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sábado, janeiro 08, 2022

Por que tantos deuses? Não podemos ter apenas 1?

Por que tantos deuses? Não podemos ter apenas 1?

 

 ( este texto foi feito para ser o roteiro de um vídeo do canal e por esta razão tem referências ao canal)

 

Existe mesmo no meio de pessoas que dizem que fazem parte dessa religião o entendimento de que existe nela um culto a diversos DEUSES, as pessoas chamam Orixá (Òrìṣà) de deuses como se isso fosse uma originalidade, mas isso é uma falta de entendimento sobre esta religião e, principalmente o que significa ter muitos deuses em uma religião. E é isso o que eu vou explicar aqui.


Tenho um vídeo longo no qual explico isso em muitos detalhes e vou lembrar de colocar um card aqui para vocês acessarem


No canal tem várias playlist organizadas por tema, não deixe consultar os temas das playlist e também podem sugerir temas para uma playlist e para um vídeo


Mas, Já endereçando a pergunta principal, de termos ou não muitos deuses: POR QUE É NECESSÁRIO SABER ISSO?


Por que isso faz toda a diferença na forma como você entende sua relação com o divino, com deus. Se você não compreende como é o divino com o qual vai se relacionar, você vai se perde em meio a dogmas e práticas sem razão e vai direcionar seus esforços e tempo para práticas desnecessários e crendices inúteis.


Além disso, isso faz parte da sua relação em sociedade com as pessoas que convivem em torno de você. Ninguém é uma ilha, e é sim, importante, as pessoas entenderem suas crenças assim como você entende as delas. Principalmente na sua relação com as pessoas que não respeitam a sua crença religiosa. Repito, você não pode ser uma bolha isolada do mundo.


Mas, voltando ao tema, não é verdade que essa religião cultue vários DEUSES. Assim, nesta religião nós cultuamos apenas 1 deus. Se você tiver um pouco de interesse em conhecer esta religião vai ver que ela é bastante normal, bastante simples, bastante devocional e não é baseada em fetichismo e animismo.


Tudo depende da sua vontade de conhecer fatos e sair dessa bolha de desinformação e preconceito.


Mas antes de iniciar esse tema, vamos definir sobre o que estamos falando. Isso é sempre chato e toma minutos, mas, é necessário. Estamos falando sobre a religião afro-brasileira de origem Yorùbá, cuja teologia eu trato aqui nesse canal baseado em Ifá.


Nesse vídeo que está no card eu explico sobre essas tradições religiosas, recomendo muito ver para poder entender o contexto.


Essa religião afro-brasileira compreende o Candomblé Nago e o Ifá. Em termos de religião também deve ou deveria , cobrir outras tradições religiosas de matriz afro-brasileira, como o Batique do Sul e o Xangô (Ṣàngó) do Nordeste, mas a confirmação disso, somente o pessoal destas tradições pode dar.


Outro aviso importante é que eu não falo sobre o Candomblé Jeje, somente sobre o Candomblé ketu, porque o Jeje é outra religião.

Nesse Card eu explico isso, que Candomblé não é apenas um culto ou uma religião.


Toda essa introdução que já falei pela décima vez é por causa desta última frase, o nome Candomblé designa coisas bem diferentes. Se você não entende isso veja os meus vídeos sobre o candomblé.


Por fim, lembro a todos que o correto é falar religião de matriz afro-brasileira. Esse termo “matriz africana” é incorreto, matriz implica em 2 dimensões que se encontram e unem. Assim a matriz é afro-brasileira.


Feito esse preâmbulo quase que protolocar vamos ao que importa, finalmente.


Nesta religião – Candomblé e Ifá – não temos muitos deuses. Lamento decepcionar.


Na verdade, nós só temos 1 deus, o maior, Olódùmarè, o deus criador de tudo, o único que tem a capacidade de gerar vida e o único que sustenta toda a existência no mundo. Isso, hoje, é um conceito simples e consolidado. Tenho longos textos no Blog explicando isso em detalhes.


