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sábado, junho 13, 2020

Entendendo a religião Yoruba - Pt. 28 - As sempre controversas fontes de informação religiosa

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As sempre controversas fontes de informação religiosa

Os antropólogos que estudaram a África ao longo do século passado e talvez no anterior, não ajudaram muito. Eles em seus estudos se preocupavam muito mais com a sociedade do que com a religião. Eles não tinham a formulação religiosa como um fim, mas, entendiam que não poderiam falar sobre o povo sem falar sobre a religião uma vez que uma coisa permeava a outra.

É como hoje em dia a gente estudar um país muçulmano. Não dá para falar da sociedade sem falar da religião. Contudo as enormes dificuldades de comunicação e a preocupação dos africanos estudados em agradar aqueles que os pagavam levaram a respostas e interpretações equivocadas. Os próprios Yorubas foram em parte responsáveis pela visão errada que se criou da religião deles.

Posteriormente na medida em que africanos foram sendo educados na Europa e tiveram acesso as ciências humanas e sociais e ao que foi escrito sobre eles, eles voltaram a África para fazer os seus próprios estudos. Idowu em seu livro "African Traditional Religion" descreve que houve 3 fases nos estudos sobre os africanos.

A primeira, a da ignorância, a segunda, onde quem escreve já passa a respeitar que existe uma diferença cultural e que existe de fato uma cultura não conhecida mas comparável a deles no lado “nativo” e, a terceira, onde finalmente entram em cena os escritores africanos.

Hoje em dia melhorou muito, mas, ainda temos pessoas se referenciando em obras antigas e bastante distorcidas. É importante que se entenda que nem tudo o que está escrito em um livro tem valor e nem todo mundo que escreve sobre algo sabe o que está falando. Tomem cuidado com autores que repetem o erro de outros.

Verger foi muito perspicaz quando percebeu isso e escreveu sobre esse processo. Ele verificou uma sequência de autores que se repetiam e em muitos casos que repetiam coisas ruins. Fez um bom artigo sobre o assunto, chamado Etnografia religiosa Yorùbá e probidade científica, no qual ele cita erros grosseiros que foram repetidos, um deles que compromete seriamente a tradição Lukumi e também aproveita para criticar Juana Elbein e seu livro os Nago e a Morte. Esse artigo de Verger vale a pena ser lido.

Não gosto dessa crítica a Juana, acho que a resposta dela a Verger foi muito boa, mas tirando essa fogueira de vaidades o artigo do Verger ilustra muito bem isso o que estou explicando aqui.

Eu mesmo, buscando referência sobre um assunto, o sistema de crenças Yorùbá encontrei pelos menos 3 autores diferentes que, para um mesmo assunto, repetem as mesmas palavras. Incrível! Um primeiro se deu ao trabalho de escrever sobre o tema, Parrinder se não me engano, nem o fez de forma brilhante e outros apenas o copiaram.

Tomem cuidado aqui no Brasil com autores que podem estar repetindo bobagens. Nina Rodrigues que durante algum tempo foi uma referência em Candomblé só escreveu lixo por exemplo, nem é mais citado. Mas, é comum pessoas engordarem suas páginas com conteúdo de outros.


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