada em detalhes, é uma criação humana e que pode ser refeita em ciclos. Assim, as mesmas descobertas analisadas por pessoas diferentes podem contar histórias diferentes ou versões diferentes para as mesmas evidências. Não existe nenhuma forma que permita saber, de fato, o que ocorreu ou como eram as coisas na antiguidade e quanto mais antigo mais difícil fica.

Mas, apesar dessa criatividade, existe um evento importante e relativamente recente e por isso bem documentado, ligado aos judeus, que foi o exílio da babilônia. O povo de Judá foi conquistado pelos persas, por Nabucodonosor II, no século VI AEC. Uma pequena parte da população (umas 10.000 pessoas apenas) foi levada para o cativeiro na Babilônia, mas, este foi um cativeiro diferente. Foram levados o Rei Joaquim, sua corte, aristocratas e sacerdotes, soldados, artífices e a elite da sociedade de Judá.

O restante da população permaneceu onde estava, sendo governado por um Rei nomeado pelos Persas. O povo de Judá era eminentemente rural. No exílio, essa elite se integrou com os persas e se desenvolveu fortemente através da rica cultura da Babilônia, até que no reinado de Ciro II, no século V eles foram libertos e autorizados a retornar, isso após apenas 50 anos de exílio.

O curioso é que depois de libertos, por Ciro, eles levaram ainda 20 anos para retornar a Judá e uma parte ainda permaneceu na Babilônia e nunca retornou.

O que ocorreu, neste período, na Babilônia é que os sacerdotes tiveram contato com outras culturas e religiões, sendo a principal o rico Zoroastrismo, religião oficial do estado Persa. Esses sacerdotes, então, vendo aquela riqueza teológica e grande estrutura político-teológica, se mobilizaram para escrever os seus próprios livros sagrados. A Torá, o principal livro sagrado do judaísmo, foi feito a partir deste período. Tudo foi reescrito e recontado, da história do povo à religião. Quando eles voltaram do exílio, fizeram isso para retomar o poder que tinham em Judá e Jerusalém e trouxeram, documentada, uma nova história do seu povo e uma nova religião, que refletia muito a própria estrutura e mitos do Zoroastrismo.

Não é possível conhecer a história de Israel e da Bíblia sem ter perfeito entendimento do que significou o exílio babilônico.

A nova religião, que foi desenhada, era inicialmente um monolatrismo que instituía YAVEH como o deus principal, Yaveh nunca teve essa relevância. Foi o templo de Jerusalém que criou Yaveh.

Os textos, históricos e religiosos, foram feitos baseados em uma tradição oral, sem dúvida, mas, refletiram principalmente o projeto da nova religião. Tudo era novo, a história do povo e a religião. Ao longo de algumas décadas, o culto aos demais deuses foi sendo proibido. A cultua religiosa foi sendo mudada à força, uma nova religião e um novo deus foram impostos ao povo Judeu. As imagens foram proibidas e a população proibida de cultuar o próprio YAVEH em suas casas e vila como faziam antes (era uma população rural e dispersa). Pior do que isso, eles foram proibidos de usar o nome de deus. Isso somente podia ser feito no templo e através dos sacerdotes do templo.

O escolha de Yaveh como sendo o deus supremo é fruto de muitas pesquisas e teorias. O que é mais comum é que ele era apenas um dos deuses cultuados pelo povo, na verdade um deus externo e militar. Foi uma escolha entre outras possíveis. Gradualmente as principais divindades como El, Baal e Asherat, entre outras, foram sendo banidas. O estabelecimento da monolatria foi um processo gradual.

Um exemplo claro disso foi o texto bíblico de deus se anunciando a Moisés. Quando Moisés pergunta o nome a ele, ele não diz nome nenhum, diz apenas que era o “senhor”. É claro que tinha que ser assim, eles não podiam nomear um deus porque eles estavam substituindo os deuses que eram cultuados, transformando esses deuses de culto nesse “novo” deus supremo. As pessoas foram convencidas que o deus que elas cultuavam na verdade era aquele ali e, assim ele não podia ter nome. Além disso.

Um outro exemplo é a proibição na Torat de imagens e de chamar o nome de deus. Somente os sacerdotes do tempo poderiam invocar deus pelo seu nome. Essas supostas instruções sagradas que estão na Bíblia são atribuídas a serem criações do tempo de Jerusalém para direcionar, exclusivamente, para o tempo a prática da religião, onde, eram coletados os impostos e dízimos.

Este modelo foi aprendido do Zoroastrismo. Concentrar a religião no templo foi uma estratégia trazida do exílio. O próprio dízimo foi inserido nos textos bíblicos pelo templo para poder coletar “impostos” e não por deus.

Observe que trago uma pessoalidade ao Tempo de Jerusalém. Estou me referindo a elite sacerdotal que construiu o tempo e se estabeleceu nele, emanando a religião e as leis teocráticas. A figura do Templo de Jerusalém com essa relevância, não havia antes do exílio.

O templo foi, inclusive, reerguido, seguindo o modelo de templo Persa do Zoroastrismo e somente o tempo poderia ser usado para as atividades religiosas e o culto a deus. A população tinha que ir a Jerusalém para o culto e foi proibida de cultuar o seus deus, de exercer sua religião fora do templo.

Os textos sagrados judaicos foram sendo escritos e ajustados para refletir a nova proposta de religião e as novas liturgias. Existem historiadores que citam passagens bíblicas que instituem histórias e simbolismos que apenas resultaram em liturgias para serem feitas no templo, o Yom Kippur, citado no gênesis seria uma dessas.

O conhecimento do exílio babilônico muda forma como você encara os textos da religião e a própria religião. Lamento se você não sabia disso, mas, é impossível você não rever o que pensa sabendo do que foi feito no pós-exílio, da tomada do controle político pelo templo, do sumiço do Rei que voltou do exílio e também saber que a Torat não foi escrita pelos supostos autores.

Assim é impossível buscar historicidade na Bíblia. A história foi recontada, na verdade, a história passou ser a história inventada. Como já citei, nesse tempo, era raro ou quase impossível a existência de registro escritos dessas histórias antes do exílio. Documentar era muito caro e se tratava de um povo rural e pouco desenvolvido.

O volume de material escrito durante e posteriormente ao exílio retrata a influência da Babilônia e o projeto político de construção de uma teocracia, seguindo, inclusive, o próprio modelo Persa.

Assim, sem se entender o que foi o exílio babilônico é impossível falar de bíblia e historicidade. E foi exatamente isso o que as pesquisas arqueológicas realizadas a partir da década de 80 do último século mostraram.

Eu citei superficialmente esse monte de fatos estarrecedores apenas porque precisava fazer algumas afirmações importantes, que são as que interessam aqui, mas que ficam sem valor se não se conhece a questão do exílio babilônico e a não historicidade da Bíblia.

