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sexta-feira, maio 18, 2012


O Jogo de Búzios e Ifá - parte 1 de 4

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O Material à seguir é uma revisão profunda em um texto já publicado sobre Jogo de búzios. Eu modifiquei o título porque o materia mudou bastante. Quem já leu o texto anterior recomendo que leia este.

Eu lamento não ter publicado nada no blog ha um mes pelo menos, mas este material e mais o material sobre exu acabaram consumindo o meu tempo, assim, preferi focar em concluir esses materiais.

Uma questão que me incomoda bastante é a suposta existência de jogo de búzios baseado em Odù no Candomblé. Muitas pessoas dizem e se promovem falando que jogam búzios por Odù. Claro que eu sempre acreditei nisso. Contudo depois que tomei contato com Ifá e entendi o que é Odù e como é um oráculo por Odù e descobri que o Candomblé inventou uma ficção sofisticada chamada Jogo de Búzios por Odù.

No capítulo seguinte será explicado o que é Odù e só por ler este texto uma pessoal atenta vai perceber que esta explicação não tem nada haver com o que se fala no Candomblé e que em função disso a existência de um jogo de Búzios por Odù é improvável. Sim, se a base esta errada o resto todo também vai estar.

Esta situação me levou a um desconforto maior, ruiu minha confiança nas coisas que se afirmava com tanta veemência. Assim eu passei até mesmo a questionar se seria possível ter um oráculo de búzios ligado a Ifá, baseado em búzios e desta forma conectado com Órunmila (Ọ̀rúnmìlà).  

Tive que voltar a estaca zero e restabelecer primeiro a minha crença na tese de que podemos ter acesso a Ifá através do uso de Búzios. Claro que isto me levou a vários caminhos como entender o que se fazia no Candomblé como Jogo de Búzios e como seria um Jogo de Búzios através de Odù e Ifá. Este foi um longo caminho e que trouxe todo esta trabalho aqui

A situação atual do oráculo no Candomblé 

 

Eu vou voltar a esta questão no fim deste texto, mas fica mais fácil se sintonizarmos a mente de todos no que vamos tratar. Aqui.

O questionamento do Jogo de Búzios por
Odù só foi possível devido, finalmente, ao estabelecimento do culto de Ifá no Brasil com a vinda em volume, de Bàbáláwo cubanos e nigerianos e também com o consequente surgimento dos primeiros Bàbáláwo brasileiros, iniciados em Cuba, na Nigéria e agora aqui mesmo, no Brasil.

Antes de Ifá, o Jogo de búzios sempre reinou soberano no Brasil, como oráculo oficial do Candomblé e referenciado, sem qualquer tipo de critério, como sendo o oráculo de Ifá. Esta supremacia solitária trouxe prestígio, mas, também, excesso de liberdade e falta de controle sobre sua prática.

Só existia o Candomblé como culto de Orixá (Òrìṣà) e sendo o Jogo de Búzios o oráculo do Candomblé qualquer coisa que se falasse, por força da falta de uma outra referência tinha que ser verdade.

Com o verdadeiro culto de Ifá funcionando no pais e trazendo, de fato, o oráculo de Ifá e o método de Ifá, a posição do jogo de búzios mudou completamente. Sua situação imperial acabou e às referências de que se joga por odù, que são o supra-sumo da modernidade, perdem todo o sentido no momento em que se percebe que os babalorixás de nada entendem de Ifá e até mesmo o que seja um Odù.

Com a vinda do verdadeiro culto de Ifá se percebeu a enorme quantidade de besteiras que os Babalorixás falam. Eles se aproveitavam da ausência de quem tivesse o conhecimento adequado. Os babalorixás há muto tempo já haviam percebido que eles podiam falar um monte de bobagens e não ter ninguém para os contrariá-los.