A supremacia deste deus está facilmente documentada não é necessário eu perder tempo aqui justificando isso. Procurem no BLOG um dos textos sobre isso. Eu tenho um texto no qual eu explico o que são os Orixá (Òrìṣà) no qual eu explico porque Olódùmarè é o deus maior.


Partindo de explicações documentadas em versos de Ifá, é importante que vocês entendam que não é possível classificar os Orixá (Òrìṣà) como deuses. Eles são divindades originadas de Olódùmarè e dependentes dele e, desta forma, não deuses autônomos.


Orixá (Òrìṣà) não são deuses. Não repita isso, não é engraçadinho, é ruim.


A origem da expressão deuses vem do politeísmo greco-romano, onde haviam deuses (divindades maiores) que competiam entre si pelo controle do mundo, na verdade o controle das forças naturais do mundo e que eram, de alguma forma, coordenados por Zeus, que não era um deus superior e que podia ser contrariado e até combatido, tudo era uma questão de força e poder. A teogonia greco-romana é muito distinta do que tratamos hoje nas religiões, esse modelo já foi amplamente superado.


A construção da expressão Deuses é inadequada porque, deuses não diz respeito a quantidade de divindades e sim da qualidade da relação entre elas. Deuses implica em independência e autonomia, ausência de soberania e não é isso o que ocorre nesta religião e nas demais religiões do mundo que tem várias divindades.


Quando você tem deuses você não tem um deus superior. Todos são igualmente deuses, uns mais fortes ou mais influentes, mas são todos deuses e dividem o poder.


O que isso muda para você? Simples se você tem diversos deuses que dividem poderes você passa sua vida cultuando todos ou diversos deles, porque cada um pode interferir de forma diferente em sua vida. Essa estrutura não é só uma questão de entendimento teológico, ela muda toda a prática religiosa de recorrer ao divino por suas causas.


Com múltiplos deuses advém a necessidade de múltiplos cultos. Você vai se perder em devoções. Se você têm 1 deus a organização das demais divindades é verticalizada e seu culto se concentra sempre nesse deus e as divindades são uma forma de você recorrer ou de ele o suportar e interferir na sua vida. Ou seja, isso muda tudo.


Assim se você não entende como esta religião é, você facilmente se perderá em complexidades artificiais criadas por pessoas que pretendem vender facilidades, favores dos deuses. Você estará em um ciclo doido de ritos sem fim e falta de entendimento do que realmente você faz de certo ou errado. Você vai buscar ou cair em explicações artificiais de problemas e estará mais preocupado em gastar dinheiro mais em ritos do que em refletir sobre você mesma.


A religião não é uma estrutura criada para o culto a divindades. Entendam isso. Deus e os Orixá (Òrìṣà) não precisam de rezas e oferendas, não precisam ser bajulados e adorados.


A religião é uma estrutura criada por deus, sempre pelo próprio deus, para te oferecer um caminho de orientação e entendimento sobre você, sua vida e sobre a vida em sociedade. Também é uma estrutura que o ensina como recorrer ao supernatural, a deus, para obter ajuda e explica a você quais as condições em que isso poderá ocorrer e em que medida.


A religião é uma estrutura de apoio a sua vida e não ao contrário. Você é o foco da religião e não deus.


Entenderam porque faz absoluta diferença entender qual é o real modelo metafísico da sua religião?


Sinceramente eu não conheço mais, na atualidade, nenhuma outra religião que seja politeísta, a religião com muitos deuses, esse foi um modelo que acabou, por si só.


Essa questão de não termos deuses no Candomblé é entendida até mesmo por teólogos católicos. O padre paulo ricardo fez ha muitos anos atrás um vídeo sobre o Candomblé no qual ele reconhece claramente o modelo religioso correto. Ele tem alguns erros de entendimento teológico, que são normais visto a baixa qualidade de informação que ele devia ter acesso quando fez o vídeo e, sobre os quais, os erros, eu vou fazer um vídeo de resposta.