Os sacerdotes vindo a Babilônia trouxeram um projeto de uma nova religião e o implementaram na população que restava em Judá. Esse projeto iniciou com uma monolatria que foi imposta ao povo (que era politeísta) e tinha uma outra história e cultura religiosa e outras divindades.

Yahweh foi escolhido a dedo como sendo o deus supremo, era um deus bélico e tinha alguma popularidade, mas não era o mais popular.

A história do povo foi criada por essas pessoas, uma história que existiu apenas no papel, conforme as pesquisas feitas em populações ao redor, principalmente Ugarit, revelaram.

Os sacerdotes criaram um modelo político teológico, um estado teocrático e para isso foi necessário estabelecerem o monoteísmo.

O monoteísmo foi o resultado da evolução do modelo da monolatria para suportar um estado teocrático em Judá. Assim como ocorreu em Judá, no resto do mundo ao longo da história, o monoteísmo sempre foi imposto pela força, violência e espada, principalmente pela opressão do povo.

Observe que Jerusalém ficava em Judá, Israel era o povo do norte, que foi o reino que acabou, sumiu com a invasão dos assírios, o povo do norte se dispersou, mas, a nação acabou tendo o nome desse povo, de israel e não de Judá. Tudo ali foi uma invenção, incluindo as 12 tribos, inexistentes até hoje.

Hoje ainda se discute a profundidade da história criada e existem pesquisadores que buscam a verdade de fato e enfrentam a oposição da atual teocracia Judaica. É evidente que a Bíblia conta um romance histórico interessante, mas apenas isso, um romance mitológico.

O modelo religioso monoteísta, tão aclamado como superior, é apenas isso o que estou descrevendo, uma criação humana feita por sacerdotes que retornaram da Babilônia com uma nova religião e uma proposta de um estado teocrático mais profundo do que o próprio estado persa. O monoteísmo não é uma herança de deus para nós.

Observem que o Zoroastrismo, apesar de sua riqueza teológica que o fez influenciar fortemente o Judaísmo e o Cristianismo e antes disso o Maniqueísmo e o mitraísmo, tinha através da monolatria um foco em controle social pelo estado. No modelo monolátrico do Zoroastrismo os Persas absorviam as religiões do povo conquistado, as divindades continuavam a existir e serem citadas pelo povo, mas, não recebiam mais culto. As divindades do povo conquistado passavam a ser subordinadas ao seu deus Ahura Mazda que é quem podia receber culto. A religião Persa tinha a inteligência de conviver e subordinar as demais religiões em um processo de dominação cultural.

Desta maneira, apesar de rica em teologia, o Zoroastrismo era formatado como uma religião de estado, uma extensão do poder do estado. Assim, junto com características teológicas bem interessantes, que possivelmente tiveram origem védica e isso o coloca como parte de uma raiz religiosa muito antiga e talvez até original na humanidade, ele serviu de inspiração para outras religiões que eu citei havia esse componente político.

Os sacerdotes judeus no exílio perceberam isso, principalmente que poderiam construir sua teocracia. Eles não necessitavam absorver outras religiões e povos porque eram um povo pequeno e limitado e, assim, evoluíram esse modelo mais radicalmente, criando assim o monoteísmo, eliminando, simplesmente, as demais divindades e assim ajustando a teologia para os seus propósitos teocráticos.

O melhor exemplo, o mais clássico, disso foi o monoteísmo ter sido adotado pelo Islã que é, basicamente, um movimento teocrático que seguiu mais intenso ainda esse modelo judaico de estabelecimento de uma religião monoteísta como base para um estado teocrático. No Islã o nível da invenção político-teológica é muito maior e o foco sempre foi o estado teocrático para controle político e social. O islã, na minha avaliação é um escândalo como religião, uma apropriação do cristianismo da pior forma possível.

O monoteísmo pode ser muito bem descrito assim, pela sua origem humana e a forma como se expandiu no mundo, pela força, pela imposição e pela espada, através dos cristãos e Muçulmanos.

Ele nunca foi um modelo natural de religião. É uma invenção. As manifestações naturais e espontâneas de religiões, em todo o mundo e em toda a história, sempre geraram henoteísmos ou no máximo monolatrias. A razão disso é porque pessoas humanas sempre refletem a própria sociedade que elas conhecem nos modelos religiosos.

Isso não é um processo de criar deus à sua semelhança, como muitos críticos às religiões fazem. Nós, como criação de deus, já somos a sua semelhança e é natural espelharmos deus no que somos.

O monoteísmo nunca existiu naturalmente, foi criado pelos sacerdotes do templo. Ele reflete um modelo teológico impossível.

A impossibilidade teológica é mostrada pelo catolicismo que para poder se expandir pegou esse modelo e evoluiu ele para um outro formato, uma forma mais natural, um formato henoteísta. Os católicos disfarçam com dogmas e teologias ruins o seu henoteísmo como sendo um monoteísmo.

Os protestantes, por sua vez, fizeram um trabalho muito ruim. Eles se aproveitaram de todo o legado católico e voltaram ao monoteísmo que como eu disse não é nada sagrado e não representa a forma como as pessoas olham deus de forma natural. Eles transformaram um livro mitológico em uma peça central na religião e colocaram na cabeça de cada pessoa a sua interpretação.

Observem a história, tanto Lutero como Calvino usaram a religião para controle social. A conversão do catolicismo para o monoteísmo protestante teve essa finalidade e mostra mais uma vez a única utilidade desse modelo.

A dispersão da interpretação da Bíblia por todas as pessoas e a perda do sacerdócio era apenas a necessidade de deslegitimar a autoridade católica.

Assim não existe nada de “certo” ou “superior” no monoteísmo, pelo contrário.

Para encerrar e depois dessa avalanche de informações, o que eu afirmo é que quando olhamos a história reconstituída e fatos já documentados, vemos que o monoteísmo que você conhece e que é trombeteado por essas mesmas religiões como sendo a única e legítima manifestação de deus junto a nós é, na verdade uma criação forçada com objetivo político-teológico.

Toda religião é uma criação humana. Ninguém pode ter dúvida disso. Por essa razão é que teremos religiões ruins e boas. Ser boa ou ruim não está ligado a deus, está ligado a sua criação humana.

O monoteísmo gera uma teologia ruim, mal feita, com pontas abertas e dogmas idiotas. Não é uma forma melhor ou superior de ver deus. A única coisa que ele promove é o controle social e isso é uma verdade por várias evidências. O motivo inicial é que foi para isso que ele foi criado pelo templo de Jerusalém. As evidências são a história de dominação e submissão que ele promoveu na sociedade.

Eu não me estendo falando do judaísmo porque não tenho a propriedade para isso, mas, na minha visão os ortodoxos são os que seguem a linha do templo de jerusalém. O judeus cabalistas, mais abertos a toda a sua tradição pré-exílio e que recuperam teologias banidas me parecem ser aqueles mais fáceis de serem aceitos entendidos.