Para quem não conhece, este comportamento ocorre em profundidade no culto de Orixá, porque, os babalorixás, dominam o conhecimento e não permitem que as pessoas que o cercam aprendam o que eles sabem e o que elas deveriam saber. Mas esse castelo de cartas caiu, seja no culto de Orixá como no caso do oráculo.

Este texto vai abordar o assunto em todos os seus aspectos. Seja autenticando o Oráculo com os búzios, o owó ẹyọ mẹ́rindílógún como sendo um oráculo de Ifá e uma comunicação legítima través de Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà), como também entendo o que hoje é feito do Candomblé. 

A questão do culto aos Orixá (Òrìṣà)


O surgimento no Brasil, de uma forma quantitativamente significativa, do culto especializado ao oráculo, novo no nosso ambiente religioso, deu uma nova dimensão à discussão sobre o Oráculo no Candomblé.

Primeiramente temos que lembrar que, mais do que apenas falar sobre um oráculo, Ifá é um culto diferente do Candomblé. É um culto especializado e orientado a uma divindade, Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), o elerii (ẹlẹ́rií) ìpin, testemunho do destino de todos nós. Os sacerdotes de Ifá se dedicam a ser os mensageiros de Órunmila (Ọ̀rúnmìlà), que por sua vez é o mensageiro dos Orixá (Òrìṣà) e de Olódúmarè, o Deus supremo, segundo os Yorùbá.

No que pese ser impossível praticar a religião sem que todos os Orixá (Òrìṣà) estejam envolvidos, conforme já foi explicado, no texto sobre o Odù Ọ̀ṣẹ́-Otùwá, os sacerdotes de Ifá se dedicam exclusivamente a uma única divindade Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) e tudo o que eles fazem gira em torno dele. Ifá é Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) e é também o nome do oráculo através do qual Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) fala conosco.

Este contexto já gera um grande impacto em relação ao Candomblé, que representa um modelo totalmente diferente deste. Aqui no Brasil os Babalorixás (Bàbálòrìṣà) se acostumaram a serem os únicos e absolutos representantes da religião africana. O Candomblé representa um modelo de centralização e gestão absolutista.

Ifá representa um duplo rompimento desse modelo e dessa forma um duplo desafio à convivência entre ambos. Ifá primeiro desafia o modelo de culto do Candomblé e em segundo desafia a primazia da propriedade do Oráculo que estava restrita às mãos do Babalorixás (Bàbálòrìṣà). Existe ainda um agravante, em uma casa de Candomblé somente o Babalorixá (Bàbálòrìṣà) usa o oráculo. Não existe ninguém para confirmar ou discordar dele e somente ele consegue interpretar o próprio Oráculo e transmitir as orientações e definições dos Orixá (Òrìṣà).

Em Ifá tudo é muito distinto. A consulta ao Oráculo é feita com toda a transparência e normalmente mais de um Babaláwo participa da consulta, fazendo uma interpretação conjunta do Oráculo.

O fato de Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) ser o elerii (ẹlẹ́rií) ìpin e esta função estar fundamentada na teologia da religião, investe o culto a Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) de uma importância fundamental no que se refere a oráculo, ele é o oráculo por direito da religião e isso pesa muito na visão das pessoas.

No Brasil, não tivemos o culto de Ifá na nossa história religiosa. Esse foi um culto que não veio junto com o culto dos Orixás (Òrìṣà). Além disso, não foi posteriormente inserido no contexto religioso, como acabou ocorrendo com o culto de eegún.

Temos, há muito tempo no Brasil, muito bem estabelecido e com qualidade superior a outras tradições da diáspora, o culto de Orixá (Òrìṣà), através do Candomblé das nações (nago, ketu, jeje, ijexá, hansa, mina, tapa e muitas outras).

O culto de eegún, trazido posteriormente, tem se multiplicado, mas não impactou o Candomblé. Ele também rompe com o modelo do Candomblé, com casas exclusivas e sacerdotes dedicado, mas, no contexto religioso, não envolve Orixá (Òrìṣà), as casas tem que ser distintas e este culto também não influencia no oráculo do Candomblé.