Mas, qualquer pessoa que entenda um mínimo de teologia, tipo teologia de jardim de infância, reconhece que nesta religião temos um deus superior e não é politeísta e os orixás não representam deuses menores.


Assim, se algum católico ou evangélico lhe chamar de politeísta, ele é que é o ignorante, mas, bastante ignorante.


Se um evangélico ou católico lhe chamar de pagão, isso pode ter 2 tratamentos. O primeiro é que pagão é um termo que significa, apenas, não católico. Assim se você não é católico, você é sim pagão. Todos não católicos são pagãos. Será que os católicos chamam os evangélicos de pagãos? E aos muçulmanos?


O segundo uso é como um pejorativo, vindo de gente ignorante que acha que pagão é ausência de religiosidade e de crença em deus, como se ele católico fosse uma pessoa melhor.


Veja esse vídeo neste Card onde eu abordo sobre isso.


Se os Orixá (Òrìṣà) não são deuses, então o que eles são?


Eles são manifestações teândricas de deus.


O que isso significa? - teândrico – que eu canso de repetir aqui


Teândrico significa a manifestação humanizada de deus, os Orixá (Òrìṣà),conforme está no Odù estrutural oxé (Ọ̀ṣẹ́) Òtúwá vem até nós um uma forma humanizada de modo que possamos nos identificar com ele e nos entendermos com ele através da humanidade de deus.


Os Orixá (Òrìṣà) está para nós assim como Jesus está para os católicos, jesus e os Orixá (Òrìṣà) são o mesmo tipo de manifestação de deus junto a humanidade. Não fique chocado com isso, deixe os católicos ficarem chocados.


Cada religião constrói sua mitologia da forma como deus escolheu para as pessoas entenderem sua mensagem. Jesus faz parte da mitologia católica e de sua teogonia. Não existe dúvida que o catolicismo foi uma criação de deus e nesse modelo de comunicação com as pessoas, no modelo católico, deus escolheu ter 1 divindade, Jesus.


Mas em outra religião, para se comunicar com outras pessoas deus pode escolher se manifestar teandricamente em mais formas, ou seja, em mais “Jesuses”.


Não podemos, nós, que cremos em deus e somos teístas, ficarmos discutindo e brigando por causa da importância e do valor das manifestações teândricas de deus. Não podemos ficar discutindo qual manifestação é a mais forte, verdadeira ou relevante, isso é idiotice, é um humanismo bobo.


Vamos lembrar que os católicos se concentram na manifestação teândrica de Jesus, mas no cânon da bíblia nós podemos encontrar outras divindades e os católicos disfarçam a devoção deles a infindáveis divindades, como anjos e santos devido a égide do monoteísmo, mas, esse monoteísmo é bastante relativo.


Qual a diferença de um anjo para um irunmolé ou de um santo para um Orixá? Não se pode esconder essa devoção a dezenas e centenas de divindades debaixo do tapete para se dizer, monoteísta.


Ficar discutindo as manifestações teândricas de deus é se perder em mesquinharia humana e esquecer que o mais importante é o que nos une frente a toda a humanidade que é que nós, todos, religiosos teístas, cremos em deus.


Eu poderia avançar muito em conceitos aqui, mas vou ficar só até esse neste vídeo.


Católicos podem dizer que o que eu estou dizendo é blasfêmia ou heresia, claro, que se danem os que acham isso. Toda vez que você contraria eles você vira herege de maneira que, esse é mais um adjetivo que não me importa ou interessa, estou falando aqui de deus e de religião


Os católicos chamam deus de Jeová, mas a história é um pouco diferente, Jeová é o deus anunciado aos judeus e os católicos criaram sua religião baseada nessa que já existia, tanto que os livros da tanakah fazem parte do Canon da bíblia.