O catolicismo é muito criticado por todos, mas, quando se examina a história real, observa-se que a igreja de Roma é diferente do que falam dela. O que se fala mal da igreja de Roma é apenas propaganda protestante e são atribuídas culpas que ela não têm.

Os católicos, na verdade, são basicamente henoteístas e trouxeram a filosofia de Aristóteles e Platão com o conceito de alma e um entendimento racional de deus para a teologia. Lembro que a filosofia grega é resultado do conhecimento egípcio e assim os gregos são uma herança ou continuidade dessa fonte de conhecimento. Além disso a própria religião grega e seus mitos influenciaram o cristianismo.

Os protestantes são um desvio dessa linha. Eles rejeitam a filosofia grega e aderem a uma corrente muito pobre que é o nominalismo. O debate filosofia x nominalismo é bastante atual e reflete bem o que os protestantes fizeram com a teologia. Veja que padres católicos precisam ser formados em filosofia, mas, pastores protestantes não tem esse requerimento, basta eles lerem a Bíblia. Só esse parágrafo daria um longo debate.

Além disso o Maniqueísmo influenciou tremendamente o cristianismo. Haviam os chamados cristãos maniqueístas que foram os perseguidos pelo império romano porque representavam a cultura persa. Nem todos cristãos eram perseguidos pelos romanos, os cristãos maniqueístas eram perseguidos porque, de alguma forma, representavam a Pérsia um grande inimigo de Roma. Agostinho de Ipona, o santo Agostinho, era Maniqueísta, depois cristão maniqueísta e por fim católico.

O Maniqueísmo é derivado do Zoroastrismo que era monólatra e tem origem formal no século VI AEC mas suas raízes são anteriores ao século X AEC, sendo relacionado aos Vedas a aos povos proto-indo-arianos. Estamos falando dos povos precursores da humanidade.

O Zoroastrismo já era monólatra e desenvolvia uma teologia de alto nível enquanto os judeus vivam nos campos, eram politeístas e sacrificavam crianças a Yaveh.

O que prejudicou o catolicismo, na minha opinião, foi eles terem se ligado tão fortemente a judaísmo, em uma relação de amor e ódio. O catolicismo que conquistou o mundo e o coração das pessoas surgiu com Jesus e as pessoas que adotaram essa religião não precisavam do judaísmo ou da Torat para nada. Bastava seguirem a teologia desenvolvida a partir de Jesus.

Isso poderia ter um longo debate também. O cristianismo que conquistou o mundo através do coração e mentes das pessoas, não foi o cristianismo que ser formou pela auto-proclamada ortodoxia cristã, a patrística. Essa auto-proclamada ortodoxia se apropriou das vitórias e esforço de pessoas que não estavam alinhadas com essa teologia judaico-cristã e sim a uma teologia de Jesus.

Eu lamento se no objetivo de encerrar esse tema acabei inserindo muito mais informação, mas, são fatos e história que as pessoas desconhecem.

O que estou tentando trazer a tona é que não existe nada de errado em monolatrias ou henoteísmo. Religiões assim podem representar muito bem deus e nossa relação com ele. O monoteísmo por seu lado é deletério. Não é resultado do fluxo natural da religião que representa deus, ele agride essa relação.

O monoteísmo foi criado para controlar pessoas através da religião e é isso que a história registra, sua imposição através da força, da opressão e da violência. O Islã é o melhor exemplo da continuidade dessas ações hoje. Basta olha para o Islã e ver o que o monoteísmo realmente representa.

Assim o objetivo aqui é abrir os olhos do leitor sobre essa necessidade de monoteístas continuamente se afirmarem como sendo os únicos certos, como sendo reflexo da verdade, como sendo a representação real de deus. Essa necessidade imperiosa de afirmação é parte do processo de controle social através da verdade e não é um processo religioso de deus. Como expliquei, esse não é o caminho do deus supremo. O deus supremo nos dá opções, nos dá liberdade, está focado no objetivo final e não no meio de atingir isso. O monoteísmo leva ou orienta as pessoas a dominarem o discurso teológico e principalmente de negarem o discurso teológico paralelo.

Como expliquei, monoteístas não aceitam outra visão de deus e do supernatural que não seja a deles porque eles não estão interessados em deus. Eles querem é o controle social, um reflexo ampliado do que o templo de Jerusalém fez, o monoteísmo é o ovo da serpente.

A reforma protestante, sem nenhuma dúvida, é um processo deletério em cima de uma boa religião que é o catolicismo. Essa é minha avaliação. Não sou cristão e assim olho tanto o catolicismo como o protestantismo com o mesmo olhar. O catolicismo representa a religião que venceu todas as dificuldades e que prosperou no caminho aberto por deus, através dos impérios macedônico, romano e persa para ele prosperar. Esses 3 impérios pavimentaram o caminho para existir uma religião ampla e universal. Mas o crescimento do catolicismo foi natural, não foi Roma que o edificou, foram pessoas e comunidades que acreditaram no conteúdo e força da mensagem. Roma se apropriou desse trabalho e edificou uma instituição de 2000 anos.

Tenho restrições a parte de sua teologia e sobre isso vou comentar em outro capítulo, mas, sem dúvida o catolicismo é a recuperação do modelo henoteísta. O protestantismo é a percepção disso e a retomada do controle pelo modelo monoteísta. Os precursores do protestantismo, Calvino e Lutero, tinham apenas isso em sua mente, o controle da sociedade. Não vou recuperar essa história aqui, não cabe, mas posso rapidamente dizer que Lutero uso a religião para conquistar o poder se associou com o estado alemão e impôs o seu monoteísmo protestante da mesma forma como os sacerdotes do templo de jerusalém o fizeram, perseguindo e proibindo a prática do catolicismo. Calvino fez o mesmo a partir de Genebra, controlando a população através da religião.

Um outro exemplo desse processo deletério é o Islã que também se aproveitou do catolicismo, estabeleceu um monoteísmo mais radical ainda, criando textos do nada e uma história que só existe em livros. As críticas que fiz aos judeus e a Bíblia são infantis se comparadas com o que o o Islã fez.

Dessa forma temos um braço obscuro e negro do monoteísmo se espalhando pelo mundo através do protestantismo e do Islã. Ambos igualmente ruins e hoje representam uns 35% da população do mundo, superando o catolicismo. Eu não gosto da teologia católica, tenho uma outra visão de deus através de Ifá, mas, eu acho muito complicado as pessoas serem da religião de Orixá (Òrìṣà). Eu recomendo a todos que deem valor ao catolicismo como um escolha religiosa.

