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sábado, janeiro 19, 2019

 Consulta sobre Candomblé


 Ha meses atrás recebi um email com uma dúvida e vou usar aqui para esclarecer umas questões:

 O email foi

Preciso de ajuda, conheci uma pessoa e ele é pai de santo de uma casa, ele me convidou para ir a sua reunião de mesa, dai ele jogou para minha filha que estava comigo e falou que minha filha de 12 anos precisava fazer um assentamento para a OXUM dela pois ela estava cobrando, minha filha não era iniciada em nada dentro do candomblé, e eu não tinha muito entendimento do que isso significava, então comprei as louças que ele pediu e as comidas para oferecer ao orixá, fomos para o rio e foi feito todo o ritual lá, depois voltamos para a casa dele e foi concluido com a comida oferecida para o orixá, depois ao terminar fui embora para casa com minha filha. e agora não estou indo mais lá na casa por motivos pessoas, e o pai de santo mandou eu ir buscar as louças e a minha taça que seria de minha mestra XXX, e agora como faço? pois não tenho nenhuma outra casa para colocar, posso trazer para casa e deixar aqui no quarto de minha filha? a louça dela são pratos, bacia de agata, e sopeira sem tampa com uma pedra dentro, estou sem saber o que fazer pois não quero que minha filha se prejudique, já que ela não sabe nem oque significa tudo isso. me ajudem com conselhos e o que fazer por favor! desde já agradeço.

Resolvi publicar porque pode ser uma coisa comum, lembrando que são minhas opiniões sobre o tema

Tenho vários comentários úteis:

Essa questão inicia com um pai de santo jogando e dizendo que uma criança deveria fazer assentamento de Oxun porque o orixá estava cobrando, sendo a criança não iniciada no Candomblé.

Isso não pode existir, esta errado. Não será um jogo de búzios apenas que vai dizer que um orixá quer um assentamento. Quem acredita nisso esta errado. Decisões desse tipo passam por confirmações e até pelo próprio Orixá. Ninguém com 3 neurônios, por mais fé que tenha vai fazer qualquer coisa grande ou relevante com uma consultinha de búzios. Quanto maior a questão maior a necessidade de confirmar seja com a mesma pessoa, seja com pessoas diferentes ou seja em dias diferentes com a mesma pessoa.

Um exemplo disso são iniciações. Ninguém se inicia porque foi a um babalorixá ou babalawo e este disse que ela tem que se iniciar. Esqueça isso! Nada disso. Além de ser uma decisão pessoal que pode ser adiada e até não tomada o momento de fazer isso ou com quem você vai fazer isso tem que ser avaliado.

Vamos fazer de conta que, sim, por um motivo que não importa essa pessoa tem que se iniciar. Ela tem que ir a outras pessoas sem falar nada sobre consultas anteriores para saber se isso se repete com outros olhadores.

Babalorixás ou Babalawos não são pessoas perfeitas e infalíveis. São pessoas como qualquer um. Ter um título e uma casa não da a alguém um título de pureza e retidão moral.

Se existe uma indicação para se iniciar ou fazer qualquer outra coisa grande:

- Você tem que entender o que é

- Você tem que saber o que será feito

- Você tem que saber as consequências para o futuro

- Você tem que entender claramente os seus motivos para isso

- Você tem que entender como sua vida se encaixa nisso


Voltando a consulta, em Candomblé, diferente dos cubanos e africanos, não existe prática de dar assentamentos sem iniciações isso é coisa de estrangeiros.

É coisa para fazer ligação comercial de uma pessoa com uma casa, uma ligação que não deveria ter. É como ter um cliente cativo.

Além disso dizer que um Orixá esta cobrando algo de uma criança não iniciada. Não tem cabimento.

Não concordo com pessoas que dizem que Orixás cobram coisas como se fossem espíritos menores e inferiores. Orixá não quer nada de ninguém, o que Orixá quer é ajudar as pessoas e não precisa de nada, quem precisa somos nós.

Essa conversa da pessoa em mesa de jogo dizendo que Orixá tal esta cobrando coisas é a coisa mais comum, mais antiga e mais mal feita que existe. Não seja tolo e não caia nessa conversa.

Se uma criança ou qualquer pessoa precisa de algo, em um jogo de búzios poderá sair um ebó ou uma oferenda. Normalmente sem uso de sacrifícios. Aliás tudo começa com um padê e umas bolas de farinha e pode evoluir para uma oferenda e rezas. Coisas mais elaboradas apenas para pessoas da casa, jamais para consulentes comuns.

Se você nunca deu nada, o básico vai servir. Não é uma religião de trocas e sim de fé

Em relação a recolher as louças, basta coletar e guardar, o que importa é o okuta, aliás se importar. O resto é enfeite ou tudo é enfeite, para uma coisa dessa ter relevância, um Igba de orixá, é necessário um processo de sacralização sério. Mas, se ele foi feito (e pode tersido feito), um okuta, é muito simples de ser guardado, lembrando que, com o tempo o vínculo daquele okuta com a pessoa vai se desfazendo.

Se não se quer guardar nem isso basta um processo simples de desfazer disso. Se a pessoa não é iniciada não existem vínculos ou promessas para serem quebradas.

Para todos, muito cuidado com envolvimentos e ligações.

Se for em um jogo e a pessoa falar de cara que precisa de sacrifícios eu recomendo não fazer nada. A maior parte é apenas interesse comercial e, além disso, sacrifício envolve muito envolvimento. não faça nada disso se não conhecer muito a pessoa que esta ali.

Os estrangeiros (cubanos e africanos) adoram sacrifício porque isso significa exibição e mais dinheiro. babalawos adoram definir desnecessariamente sacrifícios para qualquer um por isso significa mais dinheiro. Babalorixás adora definir sacrifícios porque isso é mais caro e carne para a geladeira.

Contudo, nem tudo é sacrifício. Nunca foi. E mais ainda, sacrificar é uma coisa mais séria, não faça nada disso sem conhecer muito bem a pessoa com quem se consultou.

Enfim, essas são minhas opiniões, e opinião é uma coisa que cada uma tem a sua. Me baseio e experiência, prática e conhecimento para emitir as minhas. Cada um deve avaliar aquilo que acha certo e seguir.




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