E olha que coisa curiosa, que extraí de uma fonte:


Na tradição judaica, pronunciar o nome de Deus é algo grave, porque (se a palavra é a coisa) dizer o nome do Eterno criador do mundo é trazer à presença a própria base que sustenta o cosmo. Daí a regra fundamental de, sempre que o tetragrama sagrado (composto em hebraico pelas letras Yod, He, Vav e He e transliterado em português da seguinte forma: YHWH) aparece, o judeu observante das regras religiosas precisa substituir o som desse nome por outro. Adonai, El Shadai, Elohim Shabaot, Adonai Shabaot, Elohá, El, Ehieh, Iah: existem, de acordo com as tradições místicas judaicas, diversos nomes para Deus. As combinações de letras, palavras, e sons totalizam 72 nomes que compõe uma curiosíssima estrutura numérica e linguística que perpassa toda Torah


O que tenho a informar aos católicos é que as palavras na nossa religião tem o mesmo tratamento, são sagradas e pronunciá-las já é um chamamento. Nós entendemos as palavras sagradas da mesma maneira. Os nomes de Odù tem apelidos para que não sejam usados. Nossas religiões não são diferentes e afirmo, as religiões teístas são todas muito equivalentes.


Como na religião católica, o deus supremo, para nós, também tem muitos nomes, Olódùmarè, Olorun, Oluwa, entre vários. O curioso é que as primeiras pessoas que tomaram contato com os Yorùbá acharam que por terem vários nomes eram vários deuses e não o mesmo nome para apenas um, mas, o curioso é que os judeus sempre fizeram isso e nunca foram mal-entendidos, muito curioso isso.


Na religião católica, Jesus é uma manifestação teândrica e, até hoje, os católicos “brigam” com a definição de Jesus ser ou não o filho de deus. A versão oficial da igreja é que jesus é o próprio deus manifestado aqui. Isso é um dogma que foi amplamente questionado por séculos e amplamente combatido pelo papado como heresia e os teólogos que discordavam da posição da igreja foram excomungados.


Até hoje eu falo sobre isso a alguns católicos, de formação, sobre Jesus ser deus e não o filho dele e todos desconhecem essa versão de Jesus ser o próprio deus encarnado, ou seja, existe um problema no catecismo deles.


A esta altura vocês devem estar, bastante confusos e se perguntando, porque isso aqui? Porque esse tema? Porque estou falando e falando de Jesus?


É por causa dessa invenção católica, surgida em um concílio no século V, que ele dizem que a religião deles é superior as demais. Eles dizem que na versão deles deus, em pessoa se manifestou junto a nós e por isso a religião deles é superior. Você não vai poder dialogar com eles se não entender essa posição.


Vejam, se na religião que se anunciou a eles, deus se manifestou apenas em Jesus, não significa que deus não possa ter escolhido outro formato e linguagem para tratar com outros povos.


Tenho que passar por cima da questão deles acharem (de fato acham) que deus, apenas se manifestou para eles e que as demais religiões cultuam outros deuses. Eles dizem que na deles deus veio lá, “em pessoa” e que assim se existe uma religião legítima é a deles, porque, nas demais, o próprio deus não se apresentou.


É esse o argumento da superioridade.


Isso é um argumento formal, eles falam isso, mas, esquecem de dizer que esse entendimento de que deus encarnou é uma interpretação humana e convencionada em concílios e que nunca foi consenso completo, sempre teve opositores.


Eu fico na dúvida se quando eles, católicos e demais (evangélicos e islâmicos), dizem isso eles pensam que as demais religiões no mundo são invencionices humanas ou que eles acham que existem outros “seres espirituais”, demônios que se passam como um deus para serem cultuados.


É bem difícil entender o que eles acham. Talvez as 2 coisas.


Um concílio é uma reunião de pessoas para discutir e acordar temas religiosos. As pessoas selecionadas por um critério qualquer, hierarquia por exemplo, se reúnem em um lugar e definem administrativamente significados, regras e dogmas e isso para a valer para os católicos. Se dizem inspirados por deus para fazerem essas definições.