Após essa longa explicação de que o monoteísmo não é uma inspiração divina e sim uma criação humana para exercer o controle social da população, que foi criado por conveniência dos sacerdotes do templo de Jerusalém que retornaram do exílio para retomar o controle da Judéia, eu levanto a seguinte questão: O que incomoda nas pessoas o henoteísmo? O que incomoda existirem muitas divindades?

segunda-feira, janeiro 22, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - A DEMONIZAÇÃO DAS OUTRAS RELIGIÕES - PARTE 10 DE 11

 

A DEMONIZAÇÃO DAS OUTRAS RELIGIÕES

Como eles podem justificar esse modelo de vida única, inferno eterno e salvação pela igreja se têm ao lado uma religião que eles reconheceriam ser do mesmo deus supremo e o entendimento delas for outro?

Não podem.

Essas outras manifestações têm que ser cultos a falsos deuses ou ao diabo que enganam a pessoa com uma falsa teologia e uma falsa esperança para afastá-los da salvação e os condenarem ao inferno eterno, que é o objetivo do diabo.

Igualmente, se na visão deles, se você não for a deus você não será salvo e o único deus o de verdade é o deles, porque o próprio deus anunciou assim.

Desta maneira, como uma consequência da teologia diabólica, as demais religiões o condenam ao inferno porque o afastam da igreja e se o afastam da igreja o afastam do deus de verdade e assim são, na verdade, obras do diabo.

As demais religiões, Ifá entre eles, reconhecem a importância do deus supremo e o distanciam naturalmente das pessoas. Ele está presente, ele existe e é reconhecido, mas, ele cuida do todo da existência, a vida emana dele, o equilíbrio emana dele, é ele que mantêm tudo funcionando. A presença do deus supremo junto a nós é humanizada, assume sim, de fato, uma face humana nas divindades que o representam junto a nós. O deus supremo se faz representar junto a nós de forma humana para que nós nos reconheçamos nele. Em Ifá o deus supremo não tem forma, mas, suas divindades, ministros, têm.

O que isso tem de errado ou de menor? Criticamente, ao meu ver, nada, pelo contrário é muito mais razoável do que esperar que o deus supremo cuide individualmente de nós.

Mas os judeus e cristãos não reconhecem divindades. Apesar deles reconhecerem, no próprio AT que deus se manifestava através de anjos, eles não reconhecem divindades. Apesar dos católicos terem um culto com anjos e santos, eles não reconhecem divindades nas outras religiões. Apesar de Jesus ter sido um semi-deus, eles não consideram que outras religiões entendem que temos divindades representando deus junto a nós e que representar deus não os torna deuses..

Apesar de em Ifá e na religião de Orixá (Òrìṣà) nós termos contato e experiência real com divindades que representam deus e delas só emana o bem, eles não acreditam no nosso bom senso e juízo.

Apesar de na Umbanda termos contato com espíritos menores, ex-vivos, que trabalham pelo bem e a caridade, tratando os problemas e ajudando e salvando vidas em nome de deus, eles continuam a achar que não temos bom juízo e que milhares de pessoas são enganadas.

O mundo real mostra que milhões de pessoas acreditam, veem e sentem manifestações de um supernatural que é diferente da teoria da bíblia, mas, isso não importa. Não interessa o nosso conhecimento, não interessa a nossa experiência, não importa nós falarmos que aquilo é divino, não importa deus fazer pequenos e grandes milagres na nossa vida.

Nós não importamos.

O que importa é o que está escrito no livro que eles veneram e adoram como um deus e que foi escrito por pessoas. O que importa são regras antigas e que a realidade atual o que vivemos na pele, mostra que não têm razão e que ou alguém se enganou ou eram coisas que tiveram um contexto naquele tempo, mas que mudaram.

Para pessoas que se dizem religiosas essas pessoas não tem nenhuma fé humana.

Não somos 55% da população da terra, mas, somos milhões de pessoas que presenciam essa atuação de deus e mesmo assim, somos pessoas enganadas na visão deles.

Na visão deles que rezam para o silêncio e cuja resposta a suas preces é apenas a fé e o silêncio, nós somos os tolos.

Nesse contexto, qualquer outra religião passa a ter que ser uma obra do diabo. A teologia, humana, que eles inventaram leva a isso. Lembro a todos que a natureza humana é falha e assim toda obra humana é sujeita a erro. Qualquer teologia é uma obra humana, já expliquei isso e assim pode estar toda ou parcialmente errada. Deus é sagrado, mas, as obras humanas podem falhar em algum grau.

Contrariar a teologia cristã não é contrariar a deus.

Enquanto a teologia de induístas, Orixaístas, budistas, shenistas, xintoistas e outras são diferentes entre si mas podem conviver perfeitamente uma ao lado da outra, a religião cristã não tem como conviver com elas, não com a teologia que têm.

Desta forma sejam os judeus como os cristãos, cada um a seu modo, inventaram essa tese insana de propriedade de deus, que lhe é conveniente, mas que despreza a grandeza de deus.

É nesse ponto que as demais religiões do mundo, obras do mesmo deus supremo, assim como a religiosidade natural das pessoas, passa ser um elemento de oposição que dever ser combatido e eliminado. Não só porque não podem ser criações de deus, uma vez que deus em pessoa foi até eles, como, também, porque sendo obras de deus não podiam ter teses teológicas diferentes das deles, que não obrigam a pessoa a se submeter a religião.

Essas demais religiões têm que se tornar obra do diabo, de demônios de falsos deuses ou deuses fracos e estranhos.

Essa parte menos nobre que eu citei é criação teológica humana, sem nenhuma base em cristo. Mas isso gera um pacote que obriga as pessoas a serem religiosas e da religião certa, a deles. A religião deixa de ser uma opção e passa a ser uma imposição ou se é religioso ou se sofre no inferno pelo resto da existência. Além disso, traz para a humanidade a questão escatológica do apocalipse eminente. É o império do medo.

Mais uma vez, cada um que viva como quer, se você gosta disso seja cristão. Mas, não é tão simples. Para esse modelo funcionar não pode ter outro modelo falando diferente. As demais religiões, que não falam isso não podem ser coisas de deus. Não pode ter outra religião, ligada ao mesmo deus com uma teologia diferente.

Temos a raiz dessa intolerância. Como eu desenvolvi, o problema não é eles acharem que o próprio deus apareceu para eles. O problema é a teologia que eles construíram por conta deles, em concílios que incorpora dogmas que tornam a existência de outros dogmas inaceitáveis.

Como vai funcionar a teologia católica se tem uma religião do lado, ligada ao mesmo deus, que cultua o mesmo deus e que diz que não tem inferno? Que você vive várias vidas? Que o mundo não vai acabar um dia?

Se eles aceitam que a religião do lado fala com o mesmo deus e não tem essas coisas as pessoas vão para essas religiões. Dessa maneira deus só pode ser o deles e os demais têm que ser demônios.

