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sexta-feira, outubro 18, 2019

Como Ifá pode ajudar as pessoas


Uma questão que sempre deve ser pensada sobre uma religião é sobre o SEU envolvimento com a religião. A pergunta é: O que ela está fazendo por mim, como pessoa.

Assim, não se procura uma religião porque se quer dinheiro, emprego, mulher dos outros, emprego dos outros, casa própria, etc.. Isso cada um tem que conseguir nessa vida com o próprio trabalho e com seus próprios erros e acertos, ou então procurar um feiticeiro...

Não nascemos santos e nem para ser santos, como prega o Cristianismo, também não nascemos pecadores e nem vivemos para não pecar. A gente nasceu para viver e fazer isso com dignidade, primeiro com nós próprios, depois com nossa família e por fim com a sociedade em que vivemos.

A religião é a ética e o conhecimento que está acima das leis e da ciência, e que procura a qualquer tempo localizar na nossa alma e espírito o nosso sentido de viver, e fazendo nós entendermos o que devemos fazer ou como devemos ser nessa vida.

Qual o sentido de vivermos e como devemos fazer isso?

Baseado nessa opinião eu nunca vejo sentido naquelas frases de ignorância perolar: sou católico mas não sou praticante - Qual o sentido de se dizer como parte de uma religião que não se segue???

Essa relação conflituosa das pessoas com as religiões eu não entendo. Qual o problema de seguir regras? Qual o problema de sentir culpa? Qual o problema em crer em dogmas?

Religião não é deus, religião organiza o entendimento da nossa relação com deus e o divino complementar. Crer em deu não adiciona NADA a sua vida. Seguir uma religião adiciona conhecimento, valores, ética, motivação e um sentido maior. Mais ainda nos ensina a lidar com o supernatural.
Assim entendam da seguinte forma: Religião nos explica como é a relação com deus.

Essas pessoas que enchem o peito para dizer que não tem religião mais acreditam em deus, não significam nada para mim. Não vejo nada de especial ou de nobre na atitude delas, são apenas pessoas desinformadas, ignorantes.

Mas eu igualmente considero um idiota as pessoas iniciadas em Candomblé, que rezam para anjo da guarda, rezam o pai nosso, citam Jesus e não conseguem explicar qual a rotina pessoal delas ligada a prática religiosa que tem.

Cada religião propõe uma forma diferente de encarar as mesmas perguntas e desafios. Assim religião é atemporal. Independente da época que estamos ela será sempre a mesma bússola para o nosso caminho. Independente das leis e do regime político ela ira propor sempre a mesma ética de conduta.

As leis civis zelam para que o homem viva em sociedade, ser justo com os próximos e viva de acordo com valores que a sociedade em que vive preza. Assim leis mudam de sociedade para sociedade. A religião busca nos fazer ser melhor com a gente mesmo, em primeiro lugar, como um passo básico para que nossa vida em sociedade seja brilhante.

O resto cabe a nós fazer. A base e os instrumentos que nos possibilitam sermos boas pessoas são oferecidos, mas, cada a cada um decidir o que fará da sua existência.
Ifá por sua vez faz parte de um sistema religioso, complexo e incompleto ao mesmo tempo, mas que como parte disse também tem que servir para responder a essa mesma questão.

Mas, as religiões, têm um papel um pouco maior, existe um divino e um supernatural, nisso até os católicos acreditam, no supernatural. A religião é a forma de você aprender a usar isso. Como eu sempre digo existe de fato uma aliança entre deus e nós e é pelo nosso sucesso e felicidade na vida.

O cristianismo e o Islã tem um problema sério que é o de propor para nós uma morte boa. Eles dizem que depois que morremos vamos para o paraíso, não existe na visão deles da relação com deus compromisso com essa vida, tudo deles apontam que a gente deve morrer para ser feliz.

Mas a nossa questão é: O que Ifá vai dar para as pessoas para que ela vivam melhores? Por que uma pessoa quer ir para Ifá?

Essa é uma pergunta importante e deve ser feitas por todos, independente da corrente religiosa em que estejam.

Se você está na Umbanda, se pergunte: O que eu estou fazendo aqui? O que esse culto traz para a minha vida? Como vivo diariamente com a minha religião? O que eu contribuo para minha vida, para minha família e para a sociedade quando não estou incorporando algum guia? O que pretendo eu estando aqui?

Se você está no Candomblé, se pergunte: Para que eu faço essas obrigações? Que objetivo tenho para minha vida com isso? O que estou aprendendo em relação ao último ano e para onde isso vai me levar? Como pratico minha religião quando não estou com uma vassoura no terreiro ou com um balde?

E por ai vai, em cada religião existem perguntas chaves que podem ser feitas a cada participante.

Ifá não é como toda a religião, mas um culto muito específico de uma religião. Assim a primeira obrigação de uma pessoa que está ou quer ir para Ifá é entender a religião onde este culto está inserido para que consiga localizar em todo esse mundo metafísico o sentido do que se faz em Ifá, porque tanta dedicação e estudo? O que se espera de um sacerdote?

Sim, a religião vem em primeiro lugar ela é o que envolve e dá sentido em todos os atos que se pratica.

É claro que uma pessoa pode ser de uma religião sem ser um sacerdote. Isso ocorre em todas as religiões.

Em Ifá é o mesmo, você não pode ir a Ifá para ser um sacerdote, isso será para muito poucos, você deve ir a Ifá para obter ajuda de deus. Lembrem-se, deus tem um compromisso com nossa felicidade. Ifá, o oráculo religioso em geral, é a forma de você requerer isso.