Um concílio é uma interpretação humana da bíblia. As pessoas se reúnem para estabelecer uma teologia que elas passam a convencionar que é a que deve ser adotada pelos pertencentes a religião católica.


A maior parte da religião católica tem uma complexa teologia definida fora da bíblia, através de concílios e de interpretações de teólogos como santo Agostinho, são Tomás de Aquino e outros. Interpretações bastante criativas. Um pequeno fato ou frase bíblica, origina toda uma tese teológica que, na verdade, é uma visão humana sobre o que deus estaria de fato dizendo para nós.


A maior parte da teologia e entendimento de uma religião vem dos homens e não de deus. As pessoas interpretam o que leem como elas querem.


Os judeus achavam e possivelmente ainda achem que, no mundo todo, gigantesco, com milhares de pessoas (mesmo naquela época), deus selecionou um punhado de gente e disse que eles eram os escolhidos e todos demais não lhe interessavam e eram dispensáveis.


Todos os homens são criações de deus, mas ele escolheu alguns poucos milhares para serem os mais bem queridos e estes podiam matar e tomar tudo dos demais, como se os demais fossem equivalentes a animais.


Não estou inventando nem exagerando.


É isso que os judeus contam nos seus livros sagrados e os católicos também adotaram, mas, de forma maior, porque os católicos dizem que deus aparecer em carne e osso para eles, apesar disso ser uma versão católica saída de um concílio, com século de pessoas questionando isso.


É esse tipo de visão, na minha visão, é desprovida de bom sendo e levou as pessoas a agirem de forma extremada contra todos os que não eram católicos, inclusive contra os próprios judeus. Eu como teísta, que reconheço a grandiosidade de deus, não posso acreditar em uma visão mesquinha de deus como essas duas, uma originada dos Judeus e outra gerada pelos católicos.


Os livros da Tanakah, a bíblia judaica e os do novo testamento foram escritos por homens e não por deus, homens escreveram aquilo. Alguém exagerou o que fez e isso gerou séculos de violência religiosa, inclusive contra os judeus.


Existe espaço para muitas religiões no mundo porque a religião é uma linguagem de comunicação de deus com a humanidade e deus se comunica com as pessoas de diversas formas, da forma como for mais adequada. Não estou sendo fantasioso ao afirmar isso, estou sendo realista. Meu objetivo é que vocês entendam o que é religião e o bem que ela traz.


Ao redor do mundo, deus se manifestou às pessoas de muitas maneiras, através de muitas religiões e todas elas têm o mesmo objetivo, de nos fazer pessoas melhores.


Quem e contra essa visão de religião como uma manifestação universal de deus? Todos aqueles que querem você dentro da religião dele. Quem está mais interessado no que ele fala do que deus fala. Não estou aqui fazendo apologia ao universalismo religioso no qual você pode ser de todas as religiões ao mesmo tempo e que isso tanto faz. Não. Isso não faz bem e é um erro.


Mas vamos ignorar isso? Que o mundo é imenso e que deus não está apenas restrito ao oriente médio?


Não se pode duvidar do poder de deus e muito menos da santidade das religiões anunciadas por ele ao redor do mundo para dezenas de povos, recusar isso é diminui o próprio poder de deus.


Mais uma vez, eu lembro a todos que o Canon judaico foi escrito por homens e não por deus, lá tem a versão de um ou mais homens, assim como todo o novo testamento também foi escrito por homens. A fuga da “humanidade” da bíblia é que ela foi escrita sob inspiração divina e por isso é sagrada, é a palavra de deus. Argumento muito simples para encerrar um assunto que você não tem capacidade de defender, tem que ter muito fé humana envolvida nisso. Sim, fé humana porque você tem que acreditar em argumentos humanos.