Qual o modelo que separa todo o tipo de anjo (são vários) e santos e seus milagres das divindades das demais religiões? O que precisa fazer um Orixá (Òrìṣà) para ser um diabo?

Qual a sua capacidade de julgar o trabalho de deus através de outra religião? Para você falar que é o diabo na outra religião você tem que entender e mostrar porque é o diabo. Por que não é deus. O que naquela religião e naquela manifestação relaciona o que você vê com o diabo, lembrando que o conceito de diabo é apenas cristão. O diabo é uma invenção cristão medieval, não existe na bíblia.

Explicar que o diabo é medieval e que não está na bíblia é algo que quem discorda pode buscar esclarecer com facilidade, fora a própria bíblia existem pessoas que analisam isso em detalhes através de literatura. Este é um tema interessante porque é uma certeza de muitos, base teológica de vários e assim dá um grande prazer de enfrentar, mas, não dá para fazer aqui. Fica essa dica, o diabo, assim como o apocalipse é uma invenção medieval. Toda essa cultura angelical também, o que as pessoas falam de anjos está em literatura apócrifa e foram coisas que os judeus aprenderam no exílio da Babilônia, isto é, aprenderam com outros povos.

Encerrando esse texto, quero ressaltar 2 coisas. A primeira é que esta foi a razão de eu ter iniciado longamente sobre a discussão da grandeza de deus. Sem esse conceito fica impossível chegar até aqui. A posição judaica e cristã são uma ofensa a grandeza de deus.

A segunda é que a teologia católica tomou rumos absolutamente humanos através do concílios, a teologia foi definida ali, por pessoas e essas decisões foram referendadas pela afirmação de que aquelas pessoas todas faziam aquilo inspiradas por deus. Os católicos têm razão ao dizer que sejam católicos primeiros e depois abram a bíblia, uma coisa não tem a ver com a outra.

Mas o problema da intolerância com as demais religiões tem origem de fato na visão do deus pessoal, particular. Isso obriga que as demais estejam erradas se forem diferentes. O que os católicos fizeram depois foi amplificar isso e materializar de uma forma que os judeus não fazem. Os judeus acham que estão certos, mas, para os católicos os outros tem que estar errados.

Assim para encerrar esse longo texto para um assunto tão simples, não temos um melhor deus a escolher. Se você crê em um deus supremo se sua religião crê em um deus supremo, você já escolheu o deus certo, o único.

Os cristãos têm um problema teológico particular para resolver.



domingo, janeiro 21, 2024

QUAL O MELHOR DEUS? - AS RELIGIÕES ABRAAMICAS CONTRA A GRANDEZA DE DEUS - PARTE 9 DE 11

 

AS RELIGIÕES ABRAÂMICAS CONTRA A GRANDEZA DE DEUS

Voltando a questão da visão da propriedade de deus, a posição judaica sobre esse tema seria irrelevante se não tivesse sido estendida para a teologia cristão, como explicarei a seguir. O judeus são menos que um traço na estatística, conforme eu mostrei no início, o que eles criaram para eles mesmo não faria a menor diferença ao mundo. Mas essa visão fechada deles fez diferença, porque foi a partir dela que surgiu o cristianismo e essa corrente influencia 55% da humanidade e o cristianismo é proselitista.

Dessa forma, para chegarmos a origem do problema que estou tratando aqui, temos que descobrir como os judeus chegaram a essa posição da propriedade de deus.

Depois de tanto texto, vale relembrar o que eu chamo de propriedade de deus. A bíblia reflete uma visão personalizada de deus. Ela inicia descrevendo deus como o supremo que criador de tudo, do universo inteiro da terra e da humanidade e todos o seres que aqui habitam, mas, esse deus supremo, se dirige diretamente a este povo específico, os judeus, dizendo que entre tudo o que ele criou eles eram os escolhidos dele.

Essa escolha faz deles especiais em detrimento ao resto da humanidade.

Esse deus passa então a se dirigir a eles e orientar os passos deles em um rumo planejado a uma coisa boa, mas, que em troca, exigia deles adoração única a ele, o verdadeiro deus, o cara.

Assim, o deus supremo que criou tudo e todos, o senhor dos céus e da existência dirige os judeus contra o resto da humanidade ou apesar do resto da humanidade. As demais pessoas e povos passam a ser opositores que precisam ser superados e vencidos, pelo preferidos, sem uma razão específica.

O deus supremo vira um “coach” dos judeus, com sucessivos profetas. Mas um deus com poderes finitos e limitados. Ele não consegue mudar nada sozinho, não estala o dedo, pisca os olhos ou torce o nariz para realizar nada. Em determinados momento cria pragas, manda anjos que matam milhares de inimigos, derruba muralhas, mas, em outros precisa que os judeus façam o trabalho sujo e depende 100% da boa vontade dos judeus fazerem as coisas.

Ele tem que convencer os judeus a fazer o que ele quer e muitas vezes os judeus não concordam e fazem o que acham certo e não o que deus disse.

Ele também se preocupa em mandar matar 1 homem que não cumpriu o sábado, recrimina outro porque errou nas instruções de oferendas e é o tempo todo contrariado pelo povo judeu, que apesar de tudo o que ele faz continua deixando ele para lá. Esse deus supremo parece demonstrar um poder limitado, sempre para punir.

Posso estar exagerando um pouco, mas, uma leitura literária da bíblia, do AT, com sinceridade, mostra 2 coisas. A primeira é um deus pessoal, dedicado aos judeus. Supremo na definição deles, mas, pessoal e restrito na dedicação aos judeus. De outro lado, para mim, a descrição do AT, não mostra um deus supremo. Mais uma vez, a leitura literária, me mostra um Djinn, tipo o que sai da garrafa, faz desejos, tem reações humanas, quer ser bajulado, etc. Me mostra um deus sem o domínio do todo de fato e inicialmente muito ocupado com os judeus, mas, depois enjoa e se afasta um pouco.

Lembro que o relato da Torat é absolutamente tardio e mitológico. Se você esquecer o Genesis, não sei se pelo resto do relato você identificaria um deus supremo ou um deus menor. Pense nisso.

Mas, o ponto aqui é que os judeus definiram em seu livro sagrado, a Torat que virou a Bíblia, um deus que lhes é pessoal e assim se afasta do que qualquer pessoa com um pouco de bom senso poderia fazer de um deus supremo, um deus de todos e de tudo.

Lembro a todos que, em termos de religião, não existe nenhuma garantia de nada e não tem nada sagrado, porque a religião, os textos e a teologia são processos humanos, o que é sagrado é deus. O AT mostra basicamente, no pentateuco, as instruções de deus para o povo deles e, esse, sem dúvida, é o livro mais importante deles. Mas a religião judaica não está contida nesse livro e é estruturada com muito mais livros e relatos dependendo da corrente ou seita judaica.