Essa conversa de que deus é onipresente e sabe de tudo é conversa fiada. Você tem que pedir ajuda.

Se ao contrário, o objetivo de uma pessoa é ser um sacerdote de Ifá, ótimo, mas minha opinião é que uma pessoa para ira para Ifá tem que primeiro conhecer muito bem a religião que escolheu. Tem que ter Fé nos orixás, tem que entender a cosmogonia e teologia envolvidas. A pessoa já tem que estar na religião dos Orixás. Existem várias tradições para isso. Temos o Candomblé, a melhor delas, O Lukumi cubano, a tradicional religião Yorùbá (YTR ou ATR) e até o Voodoo Haitiano.

Vejo muita dificuldade de uma pessoa ir para Ifá sem primeiro não ter se envolvido e apaixonado pelos Orixá, que são o centro de nossa vida junto com nosso Orí.

Após isso Ifá se abre como um caminho para pessoas que se identificarem com a possibilidade de serem mensageiros de Ọ̀rúnmìlà. Para você ser um bom mensageiro de Ọ̀rúnmìlà tem que primeiro já ser uma pessoa equilibrada e pronta para transmitir axé para os outros, através das suas palavras. Como diz os poemas do Odù Oxéotuwa, a palavra do sacerdote é que tem a força, é que tem a magia é que tem o poder.

O sacerdote de Ifá, o Awo, não é um passador de ebó. É uma pessoa que transmite axé através de sua palavra, oral ou escrita ;-)

Ifá tem uma enorme parcela de contribuição na vida das pessoas. Ifá está intimamente ligado com o compromisso que o Orí de cada pessoa fez com Olódùmarè, com o seu objetivo de vida e com tudo o que motivou a sua vinda do orun para o Àiyé. Entenda que Orí é nossa imagem no órun, o espaço espiritual. A religião Yorùbá acredita que somos um duplo, vivemos no mundo terreno, o aiye, mas temos no órun, o mundo espiritual um duplo que é nossa imagem e que nos protege e tem a chave da nossa vida. O nosso Orí conhece os nossos planos para essa vida, nós aqui perdemos esse conhecimento, como descrito nos poemas do Odù Iwori meji.

Assim quando uma pessoa enfrenta dificuldades demais, quando os caminhos ficam por demais tortuosos quando a prosperidade falta ou ameaça a sua subsistência, quando a doença e a perda sempre ronda sua porta é a Ifá que as pessoas podem recorrer.

Ifá ira então socorrer essas pessoas para que eles possam retomar a sua vida e seus objetivos, sejam com reposição de axé ou mesmo com sabedoria. Ọ̀rúnmìlà não é apenas o testemunho do nosso destino, aquele que estava junto de cada um de nós quando pedimos para Olódùmarè um destino nessa terra. Ele é também o Orixás da sabedoria, o que traz o conhecimento e as mensagens de outros orixás.

Assim um Bàbáláwo, mais do que fazer ebós também é uma pessoa que deverá ter a inteligência, a percepção e a sensibilidade para orientar as pessoas que o procuram, porque muitas vezes as pessoas precisam de palavras, estimulo e orientação.

Assim Ifá é um longo caminho para quem o adota, Ifá é um culto de sacerdotes, mas também é o caminho para que as pessoas tomem contato com a religião e com tudo o que a religião pode fazer pelas pessoas.

Quem vai para Ifá não pode cair na viela comum que outras correntes caíram onde para se falar com o sacerdote tem que se pagar uma consulta e ele sempre com aquela peneira entre os dois se traduz em ebós, obrigações, feituras, sacrifícios e um arsenal de termos, mistérios e frases incompletas.

A pessoa de Ifá um Bàbáláwo de fato não tem meias palavras para explicar sua religião. Não se esconde atrás de falsos segredos ou de informações incompletas. Um Bàbáláwo é a pessoa que tem axé na sua palavra e que representa a sabedoria. Uma pessoa de Ifá não esconde informações e conhecimento.

Eu acho muito complicado a decisão de uma pessoa se tornar sacerdote de alguma, coisa, tem que ter muita fé e acima de tudo abrir mão da sua vida de prazeres e diversão. É muito sem graça ser um sacerdote, em qualquer religião.

Ifá tem a capacidade de ajudar a todas as pessoas a viverem melhor. Esta é a sua virtude viceral e para isso que ele existe. O objetivo de Ifá é tornar melhor a vida das pessoas em relação a sua missão, as suas possibilidades e a sua capacidade, lembrando que durante a vida, com nossos próprios atos e opções nós criamos as próprias condições para vivermos bem e Ifá não poderá dar a ninguém aquilo o que ela não pode possuir.

Aos habitantes desse mundo, seja de que religião forem Ifá irá ajudá-los a viver. Aqueles que desejarem conhecer a religião Ifá conterá o seu significado e aqueles que desejarem ajudar outras pessoas com seu próprio temo e axé Ifá lhes dará a infinita possibilidade de fazerem isso à exaustão.

Ifá não vai prometer que vocês ganhem na loteria ou dar um novo emprego ou um novo amante. Ifá vai ajudá-los a viver a vida.

Atenção Ifá não tem o objetivo de fazer a vida do Bàbáláwo melhor. Pelo contrário. Significa menos lazer, menos ociosidade, menos prazeres, menos tempo discricionário, mais preocupações, mais responsabilidades. ser um sacerdote é pouco divertido e sem qualquer glamour.

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