No antigo testamento deus falava as multidões? Não lembro disso. No novo deus falava aos crentes? De forma alguma. Sempre era alguém que aparecia dizendo que deus falou com ele. Os relatos do novo testamente mostram claramente Jesus como um representante de deus. O que deus faria se isolando no deserto após seu primeiro milagre para refletir e ser desafiado pelo diabo? Apesar de todo esse senso, os católicos e o mundo tem que acreditar na versão de Roma que deus esteve presente entre as pessoas ao invés dele, o Cristo, ser mais um profeta como outros que vieram antes.


Não será essa decisão de designar Jesus como o próprio deus ao invés de mais um profeta de deus ou mais uma manifestação teândrica de deus uma definição muito mais política do que teológica? Hoje vendo o que essa abordagem fez com a humanidade e com a história, você não cogita isso?


Depois deste passeio histórico, mas, necessário, voltamos para nós aqui, na nossa religião. Não temos muitos deuses, temos 1 só deus.


Os Orixá (Òrìṣà) são o próprio deus junto de nós, não são sub-deuses.


Os judeus e os católicos, por consequência, tem um histórico muito ruim de relação com deus. Ler o antigo testamento mostra o que foi essa relação entre um minúsculo povo e sua divindade maior.


Um relacionamento de atos infantis, irracionais, passionais de ambas as partes. Parece uma divindade infantil lidando com um povo igualmente infantil.


Não estou dizendo que deus seja infantil, estou dizendo que é o que você entende quando lê o que está lá, por quem escreveu aquilo.


Os católicos herdaram dos Judeus o entendimento de que falam diretamente com deus e que deus os atende e os ouve e é assim que devemos proceder. No máximo podemos rezar a Jesus que na verdade é o próprio deus. E os santos? Não rezamos aos santos? Sim, mas os santos são uma forma de chegarmos a deus e não os santos em si.


Isso é o entendimento deles. Mas apesar desse entendimento, deus nunca falou com qualquer pessoa, falava somente com os escolhidos dele.


Com o tempo você vai entender a complexa teologia, mas complexa mesma, com explicações mirabolantes que os católicos criaram para justificar suas teses.


Deus atendia a esse escolhido, era com esse escolhido que ele tinha relação, os profetas de deus. Esses escolhidos é quem falavam com as pessoas e muitos desses profetas tiveram reputações péssimas.


As pessoas reconheciam este escolhido devido a deus dar a ele em momentos especiais poderes especiais que mostravam que aquela não era uma pessoa comum.


Jesus foi quem falou as pessoas, igualmente como um homem e como um profeta, como ele mesmo se definia, uma manifestação teândrica de deus, uma forma humanizada que em nada, nada mesmo, lembra o deus mesquinho, agressivo, raivoso e ciumento da Torá.


Qual a diferença de Jesus para um Moisés por, exemplo? Talvez a quantidade de milagres e a missão messiânica que o fez cumprir um objetivo de curto prazo enquanto Moisés teve um desgastante objetivo de longo prazo.


Não estou diminuindo Jesus, sem dúvida, Jesus era uma manifestação teândrica de deus, investido com muitos poderes e que conseguiu em muito pouco tempo mudar o mundo todo.


Jesus falava o que as pessoas entendiam e queriam ouvir e se anunciava como o messias, o enviado de deus.


Posteriormente, Jesus, que exerceu por um tempo muito curto o seu papel, foi substituído pelos seus profetas e santos que trataram de espalhar as palavras desta nova religião, porque o que os católicos espalharam pelo mundo não tinha nada ou pouco a ver com o que havia antes através dos judeus.


Mais uma vez deus falou as pessoas através das pessoas.


Mas, apesar disso tudo, de toda a história que está registrada por eles mesmos, os católicos têm essa presunção de que falam diretamente com deus, que o criador de tudo o mantenedor de tudo, o supremo sem o qual nada funcionaria fica ali disponível para suas preces noturnas e matinais.