Muitos, hoje, acreditam na versão de que a bíblia é um livro antigo escrito pelos próprios personagens, que mostra a história como ela ocorreu de verdade. Existem arqueólogos que andam com a bíblia debaixo do braço para demonstrar através de supostas descobertas que a bíblia é um relato verídico e não apenas mitos.

Atenção, essa é uma preocupação que somente judeus e cristãos têm. As demais religiões não estão preocupadas se seus relatos são reais ou mitológicos.

Aqui temos, então, a primeira peça deste jogo. Para eles e para muitos, a bíblia é documento, é a história como ela ocorreu. Essas pessoas não conseguem separar o que é história de teologia. Contudo a realidade é que a bíblia é um relato teológico e mitológico, com personagens misturados com pessoas, mitos com história. Os judeus e também os cristãos, se consideram diferentes das demais religiões por causa disso, eles são melhores porque não tem um livro de mitos simbólicos e fantásticos como as outras religiões, eles têm a bíblia e também o próprio deus que foi até eles.

A verdade, contudo, é outra. A Torat não foi escrita pelos nomeados autores dos livros. Moisés nunca escreveu nada, nem Salomão, nem Davi. Esses 2 últimos, apesar de sua importância não têm registros históricos de existência. A Torat foi escrita no século V AEC e, assim, é absolutamente recente considerando os 6.000 anos de história que ela deveria retratar. Nenhum dos personagens originais escreveu nada. Todos os personagens eram analfabetos e não tinham acesso à escrita. Papel era inexistente. Papiro era caríssimo e a tinta mais cara ainda. Escrever e ler era um luxo de ricos e de reis, saber ler não tinha utilidade.

O AT é uma produção literária milimetricamente desenhada posteriormente. A bíblia, na verdade, é composta de mitos teológicos misturados ou romantizados com história e com mitos vindos de outros povos. É um livro importante, mas, não é história e ali não está a palavra de deus.

A bíblia não é diferente dos livros sagrados de outras religiões e os livros vedas são mais antigos e mais originais.

O meu objetivo aqui ao fazer essas afirmações é nivelar as coisas. O judaísmo e o cristianismo não são diferentes de outras religiões. O livro sagrado deles não é diferente de outras religiões.

Em relação ao monoteísmo, apesar do que está escrito na bíblia falar outra coisa, os judeus continuaram sendo politeístas, mais provavelmente henoteístas ou no final monolatristas por milhares de ano, somente se convertendo ao monoteísmo no exílio Babilônico. Nesse exílio, finalmente em torno do século V e IV AEC, eles escreveram a Torat, que contou a versão que interessava a eles. Acreditem, eles resumiram 6.000 anos de história só de lembranças e da criatividade dos escribas.

Sobre definições de religiões, nenhuma é exatamente igual a outra, mas, existem alguns termos para facilitar o entendimento geral. Assim, Henoteísmo é quando a religião acredita em um deus supremo que merece o culto, mas, podem ter outras divindades menores que também podem merecer o culto, mas, o culto é dedicado ao deus supremo como regra. A monolatria é como no Henoteísmo com um deus supremo e outras divindades, mas, apenas o deus supremo pode ter culto, não sendo admitido culto a nenhuma outra divindade menor. O monoteísmo deveria ser quando a religião apenas admite a existência de uma única divindade.

O politeísmo é muito raro de existir, foi abandonado com a evolução da humanidade, valeria um capítulo todo para comentar sobre a razão disso. No politeísmo não tem nenhum deus supremo, todos os deus são supremos com poderes e influências delimitados mas totalmente independentes. Nas demais classificações um deus supremo é responsável por tudo.

Outra questão a explicar, para nivelar conhecimento é essa questão de porque religiões tem várias divindades. Vou ser breve, mas, é um assunto que merece um capítulo.

O que diferencia, principalmente, o politeísmo do henoteísmo e monolatria é a qualidade das relações e não a quantidade de divindades. Ter um deus supremos significa que existe uma hierarquia. As divindades adicionais a esse deus supremo são emanações desse deus supremo,, ministros que o representam e possuem parte de seus poderes supremos. As divindades não substituem o deus supremo, apenas o humanizam e o tornam onipresente.

Várias religiões se enquadram nessas categorias de henoteísmo e monolatria, mas, na de monoteísmo existe apenas uma, o judaísmo. Classificar o cristianismo como monoteísmo é absolutamente questionável, é um henoteísmo ou no máximo uma monolatria.

O conceito de onisciência e onipresença do deus judaico é apenas deles mesmos. Nenhuma outra religião tem isso e acredite nisso quem quiser.

Voltando aos judeus, não é verdade que eles eram os únicos monoteístas ou monolatristas. Já haviam no mesmo período da história, várias iniciativas no sentido de estabelecer monolatria, henoteísmos e até monoteísmos em vários povos. Deus se movimentava, ao redor, com várias iniciativas, mas esbarrava no amadurecimento da própria população que resistia a ideia de um deus único. A ideia de que todo mundo era politeísta e só eles eram diferente é basicamente criatividade dos judeus.

O Zoroastrismo ou o Masdeísmo e depois o mitraísmo eram religiões que se desenvolveram mais ao oriente, não eram étnicas, possuíam muita similaridades até litúrgicas entre si e com o judaismo e, sem dúvida, eram outras apostas de deus para a humanidade. Não eram politeístas, ficando entre monolatrias e henoteísmos. Essas eram correntes mais orientais, mas haviam outras iniciativas mais antigas na própria região.

Ninguém pode afirmar nada sobre a história antiga, o trabalho histórico é baseado em investigação, busca de evidência e construção de modelos a partir disso. Essas evidências levam as pessoas a encontrar inúmeras similaridades teológicas e rituais do judaísmo com essas religiões, cultos egípcios, sumérios e caananitas. Tem pessoas que dizem que, como a bíblia judaica foi escrita tardiamente, na falta de lembranças ela pode ter intencionalmente sido feita usando mitos e ritos dessas religiões.

Claro que existe outra possibilidade, que também acho muito plausível, como estamos lidando com o mesmo deus supremo é natural que as religiões sejam similares ou tenham coincidências. Muitos críticos de religiões esquecem que todas as religiões se comunicam através do mesmo deus e não porque, necessariamente, copiam coisa uma das outras.

Estou citando isso tudo superficialmente para dizer que esta tese de que os judeus sejam escolhidos e que deus os escolheu é uma versão deles para eles mesmos.

Sob o ponto de vista de um deus supremo, isso faz sentido?

Sim, uma vez que vocês aceitem que, como relatei, o deus supremo levava a religião a muitos povos, eles foram um desses povos.

Mas, não, para aqueles que pensam que isso foi feito só para eles, visto que isso é uma estupidez.

A visão judaica é absolutamente obtusa no aspecto de definir deus como sua propriedade e espelho humano deles mesmos, com reações emocionais pequenas que permeiam o AT. Nisso, Bento de Espinoza que era judeu, foi definitivo ao apontar a falta de visão da grandeza de deus e sofreu por causa disso.

