Pesquisar este blog

domingo, novembro 04, 2012


A mulher em Ifá

Parte 1


Caros leitores.

Retomo as postagens, como prometido e também a temática de Ifá. Claro que este não é apenas um blog sobre Ifá e sim sobre a religião dos Orixás de forma que assuntos relativos ao dia a dia da pratica da religião continuarão presentes.

Existem assuntos interessantes na pauta das próximas publicações, fiquem atentos. A série a seguir, de várias postagens terão como tema a mulher em Ifá. Ao invés de fazer um enorme textos estou fazendo postagens menores para facilitar a consulta.

Como eu sempre digo aqui, Ifá é um culto religioso masculino. A presença da mulher é muito restrita, mas, muito restrita mesmo. Sou sincero sobre isso. O culto feminino é o culto de Orixá (Òrìṣà), o Candomblé. É neste culto que a mulher tem lugar, importância e relevância. Os textos que se seguirão foram selecionados por mim para mostrar isso. São histórias relevantes.

Chamo a atenção que esta é uma seleção minha. Claro que consultei fontes e vou deixar isso bastante explícito, mas, eu selecionei o que considerei relevante.

Existe um livro chamado Apetebi, do Ifayemi. Não vi este livro em Português de maneira que pouca gente deve ter lido. Ele também fez uma seleção e também colocou seus comentários, como faço aqui. É uma outra fonte de referencia. Eu não copiei este livro e até mesmo não gostei dele. As histórias estão muito resumidas, perdem o brilho.

O livro é bem antigo, pelo menos o que eu tenho e reflete a visão da sociedade deles sobre o tema. O tratamento da mulher pela sociedade e por conseguinte pela religião é muito típico, não é fácil de entender e não vou tentar fazer isso aqui. Por um lado elas são importantes e temidas, mas, por outro lado não recebem o devido respeito.

Nos textos de Ifá isso é bem típico. Se a gente lê as histórias e os versos vai observar claramente o tratamento indiferente dado a mulher. É como esta no texto seguinte, … tome leve para você... como algo que pode trocar de propriedade.

Também as mulheres sempre representam atitudes ruins. Isso é muito emblemático. Em Ifá, nos versos, determinados “objetos” tem sempre o mesmo sentido. Assim o carneiro sempre é traidor, a tartaruga inteligente e a mulher traiçoeira ou condutora de atitudes ruins.

Eu vejo muitas mulheres interessadas em Ifá, mas, gente, numa boa, estão no culto errado.

Hoje em dia, em função do comércio, as pessoas estão fazendo coisas para mulheres que não deveriam fazer. Os Nigerianos principalmente. Mas eles querem é ganhar dinheiro e assim, fora da terra deles fazem coisas que jamais fariam, ou melhor, fazem para estrangeiros coisas que não fariam para os nativos. A questão Iyanifá é parte disso. Como eu disse aqui, tem umas mulheres tolas que acham que receberam alguma coisa sendo feitas Iyanifa. Isso é apenas comercio de Nigeriano. Nada mais.

Os cubanos colocam as mulheres como Apetebi e ponto. Fazem comida, limpam a casa e preparam ebós. Mulheres, o seu culto é o culto de Orixá (Òrìṣà), Vocês podem ser muito mais do que empregadas de luxo.


Mas vamos ao primeiro texto. Depois faço mais comentários. Espero sinceramente que as pessoas que estão lendo esses comentários entendam que estou aqui mostrando uma realidade e não fazendo apologia chauvinista.

Mas, uma coisa que eu já percebi é que as pessoas adoram se enganar, ou melhor, para conseguir o que querem elas se enganam.


A seguinte história foi obtida do Babalawo Ayo Salami


Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) a esposa de Àgbonnìrègún


Na vida de Àgbonnìrègún e Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), há tantas coisas que se encontra difícil de explicar. Uma delas é a questão da Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀). Em alguns versos de Ifá, Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) é referida como a esposa de Àgbonnìrègún. Em muitos outros, ela era a esposa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà). Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) era a esposa de Àgbonnìrègún mas tornou-se a esposa de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) mais tarde.

Um dia, durante uma das visitas habituais de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) para dar conta de sua viagem feita por longos destinos, ele conheceu uma mulher chorando pela porta da casa de. Ele consolou-a, mas não podia esperar para descobrir o motivo de sua tristeza. Ele não poderia também abrir a discussão com seu irmão Àgbonnìrègún, pois não fazia parte dos assuntos que ele veio discutir.

Mas, no segundo dia, ele a encontrou no mesmo local enrolada e lamentando-se. Movido por suas lágrimas, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) teve que quebrar o protocolo (de discutir exclusivamente os acontecimentos de sua viagem e notícias em casa), pedindo que a questão da mulher estar chorando fosse discutido.

- Por quê? Oluwo Àgbonnìrègún perguntou.

- É porque eu notei que ela tem chorado por dois dias consecutivos agora - Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) respondeu.

- Ah, se é por causa do que a mulher, eu não sei o que dizer

Seu caso é peculiar. Quando me casei com ela, ela não estava menstruada. Consultei Ifá e ofereci sacrifício, e ela começou a menstruar.

Por um longo tempo, ela ainda não poderia engravidar, eu adivinhava novamente e ela ficou grávida. Mas os bebês que ela tem tido não foram sobrevivendo. Na verdade, o último morreu há três dias, e esta é a razão para ela estar chorando, Àgbonnìrègún explicou.

Se for esse o caso, Orunmilá respondeu, por que você não executar uma akose sob o Odù ose ogunda para a mortalidade infantil para parar?

Isso pode não ser necessário, responder rapidamente Àgbonnìrègún.

Eu tenho tantas coisas para fazer que são mais importante do que cuidar dela.

Àgbonnìrègún então chamou Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀), que ainda estava do lado de fora chorando. Assim que ela entrou, Àgbonnìrègún agarrou-a pelo pulso e entregou-a a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà).

- Olúwo! Ele disse

Leve-a, da cabeça aos pés. Case-se com ela como esposa e enfermeira as crianças. Todas as coisas que você quer que eu faça parar as crianças pararem de morrer, faça você por ela.

E assim Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀), a ex-mulher de Àgbonnìrègún tornou-se a esposa de seu irmão Orunmila (Ọ̀rúnmìlà).

Isto é o motivo pelo qual as esposas dos Bàbáláwo, então, vieram a ser chamar de Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀). O outro nome para eles Apetebi (Apẹ̀tẹ̀bí). Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) na maioria dos casos, é o nome dado a mulheres que foram casadas antes, mas, dadas a um Bàbáláwo para se casar, provavelmente, depois que ela se divorciou do marido ou depois que o marido morreu.

Depois de ser dada para Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) as crianças de Osuhunleyo (Osúhunlẹ́yọ̀) não morreram mais.




Ayo Salami, traz no seu livro Yoruba Theology and tradition - The Worship  uma visão interessante que separa Orunmila de agbonniregun. Segundo ele, eles seriam irmãos e enquanto um rodava as cidades o outro ficava em casa.

Existem diferentes escolas Yoruba, que variam pela região. Se isso esta no livro dele é porque faz parte da tradição dele, por mais distinto que possa parecer para nós que estamos acostumados com outra visão.

Mas isso, de serem ou não irmãos, assim como outras coisas é apenas um detalhe. Não estamos tratando de história e nem que arqueologia.