O Candomblé é uma tradição religiosa baseada em uma matriz teológica africana. Ele, contudo, não reflete exatamente o que existe na África porque é uma tradição originada através da diáspora negra. Esse processo, a diáspora, criou mais do que uma tradição religiosa, no nosso caso o Candomblé, mas também o lukumi em Cuba e o Voodoo no Haiti.

Todas essas tradições desenvolveram conceitos e práticas próprias. Não mudaram a origem, os dogmas da religião, mas, na ausência de acesso ao dogma original, seja por questões de distância ou de língua, tiveram que se virar com o que tinham e sabiam. Isso gerou algumas variações e simplificações. Além disso o sincretismo influenciou diferentemente cada uma dessas tradições.

Uma tradição religiosa é um movimento muito comum em qualquer religião. Não se trata de uma degradação ou desagregação, pelo contrário, é uma especialização, uma melhoria, um formato que atualiza e adiciona riqueza cultural.

É claro que quando a criatividade é demasiada, esse processo pode gerar uma nova religião ou então uma prática que se distancia demais da matriz teológica original, para que possamos chamá-la de tradição. Assim, é sempre necessário um certo dogmatismo e fundamentalismo porque senão a religião se perde e acaba ocorrendo um processo igual ao da Umbanda, que não significa nada, em termos religiosos.

Através desse seu processo de diferenciação, o Candomblé reformatou o culto aos Orixá (Òrìṣà) nas bases que eram as possíveis e também nas que eram necessárias para a nossa terra. Um desses aspectos, foi a centralização do culto à todas as divindades em uma só casa, sob um único teto. Isso também levou a termos um sacerdote religioso multifuncional o Babalorixá (Bàbálòrìṣà).

Eu não quero aprofundar esse aspecto antropológico do Candomblé porque isso já esta documentado em fontes especializadas, mas, alguns comentários são necessários para o escopo deste assunto.

A responsabilidade de um Bàbálòrìṣà é enorme devido a concentração de poder e responsabilidades que foi feita pelo Candomblé. São atribuições religiosas e civis que se tornam inatingíveis para a maior parte das pessoas. Um babalorixá tem que administrar um grande conjunto de liturgias e especificidades inerentes às várias divindades que foram absorvidas. Tem também que administrar uma comunidade de membros com funções, aspirações, expectativas, vaidades e principalmente conflitos.

O conhecimento que eu tenho do formato Africano, era de que o culto na África tinha uma total especialização e contexto familiar e de linhagem. O culto era restrito a um grupo de pessoas e um grupo muito discreto de divindades.

Os templos eram dedicados a uma divindade e o culto a uma divindade concentrado em vilas e regiões. Os sacerdotes eram especializados no culto de sua divindade. Um modelo muito diferente do nosso. Esse modelo original simplificava muito os problemas que Candomblé passou a ter.

O objetivo não é fazer comparações qualitativas com outras tradições, até porque, o Candomblé é uma tradição muito bem sucedida e completa, preservando cultos que foram perdidos pelos africanos e com liturgias, orações e cantos muito mais completos que outras tradições da diáspora.

Mas, em função da complexidade reunida no Candomblé, temos sim, um problema interno de continuidade da tradição em vista da baixa qualidade da transmissão do conhecimento, da abertura por pessoas incapazes de novas casas e do lixo histórico que representa o sincretismo, mas, isso é outro assunto.

Existe uma perda de qualidade através das sucessões mal feitas e iniciados não instruídos. O processo de sincretismo também tem causados danos. A antiga diversidade e riqueza cultural de várias nações reunidas sob o rótulo de Candomblé, se foi e continua ainda se perdendo mais a cada dia, porque a falta de continuidade e transmissão de conhecimento leva as casas a abandonarem uma postura ortodoxa e a seus dirigentes adotarem liturgias e formatos de outras nações, se adaptando ao possível, preenchendo o que falta no seu conhecimento sobre sua nação com o que encontram disponível por ai.