A teologia cristã, na minha visão, tem 2 momentos distintos.

O primeiro é o helênico, com a formação do que seria depois o NT, uma colcha de retalhos de tudo. Os novos cristãos, todos helênicos, não ligados a influência judaica de Jerusalém se viram obrigados a construir os mitos de Jesus, porque a população exigia mais informações, detalhes e uma história completa e não relatos parciais. Eles estavam habituados com a mitologia grega, com mitos bem construídos e com muito significado e simbologia. A mensagem do Cristo era forte mas precisava-se estabelecer sua divindade através da história.

Nesse momento é evidente a influência helênica nos mitos, com repetições de construções dos mitos gregos. Mas essa criação era independente dos judeus e do AT, a preocupação era apenas de estabelecer Jesus como o novo deus ou, mais certamente como um semi-deus. Os elementos do NT foram criados para convencer o povo romano e helenizado de que Jesus era um deus melhor do que eles já tinham. Não existe entendimento sério do cristianismo que despreze a construção helênica do novo testamento, que é absolutamente independente do AT.

Essa base helênica se consolida, bem posteriormente, com Agostinho de Ipona e Tomas de Aquino que trouxeram formalmente Platão para a teologia, lembrando que o modelo cristão inicial focava somente em jesus e não na religião judaica.

A epopeia cristã para formação da religião, o contexto da época, as dificuldades com as religiões existentes é, por si só, uma capítulo muito interessante da história, totalmente desvinculado de Jerusalém e da origem judaica, com desafios próprios. O efeito disso que gerou o amontoado de documentos do NT e também criou teologias não existentes ainda é bastante interessante para entender como iniciou esse processo de construção teológico cristão.

Retomando a minha visão sobre a teologia cristã, o segundo momento, já com a igreja católica organizada, entra a influência judaica, porque era necessário montar a religião completa. É nesse ponto que eles herdam e inserem esse entendimento, sem sentido, de propriedade e escolha de deus.

Os primeiros cristãos helênicos não estavam preocupados com isso.

A discussão do AT ocorreu entre os séculos IV a V, sendo definidos no concílio de Florença e reconfirmados no concílio de trento. Cabe chamar a atenção de que esse cristianismo já estruturava sucessivos movimentos organizados, até aproximadamente o século III ou IV EC, para se desvincular da teologia judaica, criando uma teologia própria.

Com a igreja romana, o modelo cristão para uma religião, volta a trazer a origem judaica. Uma das primeiras ações políticas-teológicas foi transformar o Cristo no próprio deus, o que nunca tinha sido antes. No primeiro concílio de Niceia, eles estabelecem a tese da co-substância. Essa foi uma discussão pesada e baixa na igreja porque havia a tese ariana que não concordava com isso. Foram os concílios que definiram a teologia católica. Os concílios, na minha visão, eram principalmente políticos e não teológicos. O primeiro deles, o de Nicéia já iniciou com a decisão de transformar cristo no próprio deus, não houve discussão teológica, houve apenas expurgo dos opositores.

Mas por que essa questão do cristo-deus eram tão importante para ter sido o primeiro debate teológico? Porque com o cristo-deus, eles continuam a usar o AT mas se libertam das 12 tribos e passam a ter um deus só deles, um deus para chamar de seu. Eles passam a se equivaler aos judeus sem pertencer as 12 tribos e ao povo dito como escolhido no AT.

Lembro, mais uma vez, que o cristianismo foi construído inicialmente apenas sobre o cristo, sobre sua existência, obra, palavras e principalmente ressurreição. Isso foi o suficiente para criar a religião.

Mas a igreja precisava de uma cosmogonia completa, sem isso não seria uma religião de fato, ai recorreram a origem judaica de jesus que traz junto a Torat.

Mas a Torat define uma teologia que os judeus fizeram para eles mesmos, como já expliquei e coloca eles, os judeus, no centro de tudo. Os judeus e não os gentios eram o povo escolhido por deus. Assim, para ter a Torat e sua cosmogonia eles precisam tirar os judeus do papel que eles deram para eles mesmos, de povo escolhido.

Foi nesse sentido que jesus precisava virar o próprio deus e o argumento da co-substância foi o que eles usaram.

Além dessa questão de terem que substituir o deus que estava no AT e que escolheu apenas os judeus, existe também a questão do monoteísmo.

Os cristão, como os judeus se consideravam monoteístas e desta maneira superior as demais religiões da terra. Superior porque eles foram escolhidos e se dirigiam ao próprio deus superior, o chefe de tudo, assim eles eram especiais, não tinha intermediários ou subalternos entre eles e deus, na verdade “o” deus.

Jesus entra nesse contexto religioso como sendo um semi-deus. Foi assim que os helenos aceitaram ele. Jesus era equivalente a outros deuses que os helenos já cultuavam, equivalente mas superior. Jesus era uma mistura de deus e homem, um semi-deus, que veio de deus mas nasceu humano, isso era a definição grega de um semi-deus.

Considerando que era necessário manter essa definição de monoteísmo, equivalente aos judeus, porque senão o cristianismo seria (como é de fato) um henoteísmo, era imperativo unificar Jesus e o próprio deus, assim, independente da lógica e do bom senso gritarem o oposto, Jesus e deus passam a ser um só, via o concílio de Nicéia.

O Jesus-deus mantinha o culto a Jesus mas não o estabelecia como um sub-deus ou um semi-deus, como deveria ser, mas, como o próprio deus, mantendo assim, porque eles queriam a denominação de monoteísmo. Assim você poderia se dirigir a deus e a Jesus também e ainda falar que é um monoteísmo.

Essa discussão teológica tem que ser feita se distanciando das auto-definições que os cristãos fizeram para si mesmo através dos concílios. Apesar de toda a subjetividade envolvida, não tem lógica que sobreviva a ter que discutir isso com a hermenêutica tirada do rabo do diabo que nasceu dos concílios.

Jesus foi entendido como um semi-deus pelos primeiros cristãos, os helenos. O cristianismo, com sua trindade, Maria, Santos e Anjos é estruturado como um henoteísmo ou monolatria e não como um monoteísmo.

Voltando ao Jesus-deus, ao criarem essa definição, que foi necessária por esses 2 motivos que eu apresentei, os cristãos passam a adotar a mesma versão do deus pessoal e menor dos judeus. Veja no caso do Jesus-deus, ele veio fisicamente até nós e assim é de fato pessoal.

Mais uma vez, deus perde sua grandeza. Como deus veio pessoalmente até eles, como o cristo, então, igualmente, só eles tem razão e só eles sabem o que é certo. Segundo eles mesmos, nas demais religiões o próprio deus não vem até nós, só na deles. Ou seja, eles inventam do fundo do anus, essa tese maluca que não vem de nenhum profeta e desta forma não veio de deus e, com isso, se veem obrigados a desprezar as demais religiões, ignorando assim, sem nenhum pudor a grandeza de deus.

