Pesquisar este blog

quarta-feira, março 20, 2019

O Candomblé e a matriz religiosa afro-brasileira

 
Esse blog fala de Candomblé e Ifá mas existe um tema importante que é o que esta além do Candomblé no Brasil.
O candomblé, como já é extensivamente explicado em outro texto deste BLOG, é o culto de Orixá (òrìṣà) no Brasil. Ele é composto, na verdade não por uma unidade, mas sim por vários cultos distintos e estes tem raízes religiosas bem diferentes, isto é, cultos que representam matrizes religiosas originais distintas e por esta razão não deveriam ser nomeados juntos. Mas, aqui no Brasil, essa diversidade religiosa afro-brasileira recebeu o nome comum de “Candomblé”.
É importante estar atento para o fato de que nem tudo que faz parte da dita matriz religiosa afro-brasileira é Candomblé.
A matriz afro-brasileira é bem maior do que o Candomblé, que é apenas o mais conhecido em grandes centros do sudeste. Existem outros cultos afro-brasileiros como o Batuque, o Tambor da mina, o Chambá e o Xangô (ou Nagô) que não ficam debaixo do mesmo guarda-chuva chamado de Candomblé.
Eu já abordei com detalhes esta diversidade religiosa afro-brasileira em outro texto, como já citei, recomendo que este texto seja lido para que as pessoas que não tem intimidade ou conhecimento deste contexto religioso possam entender isso.
Eu, aqui no Blog, me foco na teologia religiosa do Candomblé, esse é um Blog voltado para isso, para teologia e especificamente, dentro do Candomblé, para a teologia Yorùbá. Neste sentido o meu foco é a religião Yorùbá e não a religião do Dahomey, do grupo Jeje.
Vamos de novo, como eu já citei, Candomblé é uma denominação bem genérica para coisas que podem ser diferentes, parecem iguais, são todas afro-brasileira, mas, em termos de religião representam coisas distintas.
Eu, em meus textos, quando falo de Candomblé me refiro sempre ao conjunto de cultos ligados a religião Yorùbá (culto de orixá (òrìṣà) e Ifá). É muito comum eu trazer aqui visões novas para temas que já são conhecidos por pessoas do Candomblé, muitas pessoas, por pertencerem ao Candomblé, já tem um conhecimento ou mesmo nada sabem do que eu trato, isso é natural.
O que as pessoas do Candomblé tem que compreender é que se a casa a que elas pertencem esta ligada a raiz religiosa Yorùbá, como as casas de Ketu, Efon, Ijexá, por exemplo, então, o que eu estou falando é algo que elas devem prestar atenção.
Se elas pertencem a raiz religiosa Jeje então nada aqui se aplica a eles, podem ler como curiosidade, mas não é a religião deles.
O meu contexto religioso para o Candomblé, contempla 2 grupos religiosos bem distintos e fortes, o grupo Yorùbá e o grupo Jeje. O outro grupo, muito citado por ai, é uma mistura de coisas desses 2 com coisas de bantu e desconheço qualquer referência que legitime eles como uma tradição religiosa bantu, são apenas uma colagem, essa é minha visão após anos de convivência.
Esta é a razão de eu ter que mencionar essa diversidade. Como a palavra Candomblé designa coisas diferentes, muitas pessoas podem não entender ou saber disso e podem também estar ligados a cultos que não tenham ligação com a religião Yorùbá.
Assim, aqui o tema é a religião do grupo Yorùbá, mas atenção, como já disse isso não define a matriz afro-brasileira que é bem maior. Nosso país é muito grande mesmo.
Não posso deixar de mencionar a Umbanda como um destaque, visto que sua popularidade a torna referência para muitas pessoas que conhecem a Umbanda e não conhecem o Candomblé.
A Umbanda é uma religião brasileira, ela não faz parte do contexto afro-brasileiro. Essa não é apenas uma afirmação minha é a história da Umbanda que mostra isso e qualquer pessoa que conheça o assunto sabe disso.
A Umbanda é altamente sincrética e com o passar de muitos anos ela absorveu alguns cultos afros que acabaram desaparecendo. Todo o grupo Bantu que promovia a Quimbanda ou a Macumba acabou, sua prática foi superada pela Umbanda.
Esse grupo Bantu, de origem africana, não fazia parte da matriz religiosa Yoruba-jeje, era um grupo distinto, de prática religiosa bem pobre e objetiva voltada para a troca de favores e mercantilização desta atividade eram os feiticeiros. Uma parte se travestiu de culto de Orixá (Òrìṣà) e virou o Omolokô. Outro, a maioria se transformou em casas de Umbanda, assim se autodeclarando.
Foi esse grupo que ao ser duramente digerido pela Umbanda trouxe a africanização do formato da Umbanda e essa africanização estética faz as pessoas pensarem que a Umbanda seja parte do contexto afro-brasileiro. Não é, mesmo tendo incorporado alguns elementos africanos, como os tambores, a Umbanda é um culto e religião distinta e brasileira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário