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terça-feira, junho 16, 2020

Entendendo a religião Yoruba - Pt. 29 - As bases da relação de deus com a humanidade

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As bases da relação de deus com a humanidade


Depois desse longo texto sobre o assunto eu gostaria de deixar umas palavras finais para fechar o assunto. Essa religião é baseada em uma tradição oral com pouca coisa formalizada através de teólogos. A falta dos teólogos abre espaço para uma miríade de interpretações individuais ou então teses impróprias que se alastram como rastilho e estabelecem bases impróprias.

Os orixá (Òrìṣà) foram vítimas disso, ilações pessoais de todos os lados, dos Yorùbá e da diáspora. Fazendo a mesma pergunta que faça sempre para qualquer tema teórico, e dai? O que isso importa? O que afeta a prática da religião?

Muito, porque uma das bases da religião é entendermos nossa relação com o cosmo divino e com deus. Temos que entender nosso papel nessa relação e o papel deles. Isso é como em qualquer relação humana, não? Não é assim que nos relacionamos uns com os outros? Entendendo o nosso papel nessa relação?

Em religião é a mesma coisa, apenas que os personagens são diferentes, são reais e metafísicos, ou transcendentes, mas, temos que entender e definir essa relação. Se você leu tudo até aqui já deve estar claro o que a religião oferece para nós, o objetivo dela e depois desse último texto o papel do principal elemento da relação entre nós e deus, que são os orixá (Òrìṣà) e Ifá.

Para entender isso não é preciso inventar nada, basta estudar os versos que eu mostrei. Ali, já está definida esta relação.

Os orixá (Òrìṣà) receberam de deus, Olódùmarè, o papel de estabelecer com nós a sua relação. Os orixá (Òrìṣà) são a presença de deus junto a nós. Eles não são deus, eles são seus ministros, representando para nós o mesmo papel que Jesus representou para os católicos. Não temos deuses, temos um deus que se faz representar através dos orixá (Òrìṣà) e deu para eles a importante missão de acompanhar nossa jornada no Àiyé, nossa viagem no Àiyé, para que sejamos felizes e tenhamos sucesso nos nossos objetivos.

Os orixá (Òrìṣà) e Ifá representam o que eu repito sempre, a aliança de deus com a humanidade. Temos um anjo da guarda pessoal que é enikeji, temos os orixá (Òrìṣà) que são os ministros de deus, temos Ifá que é o oráculo de comunicação e temos e temos Exú (Èṣù) que é o portador do axé (àṣẹ), a mão de Olódùmarè agindo sobre a humanidade. Para quem gosta de comparações, Exú (Èṣù) poderia ser o espírito santo dos católicos.

Essa quadríade representa a relação pessoal de deus com a humanidade.

Baseado nesse entendimento, não existe espaço nessa relação para que orixá (Òrìṣà) seja elemento da natureza e muito menos compartilhe a relação humana com esta função. Mais ainda não existe base teológica que confirme isso.

Uma outra característica da religião, que já expliquei nos textos iniciais é se basear em polos, são vários polos, o sistema binário preside as relações. Uma desses polos binários é a relação masculino-feminino. Ela é muito importante e inicia quando deus deu para a mulher o poder do axé (àṣẹ). É a mulher que tem o axé (àṣẹ) e o armazena mas são os homens que conduzem a ação do seu uso, um não existe sem o outro.

Infelizmente essa religião não tem teólogos, se tivesse haveriam temas incríveis para serem tratados.

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