Não podemos negar que podemos também justificar isso com outros argumentos. Existe uma facilidade muito grande de contato hoje em dia e isso gera uma forte exposição de formatos com aquele velho sentimento de que a galinha do vizinho sempre é mais gorda. Existe uma falta de disciplina no nosso povo em seguir regras e ortodoxia, existe gente que falsifica formação de modo que nunca teve qualquer tipo de transmissão de conhecimento, são imitadores e copiadores por natureza.

Um fator adicional que quebrou a unidade e a falta de dedicação na transmissão de conhecimento foi a falta de unidade familiar. A religião na África era um reflexo da família, da descendência e da sociedade tribal e regional. Aqui no Brasil não havia isso. A diáspora e a organização escravagista acabaram com os laços familiares e étnicos.

Aqui, em função da falta das famílias, clãs e linhagens, o Candomblé se adaptou a esse ambiente e criou uma hierarquia substituta. Laços religiosos substituíram os familiares, ou melhor, criou os laços necessários no novo contexto social para permitir que uma religião completamente familiar se desenvolvesse.

A família espiritual e a comunidade religiosa, o Egbe, não foram um acaso, uma conveniência ou uma solidariedade. Foram uma criação necessária para que a prática religiosa pudesse existir.

Mas essa conveniência de criar relações religiosas substituindo as familiares foi apenas cosmética. A relação familiar religiosa não se sustenta como legitima porque não existe compromisso ou dedicação em muitas casas em transmitir conhecimento. Além do mais, os “filhos” são tratados mais como clientes e os “irmãos” estão muito mais para Abel e Caim.

Voltando a questão do modelo do Candomblé, a convivência no mesmo espaço físico e espiritual do culto a muitas divindades de regiões e etnias yorùbás distintas se tornou o padrão litúrgico no Candomblé, substituindo o modelo africano. Isso exigiu adaptação do culto e criou na figura do Babalorixá (Bàbálòrìṣà) um sacerdote com muito mais responsabilidades.

Apesar dessa agregação, Ifá não fez parte desse processo, certamente devido as suas características muito especializadas. Com isso o Candomblé perdeu um ramo de conhecimento importante. Essa é uma realidade a encarar, compreender e aceitar uma vez que esse culto era e sempre foi muito distinto do culto aos Orixá (Òrìṣà) e seria impossível ao mesmo ser absorvido pelo Candomblé, como se fosse mais uma divindade, mais um Orixá (Òrìṣà) e, principalmente, mais uma especialidade para o todo poderoso Babalorixá (Bàbálòrìṣà).

Em Cuba onde existe uma outra tradição da diáspora, o Lukumi, que é similar ao Candomblé em termos de centralização de divindades, existe o culto à Ifá, mas eles permanecem muito distintos. Existe uma convergência no que se refere a visão de Orixá (Òrìṣà) (eles compartilham a visão da diáspora cubana), mas são casas que funcionam separadas.

Contudo em cuba o oráculo dos Lukumi baseado no uso de búzios se manteve muito próximo a Ifá em seu formato. Não é homogêneo, existem variantes mais próximas ou mais afastadas, contudo todas elas são estreitamente compatíveis com um oráculo de Ifá.

Esse modelo de convivência não se repetiu no Candomblé. Incorporar o irunmale (irúnmalẹ̀) Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) também não foi possível, até porque o candomblé gira em torno do conceito de Orixá (Òrìṣà) e Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) não pode ser tratado como sendo um Orixá (Òrìṣà).

Aliás, não posso deixar de comentar e criticar, que o Candomblé é célebre por “Orixálizar” todo o universo cosmogônico Yorùbá. No Candomblé os irunmale (Irúnmalẹ̀) são conhecidos, mas funcionalmente, ou melhor teologicamente, ignorados. Todos são substituídos no seu significado por um Orixá (Òrìṣà). No Candomblé tudo é Orixá (Òrìṣà).