Essa manobra teológica resolve a questão que eles tinham com os judeus e o AT, mas, cria um monte de complexidades teológicas e coloca o cristianismo contra o resto da humanidade.

Aliás repetindo o modelo judaico, que nos relatos do AT eram eles contra o resto do mundo também. Existe assim um problema teológico de base na religião que estabelece o conflito como caminho.

Essa visão de cristo ser deus é algo absolutamente humano e discricionário, aliás como toda a teologia conciliar. Não existe nenhuma base profética nisso, eles apenas decidiram baseados em argumentos convenientes e sinuosos que era isso.

Cabe observar que o AT é baseado em profetas. Assim, a história é construída sempre com essa ligação com deus através dos profetas e escolhidos por deus, existe, literariamente a mão de deus conduzindo a história.

A partir de cristo isso se perde. O NT não é feito por profetas e muito menos os livros são de autoria de profetas. Eles apenas são feitos por pessoas. Igualmente as decisões teológicas conciliares e sinodais são tomadas por homens. Para resolver isso eles criam o conceito de inspiração divina, assim o papa é inspirado por deus e os bispos no concílio, todos, são igualmente inspirados em seus pensamentos e decisões.

Na minha visão, não tenho nada a me opor a esta tese do cristo-deus, se eles entendem que foi assim, ótimo. O que eu estou repetindo incessantemente aqui é que, apesar dos católicos terem inventado isso, o bom senso mostra que a grandeza de deus jamais se limitaria a essa única ação ou mesmo a essa ação.

Uma avaliação teológica mais responsável e menos política deveria ter pesado a falta do senso do que eles estavam fazendo ao definir isso para substituir os judeus, o quanto isso complicaria, como ocorreu, a teologia deles. Além disso, como relatou Espinoza, isso traz a absoluta falta de reconhecimento da grandeza de deus.

Mas os cristãos foram além, como era fácil, bastava se reunirem e eles, da cabeça deles, criaram teologias muito convenientes, como o pecado original, a vida única, o medo do pecado, o diabo, o inferno, o apocalipse e a necessidade imperativa de ser salvo por deus senão você vai para o inferno.

Eles substituíram o sentimento espontâneo de pertencer a uma religião por este ser o caminho para se tornar uma pessoa melhor, viver melhor em sociedade e harmonizar sua vida com as orientações de deus para ter suas bençãos, para um outro no qual você tinha que estar na religião pela obrigação de ser salvo, o medo do inferno. Além disso, os protestantes principalmente, substituíram a busca do bom caráter e a auto-crítica pela muleta de que seus erros são causados pelo diabo.

Inclusive a teologia do diabo e inferno que conhecemos hoje é uma invenção medieval. Não está no AT da bíblia. No NT o diabo assim como o inferno eterno é criação do livro do apocalipse que nem deveria estar na bíblia devido a ser um relato feito por João, o visionário, para criticar o império romano. Nada que está no AT nos remete ao personagem e atuação do diabo medieval. O nome Lúcifer era um nome comum. A igreja tem um Santo chamado São Lúcifer que viveu, na Sardenha, no século IV. Os luciferianos, seus seguidores que se opunham aos arianos, permaneceram após sua morte e foram liderados por outro santo, São Gregório de Elvira. A razão de eu explicar isso é para mostrar que essa invenção de diabo, lúcifer e inferno eterno é criação tardia da igreja, teologia inventada. O satã que está no AT, nada tem a ver com o diabo medieval.

Os protestantes, baseados em pessoas com formação insuficiente ou deficiente como Lutero e Calvino, inventaram coisas piores, como a dupla predestinação que condena pessoas ao inferno eterno (que já é uma invenção) por nascimento. Deus decide fazer pessoas que independente do que sejam ou façam vão para o inferno. Os protestantes conseguiram piorar muito a teologia católica.

Protestantes principalmente, mas também católicos passam a usar a colcha de retalhos que é o NT e também (mas, menos) o AT para a partir de pequenas frases ou parágrafos criar interpretações malucas e gerar a teologia que eles queriam. As cartas de Paulo, cuja a minoria foi escrita pelo próprio, mais o livro do apocalipse cuja introdução no cânone é absolutamente política e sem sentido são as principais bases para essa teologia maluca e conveniente que hoje se baseia o cristianismo.

Observe que foi essa teologia que trouxe para o foco da religião a dualidade bem e mal, com a criação do diabo e do inferno, que são absolutamente artificiais, como o destino dos não fiéis. Assim a opção pela igreja e cristo passou a ser obrigação, o mundo passou a ser nessa visão um palco da luta entre o bem e o mal.

Observe que essa dualidade bem e mal era o foco de outras religiões orientais próximas aos cristianismo, como o zoroastrismo, o mitraísmo e o maniqueísmo. Não podemos dizer que bem versus o mal não seja uma dualidade teológica presente em várias religiões. Até mesmo em Ifá é assim a dualidade é parte do entendimento do mundo e do seu componente energético, o axé (àṣẹ).

Mas trata-se de uma luta interior. Como eu descrevi antes, somos a própria balança, de um lado temos o livre arbítrio e de outro a religião e cabe a nós manter esse equilíbrio. O mal é resultado de nossas escolhas pelo lado do livre arbítrio.

O que o cristianismo medieval fez foi elevar esse conflito para a arena exterior, retirou de nós o mal porque deus não pode ser mau e como somos criados a sua semelhança não podemos ter alguma coisa que ele também não tenha, assim o mal não pode pertencer a deus e nem a nós. Neste contexto o diabo é necessário porque é ele que justifica o mal, um elemento externo, maligno que traz para nós temporariamente o mal.

Assim bem x mal, passou a se tratar uma disputa divina com a igreja sendo a necessária para nos livrar.

A disputa do bem x mal, um conflito interno humano baseado no livre arbítrio, comum a todas as religiões, no cristianismo saiu a arena interior da pessoa. O diabo é o responsável, sua alma está condenada desde o nascimento e a igreja é a salvação obrigatória.

Com pouca inteligência você olha para isso e vê que se trata de uma corrente de consequências naturalmente amarradas, que tem origem em dogmas teológicos artificiais. A escolha errada do dogma gera toda sinuosa e confusa teologia consequente.

Uma teologia conveniente, sem dúvida, porque nesse contexto de pecado original, diabo, uma única vida e inferno eterno a igreja passa a ser essencial.

Voltando ao nosso início, isso é um castelo de cartas teológico.

Se você tira disso o deus pessoal e dedicado que traz o único certo, você desmonta a teologia consequente. Porque outras religiões não tem esse modelo teológico, oferecem uma vida muito mais natural e harmoniosa com o deus supremo.