Por isso é que eu tive que fazer essa longa volta.


Os católicos rezam a deus e a resposta é: o silêncio.


Mas apesar de acharem isso, que devem rezar a deus, as igrejas estão cheias de santos e eles rezam de fato para os santos e a virgem maria. Rezam e fazem novenas e promessas. Até onde me lembro todo mundo tem seu santo de devoção, acho difícil um católico que não está ligado a um ou mais santos e santos eram pessoas.


Mas, porque estou falando tanto sobre isso? Porque é importante estabelecer contexto.


Na nossa religião, nós cremos no mesmo deus, mas esse deus escolheu uma outra forma de se comunicar e se fazer entendido pelas pessoas, no seu objetivo primário de fazer as pessoas melhores e fazer um mundo melhor.


Nossa religião nos diz que deus nos ama e nos dá todo o suporte para a nossa vida aqui. Eu não estou inventando palavras, não estou inventando dogmas como os católicos fazem nos concílios onde criam a sua própria teologia. Estou falando o que está nos versos de Ifá.


Não preciso inventar nada.


Desta maneira nós falamos com deus através dos Orixá (Òrìṣà). Nós rezamos a deus através dos Orixá (Òrìṣà). E mais importante, deus responde a nós, se comunica com a gente através dos Orixá (Òrìṣà).


Os Orixá (Òrìṣà) são deus e não deuses.


Nós não ficamos orando ao vazio, sempre, nós temos a oportunidade de ver nossas preces manifestarem. Não precisamos fazer nenhum grande esforço para crer em deus.


Porque da mesma forma como nós rezamos a deus através dos orixá os orixá se manifestam para nós, na nossa frente, transmitindo as bençãos de deus e nos mostrando que deus existe de fato, ele nos ouve e responde a nós.


Eles acreditam que falam todo dia com deus, mas, deus não responde e nunca respondeu, segundo o canon deles. Nós não temos essa pretensão, a religião não nos direciona a deus, nos direciona a nos relacionar com deus através dos Orixá (Òrìṣà), uma relação bilateral. Foi assim que nesta religião deus orientou o seu culto. Nessa religião deus não estavam preocupado com a concorrência de bezerros de ouro.


Devido a forma como nos relacionamos com deus e como ele nos responde nós enfrentamos a ira dos cristãos. O problema que enfrentamos é a ignorância e a inveja.


Nós temos uma fé prática e divinamente humana, uma fé que nos acompanha no dia a dia. Eles se recolhem em silêncio nas igrejas.


O que esta envolvido aqui não é fé e sim a visão humana da prática religiosa. As pessoas não estão preocupadas com deus e sim em comparar a forma como umas procedem em relação a outras. É apenas isso que está envolvido nessa questão de 1 deus e de criminalização de divindades.


Não existe objetivo nesta fala em criticar os católicos ou judeus, eu apenas usei-os como referência, afinal eles são a religião dominante. Só que essa questão de 1 deus ou de vários deuses é apenas uma derivação humana deste tema.


Eu vou encerrar por aqui, já cheguei no meu ponto, como já disse teria muita coisa para tratar e ainda vou falar como animismo, fetichismo, imagens e sacerdócio, mas, fica para outros vídeos.


Vou encerrar com a fala final:


Não temos muitos deuses, temos apenas 1 o mesmo deus de todos o mesmo deus que criou e mantêm tudo. Mas na nossa religião, deus se humaniza através dos Orixá (Òrìṣà), que não são deuses, são uma visão humana do próprio deus.


Esta não é uma religião que tem imagens, ídolos, fetiches e animismos. Católicos e umbandistas tem imagens. Fetiches e animismos pertencem a humanidade desde que ela existe e nesta religião não é baseada em fetiches.


Deus fala com todas as pessoas do mundo. Ele escolhe a melhor forma para cada povo. Quem respeita deus de fato, não fica preocupado em dizer que só ele fala com deus.


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