Esse processo não foi devido à falta de conhecimento, foi talvez uma simplificação de aprendizado para permitir uma prática mais pragmática. A concentração de poderes e responsabilidades teve um preço. O Candomblé não encontrou em sua origem e evolução o caminho de preservar o conhecimento e o culto à teogonia original, junto com a prática de uma religião voltada para o Orixá (Òrìṣà). Ele acabou se tornando muito complexa em função da junção do culto às muitas divindades em uma só tradição e é claro às muitas nações.

Esse modelo também levou a um outro modelo, o clerical, tendo apenas 1 única pessoa em cada casa com poderes absolutos e a centralização da transmissão do axé (aṣẹ́). Isso incluía também a manipulação do oráculo, que é a espinha dorsal de uma casa de Candomblé. Tudo, absolutamente tudo, na mão de uma única pessoa, com pouca e quase nenhuma capacidade ou vontade de dividir isso com outros na mesma casa.

Não podemos afirmar que essa concentração de funções foi o modelo inicial. Uma casa deveria ser grande e ter os cargos para que muitos membros dividissem funções e responsabilidade. O Oráculo era uma das que poderia ficar com o Oluwo da casa e este não era o próprio Babalorixá (Bàbálòrìṣà).

A gente pode ser perguntar, o que deu errado? Não sei ao certo. Atribuo à multiplicação de casas nanicas, com pessoas despreparadas e não voltadas para a religião.

O resultado disso a longo prazo foi uma carga grande demais para uma só pessoa. Assim muito teve que ser simplificado. Iniciando pela teogonia Yorùbá, seguida pelo Oráculo. Em contraponto a isso o culto e liturgia dos Orixá (Òrìṣà) foi valorizada e enriquecida ao máximo.

Através desse processo, foco em Orixá (Òrìṣà) e simplificação do resto, o Candomblé foi abandonando o que era muito complicado e não fazia parte do seu núcleo. A sua ligação com Ifá chegou a existir através da vinda para o Brasil de Bangboxê. O jogo de búzios, substituiu o ẹẹ́rìndínlógún e adquiriu variações sempre buscando uma forma mais simples de ser usado e aprendido. O problema que esta simplificação foi sendo cada vez maior e maior e os Babalorixá (Bàbálòrìṣà) encontraram na mediunidade uma forma de se desincumbir do oráculo sem ter que gastar seu tempo para aprender e muito menos, claro, ter que designar uma outra pessoa para fazê-lo. Assim o controle era total e cada vez mais imperial.

Acredito que com um pouco de criatividade podemos especular muitas motivações para esse processo, como dificuldade de ter acesso ao método de Ifá para o owó ẹyọ mẹ́rindílógún, dificuldade de ler e estudar documentos e outras, mas, na base disso tem que estar a necessidade de simplificar devido a grande carga sobre o Babalorixá (Bàbálòrìṣà).

Ifá exige dedicação devido a sua complexidade. Não havia como acomodar isso como mais um fardo sobre o Babalorixá (Bàbálòrìṣà). Contudo, nenhuma tradição dessa religião pode existir sem um oráculo. O oráculo tem que estar presente em qualquer pratica e ato da religião porque o oráculo é a forma do divino falar. Dessa maneira o oraculo teve que sobreviver, mas se distanciando de Ifá.

O owó ẹyọ mẹ́rindílógún foi concebido para ser uma Ifá mais simplificado. Isto esta na teoria e na prática. O seu formato tem o objetivo de permitir que o Babalorixá (Bàbálòrìṣà) pratique um oráculo de Ifá e ainda possa se concentrar no culto de Orixá (Òrìṣà).

Mas não foi o que ocorreu. O jogo de Búzios assumiu caminhos próprios e usou métodos alternativos. No Candomblé Ifá perdeu seu significado e essência, Odù perdeu o seu sentido, virou sinônimo de Caminho, o que nunca foi. Ifá virou apenas uma palavra para significar oráculo.